12 comentários:
De Xa2 a 11 de Junho de 2014 às 15:37

--- Homenagem a Camões


Não mais, Musa, não mais que a Lira tenho
Destemperada e a voz enrouquecida,
E não do canto, mas de ver que venho
Cantar a gente surda e endurecida.

O favor com que mais se acende o engenho
Não no dá a pátria, não, que está metida
No gosto da cobiça e na rudeza
Duma austera, apagada e vil tristeza.

(Os Lusíadas, Estrofe 145, canto 10)

(-por Alcipe , TimTimNoTibet, 10/6/2014)


De Manifesto 3D : conclusão a 11 de Junho de 2014 às 16:51

BALANÇO E CONCLUSÃO DO MANIFESTO 3D

Documento aprovado na reunião de promotores do Manifesto 3D

realizada em 7 /6/2014

Os promotores do Manifesto 3D vêm dar conhecimento aos subscritores das conclusões que extraíram das reuniões realizadas em Coimbra, Lisboa e Porto nos dias 9, 10 e 11 de Abril passado com grupos de subscritores e das decisões daí decorrentes sobre o futuro do Manifesto 3D.

Aos subscritores presentes nas reuniões foi previamente distribuído um documento de reflexão (”Encontros de subscritores do Manifesto 3D – Notas para a discussão“) do qual constava uma análise da situação política, um balanço das ações do M3D (nomeadamente da sua tentativa de promover uma candidatura comum de esquerda às eleições europeias) e um capítulo de reflexão sobre o futuro onde eram colocadas várias questões que poderiam enquadrar a discussão.

É o seguinte o balanço que fazemos destas reuniões de subscritores:

•A generalidade dos subscritores presentes reafirmou de forma clara que consideram fundamental a constituição de um polo aglutinador de esquerda, representativo e forte, que não seja apenas uma força de oposição às políticas de austeridade mas possa contribuir para a construção de uma alternativa real de governação

•A maioria dos presentes defendeu a transformação do M3D numa plataforma de intervenção política mais ativa, sem que houvesse porém consenso quanto ao formato dessa plataforma, sendo a criação a curto prazo de um novo partido político defendida por uma minoria de subscritores

Considerando o resultado da sua ação até aqui e os sentimentos e as razões expostos pelos subscritores, os promotores do M3D reunidos em 7 de Junho de 2014 decidiram:

1. Não considerar a transformação do Manifesto 3D numa organização política, qualquer que seja o seu estatuto e objetivo, por considerar que o texto do Manifesto 3D, já assinado por mais de 5.400 subscritores, não legitima de forma inequívoca essa transformação.

2. Pôr termo à sua atividade enquanto Comissão Promotora e a qualquer forma de intervenção pública em nome do Manifesto 3D.

3. Reafirmar a necessidade da construção de um polo de esquerda que saiba somar à oposição à austeridade a vontade de participar na governação e na resolução responsável dos problemas do país.

Posto isto, e considerando em particular o resultado das recentes eleições europeias, onde foi expressa de forma clara a rejeição dos partidos do atual Governo, a reduzida confiança na alternativa representada pelo Partido Socialista, uma crescente desvinculação do atual sistema político por parte dos eleitores e a procura por muitos cidadãos de novas formas de intervenção no plano cívico e político-partidário, estamos convictos de que:

•os resultados das eleições para o Parlamento Europeu demonstraram que a proposta do M3D de uma candidatura às eleições europeias que reunisse numa base programática comum o Bloco de Esquerda, o partido Livre, a Renovação Comunista, o M3D e outras organizações políticas, movimentos e pessoas fazia sentido, era oportuna e era possível

•existe um número muito significativo de cidadãos empenhados na construção de uma solução governativa à esquerda que compreendem a necessidade e sentem a urgência de construir um terreno comum onde seja possível o entendimento entre diferentes forças de esquerda e veem com desencanto e desagrado a recusa da procura desse entendimento

•existe um número importante de cidadãos à esquerda que considera necessária uma reconfiguração do atual panorama político-partidário que possa dar origem a esse entendimento entre forças de esquerda capaz de produzir uma solução governativa

•a proposta de entendimento à esquerda que foi lançada pelo M3D deixou sementes positivas no debate político que germinarão em novas iniciativas

Assim, enquanto promotores do Manifesto 3D, reafirmamos a nossa determinação na construção de uma alternativa de governação à esquerda e o nosso empenho na construção dos instrumentos que possam corporizar essa alternativa. No entanto, as futuras iniciativas que venham a materializar-se nesse sentido, ainda que beneficiem da herança e do capital de experiência recolhido pelo M3D, não se realizarão sob essa designação.

Os promotores do Manifesto 3D


De Bajuladores e bajulados ... desgraça, a 11 de Junho de 2014 às 17:15
O mundo irreal dos bajulados

(oJumento, 9/6/2014)

Uma boa parte das nossas elites e altos dirigentes do Estado e das empresas privadas não passam de bajuladores.
A bajulação é tão ou mais importante quanto as capacidades pessoais, as aptidões profissionais ou as habilitações académicas para se singrar e ter sucesso na vida.
Começa-se de pequenino como graxista de professores e vai-se singrando e iludindo a mediocridade especializando-se na bajulação do poder.

Basta ligar a televisão e esperar por uma qualquer entrevista de um ministro para se perceber a importância da bajulação nos rituais do poder.
Atrás do ministro aparecem sempre três ou quatro altos dirigentes do Estado, das empresas, adjuntos ou assessores cuja função é acenarem com a cabeça, com um ar muito sério, de quem está digerindo e a avaliando as palavras uma a uma.

Um primeiro-ministro um ministro ou mesmo um alto dirigente do Estado acaba por viver num mundo irreal, um mundo construído pelos bajuladores que o rodeiam e onde só se vê sucessos.
Tudo o que se decide é alvo dos maiores elogios, qualquer graçola desencadeia gargalhadas prolongadas.
Ao fim de algum tempo pensa-se mesmo que o mundo de mentiras que lhes é construído à volta é real, sentem-se deuses.
Imagine-se a confusão que irá na cabeça de alguém, vulgar e com uma inteligência mediana como é Passos Coelho neste mundo de bajuladores.

Um bom exemplo desta dimensão execrável da nossa vida política está-nos sendo dado por alguns apoiantes de José António Seguro.
Leiam-se, por exemplo as numerosas intervenções que nestes dias têm sido feitas por um tal Álvaro Beleza, são um imenso cardápio da bajulação.
Por exemplo, todos sabemos que Seguro era contra as directas e que a sua opção não passou de uma manobra suja para ganhar tempo e votos de mercenários para se manter na liderança que receia perder.
Pois o nosso Álvaro viu nessa decisão um segundo 25 de Abril e descobriu no seu chefe um Salgueiro Maia dos tempos modernos.

O problema da bajulação é que tem um peso tão grande nos processos de decisão e na escolha dos dirigentes do Estado, do governo e das empresas que é uma das causas do nosso subdesenvolvimento.
Em vez de termos gente inteligente, competente e corajosa nos lugares de decisão, temos fracos que singraram com recursos à bajulação e que não hesitam em recorrer a todos os meios para ultrapassarem os mais dotados.
Por outro lado, vive-se num mundo irreal, cheio de sucessos, em que os mais altos dirigentes são promovidos pelos bajuladores a deuses infalíveis.


De Costismo ou novo futuro ex-gr. líder PS. a 12 de Junho de 2014 às 10:00
---- O costismo
(João Cardoso Rosas, http://economico.sapo.pt/noticias/o-costismo_195269.html ,11/6/2014)

Nunca ninguém tinha notado, até há pouco tempo, que António Costa é o grande líder que fará desabrochar mil flores.

Mas várias pessoas descobriram-no agora, depois de aturadas investigações em bares do Bairro Alto e restaurantes de Sintra. Não há intelectual descomprometido nem analista político estritamente independente que não fale como se Costa não tivesse já sido eleito e estivesse prestes a entrar em funções. No programa de televisão em que participa e no qual construiu a sua persona salvífica, os colegas de debate já lhe dizem: "quando for você a governar...".

Apesar deste movimento nacional e cientificamente comprovado por sondagens, pelo menos de acordo com jornalistas amigos ou familiares do próprio, tenho ainda algumas dúvidas - pequenas, claro - sobre o valor político do costismo.

Os costistas falam da renovação que Costa vai trazer ao PS. Mas, a julgar pelos seus principais apoiantes, essa renovação assenta em figuras como Soares e Sócrates. Além disso, quem está a rodear Costa é gente que nenhum português bem informado convidaria para jantar em sua casa, desde Marcos Perestrelo a José Lello, de Jorge Lacão a Mesquita Machado. Pelo contrário, os costistas dizem que quem rodeia Seguro são obscuros homens do aparelho. Mas, para dar apenas alguns exemplos, eu vejo lá referências do PS (Alberto Martins), gente qualificada e com experiência internacional (Maria João Rodrigues) ou nacional (João Proença). E vejo efectivo rejuvenescimento (Manuel Caldeira Cabral).

Os costistas insistem nas novas ideias políticas que Costa traz para o País. Mas, quando se lê o que Costa escreveu e vai dizendo não se encontra uma única coisa que Seguro não tenha também dito ou sugerido, geralmente antes do próprio Costa (veja-se os livros que ambos publicaram). Será que Costa vai agora propor algo totalmente novo? A suspensão do pagamento da dívida? A saída do euro? Se assim for, isso fará realmente a diferença, mas não parece que seja assim. Alguns dizem: pois, mas o modo como Costa fala é mais convincente, enquanto Seguro não tem carisma. Ora, eu pensava, ingenuamente, que o que mais importava era a substância das ideias, não o modo de expressão mais ou menos telegénico.

Os costistas ressalvam ainda a grande experiência governativa de Costa e o seu pendor executivo, enquanto Seguro seria o homem do aparelho. Mas não me recordo de uma carreira de Costa fora da política e dos pequenos ou grandes golpes - como agora - para alcançar o poder. Por outro lado, Seguro também foi membro de vários Governos e não se saiu mal, tal como Costa. Quanto à especial capacidade executiva de Costa, custa um pouco a entender como é que alguém que vai salvar Portugal não consegue sequer manter as ruas de Lisboa limpas e sem buracos.


De . PS e o país ... esfrangalhados a 16 de Junho de 2014 às 09:23

O CISMA
(ou o PS esfrangalhado... - e não aparece outro PS ou partido de esquerda que mobilize os cidadãos ... para limpar esta choldra !! )

Apoiado nos estatutos, o Conselho de Jurisdição do PS decretou a impossibilidade de um congresso extraordinário eleger um novo secretário-geral.
Apenas um Congresso regular o poderá fazer.
Uma curiosa decisão, tendo em vista que a direcção do partido aprovou primárias (e até fixou a data respectiva) para a eleição do candidato a primeiro-ministro, sendo certo que os estatutos do partido não autorizam, nem sequer prevêem, tal procedimento.

O país não percebe que, com a sua teimosia, António José Seguro permita que o PS seja esfrangalhado a céu aberto.
Faltando mais de três meses para as famosas primárias, tudo pode acontecer.
Não esquecer que, neste momento, o PS tem um grupo parlamentar cindido:
45 dos 74 deputados foram capazes de dar a cara e o nome em documento assinado que doravante os compromete (sete são vice-presidentes da bancada).
E resta saber quantos, dos 29 que não assinaram, fizeram saber que... podes contar comigo, pá!
Num país de rolhas, isto pode acabar da pior maneira.

Se António José Seguro acredita ter o partido com ele, não tem que recear primárias ou directas no mais curto prazo de tempo.
Devia ser o primeiro a querer esclarecer o Cisma.

Negando a António Costa a possibilidade de um confronto em tempo útil, os apparatchik do Rato estão a conduzir o PS para um beco sem saída.



(-Etiquetas: António Costa, Partido Socialista
posted by Eduardo Pitta, http://daliteratura.blogspot.pt/
14/6/2014)


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