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De BE e outros partidos após Eleições Europ a 11 de Junho de 2014 às 15:44
Quo Vadis
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.Renuncia a contundentes declarações de princípios para apresentarem objetivos atrativos e ambíguos de alcance geral. O êxito da respectiva estratégia depende do líder, fazendo surgir,sempre que necessário, um novo processo de personalização do poder. Privilegiam estratégias de curto prazo sobre as componentes ideológicas.
Não surpreende portanto esta luta pela assunção do poder no Partido Socialista, como não surpreendem as promessas por cumprir feitas em campanha eleitoral, nem tão pouco, como agora assistimos, à demonização do Tribunal Constitucional, como justificação para os erros próprios.
O Partido Comunista é, todos o sabemos, um partido de militantes. Possui uma organização muito estruturada com uma burocracia própria, com profissionais políticos, e aposta porque tem uma forte carga ideológica, numa atividade política permanente, com constante mobilização e consciencialização das massas.
Por isso sobreviveu quando quase todos os outros partidos comunistas europeus sucumbiram à “queda do muro,” e por isso é também o único partido em Portugal que tem crescido consistentemente desde o advento da crise.
No entanto, dadas as suas características, dificilmente crescerá a um nível que lhe permita uma maior implantação social.
O MPT, que elegeu dois deputados, é um exemplo de partido de quadros, ou de agregação de interesses, sem carga ideológica e que vive exclusivamente da imagem de quem o integra, sem estrutura organizativa, ou uma estrutura muito incipiente.
Elegeu Marinho Pinto devido à sua exposição mediática, e elegeu mais um deputado apenas por arrastamento. É no entanto, uma prova viva do descontentamento que grassa entre os cidadãos deste país.
Quanto ao PP... é difícil a qualificação, Paulo Portas? Partido Popular? É isso sim, a organização que alberga a direita deste país, desde a direita ultramontana à direita democrata-cristã, todos se enquadram no PP, com um discurso fortemente populista e uma política de alianças com os partidos de eleitores, que lhe vão permitindo ter influência relativa no arco dito do poder.
Resta abordar o Bloco de Esquerda, força política que integro e que é o motivo desta crónica.
O BE, nasceu da aliança de três forças partidárias, que poderíamos enquadrar na definição de partidos ideológicos, ou de massas se preferirem. E nasceu a partir da constatação óbvia de que existia um espaço à esquerda que necessitava de um elemento agregador que o representasse.
Foi assim que a UDP, o PSR, e Política XXI, sem perderem a sua matriz identitária, juntaram esforços e deram origem ao BE.
O objetivo era claro! Agregar as esquerdas que não se revissem no PCP e também, todos os que sendo de esquerda, não se sentissem representados na prática política, bastante enviesada, do PS.
Pelo seu discurso e práticas inovadoras, o BE transformou-se numa pedrada no charco do panorama político português. Para isto, além de contar com uma boa imagem mediática, muito contribuiu a ideia, (posta em prática) de convergência, defendida pelo partido, que viu a sua influência aumentar com a adesão de múltiplas franjas minoritárias - até aí votadas ao ostracismo pelas outras forças partidárias - e que contribuíram para que o Bloco se transformasse no paladino das causas entendidas como fraturantes, mas que na realidade eram e são os entraves a um quotidiano minimamente aceitável para grande parte dos portugueses. Contou também o BE com figuras de inegável qualidade, que através das suas intervenções nos Parlamentos, Nacional e Europeu, além da sua prática política, contribuíram grandemente para que o partido se enraizasse no eleitorado e conseguisse ser, em determinado momento a maior força política à esquerda da social-democracia. Este foi o auge do Bloco de Esquerda no panorama partidário.
A partir deste ponto, a irregular implantação no território, o escasso investimento no trabalho autárquico, a falta de coordenação do pouco trabalho militante que existia, aliadas a decisões estratégicas e táticas que se revelaram desastrosas, (o apoio à candidatura de Manuel Alegre, a recusa do diálogo com os representantes da Troica entre outras) levaram a um afastamento grande por parte dos simpatizantes e a uma consequente perda de eleitores.
Assim se chegou à última Convenção Nacional, após ...


De Bloco de Esquerda: - para onde vais? a 11 de Junho de 2014 às 15:48
Quo Vadis
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Assim se chegou à última Convenção Nacional, após uma sucessão de derrotas eleitorais e num ambiente de crescente descrédito. Sobre a mesa, duas Moções, uma a B, que defendia a necessidade de uma maior participação das bases nas estruturas do partido, secundada por uma política de convergências mais alargadas quer a nível local, quer no âmbito nacional. Sustentava-se nesta moção em traços genéricos, que o partido não poderia ficar refém das correntes fundadoras e que deveria abrir-se de forma mais desassombrada a todos cuja adesão ao BE, tinha sido consequência de processos ulteriores aos movimentos fundacionais. A outra Moção em confronto, que recolheu maior número de votos e determinou a estratégia a seguir, consubstanciava a sua argumentação na ideia de um Governo de Esquerda do qual o Bloco seria a charneira. O descontentamento popular pela degradação das condições de vida, o exemplo da Grécia com a afirmação meteórica do Syriza, o desgaste provocado no governo pelo surgimento de inúmeros movimentos reivindicativos, o relançamento da contestação sindical... aconselhavam a que se esperasse à esquina da história, porque o dito governo da esquerda estava já já a chegar. Além disto, e para acalmar as movimentações tectónicas, procedeu-se a uma operação de cosmética, substituindo a Coordenação Singular, por uma Bicéfala que tranquilizasse as hostes e proporcionasse alguma acalmia dentro do partido. Quanto a convergências, ou abertura identitária, nada! Quem quisesse que viesse ter conosco, que aí sim estaríamos abertos ao diálogo.
Nem a coordenação a dois acalmou as hostes, nem o Governo de Esquerda chegou, nem tão pouco se conseguiu criar uma remota convergência sequer, com quem quer que fosse.
Poder-se-ia ter aproveitado o Congresso Democrático das Alternativas, seria até possível ter outro tipo de diálogo com o 3D, ou com outros agrupamentos políticos da esquerda, mas, para a acutal direção política, a ideia de convergência consiste em esperar que os outros se aproximem...
Nestes últimos dois anos, o BE fechou-se numa ideia de auto-suficiência que o levou a acumular desaires atrás de desaires e a ver a sua esfera de influência substancialmente diminuída, ou pela saída de figuras nucleares, ou até mesmo por via da crescente perda de credibilidade que esta estratégia profundamente desfasada da realidade gerou.
Para quem não se revê nesta linha estratégica, e dado o fechamento da maioria na Mesa Nacional, (o principal órgão entre convenções) apenas duas alternativas se apresentam, ou se abandona o BE, procurando outro tipo de intervenção ou afiliando-se noutro agrupamento político, ou se continua a correr por dentro, tentando refundar o partido, num regresso às origens, enquanto espaço de convergências várias, aberto e actuante, próximo das populações e por isso mesmo porta voz de uma efectiva política de mudança, que contribua para o retomar da confiança dos cidadãos cada vez mais afastados das lutas sociais.
É precisamente isto que a ex moção B, agora Plataforma 2014, se propõe fazer, quer na Mesa Nacional, quer em todos os outros órgãos em que está representada.
Nesse sentido fizemos na última Mesa Nacional, propostas claras e concretas que levariam sem dúvida a um renascer da esperança, que foram rejeitadas e que foram ignoradas em posteriores análises feitas pelos coordenadores.
Não é verdade que a coordenação e a sua continuidade não tenham sido questionadas, não é verdade que a escolha da data da próxima Convenção tenha sido unânime.
Foi apresentada uma proposta clara de resolução, que aponta no sentido da abertura do BE a novos contributos.
Não há que temer a diluição do Bloco num espaço de convergências, há isso sim é que evitar o fim do Bloco por não se abrir a esses espaços.
Há que juntar forças com todos os que queiram acabar com a política de austeridade que está a destruir a Europa.
Recusa do Tratado Orçamental, renegociação da dívida, (com ou sem saída do euro, para mim com! Não vejo outra forma) e uma aposta prioritária na recuperação do Estado Social, são sem dúvida bases para um entendimento.
A partir daqui tudo é possível.
Publicada por M. Sampaio


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