De Colaborando com a Destruição do Estado. a 17 de Janeiro de 2014 às 14:41

Não se esqueçam
( : estão a COLABORAR com a DESTRUIÇÃO do Estado, dos Funcionários Públicos, da classe média, da Democracia, da Justiça, da Saúde, do Ensino, ... --- não se esqueçam e, depois, não se queixem !!! será tarde ...)

(-OJumento, 17/1/2014)

O país está assistindo ao espectáculo mais indigno de que há memória, uma boa parte dos portugueses aderiram por mero oportunismo à FALSA conclusão de que os funcionários públicos são privilegiados,
para aceitarem confortavelmente que uma pequena parte dos portugueses sejam brutalizados e suportem quase em exclusivo a crise financeira.

Os mesmos que em tempos justificavam os baixos vencimentos no Estado com a estabilidade, concordam agora com cortes brutais nos vencimentos dos funcionários públicos com o argumento de que ganham muito acima da média.

Para os ricos é preferível que sejam os que não são ricos a pagar a crise,
para os pobres é preferível que seja a classe média
e para os trabalhadores do sector privado é preferível que sejam os do sector privado.

O governo sintetizou e cada vez que precisa de reduzir défice vai buscar o dinheiro aos funcionários públicos no activo e aos que se aposentaram.

O governo apregoa um milagre económico e uma boa parte dos portugueses fica contente porque o vaso caiu em cima do vizinho.

Os funcionários públicos estão suportando as consequências das más políticas de governos que todos elegeram,
estão pagando as consequências de uma lógica política iniciada por Cavaco Silva segundo a qual os portugueses votavam nos que faziam mais obras para inaugurar,
estão a pagar as consequências da evasão fiscal,
estão a suportar a redução do IRC,
estão a financiar as ajudas ao sistema bancário,
estão a pagar o BPN,
estão suportando as perdas resultante da venda do pavilhão Atlântico ao preço da uva mijona
e até estão suportando os lucros chorudos que a família de Cavaco Silva ganhou com as acções da SLN.

Se for necessário mais um esforço orçamental os portugueses podem estar descansados,
este governo faz mais uma declaração,
uma calibração ou uma aproximação ao sector privado, e volta a cortar 10% nos vencimentos e pensões da Função Pública.

Os portugueses que não pertencem ao grupo dos eleitos podem estar descansados,
vivem no país sem austeridade, num país onde desce o IRC,
onde só paga impostos quem quer,
onde os banqueiros só podem ter lucros.

Os outros portugueses, os funcionários públicos e pensionistas do Estado,
são gente inferior que vive num gueto onde não há direitos, onde os salários são fixados arbitrariamente.

Esta é a situação de um país onde só há unanimidade no funeral do Eusébio ou onde só há nação quando o Ronaldo joga,
no resto do tempo somos um povo onde não faltam canalhas, corruptos e oportunista,
gente sem qualquer solidariedade,
eleitores que à sua escala são tão oportunistas quanto os políticos.

Mas é bom que políticos sem princípios e eleitores oportunistas não se esqueçam de que um dia destes
quando estiverem numa urgência hospitalar o médico que os vai tratar ganha menos do que uma empregada doméstica,
o polícia que vai proteger os seus bens vive pior do que o ladrão,
o engenheiro que verifica a segurança das pontes está ao nível do servente de pedreiro.

Os que agora sorriem porque a austeridade só recai sobre o vizinha não se esqueçam de que estão COLABORANDO com a DESTRUIÇÃO do Estado .

Mas é óbvio que se vão esquecer e daqui a uns tempos
políticos, jornalistas e cidadãos comuns vão dizer
que os funcionários públicos são incompetentes,
que entram tarde, que não fazem nada e ainda ganham mais do que os outros.

Cada país tem o povo que merece
e começa a ser tempo de considerar todas as equações
quando se estudam as causas do nosso subdesenvolvimento endémico.

Se fizessem aos empregados de uma empresa aquilo que está sendo feito aos funcionários públicos há muito que essa empresa estaria falida.
Mas no Estado os funcionários ainda insistem na velha cultura do serviço público
e apesar do que lhes é feito ainda se comportam com dignidade.
Mas já faltou mais para que comecem a "arrear"
e quando isso suceder é bom que os que agora se calam não se esqueçam do seu oportunismo e cobardia.


De Política e interesses pessoais e Finance a 17 de Janeiro de 2014 às 17:13

A que futuro queres pertencer?

(16/1/2014Valupi,AspirinaB)

A notícia de que Barroso forçou o Governo socialista na crise política e financeira de 2011 a assumir mais austeridade do que a considerada adequada pelas autoridades nacionais – Sócrates diz que Barroso o obrigou a mais austeridade – passou com o mesmo impacto que o trânsito de Plutão pelo éter cósmico tem no quotidiano dos terráqueos.
Não é assunto que interesse, sequer aos próprios socialistas. Mas abre uma boa ocasião para realçar um aspecto crucial na temática do chumbo do PEC IV e suas consequências.

tudo o que se passou em Março de 2011 era historicamente inevitável e foi politicamente lógico. Era historicamente inevitável por ser politicamente lógico, eis o nexo.
Realmente, os agentes que decidiram aproveitar a crise das dívidas soberanas para interromperem a legislatura e conquistarem o poder limitaram-se a cumprir a sua ambição.
Eles não pretendiam ficar na História por terem ajudado o País a lidar com uma conjuntura internacional inaudita, com isso minimizando as suas consequências económicas e sociais
para toda a população e especialmente para a classe baixa e classe média,
pois nessa eventual missão heróica teriam de abdicar da colossal oportunidade para derrotarem os adversários que as circunstâncias permitiam;
e que, nesse modo da lógica política básica e rapace que é a sua, tornavam inevitável.

Não foi outro o sentido do episódio, dado como factual, em que Marco António Costa ameaça Passos Coelho com o seu derrube dentro do partido caso não avançasse para o derrube de Sócrates chumbando o PEC IV.
Aquele golpe, aliás, tinha sido longamente preparado, tendo demorado o tempo necessário para Cavaco obter a reeleição e estar em condições de gerir a crise que se ia abrir de maneira a boicotar o PS e favorecer o PSD até ao limite das suas capacidades.
E foi o que fez com pleno sucesso, começando com o discurso da tomada de posse, continuando com a pressão política assim que se viu Passos a vacilar após a reunião secreta com Sócrates nas vésperas da apresentação pública do PEC IV e, finalmente, garantindo que a crise aberta chegaria às suas últimas consequências:
levar Portugal para um resgate de emergência e levar Sócrates a eleições com esse jugo no pescoço.
Caso este mesmíssimo plano não tivesse sido aplicado em Março, seria levado avante em Outubro ou Novembro a pretexto do chumbo do Orçamento para 2012.

Não sei se algum dia se saberá o que foi combinado entre Sócrates e Passos nessa tal quinta-feira à noite em que discutiram o futuro imediato do País.
O certo é que o PSD no dia seguinte mostrou-se alinhado com a estratégia de Portugal, a qual era a que a Europa também pretendia que vingasse.
Belém foi célere a intervir, tomando a iniciativa da abertura da crise ao reclamar não ter sido consultada e dizendo que se estava perante uma grave falha institucional e Passos passou para o registo da mentira desenfreada
– e à traição ao interesse nacional por chantagem interna – no espaço de 48 horas.

Esta história da nossa História é acolhida com gargalhadas, sorrisos ou apatia pela enorme maioria dos portugueses.
Gargalhadas dos que concebem a política como uma guerra civil onde vale tudo, fazendo da luta pelo poder uma campanha de terra queimada sem o menor tremor de consciência.
Sorrisos dos cínicos, protegidos pela segurança e conforto obtidos por acomodação, os quais acham que a política é isto e só isto e não pode deixar de o ser, não perdendo uma caloria com surpresas ou indignações.
E apatia dos miseráveis, dos broncos, dos fanáticos, dos sectários, dos alienados, dos calculistas e dos que sobrevivem na cidade sem saberem quem lhes pode valer.

Sim, claro, a política é esta selvajaria pulsional, a qual tanto pode ficar confinada a um quadro institucionalizado ou levar a pegar em armas. Aqui e em todo o lado.
Hoje como há centenas e milhares de anos. Porque é a sempiterna luta pelos recursos finitos e pelo estatuto hierárquico. Mas será só isso?
A civilização foi criada para perpetuar os privilégios de uns poucos à custa da fragilização de muitos?
Os ideais que nos arrancaram à animalidade, à irracionalidade e à violência tribal nasceram de figuras com estas cobiças oligárquicas?
A resposta terá de vir de cada um ...


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