De Jornalismo, socialismo, capitalismo .Fr. a 2 de Julho de 2014 às 15:20
Jornalismo, socialismo, capitalismo [França]

(01/07/2014 por Sarah Adamopoulos ,http://aventar.eu/2014/07/01/jornalismo-socialismo-capitalismo-franca/#more-1217222 )


O jornal francês Libération também procura o modelo de negócio do jornalismo do futuro, se possível sem ter de abrir um restaurante ao lado da redacção. Entretanto, o director nomeado pelos novos ACCIONISTAS (mas os ASSALARIADOS poderão recusá-lo com mais de 66% de votos contra) aposta tudo no DIGITAL, na redução de jornalistas e em mais trabalho para os que ficam.
«Para combater o LIBERALISMO», afirmou ontem perante a redacção inteira reunida e «fazer do Libération o jornal de todas as esquerdas» (à imagem do que François Hollande também dizia, na campanha eleitoral para a presidência que ganhou, e a que aliás o Libération prestou vergonhosa vassalagem).
Sente-se a DESCONFIANÇA dos jornalistas no olhar da maioria, cheira-se o MEDO:
o medo de ir parar ao MATADOURO de fazer DESEMPREGADOS, em muitos casos para o resto da vida.

E nada de tudo o mais que disse Laurent Joffrin (para quem esta nomeação poderá constituir um regresso ao jornal onde se fez jornalista e cuja redacção já dirigiu) parece minimamente relevante, apesar de sê-lo:
o combate pela recuperação da credibilidade do jornalismo, numa sociedade que, tal como a nossa, o vê com os maus olhos de quem o sabe MINADO por toda a sorte de COMPROMISSOS anti-jornalísticos:
com os poderes políticos e financeiros,
com os interesses de classes particulares,
com a mediocridade que incessantemente vemos espelhada num jornalismo preguiçoso
e indigno de sociedades supostamente civilizadas e democráticas.
E não parece relevante porque objectivamente não o é para Laurent Joffrin, uma pessoa que diz coisas apenas para dizê-las, porque ficam bem, num discurso sem qualquer eloquência e que não seria jamais capaz de improvisar em razão do VAZIO de ideias que o define.

Joffrin, cata-vento sempre útil para os que em França prosseguem utilizando o jornalismo como plataforma de lançamento e entreposto para tudo e mais alguma coisa alheia ao próprio jornalismo,
não passa de um lamentável elo numa cadeia que liga os investidores (como é de novo o caso dos accionistas do jornal a que se abalança agora a voltar) à classe política que os serve.
Entrevistado para um documentário feito por jornalistas independentes quando dirigia ainda a redacção do Nouvel Observateur, declarou com descontraída certeza que os valores de esquerda não são incompatíveis com a economia de mercado tal como a conhecemos:
desregulada por omissão política e responsável pela desigualdade extrema que actualmente atinge os povos europeus.

É assim natural que o eventual regresso de Joffrin não colha entusiastas entre os jornalistas da redacção do Libération, nem anuncie nada que não conheçam já. É tudo velho e decadente, como os valores que movem Joffrin pelos caminhos enviesados do jornalismo que agora o trazem de volta ao falido Libé – ou ex-falido, já que parte substancial das dívidas foram já sanadas mediante a utilização de uma parte do novo capital accionista, estimado em 18 milhões de euros (resgate com origem, entre outros, num grande operador de telemóveis).

E no entanto, se Joffrin representasse interesses consequentes no que ao jornalismo e aos «segmentos das esquerdas» diz respeito, bastaria colher ensinamentos no projecto Mediapart**, que está ao que sei a ser bem sucedido em termos do modelo de negócio, assente num jornalismo de investigação e de leitura crítica da sociedade regido por princípios éticos à prova de promiscuidades torpes, e numa informação online de qualidade, paga por leitores que anteriormente compravam jornais (e que de vez em quando não se importam de comprar as edições especiais editadas em papel e distribuídas nas bancas francesas).
---** http://www.mediapart.fr/ :
Nicolas Sarkozy a été mis en examen dans la nuit de mardi à mercredi pour « corruption active », « trafic d'influence » et « recel de violation du secret professionnel ». L'ex-président est au cœur d'une information judiciaire ouverte depuis février. Deux hauts magistrats, Gilbert Azibert et Patrick Sassoust, ainsi que l'avocat et ami de l'ancien chef de l'État, Thierry Herzog, ont eux aussi été placés en garde


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