6 comentários:
De Suja realidade económica e social a 12 de Maio de 2014 às 12:21
Tragédia limpa

(-por Sandra Monteiro, LeMondeDiplomatique, ed.Pt, Maio 2014)


Uma saída a sério exige, seja qual for o governo em funções, que ele esteja disposto a armar-se de um consenso com o seu povo, com os povos austerizados, para afrontar as metas monetaristas do Tratado Orçamental e impor aos credores financeiros uma reestruturação profunda da dívida. Fora deste cenário, e das alianças virtuosas e fortes que ele tem condições para criar, a realidade de quem vive do seu trabalho será trabalhar mais e receber menos; a de quem cai na precariedade será a constante perda de direitos; a de quem está desempregado será a emigração ou a eternização dessa condição (com subsídios reduzidos ou sem qualquer protecção social, como já acontece a 445 mil dos 812 mil desempregados); a de quem se reforma será a de pensões que deterioram muito o seu nível de vida. Ao lado da pobreza e da desigualdade, a riqueza continuará a acumular-se entre os beneficiários da austeridade.

Se não for agora que a esquerda, que todas as esquerdas, se empenham em deter este empreendimento criminoso e substituí-lo por políticas que promovam a justiça social, quando será? Quando as regras de saída das crises já nada quiserem com o jogo democrático? Por muito que se tente manipular a realidade, a tragédia, quando se instala, é sempre suja.

sexta-feira 9 de Maio de 2014
http://pt.mondediplo.com/spip.php?article992

Índice
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Editorial

A máquina de punir . SERGE HALIMI

Que saída?

Tragédia limpa . SANDRA MONTEIRO

O ajustamento, a nova normalidade e a despesa pública que deve ser cortada . JOSÉ CASTRO CALDAS

A sustentabilidade da Segurança Social está a passar por aqui . JOSÉ LUÍS ALBUQUERQUE

Tempos Difíceis (série)

A escolha de Vitória: trabalho doméstico e os equívocos da moral burguesa . NUNO DIAS

DOSSIÊ . Alentejo: o trabalho e o povo nos 40 anos de Abril

Alentejo de trabalho e de terra… «inda um dia hás-de cantar» . ANA ESTEVENS

Agricultura, terra e trabalho . RICARDO VICENTE

Alentejo, Alentejo, de Sérgio Tréfaut . PAULA GODINHO

Política

O universalismo, uma arma para a esquerda . VIVEK CHIBBER

Rússia

Moscovo: entre jogos de influência e demonstrações de força . JEAN RADVANYI

Eurásia: a versão russa do «choque das civilizações» . JEAN-MARIE CHAUVIER

Médio Oriente

Israel desconcertada pela guerra na Síria . NIR BOMS e ASAF HAZANI

O grande medo da Arábia Saudita . ALAIN GRESH

DOSSIÊ . Ameaças à democracia indiana

Esperanças do «homem comum» . NAÏKE DESQUENES

Negocismo e racismo no país de Gandhi . CLÉA CHAKRAVERTY

À sombra dos massacres de 2002 . CHRISTOPHE JAFFRELOT

Uma imprensa popular que ignora o povo . BENJAMIN FERNANDEZ

Américas

América Latina: a direita forçada a inventar um discurso social . GRACE LIVINGSTONE

África

Instrumentalização da tradição no Ruanda . THOMAS RIOT

Ficção

Perspectivas objectivas . RITA TABORDA DUARTE (ilustração DUARTE BELO)

Recortes de imprensa


De Acabar com o vicioso Estado deles. a 12 de Maio de 2014 às 14:55

--- O Estado é deles?


«Portugal nunca teve um rei Luís XIV a dizer que “o Estado sou eu!” Mas tem tido demasiados políticos, ao longo dos séculos, que se têm comportado como se eles fossem o Estado.

Apropriaram-se do conceito e domesticaram-no: “O Estado é nosso!” A confusão não permite, por isso, qualquer reforma verdadeira. O Estado partidarizado e refém de grupos que se sucedem a colher os seus frutos e os impostos dos cidadãos não se reforma. Mascara-se. (...)

O Governo não quer mudar de modelo, porque isso implicaria o fim da partidarização e o fim do Estado como centro de emprego para os pajens e de distribuição de benesses para quem tem acesso à feijoada do Orçamento.

Reformar é ter melhores serviços públicos com menos impostos e não cortá-los (como se tem feito), enquanto se aumenta impostos. O problema é que os partidos olham para o Estado e acham que ele é propriedade privada. Sua.»

(Fernando Sobral, no Negócios., via J.Lopes, Entre as Brumas..., 12/5/2014)
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---- Um jornal, três títulos, um destino

.. Ajudas a Portugal e Grécia foram resgates aos bancos alemães

.. Um Tratado de Lisboa que serviu para (quase) nada na crise do euro

.. Afinal há consenso: tem de haver maioria absoluta para o pós-2015

A escolha podia ser sido outra, o resultado não seria muito diferente. Enquanto não for quebrado o círculo vicioso que estas frases retratam, não vamos lá. Alguma dúvida?

(Do Público de hoje.) 11/5/2014,


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