De (depois d'asneira), do Mal o Menos... a 17 de Novembro de 2015 às 12:12
Prioridade absoluta
(- por Vital Moreira, 17/11/2015)

1. Depois de ter condenado a invasão do Iraque pelos Estados Unidos - que criou a anarquia política de que o país jamais recuperou -
, também não apoiei a intervenção euro-americana na Síria e na Líbia, porque temia o mesmo resultado, como infelizmente se veio a verificar.

Sempre me pareceu óbvio que entre regimes autoritários que mantinham a segurança e a paz civil entre diferentes etnias e religiões
e a desestruturação desses Estados, criando o caos político e a guerra civil e religiosa,
a opção não podia ser a favor da segunda alternativa.

2. Infelizmente, alguns países europeus resolveram repetir, uma década depois, na Síria e no Líbia a ilusão "neocon" (direita neoliberal e militarista) no Iraque
de usar a intervenção externa para mudar regimes e instaurar pela força uma mirífica democracia naqueles países.
O trágico resultado foi a criação do Estado Islâmico e o cortejo de horrores que culminou na horripilante chacina de Paris.
É altura de os Estados Unidos e os países europeus assumirem a opção que a Rússia não tardou a perceber,
ou seja, que a prioridade absoluta tem de ser a destruição da barbárie que é o Estado Islâmico
(como há meses venho a defender nesta tribuna) e que não faz sentido, nas atuais circunstâncias,
continuar a enfraquecer a capacidade do Estado sírio para recuperar o controlo do seu território.

Entre Damasco (capital da Síria) e Rakka ('capital'? do 'estado islâmico'),
entre um moderado autoritarismo laico e uma totalitária e assassina teocracia islâmica
(e não há outra alternativa, como se provou), não tenho dúvidas!


De A economia do 'Estado Islâmico/DAESH'. a 20 de Novembro de 2015 às 10:31
A economia da jihad

O Estado Islâmico dispõe de uma indústria petrolífera pujante, a sua principal fonte de receitas. Mas não é a única

http://visao.sapo.pt/actualidade/economia/2015-11-19-A-economia-da-jihad
Francisco Galope, Jornalista

Vistas do céu, a quatro quilómetros de altitude, as filas de camiões-cisterna estendem-se ao longo de dezenas de quilómetros, prolongando-se além do horizonte. Apresentadas, no início da semana, pelo Presidente russo, Vladimir Putin, aos seus colegas, durante a cimeira do G20, as fotografias aéreas, mostrando cortejos de veículos a formarem-se junto às instalações petrolíferas controladas pelo autoproclamado Estado Islâmico (EI), ilustram a dimensão do problema.

Ao contrário da Al Qaeda e de outros grupos jihadistas, dependentes dos donativos de patrocinadores externos, o mundo enfrenta agora uma organização autossustentável, capaz de extrair petróleo das entranhas da terra, transformá-lo em combustível e de o introduzir no circuito comercial.
Controlando territórios iraquianos e sírios da dimensão da Grã-Bretanha, a sua população e os seus recursos naturais, o EI dispõe de abundantes fontes de financiamento. Os produtos petrolíferos são a principal. O negócio de hidrocarbonetos do Califado envolve uma sofisticação digna de uma “empresa petrolífera nacional”, tendo o EI procurado recrutar no exterior engenheiros, técnicos e gestores para garantir o seu funcionamento das instalações.

Ao contrário da administração do território descentralizada e a cargo de governadores regionais (walis), o negócio do petróleo é, à semelhança dos assuntos militares, centralizado e dirigido ao mais alto nível.
Os terroristas controlam 20 campos petrolíferos e três refinarias, assegurando uma produção diária entre os 34 mil e os 40 mil barris. Vendidos a um preço unitário de 20 a 45 dólares, através de uma complexa rede de contrabando, as receitas ascenderão a 1,5 milhões de dólares diários. O que não é usado para consumo próprio, exporta-se clandestinamente, em bruto ou já refinado, através de uma rede de contrabando, envolvendo a Turquia, Jordânia, Irão e inclusivamente regiões “inimigas”, como os territórios controlados pelo Governo sírio ou por rebeldes, inimigos de Damasco e do próprio EI, muito pragmático nos negócios.

O petróleo renderá aos jihadistas uns 540 milhões de dólares por ano. Os dados disponíveis, ainda que cautelosos, permitem afirmar que, sendo esta a sua maior fonte de receitas (representa 27% do total), não é a única, dispondo o Califado de uma economia diversificada.

Sob a bandeira negra estão também importantes zonas de produção de gás natural e de algodão, além de recursos como o cimento, os fosfatos, o enxofre (para ácido sulfúrico), trigo e cevada, bem como as instalações industriais para o processamento dessas matérias-primas.

As receitas não se esgotam aí. O EI tem máquina fiscal eficiente que rende 360 milhões de dólares por ano. Há impostos para tudo e até um desconto de 5% sobre os salários para a segurança social.
“O Estado Islâmico controla um território com 8 milhões de pessoas e aplica impostos sobre esta população”, tem lembrado a economista italiana Loretta Napoleoni, investigadora do financiamento de redes terroristas desde meados da década de noventa.

Além disso, tudo o que entra ou sai do território paga imposto – um sabonete importado, ou, no sentido inverso, um jerricã de gasóleo, uma obra de arte saqueada, uma barra de haxixe ou um refugiado a tentar escapar.

Este último é o negócio do EI que mais floresceu recentemente. Se ainda em 2012 e 2013 os resgates de reféns eram uma das principais fontes de receitas, atualmente não valem mais do que 4,3% do bolo total. “Agora, em 2015, o tráfico de refugiados tornou-se muito mais rentável”, salienta Napoleoni num artigo publicado, esta segunda-feira, no El País. Rende cinco vezes mais do que os “donativos” recebidos do exterior, cuja origem é sobejamente conhecida – Qatar, Kuwait, Arábia Saudita e outras monarquias do Golfo Pérsico que professam o wahabismo, a versão mais radical do Islão sunita.


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