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De Mudar para políticas Humanas a 9 de Setembro de 2015 às 13:08
Sobre os refugiados, coisas simples


«O que escrever sobre a crise dos refugiados da Síria, da Eritreia, do Afeganistão, do Iraque, do Darfur, da Somália, da Líbia que tentam fugir da guerra e encontrar refúgio na Europa e dos milhares de mortos que lançou nas nossas costas?
O que dizer da forma vergonhosa como os líderes políticos da União Europeia (com a honrosa excepção da Alemanha) têm “gerido” esta crise humanitária?

Como falar da morte de Aylan Kurdi sem falar da morte do seu irmão de cinco anos, sem falar da morte de tantos milhares de crianças iguais a eles, mesmo quando a cor da pele é um pouco mais escura?
Como falar de todas as crianças que tiveram de morrer antes que os dirigentes europeus (e não todos) suavizassem a sua abjecta política da fortaleza-Europa?
Como falar da hipocrisia da pseudo-política de acolhimento que, pressionados pelas suas opiniões públicas, tantos políticos europeus dizem agora defender?

O que dizer, o que repetir? Dizer coisas simples, repetir o necessário.

Dizer que estas crianças são os nossos filhos porque as crianças são filhas de todos,
mesmo quando são sírias, e que não queremos que os nossos filhos morram a fugir da guerra. (...)

Dizer que a crise dos refugiados mostrou mais uma vez a hipocrisia da maioria dos políticos europeus,
com o governo húngaro de Viktor Orbán a mostrar a sua faceta fascista
perante a indiferença de Bruxelas e com a maioria dos governos a tentar espalhar o medo
e a mentir descaradamente sobre os números e os riscos do acolhimento de refugiados.

Dizer aos media que a história dos refugiados não se pode contar apenas sob a forma de notícias que dizem quantos morreram e quantos chegaram ontem e hoje,
mas tem de ser contada referindo as causas do fenómeno
(fala-se dos refugiados mas deixou de se falar dos conflitos que geraram estes refugiados e das atrocidades de que eles fogem)
e referindo os culpados por esses conflitos
(mesmo quando se fala dos conflitos nunca se fala do que se faz para lhes pôr fim, como se eles se tivessem tornado uma fatalidade).

Dizer enfim que, se a resposta generosa dos cidadãos europeus, organizando-se para ajudar e receber refugiados e manifestando-se em favor do apoio aos refugiados,
mostra que a ideia de solidariedade não está morta na Europa, ela não é substituto para uma
verdadeira política de asilo por parte dos estados
nem para a definição de políticas de asilo ao nível da UE,
devidamente financiadas pelos dinheiros públicos - que não podem servir apenas para servir os mais ricos,
deixando aos cidadãos e organizações privadas a realização da política de solidariedade.»


José Vítor Malheiros, 9/9/2015, http://entreasbrumasdamemoria.blogspot.pt/


De Os Refugiados e os nós Tugas - ironia: a 21 de Setembro de 2015 às 10:07








(-por Renato Carreira,

10 razões para não querer refugiados sírios em Portugal

1- A primeira razão é religiosa. Muitos dos refugiados são muçulmanos. Alguns são cristãos, mas esses não contam porque os cristão são sempre pessoas bondosas e fáceis de acolher. Vejam-se os exemplos de Madre Teresa de Calcutá, Júlio Isidro ou Adolfo Hitler. Portugal é um país cristão e pretende continuar a sê-lo. Não podemos permitir que uma horda de maometanos nos entre por aqui dentro, instalando-se na nossa imensa provisão de igrejas vazias, convertendo-as em mesquitas (ou, pior ainda, em restaurantes de kebab) e ameaçando a instituição milenar do catolicismo não praticante que tanto nos orgulha.

2- A segunda razão é cromática. Uma boa parte dos refugiados sírios tem tons de pele acobreados, cabelos e olhos escuros. Estragariam a bonita uniformidade da pele alva, cabelos louros e olhos azuis do nórdico povo português. Porque a coerência étnica também é importante.

3- A terceira razão é política. Instalando-se em Portugal, será inevitável que alguns sírios adquiram a cidadania portuguesa com o passar dos anos, acabando por conquistar também o direito ao voto. É impossível prever o que esta gente, nada habituada a uma democracia verdadeira como a que existe por cá, fará com o seu voto. Sem cair no alarmismo, será até possível que comecem a alternar no poder partidos com provas dadas durante décadas de que até se preocupam com os interesses do país, mas só depois de satisfeitas as suas agendas próprias.

4- A quarta razão é académica. Alguns refugiados possuem estudos superiores. Não precisamos de mais gente com estudos em Portugal. Já somos suficientemente letrados. Quanto aos que não têm estudos, será melhor que se mantenham também à distância. Enchendo Portugal com analfabetos e semi-analfabetos vindos de longe, podemos correr o risco de ter a TVI como líder de audiências ou o Correio da Manhã como um dos jornais mais lidos.

5- A quinta razão é social. O sistema de segurança social está de plena saúde e, com o envelhecimento da população e a emigração dos jovens em grande número, não precisamos de gente em idade laboral e com filhos para tornar o sistema sustentável. Será divertido começarmos a receber pensões em conchinhas da praia.

6- A sexta razão é securitária. Existe o risco de virem terroristas infiltrados entre os refugiados. Não podemos permitir que entrem no nosso país. Sem o acolhimento de refugiados, os terroristas continuarão a não conseguir cruzar as nossas fronteiras. Recorde-se que a grande muralha vaporosa de cheiro a sardinha assada que cobre a fronteira aberta entre Portugal e Espanha se mantém intransponível.

7- A sétima razão é cultural. Os sírios têm uma cultura árabe, completamente diferente da nossa. Se os recebermos em Portugal, a identidade cultural portuguesa corre o risco de se perder. Quando dermos por isso, ter-nos-ão contagiado com os seus hábitos. Começaremos a ter almoços longos. A passar muito tempo em cafés. A batizar localidades com nomes começados por “al”. Defendamos o que é ser genuinamente português!

8- A oitava razão é tecnológica. Muitos refugiados foram vistos com smartphones e outros aparelhos tecnológicos caros, provando que não são assim tão miseráveis como dão a entender. Se há coisa que provam os três telemóveis que cada português usa em simultâneo é que a posse de engenhocas é sinal de prosperidade.

9- A nona razão é histórica. Os portugueses são um povo que nunca saiu do seu país. Ao longo da nossa história, ficámos sempre sossegados no nosso canto e nunca esperámos que nos aceitassem nos países dos outros. Por isso, não podem esperar agora que acolhamos quem quer que seja.

10- A décima razão é embaraçosa. Se acolhermos os sírios e tivermos de olhar para eles de vez em quando, seremos obrigados a recordar coisas desconfortáveis. Teremos de recordar, por exemplo, que uma grande parte da população portuguesa não é capaz de interpretar adequadamente o que vê na televisão e lê nos jornais, reagindo a uma movimentação de refugiados como se fosse uma "invasão" e usando como argumentos as ações da EI (precisamente a entidade de que os refugiados fogem), ... clamando contra um suposto grave "choque cultural" como forma de camuflar o que é Xenofobia, Ignorância e Estupidez.


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