30 comentários:
De Europa disfuncional e crise Refugiados a 17 de Setembro de 2015 às 15:39
Quando comparações históricas injustas servem para desviar do essencial

por Luís Naves, em 17.09.15, Delito de opinião

...
- o que devia ter feito a Hungria?
Se não fechasse a fronteira, os migrantes passavam sem controlo; se fechasse, estava a ser insensível.
-O Acordo de Schengen é para cumprir ou para ignorar?
-Há soluções colectivas para a crise ou os países da linha da frente são abandonados à sua sorte?
Aliás, a Hungria não se considera na linha da frente, acha que o registo tem de ser feito na Grécia; as autoridades europeias discordam, sendo isto que está a ser negociado.
E há outras perguntas:
- entra toda a gente na Europa ou apenas os refugiados provenientes de países em guerra?
- E os países europeus têm o direito de proteger as fronteiras ou estas devem ser uma responsabilidade colectiva?

Por azar, quatro países europeus estão à beira de eleições, é natural que ninguém queira discutir estes problemas.
No final, a Hungria parece ter sido o único país a tentar cumprir o Acordo de Schengen, procedendo ao registo obrigatório dos migrantes, o que implica a recolha de impressões digitais e permanência de vários dias em campos sub-financiados.
O Governo húngaro diz que gastou 200 milhões de euros e que recebeu apenas 7 milhões da Europa.
Muitos migrantes resistiam, com milhares a desafiarem as ordens da polícia.
E como interpretar um episódio em que uma multidão assalta à pedrada uma fronteira internacional, tentando passar essa fronteira à força e dizendo que só pretende chegar à Alemanha?
- Passam todos sem restrições?
- Podem não cumprir as leis locais?
- A fronteira não existe? Aquele espaço é de livre circulação?
Foi simples desespero de uma multidão sem opções ou um desafio à soberania de um país?

Difícil responder.
...


De Europa fechada e Estado de Crise PERIGO! a 17 de Setembro de 2015 às 18:02
15/9/2015 http://daliteratura.blogspot.pt/

---- HUIS CLOS

Tornou-se intolerável acompanhar as notícias e ver as imagens que chegam das vagas de refugiados. A cobertura da imprensa europeia, em especial a de língua inglesa, obriga-nos a recuar a 1938.
O que está a passar-se na Hungria (onde a partir da próxima terça-feira, dia 15, o controlo de fronteiras será da responsabilidade do exército, sob regime de Estado de Crise) tem de ser rapidamente travado.
A Europa não pode tolerar que populações “internadas” em campos sejam alimentadas com comida atirada ao ar pela polícia, como sucede em Roszke, junto à fronteira com a Sérvia.
Mas a Europa também não pode tolerar que a Dinamarca e a Áustria fechem autoestradas e suspendam ligações ferroviárias para impedir que alguns milhares de refugiados cheguem, respectivamente, à Suécia e à Alemanha.
A situação dos refugiados que todos os dias chegam à ilha de Lesbos, na Grécia, faz de Lampedusa, na Itália, um resort.
E Calais desapareceu dos noticiários porquê? Tudo isto é muito, muito inquietante.
----
Às zero horas de hoje começou uma nova era.
Ao deslocar forças do exército para a fronteira, a Hungria é o espelho mais visível (o Estado de Crise pode, no limite, equiparar refugiados a terroristas),
mas a reunião de ontem com os 28 ministros do Interior da UE não chegou a lado nenhum.
Por enquanto, são seis os países que suspenderam as regras de livre circulação em vigor no espaço Schengen:
Alemanha, Áustria, Eslováquia, Holanda, Hungria e República Checa. .
----
Há quem julgue, por ignorância, patetite ou xenofobia subliminar, que o controlo de fronteiras é para os refugiados. Não é.
Somos todos estrangeiros.
Voltou tudo ao que era em 1984 — interrogatório, documentação esmiuçada, bagagem revistada, arbítrio do polícia de turno.
Esta imagem do Guardian (edição online) foi obtida hoje de manhã na fonteira da Áustria com a Hungria.


Comentar post