Dia de quê ?! ... de quem ?! ... que futuro ?

Quando o 10 de Junho era o «Dia da Raça» (E já não é?)  (-por Entre as Brumas...)

 .
      Infâncias  pobres e pobreza  em Portugal  como escolha política
     «O aumento da pobreza e das desigualdades em Portugal, documentado em relatórios recentes, deve fazer-nos estremecer. As assimetrias profundas em que crescem as crianças e jovens, uma parte significativa delas sem acesso a condições consideradas básicas, colocam em causa os direitos humanos e o desenvolvimento, tanto pessoal como social.
    Não nos podemos conformar com o argumento repetido diariamente nos noticiários da inexistência de recursos, quando, (aumenta o nº de milionários e) nos mesmos noticiários, poucos segundos volvidos, se documenta a circulação de enormes volumes de capital entre instituições europeias, administrações nacionais, grandes empresas, off-shores.    Nunca houve tantos recursos no mundo. Como permitimos que tantas crianças continuem a crescer na pobreza? (...) Em Portugal, as desigualdades de distribuição de rendimento são das maiores da OCDE e da União Europeia e os últimos dados disponíveis (2013) apontam para o seu crescimento. (...)    ...» -   P. Abrantes , M.J. Casa-Nova , F. Diogo , C. Estêvão , R. Ganga , J. T. Lopes , B. Portugal e S. M. da Silva 

    ahahahhah  desgovernantes no Portugal dos Pequenitos    (via A.M.Pires, 9/6/2015)

jvale.PNG  . vhils_merkel
Há medalhados, e medalhados. Alexandre Farto, aka Vhils, soube dedicar a sua condecoração.           Mercadoriasrevoltem-se !

 

 
(-Sandra Monteiro em Le Monde Diplomatique, Ed. pt., de Junho de 2015):
     «Vivemos neste paradoxo. Quanto mais o neoliberalismo alarga a lógica do mercado às diversas áreas da organização social, mais constrói um mundo que tudo transforma em mercadorias. Transforma tudo… e todos. Incluindo os «todos» que mais teriam a ganhar, em ganhos de vida com bem-estar, vivendo numa sociedade de lógicas económicas plurais, em que o debate sobre as modalidades alternativas de organização social fosse encorajado.
     Destruídos os vínculos sociais, a confiança de que os direitos e contratos serão respeitados, comprometida a convicção de que o poder político faz escolhas para defender a comunidade, como podem cidadãos reduzidos a mercadorias revoltar-se?   Um dos caminhos passa por compreender o quanto o neoliberalismo é hábil e sistémico na construção do mercado e de mercadorias. Observando-o para o combater.
    Projecto de vocação totalitária, o neoliberalismo evolui eliminando o espaço da divergência e reconfigurando os sectores ainda protegidos da lei da oferta e da procura, onde imperam lógicas de coesão social e territorial, de direitos (sociais, laborais, ambientais…), de trocas não-mercantis e não-monetárias.   Mas não o faz à lei da bala. Fá-lo através de dispositivos sociais aparentemente inócuos e não conflituais, como analisa nesta edição o historiador Luís Bernardo no artigo «Neoliberais apaixonados», que parte da «educação para o empreendedorismo» para mostrar o quanto ela «é uma tecnologia social que visa a modificação das paixões (…) e a naturalização da racionalidade neoliberal».    ---(Continuar a ler AQUI.) 
           Auto-crítica  anarquista (e não só...)    (-J.Vasco, 11/6/2015, Esq.Rep.)
  No início do século XX os movimentos anarquistas tinham uma força, vitalidade e influência cultural que rivalizava com a dos movimentos comunistas. Algo se passou de lá para cá.   É esta observação e interrogação que serve de ponto de partida para «RednBlackSalamander», um cartoonista anarquista anónimo, lançar uma série de cartoons com críticas - a meu ver certeiras - aos actuais movimentos anarquistas.
É evidente que muita da perda de força e influência tem causas completamente exógenas aos movimentos e às atitudes dos seus participantes. Mas também é verdade que muitas das actuais atitudes sectárias, elitistas, anti-pragmáticas e alienantes explicam parte desse enorme recuo.
 

Legenda: «Every angry young malcontent watching grainy 9/11 youtube videos in his basement is another one that's not out in the streets organizing against war, racism, poverty and inequality.   For wasting so many perfectly good activists on your wild goose chase against the imaginary Illuminati, ...»   ...
   ... as críticas aplicam-se a vários movimentos progressistas. Pelo menos foi essa a minha experiência pessoal em Lisboa, no âmbito da «luta contra a austeridade» (e não só...) desenvolvida por vários activistas.  Das poucas vezes que se adoptou uma postura razoavelmente pragmática, tolerante e consciente da realidade, foi possível ter um impacto real sobre o país (exemplo).   ...
     Se não quiserem «acordar», os adversários económico-político-ideológicos agradecem.
               Tratado de política em 3 palavras :  ESCOLHAM .
não podemosDaqui


Publicado por Xa2 às 20:42 de 10.06.15 | link do post | comentar |

2 comentários:
De Valores q. saiem; m... q. desgoverna a 15 de Junho de 2015 às 13:02
a dúvida

(-Paulo Pinto, 15.06.15, http://jugular.blogs.sapo.pt/ )

Mano já acima dos 50, IST, engenharia mecânica, carreira bem sucedida, direção técnica de multinacional que encerrou presença em Portugal, segue para UK em breve com respetivo cônjuge.
Seu filho mais velho, Fac Ciências, mestrado em coisas esquisitas de mineralogia petrolífera ou lá o que raio é, convite para Abu Dabi, partida já anunciada.
Filha com curso esquisitíssimo, IST, mestrado ainda mais bizarro na Alemanha, voltou mas está novamente de partida para breve.
Outro filho também engenharia coisa esquizóide IST e quarto filho área de ciências Univ. Évora, na calha para zarpar no horizonte não há de tardar muito.
Portugal é um país de quê, exatamente?


De Condecoração à Geração Desprezada. a 11 de Junho de 2015 às 15:21
Vhils (Alexandre Farto, artista de grafitis em relevo):
----------
Hoje, dia 10 de Junho de 2015, fui agraciado com o grau de Cavaleiro da Ordem de Sant'Iago da Espada, a mais antiga ordem honorífica de Portugal, usada para distinguir o mérito literário, científico e artístico de cidadãos portugueses.

Perante a responsabilidade que representa a aceitação de tal reconhecimento, enquanto português e enquanto artista, foi inevitável questionar-me sobre a legitimidade e o fundamento desta distinção. Após a surpresa inicial e após um longo debate interno, decidi, com humildade, aceitá-la.
Faço-o por respeito à sua longa história assim como pelo orgulho que sinto em passar a fazer, modestamente, parte da História do meu país. Faço-o como um gesto patriótico para com o país que estimo e que fez de mim a pessoa que sou hoje.

Um país não é uma circunstância.
É por este motivo que a aceitação desta distinção não visa dar voz nem força a nenhum contexto ou posição política.
Vejo-o antes como uma oportunidade para a aceitar em nome daquilo em que acredito, para expressar
o amor que tenho por Portugal, assim como
o desamor que tenho pela forma como as prioridades daquilo que deveria ser um país empreendedor, avançado, justo e socialmente equitativo têm sido continuamente confundidas com
os interesses daqueles que querem que tudo fique na mesma.

Aceito esta distinção em nome da geração mais qualificada de sempre que se vê forçada a emigrar por falta de oportunidades. A geração desprezada.
A geração das famílias fragmentadas.
A geração do talento desperdiçado, cuja educação, suportada pelo país, se vê agora investida noutros cantos do mundo.

Aceito esta distinção em nome de um país inclusivo e acolhedor. Um país solidário.
Um país heterogéneo, composto por pessoas com raízes e origens em outros cantos do mundo.
Um país que acredita e promove a participação cívica e política dos seus cidadãos.

Aceito esta distinção para dar voz a um país onde a educação e a formação cultural são valorizadas.
Um país onde cada jovem é visto como um bem e uma oportunidade digna de investimento e não como um problema.
Um país que acredita na arte e no seu enorme poder como educador social.

Aceito esta distinção como reconhecimento do meu trabalho e aquele da minha equipa, como prova de que vale a pena resistir
contra a condescendência e o tipo de mentalidade que nos tenta convencer que somos pequenos.

Aceito-a, ironicamente, numa altura em que a nova lei que estabelece o regime aplicável aos grafitos e outras formas de alteração de superfícies no espaço público, introduz o conceito de “picotagem”, dando-lhe especial relevo no contexto desta regulamentação.
Uma lei que não foi alvo de discussão pública e que não soube envolver os vários actores que visa contemplar.

Por fim, aceito esta distinção porque acredito que este país que descrevo já existe na vontade das pessoas
e que um dia, através do nosso esforço, será materializado.

Um profundo e sentido obrigado a todas as pessoas que têm apoiado o desenvolvimento do meu trabalho ao longo dos anos.

Com plena consciência de que muitos outros artistas deveriam ter sido distinguidos antes de mim,
gostaria de estender esta honra a todos aqueles que nunca irão ser oficialmente reconhecidos, principalmente aos artistas de rua, do graffiti, e todas as crews de Lisboa.
Estendo-a ao meio onde iniciei o meu percurso e que me apontou um caminho,
o meio que fez de mim a pessoa que sou hoje e ao qual devo muito.

A todas as periferias deste país, a todos aqueles que não tiveram as mesmas oportunidades, a todos aqueles que são menosprezados,
à primeira crew de Lisboa, ao Seixal, à Arrentela, à luta do Bairro de Santa Filomena, à Quinta do Mocho, ao Bairro Verde,
à comunidade indígena de Araçaí, ao Morro da Providência, à Ladeira dos Tabajaras.
Esta honra é também vossa.


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