De Acordo gr. capital e classe dirigente. a 10 de Fevereiro de 2015 às 11:55
---Argala
... vai rebentar, entre o regime saudita e um ressurgimento islâmico que vem de baixo. E a malvada da luta de classes mete-se de permeio nesta contradição que dava um belo texto com o título: "Haram para os ricos, shariah para os pobres" - uma coisa para escrever quando tiver paciência.

Dois exemplos concretos para mostrar como funciona a contradição. O juro (riba) é proibido na banca islâmica, a sua proibição está nos versos do Corão (lei fundamental) que são óbvios para toda a gente, não há dúvidas absolutamente nenhumas na sua aplicação prática porque estão nas narrações e tradições do profeta (hadith). Contudo, como isto seria uma medida em benefícios dos mais pobres, não é aplicada e passa-se por cima dela como se nada fosse. Quanto à questão das mulheres ao volante, é simples: não existem nem versos do Corão, nem narrações ou tradições do profeta que sequer possam indiciar ou das quais se possa inferir que uma mulher não pode conduzir - a justificação da fatwa é feita com argumentos muito frágeis e às vezes patéticos, baseados nas "consequências negativas".. mas como são as famílias mais pobres que mais sofrem com estas palhaçadas, passa. O que acontece, para resumir, é que os aspetos mais cavernosos do Corão e das tradições do profeta são agigantados e exacerbados num autêntico festival de demência que serve apenas para esconder as suas próprias contradições (que mais tarde ou mais cedo vão estalar).

--------C. Carapeto:
...a Arábia Saudita é um Estado monolítico, quer em termos religiosos quer em termos étnicos. Muito diferente do Irão portanto.

Segundo; o sistema politico na Arábia Saudita sustenta-se em dois vetores fundamentais,
mantém o povo subjugado a um obscurantismo inveterado que não conhece mais nada que a religião, e depois
exerce uma brutal repressão contra quem ouse contestar os dois poderes oficialmente estabelecidos, Deus e o Rei, que não se podem pôr em causa.

Sabes que existem milhares de presos políticos na Arábia Saudita? Mas por cá ninguém fala nada nisso. Há um advogado que foi condenado a 40 anos de prisão por ter denunciado essa situação.

Portanto, qualquer alteração do regime nas atuais condições só podem vir de fora.

Tal não interessa aos Americanos, que estão mais preocupados em defender uma mulher que cometeu adultério no Irão que os perseguidos por motivos políticos, quer na Arábia Saudita quer em qualquer outro país da região governado por petro/ditaduras.
Que foi o caso quando dos tumultos no Bahrein. Os médicos e os enfermeiros que trataram os manifestantes feridos nos protestos foram condenados entre 15 e 25 anos de prisão. Alguém denunciou ou contestou isso cá no Ocidente? Não!

Outro caso que prova a dualidade hipócrita dos países Ocidentais perante a chamada defesa dos direitos humanos.
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http://www.globalresearch.ca/why-does-the-u-s-support-saudi-arabia-a-country-which-hosts-and-finances-islamic-terrorism-on-behalf-of-washington/5398408
Ou este que fala na OTAN e na maior parte dos países árabes do golfo
http://www.odiario.info/?p=3521
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A Arábia Saudita nunca foi alvo das grandes campanhas mediáticas e políticas contra o fundamentalismo islâmico.
Porque a verdadeira questão é outra. A Arábia Saudita e o seu «capitalismo avançado» estão do mesmo lado que Obama, Hollande, Cameron e o sionismo.
A hipocrisia sem limites dos chefes imperialistas revela algo importante: o racismo e a islamofobia que de forma cada vez mais aberta é promovida na comunicação social é – tal como o anti-semitismo – apenas uma arma das classes dirigentes para dividir os trabalhadores e povos e para os arregimentar às suas políticas de guerra, exploração e rapina.
Os elogios a Abdullah mostram que não há «choque de civilizações» quando se trata de arranjar acordos entre o grande capital e garantir a continuidade dos seus chorudos lucros. Poderão existir choques de interesses.
E se algum dia a classe dirigente saudita decidisse seguir outro rumo, então sim ouviríamos falar dos crimes e pecados da sua ditadura e todo o arsenal imperialista – dos mísseis Cruzeiro às agências de notação, dos drones às pseudo-ONG – cairiam sobre a Península.
E se, 'pior' ainda, o povo saudita se erguer para varrer a sua corrupta e serventuária classe dirigente, virão as campanhas imperialista


De Pacto gr. capital- ditadura - media. a 10 de Fevereiro de 2015 às 12:26
---C.Carapeto:

Excelente artigo de pedagogia informativa, devia servir como um guia prático para quem está interessado em desmascarar a aparente "inocência" do capitalismo na colaboração, apoio e sustentação dos regimes mais déspotas e retrógrados que ainda hoje existem à face da terra

A Arábia Saudita é governada (e sempre foi) por uma monarquia/ditadura estilo medieval em que tudo no país gira em volta da religião e de uma realeza auto proclamada que controla os destinos da população sem obedecer a qualquer lei. Tudo é decidido à vontade do soberano e dos familiares que o rodeiam. Nada absolutamente nada mesmo pode existir fora dessa relação.

Um país que todas as sextas feiras decapita cidadãos na praça publica em ritos medievais com populações eufóricas a assistir.

Onde mulheres, homens e crianças são chicoteados e decepadas mãos e dedos também em publico.

Em que os acusados não têm direito à defesa, as sentenças são proferidas de forma unilateral por os tribunais religiosos sem direito a recurso.

A “democrática “ civilização Ocidental que ofertou o Nobel da Paz a uma jovem vitima da violência por si produzida permite a um ancião octogenário casar com uma criança de doze anos.

O país com as maiores reservas petrolíferas, mas onde a pobreza extrema prolifera, os pobres e os mendigos são retirados à força das cidades para campos de concentração no deserto.

Todos os dias se juntam milhares de famintos à porta do palácio real para receberem as sobras da corte.

Como é possível estas coisas passarem despercebidas aos arautos da democracia, aqueles que se arrogam intransigentemente os verdadeiros guardiões da defesa dos direitos humanos?

O Wahhabismo é o Islão oficial do reino Saudita, é a corrente religiosa mais fundamentalista e fanatizada do Islamismo.
Tem sido a Arábia Saudita a principal fonte de financiamento dos grupos extremistas que surgiram até este momento.

As guerras religiosas que hoje se espalham desde África, Mediterrâneo até ao território da China (síndroma Afegão) todas elas têm a chancela financeira da Arábia Saudita.

Mais; o avanço Wahhabita na Ásia Central após o desaparecimento da URSS foi uma coisa espantosa. Alguns exemplos;
em meados da década de 90 existiam 17 mesquitas e 19 igrejas ortodoxas no Tadjiquistão , atualmente existem as mesma 19 igrejas ortodoxas e quase 3 000 mesquitas.

Em 1999 já existiam mais de 50 000 mesquitas em funcionamento no espaço da ex- URSS, milhões de Corões foram distribuídos , centenas de Centros de Estudos Islâmicos foram construídos tudo com o apoio financeiro da Arábia Saudita.

Ora esta situação não podia de forma alguma passar despercebida aos países Ocidentais,
que entretanto não se cansam de agitar o espantalho da falta de democracia, na Venezuela, Bielorrussia, Zimbabue, Russia, China, Coreia do Norte. ...


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