4 comentários:
De Saque, Privatizações, Lucros e Tachos a 13 de Março de 2014 às 12:05
Muito acima das nossas possibilidades


O penteadinho que tem “muito Mundo” e que por isso foi compensado pela Goldman Sachs com um tachinho
daqueles que são dados aos senhores penteadinhos que têm muito mundo e que dão Mundo aos senhores do mundo,
um tal de Arnault, já deu a ganhar aos seus senhores, só com a privatização dos CTT, uns muitos milhões de Euros.

O Mundo desta gente dona do Mundo está, definitivamente, muito acima das nossas possibilidades.

Entretanto o Presidente de meia-dúzia de portugueses insiste para que todos se unam na consolidação do saque.

LNT [0.092/2014] ABarbearia do srLuis


De Estado-refém d'interesses, lóbis, rentis a 13 de Março de 2014 às 12:28

O Estado-refém

(12/03/14, João Cardoso Rosas
http://economico.sapo.pt/noticias/o-estadorefem_188864.html

É bem vinda a vaga de fundo a favor da renegociação da dívida portuguesa.
É mais do que tempo de exigir ao Governo de Portugal que defenda o país em vez de seguir a estratégia da Alemanha.

O discurso dominante sobre a reforma do Estado transformou-se num imenso logro.
Por um lado, o Governo apresenta ideias gerais e documentos para dizer que vai ainda proceder a essa reforma.
Por outro lado, a oposição diz que o Governo não fez e não fará uma reforma do Estado.
Nenhuma destas visões nos revela verdadeiramente aquilo que está a acontecer.

A verdade é que o Governo fez já em boa parte - e continuará a fazer - a única reforma do Estado que pretende fazer e que consiste em
diminuir a sua dimensão e o seu poder
tornando-o, propositada ou inadvertidamente, refém de interesses especiais.

A oposição deveria por isso ser mais assertiva na defesa de uma reforma outra do Estado - aquela que consiste em
dar-lhe a dimensão e o poder que lhe permitam desempenhar as funções e tarefas de um Estado moderno.

Assim, é bem vinda a vaga de fundo a favor da renegociação da dívida portuguesa.
É mais do que tempo de exigir ao Governo de Portugal que defenda o país em vez de seguir a estratégia da Alemanha. (e dos 'mercados' especuladores/ usurários rapinantes)

Aquilo que é inaceitável é que o Estado português continue a emagrecer e a deixar de cumprir em grande medida os seus compromissos
com trabalhadores, pensionista e a sociedade em geral,
ao mesmo que tempo que não belisca sequer os outros e iguais compromissos com os seus credores institucionais.

Seria também bem-vindo um discurso que acabasse com a fraude do "ajustamento do sector privado que não foi feito pelo sector público".
Na verdade, o ajustamento no sector público foi brutal, embora numa lógica de corte cego.

Mas aquilo que aconteceu no sector privado foi a transferência de custos das empresas para o Estado através do desemprego.
Ou seja, muitas empresas, em vez de ajustarem o seu funcionamento, limitaram-se a despedir trabalhadores cuja subsistência é hoje garantida pelo Estado em subsídios de desemprego, subsídios sociais de desemprego, assistência social, etc.

Seria também crucial que os agentes políticos tivessem um discurso com consequência no sentido de defender os cidadãos face ao comportamento predatório das empresas rentistas ou mais poderosas.
A sensação que existe hoje na sociedade portuguesa é a de que há "estados" dentro do Estado e que é cada vez mais difícil lidar, por exemplo, com a EDP ou os grandes bancos.

Os preços e custas cobrados por este tipo de empresas, assim como o seu comportamento imperial e arrogante, deixam hoje no desespero sobretudo as famílias mais frágeis economicamente, mas também muitas pequenas e médias empresas.

Precisamos por isso, com urgência, de libertar o Estado da teia de interesses à qual está hoje submetido,
no sentido de voltar a conferir-lhe o papel de protecção e serviço aos seus cidadãos.
Essa será uma tarefa prioritária do próximo ciclo político.


De Neoliberalismo eleitoral a 13 de Março de 2014 às 11:35

Neoliberalismo eleitoral

por Sandra Monteiro, 9/3/2014

Parece que «neoliberal» virou insulto. Quando os mais aguerridos praticantes desta ideologia passam a negar, em tom ofendido, o epíteto, alguma coisa mudou. Parte da mudança será meramente conjuntural e terá a ver com a aproximação das eleições; parte terá maior peso e lastro: a realidade da crise.

A 21 de Fevereiro último, no Congresso do Partido Social Democrata (PSD), o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho dedicou boa parte da intervenção inicial a tentar reinventar a história dos anos mais recentes do seu partido e da sua governação para a inscrever na tradição da social-democracia. Para o efeito, negou as acusações de «gente que [nos] apelidou de ser neoliberais»: «Lamento profundamente que haja entre nós pessoas que tenham esta perspectiva» (Público, 22 de Fevereiro de 2014). Ficámos sem saber, pelo discurso, quais são em concreto os traços do projecto neoliberal que rejeita, mas se usarmos o critério da prática também não os encontraremos.

Compreendemos, isso sim, que reivindicar o projecto neoliberal já não faz ganhar eleições. O neoliberalismo queima. E o neoliberalismo na sua fase austeritária queima muito mais. Dois dias antes do Congresso haviam sido revelados os resultados de uma sondagem, encomendada pelo Instituto de Direito Económico, Fiscal e Financeiro (IDEFF) da Faculdade de Direito de Lisboa à Eurosondagem, que vieram estragar o ambiente de festa que tem caracterizado o discurso político e mediático dominantes sobre o «milagre económico», o «país que está muito melhor», a «saída limpa» e a «libertação da Troika». A maioria dos cidadãos não parece acreditar nesta festa. Pensam, pelo contrário que «as políticas de austeridade afundam económica e socialmente o país» (62%) e que «a austeridade veio para ficar, pelo menos uns anos» (64%); ao mesmo tempo, e isto merece toda a atenção, mais de metade dos inquiridos «duvida da existência de propostas credíveis para lhe pôr fim» (Público, 19 de Fevereiro).

São estes os dois elementos que vão estar em jogo nas eleições de Maio para o Parlamento Europeu: por um lado, a compreensão das consequências trágicas e duradouras da austeridade imposta pelos neoliberais (qualquer que seja o seu nome); por outro, a compreensão de que este rumo resulta de uma escolha e que há alternativas credíveis e sustentáveis. A sondagem acima referida parece mostrar que nem as intoxicações mediáticas conseguem convencer das vantagens da austeridade quando se é atingido pela realidade de crescentes reduções de salários e pensões, desemprego, precariedade, empobrecimento, degradação dos serviços públicos e emigração. O drama é que, ao mesmo tempo que sabem que se preparam novos cortes salariais e de pensões logo a seguir às eleições, têm dúvidas sobre a existência de alternativas credíveis.

Parte destas dúvidas demonstrará certamente uma percepção correcta da força do sistema em que vivemos, da imbricação operada pelo capitalismo financeiro entre os interesses económicos privados e as instituições internacionais da globalização (e com os Estados seus entusiastas ou facilitadores). Essa consciência é indispensável se queremos desequilibrar os poderes no sentido de reforçar o trabalho e os movimentos populares. Porque a arquitectura global é mesmo sistémica. Desviados das finalidades comuns, os rendimentos e recursos de quem trabalha estão a ser cada vez mais transferidos para o sistema financeiro, por via do Banco Mundial, do Fundo Monetário Internacional (FMI) e da União Europeia. À globalização financeira junta-se a comercial, com os mesmos rendimentos a serem transferidos para as grandes multinacionais, via Organização Mundial do Comércio (OMC) e Acordo de Parceria Transatlântica (APT). E junta-se-lhes ainda a «globalização» das catástrofes climáticas, por via das grandes seguradoras, que leva os Estados em dificuldades a endividarem-se ainda mais, novamente em benefício do sistema financeiro e em prejuízo das políticas sociais.

Sem o conhecimento de alternativas credíveis, esta consciência é paralisante. O programa serve muito bem os neoliberais, porque cria cidadãos resignados perante uma crise esmagadora, mas não faz nada pelas visões transformadoras do mundo nem pela melhoria da vida de todos os dias. A batalha ...


De STOP ao Neoliberalismo a 13 de Março de 2014 às 11:37

Neoliberalismo eleitoral
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...A batalha pela desconstrução do discurso austeritário dominante tem de ser seguida pela apresentação de alternativas. Sobretudo com a aproximação de eleições, e com todas as campanhas sobre uma «saída da Troika» que não vai melhorar a situação de dependência do país, os vários actores políticos que estão no terreno eleitoral têm o estrito dever de participar no debate com o que fariam de diferente, sob pena de irrelevância ou legitimação do statu quo. Mesmo que algumas dessas alternativas abram caminhos de imprevisibilidade, compete-lhes traçar cenários, assumir escolhas e mostrar as consequências de enveredar (ou não) por elas. É isso que dá seriedade ao debate e maturidade às escolhas cidadãs.

Que as políticas de austeridade têm de parar já sabemos. Mas isso será insuficiente se não forem assumidos, ao mesmo tempo, outros compromissos políticos. Sem eles a austeridade voltará. Entre estes compromissos estão a profunda renegociação (prazos, montantes, juros) de uma dívida impagável e incompatível com o desenvolvimento, a rejeição de um Tratado Orçamental que inviabiliza políticas de investimento público e recuperação (ver o nosso dossiê de Março de 2012) e a disponibilidade para rever a participação de Portugal na União Económica e Monetária caso não sejam revistas as políticas macroeconómicas e o monetarismo ordoliberal reinante na União Europeia.

O pau da austeridade tem de parar de ir e vir ao sabor das conveniências eleitorais dos neoliberais. As nossas doridas costas precisam mesmo é de alternativas e de quem tenha a coragem e o sentido de serviço público de as assumir. Porque não bastará deitar fora o pau: precisamos de andar erguidos.

--Sandra Monteiro, 9 de Março de 2014


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