13 comentários:
De Syriza: chegar ao povo, ao poder e à UE. a 2 de Fevereiro de 2015 às 16:36
Como o Syriza chegou ao poder

( http://entreasbrumasdamemoria.blogspot.pt/2015/02/como-o-syriza-chegou-ao-poder.html , 1/2/2015, J.Lopes)

Vale muito a pena conhecer uma reportagem de Paul Mason, na revista 2 do Publico de hoje. (quem tiver acesso, através deste link, não deixe de a ler na íntegra.

«Por todo o país, o Syriza montou bancos alimentares, conhecidos como Clubes de Solidariedade.
Quando segui os activistas do Syriza num mercado de rua em Atenas, eles traziam uma espécie de babetes cor de laranja e de forma educada mas assertiva lembravam àqueles agricultores que um saco de batatas ou de laranjas para dar aos pobres faz parte dos seus deveres sociais. Em meia hora tinham os trolleys cheios de comida.

O coordenador diz-me:
“Isto é o oposto da caridade. Estamos a sustentar 120 famílias numa só área e a maioria do nosso trabalho é gerir o isolamento, problemas de saúde mental e a vergonha.”
Não é possível ter mais micropolítica do que esta de nos sentarmos numa exígua sala repleta de pessoas desesperadas a quem temos de convencer a não se suicidarem.
Mudar de ideias torna-se impossível e nada abana a relação de confiança que construíram.»

Algum partido faz algo de parecido em Portugal?!? Claro que não.
Continua-se a reduzir a acção política junto das pessoas a comícios, discursos pomposos e manifestações mais do que estafadas (e esvaziadas) pelas ruas.
Ninguém tenta organizar-se solidariamente com o povo e deixa-se muito do que é essencial para o nível da «caridadezinha».
Por isso assim estamos – parados e paralisados.
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Se nós não somos a Grécia é porque somos parvos

(Miguel Sousa Tavares, no Expresso 31/1/2015)

«O “nós não somos a Grécia”, repetido por esta maioria como um mantra, é das frases politicamente mais estúpidas que me foi dado ouvir.
É claro que nós somos a Grécia a partir do momento em que quisemos ser europeus e porque a Grécia é a Europa:
foi a Grécia que fundou a civilização europeia ao abrigo de cujos valores queremos continuar a viver. (...)

Se a Europa — isto é, a Alemanha — forçar o Governo de Tsipras a capitular, muita gente ficará feliz com o desfecho. Mas são inconscientes:
estarão apenas a antecipar o fim da Europa.

A capitulação e humilhação da Grécia detonará, entre muitos povos da Europa, uma onda de ódio antialemão e de frustração com Bruxelas que será terra fértil para extremismos e radicalismos bem mais perigosos e incontroláveis.
O desespero nunca foi bom conselheiro.
A chancelerina Merkel devia meditar na célebre frase de Kennedy:

“Os que tornam impossível a revolução pacífica tornam inevitável a revolução violenta”.

Não, isto não é uma história de criancinhas, como quer esperançosamente pensar Passos Coelho.
Isto é política a sério, política dura, feita de escolhas difíceis, de opções que vão marcar os tempos.
Coisas que os dirigentes europeus actuais já esqueceram.
Mas quer eles queiram acreditar quer não, nada vai ficar na mesma.
É impossível.»
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O espectro que assola a Europa

(Pacheco Pereira, no Público 31/1/2015):

... « A União Europeia não sobrevive à substituição de uma política de coesão e de interesse mútuo pela pergunta pavloviana dos novos mestres: “quem é que paga?”.
É que antes também só alguns pagavam, mas percebiam que a construção da Europa era uma vantagem política para todos, e que o preço era pequeno. Pagavam desmandos? Pagavam e sabiam que pagavam, quer fosse a falcatrua das contas gregas quer fossem os privilégios dos agricultores franceses.
Hoje quem pergunta “quem paga?”, para depois dizer que não quer pagar para esses preguiçosos do Sul, está a usufruir das vantagens da União, a garantir que o euro é uma nova versão do seu marco, ou que os mercados a leste lhes estão abertos como nunca estiveram desde o tempo nefasto do General gouvernement, ou que puderam beneficiar do fim da guerra fria sem grandes turbulências à porta.
Desequilibrem a Europa e depois admirem-se de Putin estabilizar as suas conquistas a Leste; dividam a Europa entre os amigos da austeridade e os seus inimigos e depois queixem-se de muitos segundos ou terceiros partidos serem extremos, anti-europeus, populistas, radicais; aticem os mercados contra os “que se portam mal” e depois queixem-se de haver saídas do euro, ...
...


De Governo Gr. vs desgoverno Pt. a 2 de Fevereiro de 2015 às 17:40
a Grécia não é Portugal.
(tem um governo melhor)
(http://maquinaespeculativa.blogspot.pt/ , 2/2/2015)

O novo governo grego veio dizer e mostrar que não pode deixar de ouvir o seu povo. Não foram eleitos para ignorar o que disseram em campanha eleitoral.

O novo governo grego não veio fazer exigências radicais a ninguém: veio dizer que há um problema e que ele tem de ser resolvido e que quer negociar para que essa solução seja aceitável para todos.

O novo governo grego tem procurado atender às preocupações dos seus interlocutores: tem dito que quer cumprir as suas obrigações, que quer uma solução que lhe permita realmente cumprir, que não quer viver à custa dos contribuintes dos outros países europeus. Não veio fazer de conta que poderia pagar se tudo continuasse na mesma, porque não poderia.

O novo governo grego tem dito que sim, tem de fazer reformas, por exemplo acabar com a evasão fiscal massiva. E, certamente, quer uma função pública que funcione. Não se colocou na posição, que seria insustentável, de negar a necessidade de reformas. Mas, ao aumentar o salário mínimo, travar privatizações em curso e travar despedimentos na função pública, mostrou que nem todas as reformas são iguais. Há reformismos progressistas e há reformismos que só fazem recuar.

O novo governo grego não quer lá a "troika", quer dizer, aqueles funcionários que aparecem a fazer vistorias, e explica por quê: eles aparecem só para executar o passado e o governo grego quer discutir uma mudança de política, coisas que aqueles senhores de fato técnico não têm poder para discutir. Eles sabem que a discussão política se faz entre representantes eleitos e que burocratas não são interlocutores válidos para este efeito.

O novo governo grego pôs-se a caminho: o primeiro-ministro e o ministro das finanças sairam de casa para negociar com os seus parceiros, por toda a Europa.

Por tudo isto, a Grécia não é Portugal. Porque em Portugal temos um governo que, na Europa, se faz de morto. Temos um governo incapaz de perceber que, afastado do combate político europeu, Portugal nunca terá a sua própria voz. Temos um governo incapaz de um sobressalto patriótico. É, pois, verdade: a Grécia não é Portugal.


De NeoLiberal capitalismo Radical-selvagem a 3 de Fevereiro de 2015 às 12:34
Radical é o capitalismo

(03/02/2015 por Rui Curado Silva, Aventar, publicada a 29/01 no diário As Beiras.)

Embora o Syriza inclua na composição da sua designação a palavra radical, está longe de poder ser considerado um partido radical.
Trata-se de um autêntico partido de esquerda, de espectro largo, com algumas semelhanças com o nosso BE.
Ocupa um espaço político deixado livre pela deriva dos socialistas para o centro e pelo isolamento do partido comunista, mais preocupado em assegurar a sua sobrevivência.

O que é radical na verdadeira aceção da palavra, é o capitalismo dos dias de hoje.
A política do FMI é radical quando aplica uma taxa de 5% aos empréstimos à Grécia e a Portugal.
Quantos negócios sérios dão lucros de 5% durante 5 ou 10 anos? Pior, como se pagam anos a fio 5% de juro quando o crescimento na melhor das hipóteses não descola de 1 ou 2%?

O capitalismo financeiro (neoliberal, global, offshore)é radical quando permitiu uma fraude de cerca de 130 mil milhões de euros, só em 2013, graças apenas a esquemas resultantes do segredo bancário (ver G. Zucman, “A riqueza oculta das nações”, Temas e Debates, 2014).
Esta quantia seria suficiente para resolver a crise das dívidas de vários países europeus.

O capitalismo financeiro é radical quando permite esquemas de otimização fiscal através de compra e venda a preços fictícios
entre sucursais de multinacionais, como muito provavelmente fará a Jerónimo Martins e outras empresas com sede na Holanda.


De Grécia: planos A e B do Syriza. a 29 de Janeiro de 2015 às 09:13
Aproximações à verdade

Mais do que nunca, devemos deixar bem claro que não há meio caminho entre o confronto e a capitulação. O momento da verdade está próximo. - Stathis Kouvelakis

Um dos melhores intérpretes da ideia da teoria política enquanto pensamento da conjuntura que eu conheço nos dias de hoje é o filósofo grego Stathis Kouvelakis, Professor em Londres e membro do comité central do Syriza (da sua ala esquerda, digamos). Vale a pena ler o que escreveu numa revista, a Jacobin, que não me canso de recomendar para quem queira ter acesso a um pensamento socialista tão clássico quanto renovado (oportunamente traduzido). Para quem quiser saber muito sobre o Syriza no contexto da formação social grega, esta longa entrevista é indispensável.

Entretanto, o novo Ministro das Finanças grego é o economista heterodoxo Yanis Varoufakis, coautor da proposta pouco modesta para um relançamento euro-keynesiano da integração europeia e especialista em teoria dos jogos, uma ferramenta que até pode dar muito jeito para pensar interacções estratégicas. Por outro lado, Costas Lapavitsas, economista da Universidade de Londres e coautor de uma das melhores análises críticas do euro e dos meios de dele sair, foi eleito deputado do Syriza. A aliança com os nacionalistas democráticos de direita confirma a opção por uma atitude negocial firme, sendo, juntamente com a paragem das privatizações ou a intenção de subida do salário mínimo, uma excelente notícia. Trata-se, como afirmou Jacques Sapir, de privilegiar a luta pela recuperação da soberania, a contradicção principal da presente conjuntura histórica. A vitória e a derrota democráticas jogam-se aqui, ou seja, na conquista ou não de margem de manobra para as escolhas colectivas que fazem a diferença.

Enfim, Varoufakis pode ter o plano A, mas creio que é Lapavitsas que tem o plano B. Dado que quem manda no centro se recusará a abrir um precedente para que por todo o lado se diga podemos, é caso para dizer que também no campo dos planos, o B poderá ser o A, o último poderá ser o primeiro. Aproxima-se mesmo o momento da verdade.

(-por João Rodrigues, 28.1.15 , Ladrões de B.)
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Não iria tão rápido. Nem sei se haverá um momento da verdade.
Talvez seja um prolongado processo de clarificação, não com um, mas com vários, talvez mesmo muitos, momentos.
Melhor ainda, com um continuum de momentos, uns mais animadores, outros mais desalentadores, ao longo de (vários, muitos) meses.
Mas, no fundamental, concordo com a apresentação do dilema.


De Grécia, U.E., mercados, ...política. a 29 de Janeiro de 2015 às 09:50

A viragem grega.

por Luís Menezes Leitão, em 28.01.15

Contrariando as perspectivas optimistas de rendição de Tsipras às posições de Merkel, os primeiros sinais que vêm da Grécia são muito elucidativos. Primeiro, o facto de o primeiro acto de Tsipras ter sido homenagear os gregos vítimas do nazismo, numa clara mensagem para Merkel que se prepara para levantar a questão das indemnizações não cobradas à Alemanha após a guerra. Logo de seguida Tsipras tem uma reunião com o embaixador russo, e nesse mesmo dia a Grécia bloqueia uma declaração conjunta dos países da União Europeia sobre a Rússia. Tsipras mostra assim urbi et orbi que o seu coração pende muito mais para Moscovo do que para Berlim. Tal pode significar uma alteração do posicionamento geo-estratégico da Grécia, um país da Nato com uma posição fulcral no Mediterrãneo Oriental, e que pode agora assumir-se como o cavalo de Tróia de Putin dentro da União Europeia.

No plano económico as primeiras medidas de Tsipras assemelham-se às do PREC: fim das privatizações (dos portos, eléctrica, ...), electricidade gratuita para 300.000 gregos e salário mínimo nos 751 €. Os danos que isto vai causar na competitividade da economia grega são evidentes. Mas não me parece que isso preocupe os actuais governantes gregos. No Portugal de 1974 também o salário mínimo foi colocado em valores tão elevados que em termos reais nunca mais foram atingidos.... . Os dirigentes comunistas não se costumam preocupar com a saúde da economia capitalista e muito menos com os mercados, que já fizeram os juros gregos disparar e a bolsa cair a pique. ...

O que me aborrece é que tudo isto era previsível e poderia ter sido evitado se não fosse a incompetência total na gestão da crise europeia por parte de Merkel e Barroso, naturalmente apoiados por Passos Coelho que acha tudo isto um conto de crianças. Mas os contos de crianças também ensinam algumas coisas: uma delas é que os génios podem ser perigosos quando são libertados da garrafa.
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RAA---- " O coração pende muito mais para Moscovo, do que para Berlim." É possível. Não haverá neste momento nenhum coração da Europa do Sul que penda para Berlim, excepto o de Passos Coelho. Daí a extrapolações sobre uma alteração estratégica da Grécia, parece-me, para já, um pouco precipitado. E mesmo que a Grécia de Tsipras não endosse a estúpida política externa da UE relativamente à Ucrânia, tal não terá forçosamente outro significado que não esse mesmo, pois, como se sabe, a não consegue ter interesses permanentes comuns. Com a política de Berlim, aliás, essa ilusão acalentada por muitos (eu incluído) desfez-se por muitos e bons anos. Veremos se a seguir não se desfará a própria UE.
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Da maia----- Tsipras ainda não chegou ao ponto da sua congénere:
http://rr.sapo.pt/informacao_detalhe.aspx?did=154481

Os gregos ficam um pouco acima de metade do salário mínimo alemão.
Se Merkel tivesse decretado que tal salário dependeria da produtividade de cada região alemã (sendo conhecidos problemas a norte e a leste), ainda poderia ter moral para criticar.
Não o fez, considerou que as regiões alemãs seriam iguais.
Por isso, não vejo como poderá pensar que os gregos podem estar a sonhar querendo pouco mais de metade. Será porque aqui a malta do Passos se sacrifica aguentando com pouco mais de 1/3 do valor alemão.

Sejamos claros, dificilmente alguma vez poderíamos falar em "união económica" com disparidades destas. É claro, perante as curtas vistas, centradas no seu burgo nacional, tudo estava a pedir a confrontação.

Tsipras dificilmente conseguirá aguentar os 750 €, mas poderá conseguir impor os 750 mil dracmas, brevemente.
Só que isso significará provavelmente o fim do euro, porque assim que os países entrarem na sua lógica nacionalista, a lógica imperialista, que tem prevalecido, irá ser ameaçada.
O que está em cima da mesa é a posição nacionalista contra a posição imperialista.
Não creio que ninguém seja burro ao ponto de não prever o que se pode passar... simplesmente há quem queira que se passe assim.


De ...mau jornalismo (sobre Grécia e políti a 29 de Janeiro de 2015 às 10:09
Escuta, Zé!
(Rodrigues dos Santos: «Um palerma que viajou de Lisboa para Atenas»)

Só te dedico este post, porque decidiste vir para as páginas dos jornais defender a tua honra, na sequência das criticas que fizeram ao teu trabalho em Atenas. Concordo que algumas são exageradas, mas a verdade é que... também te puseste a jeito com as reportagens que fizeste em Atenas.
Conheço bem a Grécia e sei que é verdade o que dizes sobre os falsos paralíticos, os taxistas cegos, os médicos corruptos - meros exemplos da corrupção que mina a sociedade grega. Sei que havia muitos funcionários públicos que nem sequer iam trabalhar. Limitavam-se a receber o vencimento. Conheci vários nessas condições.

Mas tudo aquilo que conheço e critico na sociedade grega, não me confere o direito de generalizar e perentoriamente garantir que os gregos são corruptos e preguiçosos.

Terás de reconhecer que não foste isento.
Poderá ter sido azar meu, ou excesso de pontaria, mas nos apontamentos que fizeste de Atenas nunca te ouvi referir que
os desempregados não têm subsídio de desemprego e que
ao fim de três meses sem trabalho, as pessoas deixam de ter acesso aos serviços de saúde.
Escondeste a miséria em que vive grande parte da população grega.
Fizeste orelhas moucas e fechaste os olhos ao que não te interessava para a narrativa que querias impingir aos telespectadores da RTP.

Não o fizeste por incompetência. Foi má fé , desonestidade intelectual ou, então, porque de tantos livros escreveres, já confundes a tua profissão de jornalista com a de escritor (na minha modesta opinião mauzinho, devo dizer) .
O que reportaste desde Atenas, não foi a verdade. Foi a tua verdade.
Aquela que impinges aos teus leitores ( com sucesso, devo reconhecer) nos teus livrecos de cordel.
Prestaste um mau serviço aos portugueses mas, acima de tudo, à televisão que te paga o direito ao devaneio e, até por isso, devias respeitar.

Como cidadão, podes dizer tudo o que te apetece.
Como jornalista, enviado especial de um canal de televisão (ainda por cima público) deves limitar-te a dizer a verdade. Não “a tua” verdade.

Tu sabes bem que o Syriza não é um partido de extrema esquerda radical, mas não hesitaste em transmitir essa mensagem, estilo “ Maria vai com as outras”.
No entanto, nunca te ouvi uma palavra de repúdio ao Aurora Dourada.
E já agora que tens a dizer dos partidos que impuseram austeridade cega a gregos e portugueses? São moderados?

Chegaste a ser ridículo quando expressaste o desejo de que os gregos ainda tivessem um lampejo de bom senso de última hora e não votassem no Syriza. Isso não te dignifica nem um bocadinho. Bem pelo contrário.
Chegou a hora de te decidires se queres ser escritor ou jornalista, Zé. Não é que sejam actividades incompatíveis, tu é que as tornas incompatíveis na tua condição de Homem Duplicado.
Se queres que te dê a minha opinião, penso que és melhor jornalista do que escritor, mas acredito que aufiras mais rendimentos dos livros do que do jornalismo, pelo que deveria ser fácil optares.
Só que é o jornalismo que te fornece material para os livros que escreves, pelo que deixar o jornalismo seria secar a fonte em que te inspiras.

Azar teu!
Não podes é continuar a ser cabotino e a desprestigiar o jornalismo.
...
(- por C.B. Oliveira, crónicas do rochedo,28/1/2015)
----------

J CTapadinhas:

A maioria dos jornalistas, para solidificarem os seus cargos, fazem fretes, normalmente aos interesses dos patrões e de partidos políticos.
Também tive a oportunidade de acompanhar as reportagens, feitas pelo J. R. dos Santos, a partir da Grécia e de apreciação negativa ao povo grego, que, na sua opinião, será um escumalha de vigaristas que envergonham toda a humanidade.
Não houve uma palavra sensata sobre os problemas que afligem o povo, desde a fome ao desemprego ou falta de resposta para os doentes pobres.
Foi uma tristeza, foi parcial, aliás, no desenvolvimento de cultura de desprezo pelos pobres, que está a ser cultivada por muitos daqueles que têm as 3 refeições asseguradas.

O egoísmo campeia e o justicialismo já entrou na órbita de qualquer do grupo que julga ser invulnerável.

----João Roque:
Mas ele é sempre parcial, caramba...nunca o vi isento! E parcial para o mesmo lado é óbvio.


De Jornalistas facciosos, vendidos,... a 2 de Fevereiro de 2015 às 10:39

Varoufakis (Min. Fin. Grego) protesta com cobertura jornalística

(J.M. Rocha, Púb.31/01/2015)

Novo ministro das Finanças da Grécia diz que ficou surpreendido com “o poder dos media para distorcer”

O ministro das Finanças, Yanis Varoufakis, está descontente com o que considera falta de rigor na cobertura jornalística dos primeiros passos do novo Governo.
O desagrado é patente nos últimos posts que colocou no seu blogue e numa entrevista que deu sexta-feira à noite à BBC.

Na entrevista, no programa Newsnight, depois de questionado se a Grécia não aceitaria o dinheiro que ainda tem a receber do programa de resgate da troika, disse que “os jornalistas adoram a linguagem da confrontação”.

O último post é precisamente sobre a entrevista. “Como fã da BBC, devo dizer que fiquei chocado com a falta de precisão do relato subjacente a essa entrevista (para não falar na falta de cortesia da apresentadora).
Mesmo assim, e apesar do vento frio na varanda [onde estava a ser entrevistado], foi divertido!”, escreveu.

Durante a emissão, Varoufakis tinha-se já confessado admirador da estação britânica mas lamentado a “falta de precisão” do relato sobre a sua declaração de não pretender dialogar com a delegação da troika enviada a Atenas mas sim com a Europa.
“Nunca disse que não estávamos interessados em discutir com os credores”, justificou.
“Se me deixar falar em vez de me cortar a palavra de forma tão rude”, disse também.

No post anterior, o ministro tinha escrito que “o poder dos media para distorcer” o tinha voltado a surpreender.
Referia-se a relatos sobre um alegado veto da Grécia a novas sanções da União Europeia à Rússia, assunto sobre o qual, garante, o novo executivo não tinha sido questionado nem se tinha pronunciado.

“A questão não é se nosso novo Governo concorda ou não com novas sanções à Rússia.
A questão é se a nossa opinião pode ser dada como garantida, mesmo sem termos dito qual é.”

A concluir, Varoufakis, pergunta:
“Podem os jornalistas do mundo inteiro tentar perceber a importante distinção entre protestar por não termos sido ouvidos
e protestar pelas sanções em si.
Ou isso é muito complicado?”
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 Governo grego não quer dialogar com troika mas sim com a Europa
 Grécia bate o pé, mas União Europeia mantém-se firme nas sanções contra a Rússia

Ouçam este homem:

No segundo semestre de 2011, a situação na zona euro tornou-se crítica. O resgate grego tinha-se dado pouco mais de um ano antes, o português durante o primeiro semestre, o irlandês entre ambos. Mas os resgates não só não conseguiam acalmar os juros nos mercados da dívida soberana, como até os excitavam mais ainda. Após cada país que caía, a aposta era sobre qual seria o próximo a cair. E os próximos seriam a Espanha, e a Itália, e depois a França. E com isso seria o fim desordenado do euro, uma coisa pouco bonita de se ver.

Em setembro desse ano escrevi uma crónica chamada “Onde estamos”, onde defendi a implementação de uma solução para a crise do euro baseada na “Modesta Proposta para Salvar o Euro”, de Yanis Varoufakis e Stuart Holland. Ao contrário das anteriores propostas baseadas na mutualização da dívida, politicamente bloqueada, a proposta de Varoufakis e Holland baseava-se na emissão direta de títulos pelo Banco Central Europeu e na reciclagem da dívida soberana num prazo longo, ao passo que o Banco Europeu de Investimentos financiaria um plano de recuperação e relançamento da economia, em particular nos países do Sul e da periferia.

Não havia tempo a perder. Era preciso que Varoufakis e Holland viessem a Bruxelas explicar a proposta deles aos líderes do parlamento europeu. Começámos imediatamente a trabalhar nessa viagem, que ocorreu no fim de novembro de 2011.

Para ultrapassar a primeira crise europeia do século XXI, precisamos de um tipo especial de europeus. Gente que entenda o papel do seu país na Europa, e o papel da Europa no mundo. Que queira reformular com as pessoas e não contra elas. Que tenha noção das consequências de um novo fracasso. Que esteja mais interessado em novas soluções do que velhos dogmas.

Y.Varoufakis é certamente um desses europeus. É também um dos poucos economistas a não encarar esta crise como um mero economista. Onde outros se limitam a proclamar as suas equações e a desconsid ...


De Alemanha é o problema, não a Grécia. a 29 de Janeiro de 2015 às 10:40
Nobel winner: Germany's the problem, not Greece

Matthew J. Belvedere, 26 Jan 2015

Europe's policies haven't worked for Greece: Joseph Stiglitz

Joseph Stiglitz, Columbia University professor, explains why Greece should be offered a debt write-off as the euro slips and divides Europe.




Nobel Prize-winning economist Joseph Stiglitz told CNBC on Monday that the euro zone should stay together but if it breaks apart, it would be better for Germany to leave than for Greece.

"While it was an experiment to bring them together, nothing has divided Europe as much as the euro," Stiglitz said in a "Squawk Box" interview.

The risk of a sovereign default in Greece has increased after the anti-austerity party Syriza won Sunday's snap elections, raising concerns over the possibility of a Greek exit from the euro zone.

Read More› Vote puts Grexit back on front burner

Greece is not the only economy struggling under the euro, and that's why a new approach is needed, Stiglitz said. "The policies that Europe has foisted on Greece just have not worked and that's true of Spain and other countries."

The Columbia University professor is one of 18 prominent economists who co-authored a letter saying that Europe would benefit from giving Greece a fresh start through debt reduction and a further conditional extension in the grace period. But in the letter in the Financial Times last week, they stressed that Greece would also have to carry out reforms.

"Greece made a few mistakes ... but Europe made even bigger mistakes," Stiglitz told CNBC. "The medicine they gave was poisonous. It led the debt to grow up and the economy to go down."

"If Greece leaves, I think Greece will actually do better. ... There will be a period of adjustment. But Greece will start to grow," he said. "If that happens, you going to see Spain and Portugal, they've been giving us this toxic medicine and there's an alternative course."

Insisting that it's best for Europe and the world to keep the euro intact, he argued that keeping the single currency together requires more integration. "There's a whole set of an unfinished economic agenda which most economists agree on, except Germany doesn't."

He said the real problem is Germany, which has benefited greatly under the euro. "Most economists are saying the best solution for Europe, if it's going to break up, is for Germany to leave. The mark would raise, the German economy would be dampened."

Under that scenario, Germany would find out just how much it needs the euro to stay together, he added, and possibly be more willing to help out the countries that are struggling. "The hope was, by having a shared currency, they would grow together." But he said that should work both ways.


De Alemanha RFA beneficiou a 29 de Janeiro de 2015 às 11:24

Uma questão de rigor.

Bartoon.

Acho interessante e até justo que se lembre a República Federal da Alemanha, de forma tão regular quanto necessário, que após a II Grande Guerra
aquele país beneficiou de um importante perdão relativo à colossal soma de dinheiro que, nos termos dos Acordos de Potsdam, era devida a alguns dos países "aliados".

É todavia importa notar - ter presente quando se aborda o tema - que a RFA era, nesse momento histórico, apenas uma parte da Alemanha.
E que a RDA não beneficiou do mesmo tipo de perdão acabando por pagar à URSS - de muito longe o mais devastado e martirizado país da Guerra -, nos termos de Potsdam, a quase totalidade das reparações devidas.

No livro "A outra Alemanha: a RDA", que é a transcrição de uma longa conversa entre Luís Corválan (ex-secretário geral do PC do Chile) e Margot Honecker (comunista alemã que foi casada com Erich Honecker e desempenhou funções de governo na RDA) pode ler-se que segundo algumas estivativas, a RDA terá assumido 98% dos custos associados aos Acordos de Potsdam, o que aliás explica em parte a incapacidade da Alemanha "Oriental" para se reerguer tão facilmente como a RFA no período de grandes privações vivido pelos trabalhadores alemães - dos dois lados da fronteira - após 1945.

A "Alemanha" conheceu um perdão de dívidas após 1945?
Se nos referimos à República Federal Alemã sim. Mas apenas esta.


Publicado por Rui Silva
Etiquetas Alemanha, II Grande Guerra, Internacional, RDA, Rui Silva

---Victor Nogueira

O Plano Marshall e os perdões à RFA tinham um objectivo: que a Europa "capitalista" se subordinasse aos EUA e que a RFA fosse um tampão face à Europa "socialista"

---Carlos Carapeto

E não foi apenas o perdão da divida, foi também a quase obrigatoriedade da abertura dos outros países aos produtos Alemães imposta por os Americanos.


De Carta de Tsipras aos Alemães a 2 de Fevereiro de 2015 às 18:31
Carta Aberta de Alexis Tsipras aos Leitores do Handelsblatt


Lida aqui:

«A maior parte de vós, caros leitores do Handelsblatt, terá já uma ideia preconcebida acerca do tema deste artigo, mesmo antes da leitura. Rogo que não cedais a preconceitos. O preconceito nunca foi bom conselheiro, principalmente durante períodos em que uma crise económica reforça estereótipos e gera fanatismo, nacionalismos e até violência.

Em 2010, a Grécia deixou de conseguir pagar os juros da sua dívida. Infelizmente, as autoridades europeias decidiram fingir que o problema poderia ser ultrapassado através do maior empréstimo de sempre, sob condição de austeridade orçamental, que iria, com uma precisão matemática, diminuir drasticamente o rendimento nacional, que serve para pagar empréstimos novos e antigos. Um problema de insolvência foi tratado como se fosse um problema de falta de liquidez.
Dito de outro modo, a Europa adoptou a táctica dos banqueiros com pior reputação, que não reconhecem maus empréstimos, preferindo conceder novos empréstimos à entidade insolvente, tentando fingir que o empréstimo original está a obter bons resultados, adiando a bancarrota. Bastava bom senso para se perceber que a adopção da táctica “adiar e fingir” levaria o meu país a uma situação trágica. Em vez da estabilização da Grécia, a Europa estava a criar as condições para uma crise auto-sustentada que põe em causa as fundações da própria Europa.

O meu partido e eu próprio discordamos veementemente do acordo de Maio de 2010 sobre o empréstimo, não por vós, cidadãos alemães, nos terdes dado pouco dinheiro, mas por nos terdes dado dinheiro em demasia, muito mais do que devíeis ter dado e do que o nosso governo devia ter aceitado, muito mais do que aquilo a que tinha direito. Dinheiro que não iria, fosse como fosse, nem ajudar o povo grego (pois estava a ser atirado para o buraco negro de uma dívida insustentável), nem sequer evitar o drástico aumento da dívida do governo grego, às custas dos contribuintes gregos e alemães.

Efectivamente, passado menos de um ano, a partir de 2011, as nossas previsões confirmaram-se. A combinação de novos empréstimos gigantescos e rigorosos cortes na despesa governamental diminuíram drasticamente os rendimentos e, não só não conseguiram conter a dívida, como também castigaram os cidadãos mais frágeis, transformando pessoas que, até então, haviam tido uma vida comedida e modesta em pobres e mendigos, negando-lhes, acima de tudo, a dignidade. O colapso nos rendimentos conduziu milhares de empresas à falência, dando um impulso ao poder oligopolista das grandes empresas sobreviventes. Assim, os preços têm caído, mas mais lentamente do que ordenados e salários, reduzindo a procura global de bens e serviços e esmagando rendimentos nominais, enquanto as dívidas continuam a sua ascensão inexorável. Neste contexto, o défice de esperança acelerou de forma descontrolada e, antes que déssemos por ela, o “ovo da serpente” chocou – consequentemente, os neo-nazis começaram a patrulhar a vizinhança, disseminando a sua mensagem de ódio.

A lógica “adiar e fingir” continua a ser aplicada, apesar do seu evidente fracasso. O segundo “resgate” grego, executado na Primavera de 2012, sobrecarregou com um novo empréstimo os frágeis ombros dos contribuintes gregos, acrescentou uma margem de avaliação aos nossos fundos de segurança social e financiou uma nova cleptocracia implacável.

Recentemente, comentadores respeitados têm mencionado a estabilização da Grécia e até sinais de crescimento. Infelizmente, a ‘recuperação grega’ é tão-somente uma miragem que devemos ignorar o mais rapidamente possível. O recente e modesto aumento do PIB real, ao ritmo de 0,7%, não indica (como tem sido aventado) o fim da recessão, mas a sua continuação. Pensai nisto: as mesmas fontes oficiais comunicam, para o mesmo trimestre, uma taxa de inflação de -1,80%, i.e., deflação. Isto significa que o aumento de 0,7% do PIB real se deveu a uma taxa de crescimento negativo do PIB nominal! Dito de outro modo, aquilo que aconteceu foi uma redução mais rápida dos preços do que do rendimento nacional nominal. Não é exactamente motivo para anunciar o fim de seis anos de recessão!

Permiti-me dizer-vos ...


De Carta aberta a 2 de Fevereiro de 2015 às 18:35
Carta aberta de Alexis Tsipras aos leitores alemães do Handelsblatt
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Permiti-me dizer-vos que esta lamentável tentativa de apresentar uma nova versão das “estatísticas gregas”, para declarar que a crise grega acabou, é um insulto a todos os europeus que, há muito, merecem conhecer a verdade sobre a Grécia e sobre a Europa. Com toda a frontalidade: actualmente, a dívida grega é insustentável e os juros não conseguirão ser pagos, principalmente enquanto a Grécia continua a ser sujeita a um contínuo afogamento simulado orçamental. A insistência nestas políticas de beco sem saída, e em negação relativamente a simples operações aritméticas, é muito onerosa para o contribuinte alemão e, simultaneamente, condena uma orgulhosa nação europeia a indignidade permanente. Pior ainda: desta forma, em breve, os alemães virar-se-ão contra os gregos, os gregos contra os alemães e, obviamente, o ideal europeu sofrerá perdas catastróficas.

Quanto a uma vitória do SYRIZA, a Alemanha e, em particular, os diligentes trabalhadores alemães nada têm a temer. A nossa tarefa não é a de criar conflitos com os nossos parceiros. Nem sequer a de assegurar maiores empréstimos ou, o equivalente, o direito a défices mais elevados. Pelo contrário, o nosso objectivo é conseguir a estabilização do país, orçamentos equilibrados e, evidentemente, o fim do grande aperto dos contribuintes gregos mais frágeis, no contexto de um acordo de empréstimo pura e simplesmente inexequível. Estamos empenhados em acabar com a lógica “adiar e fingir”, não contra os cidadãos alemães, mas pretendendo vantagens mútuas para todos os europeus.

Caros leitores, percebo que, subjacente à vossa “exigência” de que o nosso governo honre todas as suas “obrigações contratuais” se esconda o medo de que, se nos derem espaço para respirar, iremos regressar aos nossos maus e velhos hábitos. Compreendo essa ansiedade. Contudo, devo dizer-vos que não foi o SYRIZA que incubou a cleptocracia que hoje finge lutar por ‘reformas’, desde que estas ‘reformas’ não afectem os seus privilégios ilicitamente obtidos. Estamos dispostos a introduzir reformas importantes e, para tal, procuramos um mandato do povo grego e, claro, a cooperação dos nossos parceiros europeus, para podermos executá-las.

A nossa tarefa é a de obter um New Deal europeu, através do qual o nosso povo possa respirar, criar e viver com dignidade.

No dia 25 de Janeiro, estará a nascer na Grécia uma grande oportunidade para a Europa. Uma oportunidade que a Europa não poderá dar-se ao luxo de perder.»


(-via João Vasco, 1/2/2015, http://esquerda-republicana.blogspot.pt/2015/02/carta-aberta-de-alexis-tsipras-aos.html )


De Renegociar a dívida: PTuga diz não... a 2 de Fevereiro de 2015 às 14:21
Os contos de crianças explicados a um mitómano

A agência Bloomberg - em editorial intitulado “ Os esquerdistas malucos da Grécia têm uma boa ideia” – defende a recuperação económica da zona euro através do alívio da dívida dos países mais atingidos pela crise;

No editorial - Greece's Agonized Cry to Europe- o New York Times avisa a Alemanha " e outros países europeus" que deve perceber a mensagem vinda das eleições gregas e persistir no erro será mau para a Grécia mas, sobretudo, perigoso para a União Europeia;

Ainda no New York Times, Paul Krugman escreve um artigo ( Ending Greece's Nightmare) que o plano económico do Syriza é mais realista que o da troika que classifica como "uma fantasia" Krugman defende mesmo que o programa do Syriza devia ser mais radical;

Na Deutsche Welle, estação de rádio e televisão alemã, pode ler-se um artigo de opinião assinado por Jasper Sky ( Solidarity with Greece makes economic sense)que aconselha a Alemanha a ser solidária com a Grécia e os países do sul e acusa a Alemanha de ser antidemocrática, por não aceitar o resultado das eleições gregas;

Também o governador do Banco de Inglaterra critica a política de austeridade imposta pela troika e alerta que a recusa de os países ricos em ajudarem os países pobres, arrisca mergulhar a Europa numa nova década perdida

Entretanto, por cá, o emérito economista Passos Coelho -que tirou um curso por correspondência aos 40 anos - diz que o programa do Syriza é um conto de crianças.

Para tornar tudo mais claro anuncia a recusa em participar numa conferência euopeia sobre renegociação da dívida, proposta por Tsipras, acolhida de imediato pela Irlanda e encarada como uma hipótese interessantes pela França e pela Itália.

Já não se trata apenas de subserviência. É o reconhecimento de que se vendeu à Alemanha e os portugueses são meros empecilhos que o atrapalham.

(-por Carlos Barbosa de Oliveira, Crónicas do rochedo, 31/1/2015)


De "Acabaste de matar a troika" ! a 2 de Fevereiro de 2015 às 15:15


Dijsselbloem ao ministro das Finanças grego (Y. Varoufakis): "Acabaste de matar a troika"

(por Susana Salvador, DN,31/1/2015)

O líder do Eurogrupo alertou o novo governo grego para o risco de ignorar os acordos passados, tendo ouvido do ministro das Finanças, Yanis Varoufakis, que Atenas não está disposta a trabalhar com uma troika "periclitante"

"Acabaste de matar a troika." Terão sido estas as palavras de despedida do chefe do Eurogrupo, Jeoren Dijsselbloem, ao ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis, quando lhe apertava a mão no final de uma tensa conferência de imprensa, após um encontro de meia hora em Atenas.
Varoufakis, segundo a sua equipa citada pelo jornal Protothema, respondeu apenas: "Wow."
Na versão do Eurogrupo, a mensagem de Disselbloem tinha contudo sido outra: "Isto foi um grande erro."

Momentos antes, aos jornalistas, o ministro tinha dito que a Grécia não tem "nenhum plano para cooperar com a missão da troika" e que não vai solicitar qualquer extensão do plano de resgate, que expira no final de fevereiro.
Do outro lado, o holandês Dijsselbloem recusara a ideia de uma conferência sobre a reestruturação da dívida e deixou também um aviso: "Ignorar os acordos não é um bom caminho a seguir."


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