De Grécia: planos A e B do Syriza. a 29 de Janeiro de 2015 às 09:13
Aproximações à verdade

Mais do que nunca, devemos deixar bem claro que não há meio caminho entre o confronto e a capitulação. O momento da verdade está próximo. - Stathis Kouvelakis

Um dos melhores intérpretes da ideia da teoria política enquanto pensamento da conjuntura que eu conheço nos dias de hoje é o filósofo grego Stathis Kouvelakis, Professor em Londres e membro do comité central do Syriza (da sua ala esquerda, digamos). Vale a pena ler o que escreveu numa revista, a Jacobin, que não me canso de recomendar para quem queira ter acesso a um pensamento socialista tão clássico quanto renovado (oportunamente traduzido). Para quem quiser saber muito sobre o Syriza no contexto da formação social grega, esta longa entrevista é indispensável.

Entretanto, o novo Ministro das Finanças grego é o economista heterodoxo Yanis Varoufakis, coautor da proposta pouco modesta para um relançamento euro-keynesiano da integração europeia e especialista em teoria dos jogos, uma ferramenta que até pode dar muito jeito para pensar interacções estratégicas. Por outro lado, Costas Lapavitsas, economista da Universidade de Londres e coautor de uma das melhores análises críticas do euro e dos meios de dele sair, foi eleito deputado do Syriza. A aliança com os nacionalistas democráticos de direita confirma a opção por uma atitude negocial firme, sendo, juntamente com a paragem das privatizações ou a intenção de subida do salário mínimo, uma excelente notícia. Trata-se, como afirmou Jacques Sapir, de privilegiar a luta pela recuperação da soberania, a contradicção principal da presente conjuntura histórica. A vitória e a derrota democráticas jogam-se aqui, ou seja, na conquista ou não de margem de manobra para as escolhas colectivas que fazem a diferença.

Enfim, Varoufakis pode ter o plano A, mas creio que é Lapavitsas que tem o plano B. Dado que quem manda no centro se recusará a abrir um precedente para que por todo o lado se diga podemos, é caso para dizer que também no campo dos planos, o B poderá ser o A, o último poderá ser o primeiro. Aproxima-se mesmo o momento da verdade.

(-por João Rodrigues, 28.1.15 , Ladrões de B.)
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Não iria tão rápido. Nem sei se haverá um momento da verdade.
Talvez seja um prolongado processo de clarificação, não com um, mas com vários, talvez mesmo muitos, momentos.
Melhor ainda, com um continuum de momentos, uns mais animadores, outros mais desalentadores, ao longo de (vários, muitos) meses.
Mas, no fundamental, concordo com a apresentação do dilema.


De Renegociar a dívida: PTuga diz não... a 2 de Fevereiro de 2015 às 14:21
Os contos de crianças explicados a um mitómano

A agência Bloomberg - em editorial intitulado “ Os esquerdistas malucos da Grécia têm uma boa ideia” – defende a recuperação económica da zona euro através do alívio da dívida dos países mais atingidos pela crise;

No editorial - Greece's Agonized Cry to Europe- o New York Times avisa a Alemanha " e outros países europeus" que deve perceber a mensagem vinda das eleições gregas e persistir no erro será mau para a Grécia mas, sobretudo, perigoso para a União Europeia;

Ainda no New York Times, Paul Krugman escreve um artigo ( Ending Greece's Nightmare) que o plano económico do Syriza é mais realista que o da troika que classifica como "uma fantasia" Krugman defende mesmo que o programa do Syriza devia ser mais radical;

Na Deutsche Welle, estação de rádio e televisão alemã, pode ler-se um artigo de opinião assinado por Jasper Sky ( Solidarity with Greece makes economic sense)que aconselha a Alemanha a ser solidária com a Grécia e os países do sul e acusa a Alemanha de ser antidemocrática, por não aceitar o resultado das eleições gregas;

Também o governador do Banco de Inglaterra critica a política de austeridade imposta pela troika e alerta que a recusa de os países ricos em ajudarem os países pobres, arrisca mergulhar a Europa numa nova década perdida

Entretanto, por cá, o emérito economista Passos Coelho -que tirou um curso por correspondência aos 40 anos - diz que o programa do Syriza é um conto de crianças.

Para tornar tudo mais claro anuncia a recusa em participar numa conferência euopeia sobre renegociação da dívida, proposta por Tsipras, acolhida de imediato pela Irlanda e encarada como uma hipótese interessantes pela França e pela Itália.

Já não se trata apenas de subserviência. É o reconhecimento de que se vendeu à Alemanha e os portugueses são meros empecilhos que o atrapalham.

(-por Carlos Barbosa de Oliveira, Crónicas do rochedo, 31/1/2015)


De "Acabaste de matar a troika" ! a 2 de Fevereiro de 2015 às 15:15


Dijsselbloem ao ministro das Finanças grego (Y. Varoufakis): "Acabaste de matar a troika"

(por Susana Salvador, DN,31/1/2015)

O líder do Eurogrupo alertou o novo governo grego para o risco de ignorar os acordos passados, tendo ouvido do ministro das Finanças, Yanis Varoufakis, que Atenas não está disposta a trabalhar com uma troika "periclitante"

"Acabaste de matar a troika." Terão sido estas as palavras de despedida do chefe do Eurogrupo, Jeoren Dijsselbloem, ao ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis, quando lhe apertava a mão no final de uma tensa conferência de imprensa, após um encontro de meia hora em Atenas.
Varoufakis, segundo a sua equipa citada pelo jornal Protothema, respondeu apenas: "Wow."
Na versão do Eurogrupo, a mensagem de Disselbloem tinha contudo sido outra: "Isto foi um grande erro."

Momentos antes, aos jornalistas, o ministro tinha dito que a Grécia não tem "nenhum plano para cooperar com a missão da troika" e que não vai solicitar qualquer extensão do plano de resgate, que expira no final de fevereiro.
Do outro lado, o holandês Dijsselbloem recusara a ideia de uma conferência sobre a reestruturação da dívida e deixou também um aviso: "Ignorar os acordos não é um bom caminho a seguir."


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