De Syriza: chegar ao povo, ao poder e à UE. a 2 de Fevereiro de 2015 às 16:36
Como o Syriza chegou ao poder

( http://entreasbrumasdamemoria.blogspot.pt/2015/02/como-o-syriza-chegou-ao-poder.html , 1/2/2015, J.Lopes)

Vale muito a pena conhecer uma reportagem de Paul Mason, na revista 2 do Publico de hoje. (quem tiver acesso, através deste link, não deixe de a ler na íntegra.

«Por todo o país, o Syriza montou bancos alimentares, conhecidos como Clubes de Solidariedade.
Quando segui os activistas do Syriza num mercado de rua em Atenas, eles traziam uma espécie de babetes cor de laranja e de forma educada mas assertiva lembravam àqueles agricultores que um saco de batatas ou de laranjas para dar aos pobres faz parte dos seus deveres sociais. Em meia hora tinham os trolleys cheios de comida.

O coordenador diz-me:
“Isto é o oposto da caridade. Estamos a sustentar 120 famílias numa só área e a maioria do nosso trabalho é gerir o isolamento, problemas de saúde mental e a vergonha.”
Não é possível ter mais micropolítica do que esta de nos sentarmos numa exígua sala repleta de pessoas desesperadas a quem temos de convencer a não se suicidarem.
Mudar de ideias torna-se impossível e nada abana a relação de confiança que construíram.»

Algum partido faz algo de parecido em Portugal?!? Claro que não.
Continua-se a reduzir a acção política junto das pessoas a comícios, discursos pomposos e manifestações mais do que estafadas (e esvaziadas) pelas ruas.
Ninguém tenta organizar-se solidariamente com o povo e deixa-se muito do que é essencial para o nível da «caridadezinha».
Por isso assim estamos – parados e paralisados.
-------------

Se nós não somos a Grécia é porque somos parvos

(Miguel Sousa Tavares, no Expresso 31/1/2015)

«O “nós não somos a Grécia”, repetido por esta maioria como um mantra, é das frases politicamente mais estúpidas que me foi dado ouvir.
É claro que nós somos a Grécia a partir do momento em que quisemos ser europeus e porque a Grécia é a Europa:
foi a Grécia que fundou a civilização europeia ao abrigo de cujos valores queremos continuar a viver. (...)

Se a Europa — isto é, a Alemanha — forçar o Governo de Tsipras a capitular, muita gente ficará feliz com o desfecho. Mas são inconscientes:
estarão apenas a antecipar o fim da Europa.

A capitulação e humilhação da Grécia detonará, entre muitos povos da Europa, uma onda de ódio antialemão e de frustração com Bruxelas que será terra fértil para extremismos e radicalismos bem mais perigosos e incontroláveis.
O desespero nunca foi bom conselheiro.
A chancelerina Merkel devia meditar na célebre frase de Kennedy:

“Os que tornam impossível a revolução pacífica tornam inevitável a revolução violenta”.

Não, isto não é uma história de criancinhas, como quer esperançosamente pensar Passos Coelho.
Isto é política a sério, política dura, feita de escolhas difíceis, de opções que vão marcar os tempos.
Coisas que os dirigentes europeus actuais já esqueceram.
Mas quer eles queiram acreditar quer não, nada vai ficar na mesma.
É impossível.»
--------

O espectro que assola a Europa

(Pacheco Pereira, no Público 31/1/2015):

... « A União Europeia não sobrevive à substituição de uma política de coesão e de interesse mútuo pela pergunta pavloviana dos novos mestres: “quem é que paga?”.
É que antes também só alguns pagavam, mas percebiam que a construção da Europa era uma vantagem política para todos, e que o preço era pequeno. Pagavam desmandos? Pagavam e sabiam que pagavam, quer fosse a falcatrua das contas gregas quer fossem os privilégios dos agricultores franceses.
Hoje quem pergunta “quem paga?”, para depois dizer que não quer pagar para esses preguiçosos do Sul, está a usufruir das vantagens da União, a garantir que o euro é uma nova versão do seu marco, ou que os mercados a leste lhes estão abertos como nunca estiveram desde o tempo nefasto do General gouvernement, ou que puderam beneficiar do fim da guerra fria sem grandes turbulências à porta.
Desequilibrem a Europa e depois admirem-se de Putin estabilizar as suas conquistas a Leste; dividam a Europa entre os amigos da austeridade e os seus inimigos e depois queixem-se de muitos segundos ou terceiros partidos serem extremos, anti-europeus, populistas, radicais; aticem os mercados contra os “que se portam mal” e depois queixem-se de haver saídas do euro, ...
...


De NeoLiberal capitalismo Radical-selvagem a 3 de Fevereiro de 2015 às 12:34
Radical é o capitalismo

(03/02/2015 por Rui Curado Silva, Aventar, publicada a 29/01 no diário As Beiras.)

Embora o Syriza inclua na composição da sua designação a palavra radical, está longe de poder ser considerado um partido radical.
Trata-se de um autêntico partido de esquerda, de espectro largo, com algumas semelhanças com o nosso BE.
Ocupa um espaço político deixado livre pela deriva dos socialistas para o centro e pelo isolamento do partido comunista, mais preocupado em assegurar a sua sobrevivência.

O que é radical na verdadeira aceção da palavra, é o capitalismo dos dias de hoje.
A política do FMI é radical quando aplica uma taxa de 5% aos empréstimos à Grécia e a Portugal.
Quantos negócios sérios dão lucros de 5% durante 5 ou 10 anos? Pior, como se pagam anos a fio 5% de juro quando o crescimento na melhor das hipóteses não descola de 1 ou 2%?

O capitalismo financeiro (neoliberal, global, offshore)é radical quando permitiu uma fraude de cerca de 130 mil milhões de euros, só em 2013, graças apenas a esquemas resultantes do segredo bancário (ver G. Zucman, “A riqueza oculta das nações”, Temas e Debates, 2014).
Esta quantia seria suficiente para resolver a crise das dívidas de vários países europeus.

O capitalismo financeiro é radical quando permite esquemas de otimização fiscal através de compra e venda a preços fictícios
entre sucursais de multinacionais, como muito provavelmente fará a Jerónimo Martins e outras empresas com sede na Holanda.


Comentar:
De
 
Nome

Url

Email

Guardar Dados?

Ainda não tem um Blog no SAPO? Crie já um. É grátis.

Comentário

Máximo de 4300 caracteres