13 comentários:
De Alemanha é o problema, não a Grécia. a 29 de Janeiro de 2015 às 10:40
Nobel winner: Germany's the problem, not Greece

Matthew J. Belvedere, 26 Jan 2015

Europe's policies haven't worked for Greece: Joseph Stiglitz

Joseph Stiglitz, Columbia University professor, explains why Greece should be offered a debt write-off as the euro slips and divides Europe.




Nobel Prize-winning economist Joseph Stiglitz told CNBC on Monday that the euro zone should stay together but if it breaks apart, it would be better for Germany to leave than for Greece.

"While it was an experiment to bring them together, nothing has divided Europe as much as the euro," Stiglitz said in a "Squawk Box" interview.

The risk of a sovereign default in Greece has increased after the anti-austerity party Syriza won Sunday's snap elections, raising concerns over the possibility of a Greek exit from the euro zone.

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Greece is not the only economy struggling under the euro, and that's why a new approach is needed, Stiglitz said. "The policies that Europe has foisted on Greece just have not worked and that's true of Spain and other countries."

The Columbia University professor is one of 18 prominent economists who co-authored a letter saying that Europe would benefit from giving Greece a fresh start through debt reduction and a further conditional extension in the grace period. But in the letter in the Financial Times last week, they stressed that Greece would also have to carry out reforms.

"Greece made a few mistakes ... but Europe made even bigger mistakes," Stiglitz told CNBC. "The medicine they gave was poisonous. It led the debt to grow up and the economy to go down."

"If Greece leaves, I think Greece will actually do better. ... There will be a period of adjustment. But Greece will start to grow," he said. "If that happens, you going to see Spain and Portugal, they've been giving us this toxic medicine and there's an alternative course."

Insisting that it's best for Europe and the world to keep the euro intact, he argued that keeping the single currency together requires more integration. "There's a whole set of an unfinished economic agenda which most economists agree on, except Germany doesn't."

He said the real problem is Germany, which has benefited greatly under the euro. "Most economists are saying the best solution for Europe, if it's going to break up, is for Germany to leave. The mark would raise, the German economy would be dampened."

Under that scenario, Germany would find out just how much it needs the euro to stay together, he added, and possibly be more willing to help out the countries that are struggling. "The hope was, by having a shared currency, they would grow together." But he said that should work both ways.


De Alemanha RFA beneficiou a 29 de Janeiro de 2015 às 11:24

Uma questão de rigor.

Bartoon.

Acho interessante e até justo que se lembre a República Federal da Alemanha, de forma tão regular quanto necessário, que após a II Grande Guerra
aquele país beneficiou de um importante perdão relativo à colossal soma de dinheiro que, nos termos dos Acordos de Potsdam, era devida a alguns dos países "aliados".

É todavia importa notar - ter presente quando se aborda o tema - que a RFA era, nesse momento histórico, apenas uma parte da Alemanha.
E que a RDA não beneficiou do mesmo tipo de perdão acabando por pagar à URSS - de muito longe o mais devastado e martirizado país da Guerra -, nos termos de Potsdam, a quase totalidade das reparações devidas.

No livro "A outra Alemanha: a RDA", que é a transcrição de uma longa conversa entre Luís Corválan (ex-secretário geral do PC do Chile) e Margot Honecker (comunista alemã que foi casada com Erich Honecker e desempenhou funções de governo na RDA) pode ler-se que segundo algumas estivativas, a RDA terá assumido 98% dos custos associados aos Acordos de Potsdam, o que aliás explica em parte a incapacidade da Alemanha "Oriental" para se reerguer tão facilmente como a RFA no período de grandes privações vivido pelos trabalhadores alemães - dos dois lados da fronteira - após 1945.

A "Alemanha" conheceu um perdão de dívidas após 1945?
Se nos referimos à República Federal Alemã sim. Mas apenas esta.


Publicado por Rui Silva
Etiquetas Alemanha, II Grande Guerra, Internacional, RDA, Rui Silva

---Victor Nogueira

O Plano Marshall e os perdões à RFA tinham um objectivo: que a Europa "capitalista" se subordinasse aos EUA e que a RFA fosse um tampão face à Europa "socialista"

---Carlos Carapeto

E não foi apenas o perdão da divida, foi também a quase obrigatoriedade da abertura dos outros países aos produtos Alemães imposta por os Americanos.


De Carta de Tsipras aos Alemães a 2 de Fevereiro de 2015 às 18:31
Carta Aberta de Alexis Tsipras aos Leitores do Handelsblatt


Lida aqui:

«A maior parte de vós, caros leitores do Handelsblatt, terá já uma ideia preconcebida acerca do tema deste artigo, mesmo antes da leitura. Rogo que não cedais a preconceitos. O preconceito nunca foi bom conselheiro, principalmente durante períodos em que uma crise económica reforça estereótipos e gera fanatismo, nacionalismos e até violência.

Em 2010, a Grécia deixou de conseguir pagar os juros da sua dívida. Infelizmente, as autoridades europeias decidiram fingir que o problema poderia ser ultrapassado através do maior empréstimo de sempre, sob condição de austeridade orçamental, que iria, com uma precisão matemática, diminuir drasticamente o rendimento nacional, que serve para pagar empréstimos novos e antigos. Um problema de insolvência foi tratado como se fosse um problema de falta de liquidez.
Dito de outro modo, a Europa adoptou a táctica dos banqueiros com pior reputação, que não reconhecem maus empréstimos, preferindo conceder novos empréstimos à entidade insolvente, tentando fingir que o empréstimo original está a obter bons resultados, adiando a bancarrota. Bastava bom senso para se perceber que a adopção da táctica “adiar e fingir” levaria o meu país a uma situação trágica. Em vez da estabilização da Grécia, a Europa estava a criar as condições para uma crise auto-sustentada que põe em causa as fundações da própria Europa.

O meu partido e eu próprio discordamos veementemente do acordo de Maio de 2010 sobre o empréstimo, não por vós, cidadãos alemães, nos terdes dado pouco dinheiro, mas por nos terdes dado dinheiro em demasia, muito mais do que devíeis ter dado e do que o nosso governo devia ter aceitado, muito mais do que aquilo a que tinha direito. Dinheiro que não iria, fosse como fosse, nem ajudar o povo grego (pois estava a ser atirado para o buraco negro de uma dívida insustentável), nem sequer evitar o drástico aumento da dívida do governo grego, às custas dos contribuintes gregos e alemães.

Efectivamente, passado menos de um ano, a partir de 2011, as nossas previsões confirmaram-se. A combinação de novos empréstimos gigantescos e rigorosos cortes na despesa governamental diminuíram drasticamente os rendimentos e, não só não conseguiram conter a dívida, como também castigaram os cidadãos mais frágeis, transformando pessoas que, até então, haviam tido uma vida comedida e modesta em pobres e mendigos, negando-lhes, acima de tudo, a dignidade. O colapso nos rendimentos conduziu milhares de empresas à falência, dando um impulso ao poder oligopolista das grandes empresas sobreviventes. Assim, os preços têm caído, mas mais lentamente do que ordenados e salários, reduzindo a procura global de bens e serviços e esmagando rendimentos nominais, enquanto as dívidas continuam a sua ascensão inexorável. Neste contexto, o défice de esperança acelerou de forma descontrolada e, antes que déssemos por ela, o “ovo da serpente” chocou – consequentemente, os neo-nazis começaram a patrulhar a vizinhança, disseminando a sua mensagem de ódio.

A lógica “adiar e fingir” continua a ser aplicada, apesar do seu evidente fracasso. O segundo “resgate” grego, executado na Primavera de 2012, sobrecarregou com um novo empréstimo os frágeis ombros dos contribuintes gregos, acrescentou uma margem de avaliação aos nossos fundos de segurança social e financiou uma nova cleptocracia implacável.

Recentemente, comentadores respeitados têm mencionado a estabilização da Grécia e até sinais de crescimento. Infelizmente, a ‘recuperação grega’ é tão-somente uma miragem que devemos ignorar o mais rapidamente possível. O recente e modesto aumento do PIB real, ao ritmo de 0,7%, não indica (como tem sido aventado) o fim da recessão, mas a sua continuação. Pensai nisto: as mesmas fontes oficiais comunicam, para o mesmo trimestre, uma taxa de inflação de -1,80%, i.e., deflação. Isto significa que o aumento de 0,7% do PIB real se deveu a uma taxa de crescimento negativo do PIB nominal! Dito de outro modo, aquilo que aconteceu foi uma redução mais rápida dos preços do que do rendimento nacional nominal. Não é exactamente motivo para anunciar o fim de seis anos de recessão!

Permiti-me dizer-vos ...


De Carta aberta a 2 de Fevereiro de 2015 às 18:35
Carta aberta de Alexis Tsipras aos leitores alemães do Handelsblatt
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Permiti-me dizer-vos que esta lamentável tentativa de apresentar uma nova versão das “estatísticas gregas”, para declarar que a crise grega acabou, é um insulto a todos os europeus que, há muito, merecem conhecer a verdade sobre a Grécia e sobre a Europa. Com toda a frontalidade: actualmente, a dívida grega é insustentável e os juros não conseguirão ser pagos, principalmente enquanto a Grécia continua a ser sujeita a um contínuo afogamento simulado orçamental. A insistência nestas políticas de beco sem saída, e em negação relativamente a simples operações aritméticas, é muito onerosa para o contribuinte alemão e, simultaneamente, condena uma orgulhosa nação europeia a indignidade permanente. Pior ainda: desta forma, em breve, os alemães virar-se-ão contra os gregos, os gregos contra os alemães e, obviamente, o ideal europeu sofrerá perdas catastróficas.

Quanto a uma vitória do SYRIZA, a Alemanha e, em particular, os diligentes trabalhadores alemães nada têm a temer. A nossa tarefa não é a de criar conflitos com os nossos parceiros. Nem sequer a de assegurar maiores empréstimos ou, o equivalente, o direito a défices mais elevados. Pelo contrário, o nosso objectivo é conseguir a estabilização do país, orçamentos equilibrados e, evidentemente, o fim do grande aperto dos contribuintes gregos mais frágeis, no contexto de um acordo de empréstimo pura e simplesmente inexequível. Estamos empenhados em acabar com a lógica “adiar e fingir”, não contra os cidadãos alemães, mas pretendendo vantagens mútuas para todos os europeus.

Caros leitores, percebo que, subjacente à vossa “exigência” de que o nosso governo honre todas as suas “obrigações contratuais” se esconda o medo de que, se nos derem espaço para respirar, iremos regressar aos nossos maus e velhos hábitos. Compreendo essa ansiedade. Contudo, devo dizer-vos que não foi o SYRIZA que incubou a cleptocracia que hoje finge lutar por ‘reformas’, desde que estas ‘reformas’ não afectem os seus privilégios ilicitamente obtidos. Estamos dispostos a introduzir reformas importantes e, para tal, procuramos um mandato do povo grego e, claro, a cooperação dos nossos parceiros europeus, para podermos executá-las.

A nossa tarefa é a de obter um New Deal europeu, através do qual o nosso povo possa respirar, criar e viver com dignidade.

No dia 25 de Janeiro, estará a nascer na Grécia uma grande oportunidade para a Europa. Uma oportunidade que a Europa não poderá dar-se ao luxo de perder.»


(-via João Vasco, 1/2/2015, http://esquerda-republicana.blogspot.pt/2015/02/carta-aberta-de-alexis-tsipras-aos.html )


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