E agora Europa ?! : solidariedade e melhor democracia.

Com o Syriza, a política regressa à Europa

 Excertos do texto de Patrícia Vieira no Público
    «Se a tecnocracia (neoliberal) nos quer fazer crer que não há alternativas, a política abre os horizontes de um futuro em construção.
    Mais do que um grito de protesto contra a austeridade, mais do que uma revolução nacional, mais do que um manguito aos credores, a eleição do Syriza na Grécia por uma confortável maioria foi, para todos os europeus, uma lufada de ar fresco. Porque, até agora, a União Europeia não tem poupado esforços para nos fazer crer que não há alternativas ao statu quo, que, se não estamos bem assim, poderíamos certamente estar pior, e que, afinal, a troika é nossa amiga.
    Entre a espada e a parede, ou seja, entre governos de centro-direita e de centro-esquerda, temos aceitado, com mais ou menos celeuma, cortes nos serviços públicos, aumentos de impostos, e um empobrecimento generalizado da população. A tecnocracia (académicos, comentadores, economistas, gestores e políticos neoliberais) tem vindo nos últimos anos a substituir a política, os ditames económicos a verdadeira democracia, e os eleitores, desencantados, apenas esperam mais do mesmo.
    Mas eis que a Grécia elege o Syriza. Incrédulos perante tal ousadia, os líderes europeus proferem algumas breves banalidades sobre o respeito por escolhas democráticas, para logo se pronunciarem severamente sobre a necessidade de os gregos honrarem os seus compromissos, vulgo, continuarem a pagar empréstimos insustentáveis. (...)
    O que a eleição do Syriza nos devolveu foi um horizonte de diferentes possibilidades, que é o sine qua non de qualquer democracia. (...) Qualquer democracia digna deste nome tem por obrigação abrir-se a um futuro que não seja mais do mesmo. A Grécia, berço da democracia ocidental, deu-nos assim mais uma lição política com a eleição do Syriza. Será este um feito dos deuses do Olimpo, cansados de tanta insensatez humana?           Seja como for, permanece por agora na mente dos europeus a pergunta:    “E agora ?”     Resta-nos apenas acrescentar-lhe um clamoroso:   “Força, Syriza!” » 
              Na Grécia, a esquerda é que virou à esquerda     (- A. Bagão Felix)
 .  «A grande alteração tem a ver com o princípio de vasos comunicantes entre o PASOK e o SYRISA. O primeiro passa de 43,9% para a insignificância de 4,7%. Curiosamente o SYRISA parte, em 2009, praticamente dos mesmos 4,7% para 36,3%. Esta é a principal novidade de 2015, já fortemente indiciada nas primeiras eleições pós-troika (2012).
     Em conclusão: a Grécia não virou à esquerda. A esquerda é que virou à esquerda (por isso, não percebo o entusiasmo do PS…).» (a não ser que também vá virar à esquerda, rapidamente.)
                 Grécia:  dia  um  da  mudança        (- J.Castro Caldas)
 «A Grécia renasceu hoje. O medo falou e perdeu. Ganhou a democracia. Ganhou a esperança. A Grécia mostra hoje o caminho que pode ser de todos: deter a austeridade, renegociar a dívida, garantir a saúde, a educação, as pensões e o emprego, desenvolver.
      Esse é o programa comum de recuperação da esperança. Na Grécia e também em Portugal. Este é o momento de saudar o povo grego e o partido Syriza e exprimir solidariedade. É também o momento de lembrar que entre nós há ainda um caminho longo a percorrer. Um caminho que deve ser feito de empenhamento político, participação, organização, unidade na pluralidade das forças da mudança.
    É tempo de avançar por aqui para fazer renascer a esperança também em Portugal.»
              «A Grécia e a Europa» - R.Paes Mamede, no Prós e Contras
   «Não é pôr os gregos a pagar impostos. É pôr todas as multinacionais na Europa a pagar impostos. Esta ideia de que fugir aos impostos é uma coisa dos cidadãos que recebem 350€ por mês está ao nível daquela ideia de que Portugal entrou em crise porque as pessoas andavam a comprar écrans LCD. É absurdo. Portugal não entrou em crise porque as famílias compraram écrans LCD e os gregos não têm pouca receita fiscal porque são vagabundos e fogem aos impostos.
     A Europa vive uma situação em que permite offshores e em que - como vimos no caso português, no caso do BES e em todos os casos de grandes empresas internacionais (nós sabemos que existem 18 empresas do PSI20 que não têm sede registada em Portugal) - as empresas declaram a sua sede na Holanda para pagarem muito menos impostos. E outras, mesmo declarando sede na Holanda, não só pagam poucos impostos na Holanda como conseguem, através de offshores, assegurar que não pagam os impostos que devem.    Isso é uma responsabilidade da Grécia? As empresas alemãs fazem exactamente a mesma coisa. Há uma diferença fundamental na Alemanha, que tem que ver com o modelo de governação interna das empresas alemãs e que é um aspecto extremamente positivo: na Alemanha os conselhos de trabalhadores têm assento na administração das empresas, o que permite um muito maior controlo daquilo que é a sua actividade e a gestão interna (que leva por exemplo a que o valor bolsista de uma empresa alemã tenda a ser muito mais baixo que o valor bolsista de uma empresa equivalente americana).»  -  A ver na íntegra este excerto (do Sítio com vista sobre a cidade).

        Para onde foi o dinheiro do "resgate" grego?

 .
F. Coppola: «Tsipras has been proved correct on both counts. As this graphic from the FT shows, all but about 11% of the bailout money went straight back to the holders of Greek debt by one route or another».    Novo 1ºMin. Grego tem razão:
(excepto 11%, €bn 27)   o dinheiro do "resgate" foi para os credores e bancos.


Publicado por Xa2 às 13:39 de 28.01.15 | link do post | comentar |

13 comentários:
De Renegociar a dívida: PTuga diz não... a 2 de Fevereiro de 2015 às 14:21
Os contos de crianças explicados a um mitómano

A agência Bloomberg - em editorial intitulado “ Os esquerdistas malucos da Grécia têm uma boa ideia” – defende a recuperação económica da zona euro através do alívio da dívida dos países mais atingidos pela crise;

No editorial - Greece's Agonized Cry to Europe- o New York Times avisa a Alemanha " e outros países europeus" que deve perceber a mensagem vinda das eleições gregas e persistir no erro será mau para a Grécia mas, sobretudo, perigoso para a União Europeia;

Ainda no New York Times, Paul Krugman escreve um artigo ( Ending Greece's Nightmare) que o plano económico do Syriza é mais realista que o da troika que classifica como "uma fantasia" Krugman defende mesmo que o programa do Syriza devia ser mais radical;

Na Deutsche Welle, estação de rádio e televisão alemã, pode ler-se um artigo de opinião assinado por Jasper Sky ( Solidarity with Greece makes economic sense)que aconselha a Alemanha a ser solidária com a Grécia e os países do sul e acusa a Alemanha de ser antidemocrática, por não aceitar o resultado das eleições gregas;

Também o governador do Banco de Inglaterra critica a política de austeridade imposta pela troika e alerta que a recusa de os países ricos em ajudarem os países pobres, arrisca mergulhar a Europa numa nova década perdida

Entretanto, por cá, o emérito economista Passos Coelho -que tirou um curso por correspondência aos 40 anos - diz que o programa do Syriza é um conto de crianças.

Para tornar tudo mais claro anuncia a recusa em participar numa conferência euopeia sobre renegociação da dívida, proposta por Tsipras, acolhida de imediato pela Irlanda e encarada como uma hipótese interessantes pela França e pela Itália.

Já não se trata apenas de subserviência. É o reconhecimento de que se vendeu à Alemanha e os portugueses são meros empecilhos que o atrapalham.

(-por Carlos Barbosa de Oliveira, Crónicas do rochedo, 31/1/2015)


De "Acabaste de matar a troika" ! a 2 de Fevereiro de 2015 às 15:15


Dijsselbloem ao ministro das Finanças grego (Y. Varoufakis): "Acabaste de matar a troika"

(por Susana Salvador, DN,31/1/2015)

O líder do Eurogrupo alertou o novo governo grego para o risco de ignorar os acordos passados, tendo ouvido do ministro das Finanças, Yanis Varoufakis, que Atenas não está disposta a trabalhar com uma troika "periclitante"

"Acabaste de matar a troika." Terão sido estas as palavras de despedida do chefe do Eurogrupo, Jeoren Dijsselbloem, ao ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis, quando lhe apertava a mão no final de uma tensa conferência de imprensa, após um encontro de meia hora em Atenas.
Varoufakis, segundo a sua equipa citada pelo jornal Protothema, respondeu apenas: "Wow."
Na versão do Eurogrupo, a mensagem de Disselbloem tinha contudo sido outra: "Isto foi um grande erro."

Momentos antes, aos jornalistas, o ministro tinha dito que a Grécia não tem "nenhum plano para cooperar com a missão da troika" e que não vai solicitar qualquer extensão do plano de resgate, que expira no final de fevereiro.
Do outro lado, o holandês Dijsselbloem recusara a ideia de uma conferência sobre a reestruturação da dívida e deixou também um aviso: "Ignorar os acordos não é um bom caminho a seguir."


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