É claro que Nós «Podemos» reconstruir a Polis. - Haja Coragem !

 Sim ...  PODEMOS !

    Vale mesmo a pena LER AQUI a mensagem política do PODEMOS... para que se acredite que há quem, neste cenário de degradação e empobrecimento contínuo, encontre, promova e defenda outras formas de organização económica, social e política.   Porque as alternativas existem e são possíveis de concretizar - se nos não faltar a coragem para tal.   De facto, a decepção cívica relativamente ao sistema político-partidário vigente nas chamadas "democracias ocidentais", nomeadamente no que se refere ao designado "arco da governação" que persiste na alternância entre os partidos socialistas (centro-esquerda?!) e os sociais -democratas (centro-direita?) a que a Europa parece reduzida de há muitas décadas a esta parte, encontrou, também em Espanha (e não apenas no Syriza da Grécia), uma expressão relevante no passado domingo, quando, na contagem dos votos das eleições europeias, se constatou que o movimento PODEMOS, liderado por Pablo Iglesias, um professor universitário de Madrid, marxista, de 35 anos, alcançou 1,2 milhões de votos e elegeu, na primeira vez que se apresentou a eleições, 5 eurodeputados.
      Agregando o património da mensagem política deixada pelo Movimento dos Indignados (15-M) e inspirado no slogan que elegeu Obama "YES, WE CAN", Pablo Iglesias afirma o fim do bipartidarismo, bem como a necessidade de reinvenção da democracia e da criação de um processo constituinte.   Num discurso desassombrado, o PODEMOS solicita e apela à derrogação do Tratado de Lisboa, à nacionalização da banca, à suspensão do pagamento da dívida e coloca, sem medo!, a hipótese da saída do euro - considerando que esse cenário não significaria o caos que nos fazem supor.   Claro que uma mensagem tão autónoma e pouco comprometida com o sistema de dependências em que a teia político-partidária se desenvolve, suscita e provoca (como não poderia deixar de ser!), reações e acusações de populismo (ler aqui). 
     Porém, o importante é que os eleitores se identificaram com as propostas apresentadas, acreditaram, investiram e conseguiram resultados que merecem o respeito de todos!... por muito que se esforcem para desacreditar os que, não dependendo do poder, lutam contra ele para o devolver à Polis, isto é, a todos nós, cidadãos.  (-


 O eurocepticismo é uma reacção natural dos povos face a uma União Europeia que constitucionalizou o neoliberalismo e impede o desenvolvimento. É uma história que pode acabar muito mal.

    A evolução político-jurídica da União Europeia ao longo das últimas três décadas tem correspondido a uma verdadeira constitucionalização do neoliberalismo. Do Acto Único Europeu ao Tratado de Lisboa, com passagem por Maastricht e Amesterdão, as peças foram sendo gradual mas inexoravelmente colocadas no lugar:   mercado único, mobilidade do capital, concorrência fiscal, pressões múltiplas no sentido da privatização, liberalização e flexibilização do mercado de trabalho. Sempre que necessário, atropelando a vontade dos povos.( e os direitos dos trabalhadores.) 

       Esta neoliberalização da União Europeia tem sido prosseguida com especial intensidade nos países que aderiram à União Económica e Monetária.   Sob um manto diáfano de cosmopolitismo, modernidade e redução dos custos de transacção, escondia-se na verdade uma ofensiva de classe e um mecanismo de divergência entre Estados.  Quer uma quer o outro decorrem da necessária acumulação de excedentes no centro e défices na periferia que resultam da impossibilidade de recurso à desvalorização cambial.  Isto, claro, num contexto adicionalmente caracterizado pela ausência de mecanismos de transferência orçamental com uma dimensão minimamente significativa e pela grotesca imposição da intermediação bancária entre o BCE e os Estados

   A divergência entre Estados resulta da impossibilidade de assegurar o equilíbrio externo e a estabilização macroeconómica na periferia por outra via que não a austeridade perpétua - algo que, após uma década de endividamento, se tornou agora evidente.   A ofensiva de classe decorre do facto do mecanismo de ajustamento tornado obrigatório ser a compressão dos salários directos e indirectos: enquanto que a desvalorização cambial afecta todos os rendimentos (de trabalho e de capital) de forma transversal, a 'desvalorização interna' implica necessariamente uma alteração na repartição funcional do rendimento em favor do capital e detrimento do trabalho, a par do desmantelamento dos serviços públicos de que os mais pobres dependem muito mais fortemente.

   Mas o ADN neoliberal da União Económica e Monetária introduziu ainda, porventura inadvertidamente, uma tendência latente para a estagnação generalizada, pois constitui o exemplo mais acabado da contradição central do neoliberalismo.   A desigualdade na distribuição do rendimento constrange a procura no mercado de bens e serviços (ao mesmo tempo que provoca bolhas especulativas em sucessivos mercados financeiros);   e o único mecanismo que neste contexto permite introduzir dinamismo na procura - o endividamento privado e público -, uma vez levado até ao limite, não pode ser renovado devido ao mandato anti-inflaccionário do BCE.

O resultado de tudo isto é o que está à vista:    desigualdade em máximos históricos, um lastro gigantesco de dívida privada e pública, periferias condenadas ao subdesenvolvimento, domínio absoluto da finança, estagnação generalizada (, destruição da classe média e aumento da pobreza).   Sem que se vislumbre a possibilidade de políticas que invertam estas tendências porque, e este é um aspecto crucial, a constitucionalização do neoliberalismo significa que o próprio leque de políticas possíveis, a nível nacional ou europeu, está decisivamente constrangido.   Todos os determinantes fundamentais de que tenho vindo a falar estão blindados em tratados cuja alteração exige uma impossível coordenação entre Estados com interesses e ritmos políticos divergentes.

   Perante tudo isto, e com maior ou menor percepção dos mecanismos subjacentes, os cidadãos europeus sentem o ataque de que são alvo e revoltam-se, legitimamente, contra uma União Europeia que hoje em dia não promete mais do que o subdesenvolvimento.  Infelizmente, como estamos agora a assistir pela Europa fora, os partidos anti-democráticos e xenófobos são quem está a ocupar mais rapidamente este espaço político, subvertendo estas legítimas aspirações.   Se o campo democrático não assumir rapidamente que esta União Europeia, e sobretudo este Euro, têm mesmo de ser desmantelados para que uma Europa solidária e de progresso possa ser reconstruída, são sombrias as nuvens que se erguem no horizonte.       (-por Alex. Abreu, 2/6/2014, publicado no Expresso online)



Publicado por Xa2 às 07:49 de 02.06.14 | link do post | comentar |

14 comentários:
De Desgoverno anti-Constit. anti-Econ, ... a 2 de Junho de 2014 às 12:49
O TC salva, o governo destrói

• João Galamba: O TC salva, o governo destrói:

«(…) Imediatamente após a apresentação do orçamento do Estado, em Outubro de 2013, os indicadores económicos começaram a degradar-se.
O crescimento (em cadeia) continuou positivo até ao final do ano, mas desacelerou fortemente.
E, no 1º trimestre de 2014, aconteceu o óbvio: o PIB caiu -0.7%.
A retoma foi possível quando a austeridade foi travada;
a retoma desapareceu quando se voltou a insistir no caminho da austeridade.

Ainda não sabemos os detalhes da austeridade que aí vem.
Só sabemos que, com este governo e com as políticas que têm sido seguidas, o que aí vem não é seguramente o crescimento do PIB e do emprego.

O TC pode proteger-nos de alguns excessos deste governo, mas não nos salva dele.»

⇒ Miguel Abrantes à(s) 2.6.14 Camara Corporativa


De DesgoverDireita: neoliberal, totalitário a 4 de Junho de 2014 às 09:58

De regresso ao absolutismo

(-3 de Junho de 2014, ValupiVal, http://aspirinab.com/ )


O ataque do PSD e CDS à Constituição já era uma promessa em 2010, isto para ficarmos por uma memória recente.
É um ataque ideologicamente legítimo, como qualquer outro que venha de outros quadrantes e entidades políticas.
Mas a estratégia não foi levada às urnas em 2011.

Também fora da decisão dos eleitores ficou a estratégia do empobrecimento, vocalizada apenas avulsamente e baixinho em 2010.
PSD e CDS optaram por mentir em todas as matérias onde viam que poderiam perder votos.
Ao mesmo tempo, sabiam que o Memorando era a desculpa perfeita para terem carta branca numa tentativa de revisão constitucional sem necessidade de obter dois terços de aprovação no Parlamento.
Estão a cumprir zelosamente o plano, pois ainda não apresentaram um Orçamento isento de ilegalidades constitucionais.
Algumas têm recebido cobertura do próprio Tribunal Constitucional.

Esta actual investida da direita contra o órgão de soberania sem o qual a Constituição será apenas letra morta tanto pode ser uma manobra retórica para embrulhar mais um aumento de impostos como até poderá ser o início da antecipação das legislativas,
aproveitando a crise socialista para ir a eleições nas melhores condições possíveis:
com o PS ainda nas mãos de um Seguro completamente descontrolado e sem qualquer credibilidade.

PSD e CDS cavalgaram radiantes o tigre populista quando atiçaram durante anos a Grei contra os “corruptos” socialistas
que dominavam o aparelho de Estado e pervertiam a moral e os bons costumes.
Era preciso acabar com as fundações, os motoristas e as viagens de avião em 1º classe.
Era preciso que os socialistas, esses vírus, fossem metidos nas prisões pois os males do mundo vinham deles e só deles.
Chegados ao poder, desfrutando de uma situação onde se escudam na invasão estrangeira e contam com a cumplicidade activa do Presidente da República,
e em que nem sequer a oposição consegue ter uma qualquer bandeira para agitar,
o inimigo passou a ser o Tribunal Constitucional e os seus procedimentos democráticos.

Passos, Portas e Cavaco podem parecer políticos medíocres, mesmo decadentes, com percursos e atitudes caricatos e/ou desprezíveis, tantas as mentiras e contradições.
Mas são eles que mandam no País.
E, se conseguirem vergar o Tribunal Constitucional, se conseguirem organizar manifestações ou mesmo agressões contra os juízes, o absolutismo (totalitarismo, fascismo) estará factualmente de volta.
-----------
Fontes políticas ... de notas falsas
... ...
Por estes dias, em plena crise do PS e em pleno ataque do Governo ao Tribunal Constitucional, como acontece sempre em momentos de maior nervosismo político, vários protagonistas e actores políticos querem “meter na imprensa” as suas histórias. Ou as suas versões dos factos.

Porém, na maior parte dos casos, o que se constata é que fazem da imprensa e dos jornalistas apenas o amplificador das suas mensagens, o altifalante das suas convicções, os transmissores das suas opiniões, os moços dos recados das suas intenções.

É curioso verificar como, apesar de tudo, ainda há quem consiga dar a golpada e usar a imprensa para publicar informação que, na maior parte dos casos, é apenas tralha para confundir as pessoas e espuma encardida sob a forma de notícia.

Há expressões ou palavras facilmente identificáveis nesses textos. Deixaram uma marca. Ficam impressas as marcas digitais das “fontes” que tentaram (e conseguiram) vender essas “notícias”.

As fontes podiam ser mais criativas, por exemplo, ao não repetirem “chavões” a vários jornalistas, sob pena de, após a publicação, todos saberem quem são uns e quem são outros. E os jornalistas deviam ser mais exigentes e fazer o seu trabalho, em vez de publicarem "sem tirar nem pôr" a história tal como lhes foi passada.

É nesses momentos que devia haver um sistema de alarme semelhante ao das caixas multibanco. Deviam ser accionados mecanismos de alerta automáticos também na imprensa. Desse modo, essas "notícias" seriam tingidas com uma indisfarçável mancha vermelha, para todos os leitores saberem que ali houve um assalto. De ética.

(- por A.C. Santos, http://diario-metafisico.blogspot.pt/ , 3/6/2014)


Comentar post

DESTAQUE DO MÊS
14_04_botão_CUS
MARCADORES

todas as tags

CONTACTO

Email - Blogue LUMINÁRIA

ARQUIVO

Novembro 2019

Junho 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Online
RSS
blogs SAPO