Economia neoliberal destrói mais empregos do que cria

Davos: até 2020 serão destruídos 7 milhões de empregos e criado 1,5 milhão

(oEconomistaP., 21/1/2016)

       Destruição e Criação de emprego, por Ramos de Actividade, em milhares, 2015-2020  (...)

     Daqui até ao ano 2020 serão destruídos cerca de sete milhões de empregos, dois terços dos quais em tarefas administrativas burocráticas, devido à «4ª revolução industrial» que provocará rupturas no modelo empresarial e no mercado de trabalho, afirma um relatório sobre «o futuro dos postos de trabalho».  O relatório é da responsabilidade do Forum Económico Mundial, que organiza o encontro de Davos (na Suiça). O Forum (de governantes de muitos países e responsáveis de grandes empresas) pediu aos responsáveis pelo pessoal de algumas das maiores empresas mundiais para imaginarem como mudarão os postos de trabalhos no seu ramo de actividade até ao ano 2020. As estatísticas acima são o resultado da opinião daqueles responsáveis. Um resumo dos resultados foi ontem publicado (http://www3.weforum.org/docs/WEF_FOJ_Executive_Summary_Jobs.pdf).

   Como o gráfico acima mostra, os empregos aumentam nas actividades registadas na coluna da direita (cerca de 1,5 milhão de novos postos de trabalho). Os empregos serão criados, por ordem quantitativa decrescente, nas operações comerciais e financeiras; gestão; computadores e matemática; arquitetura e engenharia; vendas; educação. Na coluna da esquerda diminuem. A criação de empregos é muito inferior à sua destruição e por isso o saldo líquido global é negativo. O relatório não indica quais os países considerados.

    O Forum lança a ideia de «4ª revolução industrial»: ela resulta da articulação de campos até hoje separados como a inteligência artificlal, as máquinas que aprendem, os robots, nanotecnologia, impressão a três dimensões, genética, que se reforçam mutuamente. A revolução industrial centrava-se nos computadores.

    O relatório prevê também o aumento da instabilidade política à escala mundial.

    No emprego avultam dois novos tipos de especialidades: analistas de dados, necessários para as empresas sobrenadarem uma informação demasiado abundante, e vendedores especializados, tecnomercadeiros.

     As competências mudarão em mais de 60% do total nos media, entretenimento e informação; consumo; saúde; energia; serviços profissionais; tecnologia da informação e da comunicação e mobilidade.

    O relatório afirma que os responsáveis pelas empresas estão conscientes da ruptura futura mas não actuam; os responsáveis pelo pessoal manifestam um confiança limitada na sua capacidade previsional. Os governos deverão também modificar as suas atitudes em relação ao ensino e formação.



Publicado por Xa2 às 09:00 de 24.01.16 | link do post | comentar |

2 comentários:
De .Robots, Riqueza vs Trabalho e pobreza. a 4 de Fevereiro de 2016 às 00:27
Vamos de mal a pior
No Fórum económico mundial, em Davos, que reúne todos os anos líderes políticos e de opinião, pensadores, CEOs das grandes empresas multinacionais, tecnocratas, etc. Em suma, gente grada do mundo da política e dos negócios. O Fórum escolheu para tema, deste ano, a 4ª revolução industrial que desponta, baseada nas técnicas da informática, robótica, inteligência artificial e outras técnicas de fronteira do conhecimento e da economia digital. Desde o seu início, ouviram hossanas ao advento da nova era industrial. Para uns simbolizada pela cornucópia, prenhe de proveitos para os detentores do capital, mas, para outros, ao invés, simbolizada pela boceta de pandora. É que os trabalhadores veem os seus postos de trabalho a ser progressivamente ocupados por robots, que são trabalhadores obedientes, que não fazem greve, nem reivindicam aumentos salariais.
O CEO da Microsoft foi um dos divos que mais entoaram loas à revolução emergente ao afirmar que «a explosão das tecnologias da informação e da inteligência artificial está a gerar riqueza sem paralelo» Quem se apropria dessa riqueza não o disse, mas nós sabemos que não serão certamente os trabalhadores. Estes vão perder cinco milhões de postos de trabalho, nos próximos cinco anos, como afirmou outro interveniente. Estimativa feita muito por baixo como se pode inferir da informação dada sobre uma empresa Foxconn de Taiwan com fábricas na China e outros países do sudeste asiático. Hoje, tem ao seu serviço 10 mil robots a fabricar iPhones para a americana Apple e para satisfazer a procura destes aparelhos planeia instalar um milhão de robots, no prazo de três anos.
Ora, só esta empresa está preparada para despedir, ou deixar de contratar, milhões de trabalhadores numa região onde grassa, em escala impressionante, o desemprego estrutural e a pobreza.
Cada vez têm mais razão os que dizem que o capitalismo à rédea solta contém em si o germe da autodestruição, na medida em que cria crises sobre crises, todas elas mais ou menos causadas por uma débil procura agregada. Se ainda não implodiu foi porque o Estado lhes tem valido nos momentos de aflição com o dinheiro dos contribuintes.
Substituir trabalhadores por robots é, nem mais nem menos, do que reduzir, muito mais do que está agora, o universo da procura. Assim a oferta dos bens, produzidos pela terceira e quarta revolução, não tem quem a consuma em pleno.
Os trabalhadores para refazer a sua força de trabalho, vão, aos supermercados e outros locais, abastecer-se … os robots não!
Não deixa dúvida, que a evolução da economia, subordinada à logica tecnocrata, coloca a produtividade e a maximização dos retornos, como objetivo prioritário e o homem como um refugo do crescimento económico. Por este caminho a terceira revolução industrial atirou para o desemprego milhões de trabalhadores e a quarta revolução, mantendo a mesma lógica, prepara-se engrossar as legiões imensas dos inativos. Se nada for feito que inverta, radicalmente, a presente tendência de exclusão de centenas, senão milhares, de milhões de pessoas do direito de serem úteis às comunidades, perfilar-se-á no horizonte uma nova jacquerie, tal qual a visionou Eça de Queirós, na sua fase mística.
No livro «A Lenda dos Santos» Eça de Queirós, coloca o bom gigante Cristóvão à frente dos jacques, os camponeses pobres e faminto, na marcha pacífica em busca de pão, justiça e igualdade. Nesta alegoria, que se acomoda bem à realidade dos nossos dias, escreveu em boa prosa queirosiana, a página que, aqui, deixo reproduzida:
«Na vasta planície, jazem os jacques mortos. Findou a grande marcha, que levava aos castelos e abadias a visão estranha das grandes misérias da Terra. Nenhum mais voltará às cabanas da aldeia, onde os filhos esperam até tarde na lareira apagada. Os jacques estão mortos, a terra limpa dos seus andrajos.
Cristóvão jaz estendido na colina, entre os pinheiros. Um vento passa frio e triste. Ele abre os olhos, e a custo, erguendo-se sobre a mão, olha a planície. E em toda a sua extensão ele vê montões de corpos mortos, entre os quais reluzem já os olhos dos lobos. A grande lagoa está imóvel. Por cima passa a lua cheia. Uma dor imensa arrefece o seu coração. De novo os seus olhos se fecharam – e caiu inanimado.
Toda a noite, no entanto, ele reviu a


De .Trabalho e Tempo Roubado. a 4 de Fevereiro de 2016 às 00:21
O TEMPO ROUBADO. OUTRO DIÁLOGO IMPROVÁVEL


O estudo hoje divulgado no Público evidenciando o aumento do número de trabalhadores, do sector público e do sector privado, em risco de esgotamento e exposição a stresse profissional ("burnout").
A degradação das condições de trabalho verificada nos últimos anos com baixa de salários, aumento do risco de despedimento, competição e precariedade, ausência de perspectiva de carreira e segurança, entre outros factores, não será alheia a este aumento do mal-estar em quem trabalha.

A este propósito recupero um diálogo improvável.


Bom dia, venho apresentar uma queixa.
Com certeza, contra quem?
Contra muita gente.

Será, portanto, contra incertos. E apresenta queixa porquê?

Por roubo, roubaram-me tempo.

Muito bem, então roubaram-lhe tempo. Por favor, pode explicar um pouco melhor para eu poder registar a situação.

Eu já não tinha muito tempo porque nunca fui uma pessoa muito rica de tempo, mas o pouco que tinha roubaram-me. Fiquei sem tempo para estar com os meus filhos e brincar com eles. Este tempo faz-me muita falta, os miúdos andam tristes porque desde que me roubaram o tempo não consigo mesmo. Já não tenho tempo para descansar ou ler qualquer coisa como gostava de fazer. Não tenho tempo descansado para a minha mulher que também precisava do tempo que eu tinha e que partilhava com ela. No meu trabalho não tenho tempo para parar um minuto sem que alguém venha logo chamar a atenção. Fiquei sem o tempo que tinha para beber um copo com os meus amigos e trocar umas lérias que serviam para aliviar das coisas da vida.

Eu percebo o seu problema, mas como deve calcular não tenho tempo para queixas como as que apresenta.

Não tem tempo? Não me diga que também lhe roubaram o tempo. Até às autoridades, é demais.


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