De insoço ou azedo? Coligar à esquerda. a 25 de Setembro de 2014 às 12:13

J.Viegas:
Eu não vou votar, nem nele, nem no outro palhaço, porque muito francamente, embora eu seja de esquerda a da area reformista (logo, potencial eleitor do PS) não me consigo interessar por um debate absolutamente vazio de ideias, de propostas ou de projectos, por um debate que não passa de mais um numero de circo para entreter o pacovio, a quem se pede para decidir qual dos dois tem mais "estilo" ou mais "aura" ou mais "mantra". Confrangedor...

A verdade é que a esquerda não quer dedicar um minuto que seja a procurar construir uma verdadeira proposta alternativa ao que este governo esta a fazer. Os partidos à esquerda do PS sabem perfeitamente que nunca irão ser parte de uma solução de governo, e provavelmente fugiriam a sete pés se houvesse a minima perspectiva em contrario. No PS, sabem muito bem que vão ter de fazer uma politica parecida com a do PSD, mais coisa menos coisa. Portanto não precisam de programa nenhum, apenas de um guarda chuva...

O meu desinteresse favorece a hipotese de a direita continuar a governar ? Talvez, mas pelo menos assim teriamos alguma coerência.
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F. Castro:
3º Debate - Costa veio (continuou) impreparado, com um convencimento ou sobranceria mais ou menos dissimulada, uma espécie de presunção mais do que latente, sem estudar os dossiês, porque subestimou, liminarmente, toda a capacidade do adversário de apresentar alguma coisa válida. Por isso, deu-se ao luxo de falar em matemática pontapeando-a a propósito da deliberação de redução dos deputados apresentada por Seguro: ele sabe, com uma clareza assustadora, que 181 deputados haveriam de prejudicar o BE e o PCP (e está altamente preocupado com a representação destes partidos na AR) e o Portugal interior, apesar de não fazer ideia do que seja o círculo nacional, do que pode captar ou perder nem do seu peso matemático puro. Assim, acusando Seguro – com alguma justeza – de populismo, Costa não deixou de ser mais demagogo e vaidoso do que o adversário, espécie de populismo às avessas, escudando-se em valores de antanho do aparelho, da máquina dos ilustres, invocando uma tradição histórica do partido (o mais das tradições históricas já foi há muito pelo esgoto abaixo, mormente as ideológicas e concetuais). É espantoso que ambos tenham ignorado o sistema eleitoral português vigente, pelo menos formalmente – já que agem em nome de um pragmatismo sem qualquer prova de interiorização nas populações, confundindo liderança, carisma para chefiar partidos com o exercício de cargos no sistema político -, posicionando-se como candidatos à função de primeiro-ministro, sem qualquer pejo. Agravando isto, ao colocarem-se nesta perspetiva, é confrangedor sentir-lhes a saliva do embargo a escorrer-lhes da boca, como se falassem sem nexo, engajados com coisa nenhuma e a botarem a palração do vácuo; quanto aos lugares que disputam, nada de substantivo – com efeito, a visão de ambos em relação à vida partidária é redutora e maquinal, já que parece que a ‘liderança’ do partido consiste exclusivamente num meio para lutar pelo poder. É assim que a retórica tem barbas, que se compreende como, com a arma de conseguir prestar um melhor serviço ao país do que Seguro, António Costa – qual tributário da opinião pública e dos sentimentos etnológicos domésticos -, se está literalmente borrifando – apesar de ser um político dialogador em particular à esquerda – para a vida democrática dos outros partidos habitualmente fora do círculo da governação, pois havemos de convir que, se a vida intra-partidária lhe parece tacitamente despicienda – tendo de curvar-se perante desígnios mais elevados -, então como prezar aquilo que se despreza? Bom, se tudo aponta para que Costa venha a ganhar, terá um lastro homérico e sebastiânico a curvar-lhe a cervical, porque se esquece de um dado que para ele deveria ser elementar: os eleitores penalizaram não só este PS de Seguro como poderiam ter penalizado já o PS de qualquer outra liderança, inclusive a sua. É um facto que António Costa tem a seu favor um currículo político não desprezível, ainda que nem sempre equilibrado (o seu ponto alto foi como Ministro da Justiça, porventura o melhor desde 1999 pra cá, empalidecendo o seu péssimo antecessor Vera Jardim). Porém, é muito mais lesto enquanto comentador e analista ...


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