De Desindustrializ. e econ. de 'biscates'.. a 13 de Dezembro de 2016 às 16:32
Desindustrialização e «gig economy» não explicam a fraqueza da classe trabalhadora nos EUA

(6/12/2016, http://passapalavra.info/2016/12/110082

Enquanto alguns trabalhadores perderam poder ao longo dos anos, muitos mais adquiriram novas fontes de poder em potencial. Por Kim Moody, comentado por Lucas Carlini

Nota : Neste texto, Lucas Carlini apresenta uma versão comentada e traduzida ao português do artigo de Kim Moody, U.S. Labor: What’s New, What’s Not, originalmente publicado em Against The Current.

Introdução

O autor [Kim Moody] começa constatando de que há algo de diferente com a classe trabalhadora nos EUA atualmente. Uma diferença óbvia apontada pela The Economist é que os trabalhadores produzem menos coisas materiais e mais coisas imaterais. A pergunta que o guiará ao longo do seu artigo é a seguinte: «O que está realmente mudando na produção capitalista dos Estados Unidos?»

O primeiro movimento do seu texto é definir, de acordo com Marx, quem é o proletariado. Ele limpa o terreno afirmando que o proletariado não é definido de acordo com a mercadoria que produz, afinal para o capital é indiferente a natureza particular de cada esfera de produção. O proletariado define-se, portanto, em sua relação com o capital. Dessa maneira, ele elenca três condições básicas para definir classe trabalhadora: ter que vender sua força de trabalho por um certo período de tempo para viver; a exploração dessa força de trabalho gerar mais-valia; e a natureza do processo de trabalho ser puramente despótica.

Pelo menos 2/3 da força de trabalho nos EUA se encaixam nessas condições, segundo o autor. Os trabalhadores que não produzem mais-valia diretamente, mas que seu trabalho é submetido ao capital e devem trabalhar mais horas do que o necessário à sua reprodução, são igualmente explorados e também fazem parte da classe trabalhadora. Portanto, como classe, o proletariado compõe aproximadamente 3/4 da sociedade estadunidense.

Definido o que e quem é o proletariado, ele traz à tona um debate atual que seria o quanto cada tipo de emprego está ou não mais precarizado. Ele afirma que se deter a esse ponto específico é deixar passar uma mudança muito importante em toda classe trabalhadora dos EUA: a queda no padrão de vida experienciada pela maior parte de nossa classe por lá. Ele aponta que o salário real da classe trabalhadora nos EUA continua abaixo dos níveis de 1972 e que 30% da força de trabalho depende de assistência social pública para viver (todos os dados sem fonte a partir daqui são do US Bureau of Labor Statistics – BLS, do departamento de trabalho dos EUA). Ele aponta ainda que a projeção desse instituto para 2014-2024 é que a maior parte dos trabalhadores ganharão menos de $2.699,00 por mês e que 1/3 disso ganhará menos de $1.799,00.

Outra tentativa de interpretar a nova realidade da classe trabalhadora se baseia na hipótese de que cada vez mais os trabalhadores produzem serviços e não mercadorias palpáveis e que o trabalho é cada vez mais instável e a rotatividade, cada vez maior. Há cada vez mais trabalhadores autônomos, que vivem de «bicos», há o precariado. Em resumo, os empregos não seriam mais como na era keynesiana-fordista: estáveis, jornada integral e bem pagos. O autor pondera de que essa é uma visão que não corresponde nem à época fordista-keynesiana, pois em todas economias industriais há uma certa rotatividade e instabilidade nas diferentes relações de trabalho.

Nos próximos pontos, o autor irá se deter em cada umas dessas explicações pós-fordistas/pós-keynesianas e mostrar o porquê delas não se sustentarem.

1. “The Gigariat” (os trabalhadores que vivem de “bicos”) — “Gig” é uma expressão utilizada pelos músicos, os quais realizam diversos shows em vários lugares diferentes para sobreviver. Nesse caso, se refere aos trabalhadores que não têm emprego fixo e têm que realizar diversos “bicos” para ganhar a vida.

A “gig economy” teria surgido após a grande recessão de 2008. Com a queda da economia, os desempregados passaram a ganhar a vida trabalhando em 2 ou mais empregos, algumas vezes por meio de aplicativos de internet como Uber. Apesar do Uber negar que é um empregador, ele e outras grandes plataformas online nada mais são do que aplicativos que realizam o elo entre o empregador e 'gigster' (biscat...


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