3 comentários:
De .Do BE para outro partido + PS. a 23 de Julho de 2014 às 15:36
Francisco Louçã
(http://opaisdoburro.blogspot.pt/ 16/7/2014, Gostei de ler: os 5 na ilha...)
Duas coisas sensatas, uma boa e outra nem por isso

A “desvinculação do Fórum Manifesto” em relação ao Bloco concretizou-se com a saída de Ana Drago do Bloco, com mais três militantes. A notícia é importante, por isso os primeiros passos do novo partido que estão a constituir devem ser analisados com cuidado.

O primeiro foi uma decisão sensata: a Ana decidiu cessar funções como deputada municipal do Bloco. É correto. Alguém que abandona um partido, para criar outro, só poderia ficar com esse mandato se quisesse desrespeitar os eleitores. Esta escolha prova maturidade democrática (e uma bofetada de luva branca a quem procede ao contrário, em benefício da sua carreira).


O segundo passo é explicado num artigo de Daniel Oliveira no Expresso, acerca do “processo confuso e lento para o nascimento de um novo sujeito político, que esteja disponível para construir maiorias de governo”. Este novo partido, explica, deve fazer o que os outros nunca fizeram: concretizar a aliança com o PS para a “governação”. Para isso, evidentemente, tem pela frente uma escolha imediata: não pode propor ao PS que abandone o Tratado Orçamental, mesmo que lamente que este seja um “um atentado à soberania democrática e ao parlamentarismo”. Se pusesse essa condição, a negociação seria uma farsa. António Costa, aliás, já deixou claro que cumpre esses “compromissos internacionais” sem qualquer hesitação. Resta então, explica Oliveira, “rever as metas do Tratado Orçamental”, aceitando-o.

O longo caminho para aqui chegar foi percorrido num ápice. Oliveira, que defendeu a saída do euro como única solução de fundo para Portugal e que considera que o Tratado da austeridade é um “atentado à soberania”, sabia que teria que escolher entre dois caminhos. Ou dá razão ao Bloco e constrói o seu partido no pressuposto de que não é aceitável uma aliança governativa para aplicar esse Tratado e a austeridade que ele representa, ou aceita o Tratado, “um atentado”, rezando para que as suas metas sejam atenuadas, de modo a que a austeridade seja mais leve.

É sempre ilustrativo verificar como esta mudança se processou num relâmpago. O Fórum Manifesto aprovou em dezembro de 2013, há sete meses, uma cuidadosa resolução que criticava o Bloco porque, ao defender a reestruturação da dívida, não concluía que isso conduziria à saída do euro. Mais ainda, explicava – com os votos dos quatro militantes que agora saíram do Bloco e também de Daniel Oliveira – que a União Europeia se transformou num perigo para Portugal:

“Á luz de dois anos de imposição do Memorando de Entendimento, a centralidade do debate europeu na sociedade portuguesa mantém-se, mas assume hoje uma configuração radicalmente diferente. De súbito, a Europa já não surge publicamente como um espaço de modernização social e de desenvolvimento da economia portuguesa. Pelo contrário, é o ator principal de um processo de brutal desvalorização dos rendimentos, de retrocesso de direitos sociais e laborais e de destruição do tecido económico”.

Por isso, o Fórum Manifesto concluía que é preciso preparar a saída do euro:

“Esta opção significa assumir, de forma plena e de princípio, todas as consequências que se associam a um processo negocial com a Troika, incluindo a saída do euro. Mais: apenas assumindo a disposição para ir até às últimas consequências, em resultado de uma convicção consciente e firme sobre a impossibilidade de permanecer num sistema monetário que apenas nos destina a um empobrecimento sem fim, qualquer negociação poderá comportar margens de sucesso.(...) É esse o problema que se coloca em relação ao euro. O euro é, no atual quadro de cor relação de forças políticas, irreformável: correspondeu e continuará necessariamente a corresponder à construção de um fosso intransponível entre centro e periferia europeia, que obrigará a um processo de subdesenvolvimento das economias mais fracas da União. E é justo afirmar que, mesmo que muito mudasse em Portugal e na Europa – e era preciso que muito mudasse em Portugal e na Europa – não há, dentro do euro, futuro para um crescimento económico do país que seja socialmente sustentável” (sublinhados meus).

Em sete meses, para o Fórum Manifesto, a União Europeia ...


De .BE, manifestos, cisões, ... Esquerda. a 23 de Julho de 2014 às 15:41
Francisco Louçã
(via http://opaisdoburro.blogspot.pt/ 16/7/2014, Gostei de ler: os 5 na ilha do tesouro)

Duas coisas sensatas, uma boa e outra nem por isso
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Em sete meses, para o Fórum Manifesto, a União Europeia passou de “ator principal de um processo de brutal desvalorização dos rendimentos”, impondo a “convicção consciente e firme sobre a impossibilidade de permanecer num sistema monetário que apenas nos destina a um empobrecimento sem fim”, com um “euro irreformável”, dentro do qual “não há futuro para um crescimento económico do país que seja socialmente sustentável”, para a aceitação do Tratado Orçamental e das regras da austeridade, claro que na esperança da sua moderação.

Como o novo partido leva a sério o seu putativo acordo com o PS e sabe que este é que determina a política e, mais, que a “dona disto tudo”, Merkel, não aceita um governo fora do quadro dos Tratados e da política do empobrecimento, anuncia já que os seus promotores moderam as suas posições anteriores e vão à negociação.

É uma decisão realista e mesmo honesta, porque é explicitada para que toda a gente perceba a mudança, mas é duvidoso que seja uma via nova para a esquerda e para o país: ela anuncia o que vai acontecer a esta “governação” e o que vai fazer a Portugal. Por isso, a sua prudência é simplesmente a desistência de resolver os problemas de Portugal. Aliás, se medirmos esta política pela velocidade alucinante da mudança de posição na questão decisiva para Portugal, então percebemos que passamos a ter mais um exemplo da política que sempre nos governou.


De Fazer Coligação Esquerda BE Livre 3D ... a 17 de Junho de 2014 às 17:35

Os obstáculos não são poucos, mas avolumam-se as vozes em defesa de um entendimento alargado entre partidos e movimentos de esquerda. O ponto em comum é apenas um: impedir que a direita continue no poder

Divide et impera. A esquerda portuguesa escreveu a sua história dos últimos 40 anos fazendo uso interno da máxima de guerra romana que via a divisão das forças adversárias como o melhor caminho para a vitória. Mas algumas das figuras que bateram com a porta no PS, no PCP e até no BE são as que agora tomam a dianteira do diálogo, com as legislativas de 2015 no horizonte. A rejeição da austeridade aplicada nos últimos três anos é um eventual ponto de convergência. Será suficiente?

Antes das europeias, o movimento 3D colocou na agenda a necessidade de um entendimento à esquerda. O objectivo falhou, mas ficou clara a vontade de retomar o diálogo antes das próximas legislativas. Daniel Oliveira assume que o objectivo inicial do movimento caiu por terra, mas o promotor do 3D continua "empenhado em que exista um actor político, que inclua forças existentes, que possa ir a eleições e seja capaz de participar no poder". A um ano das legislativas, Oliveira assume que, a título pessoal, tem multiplicado contactos. Mas é cedo para que exista alguma coisa de concreto.

É de coligações que se fala e é isso que o Livre também vai explorar. No próximo sábado, o partido vota uma proposta interna para realizar, até ao Verão, uma série de encontros com forças da sua "família política". Rui Tavares afastou-se do BE depois de, nas europeias de 2009, ter sido eleito como independente nas listas dos bloquistas. Mas, agora, o objectivo que o fundador do Livre assume é o de que "até ao fim do ano seja visível que existe uma alternativa" ao programa em que tem vindo a basear- -se o ajustamento das contas públicas.

Na retórica, os pequenos partidos e movimentos estão em linha. Mas não há entendimentos de governo à esquerda sem o PS. Neste momento, a disputa interna deixa mais dúvidas que certezas sobre o futuro socialista, ainda que, este fim- -de-semana, o líder parlamentar do PS tenha virado costas à direita, defendendo acordos à esquerda. Em entrevista ao i, Alb.Martins garantiu "excluir o bloco central" das contas, acrescentando que "o PS deve estar disponível para formar governo procurando coligar-se com outros partidos de esquerda".

Saber que partidos é tarefa mais difícil, desde logo porque esta história se depara com um Tratado Orçamental algures pelo caminho, a par de uma dívida pública sobre a qual não há posições comuns. O PCP é claro: renegociação de prazos, juros e montantes é o caminho que o país deve seguir para poder sequer sonhar com o crescimento económico. Só que, ao mesmo tempo, o PS não quer ouvir falar de reestruturações da dívida.

O mais fácil é encontrar divergências que inviabilizem o entendimento, diz Rui Tavares. É tudo uma questão de hierarquias: "Se aquilo que pusermos em primeiro lugar forem as razões que sustentem o desentendimento, entregamos o poder à direita", diz o fundador do Livre.

Do Bloco, os sinais são de uma disponibilidade condicional para encontrar denominadores comuns. Na última reunião da Mesa Nacional do partido, a ex-deputada Ana Drago avançou com uma proposta para que o BE se sentasse à mesa com o Livre, o movimento 3D e o PAN. Por dez votos (33 contra, 23 a favor), a proposta caiu. Pouco depois, João Semedo veio dizer que é preciso mais. "Não imagino uma alternativa de esquerda em Portugal sem o BE, mas também não imagino uma alternativa de esquerda sem o PCP", disse o coordenador do partido em entrevista à Antena 1. Esse posicionamento do BE não é, de resto, novo. No ano passado, o partido já tinha proposto "rondas de negociação" com o PS e o PCP para chegar a um programa de governo de esquerda. Sem sucesso.

Além do "como" está ainda por esclarecer o "quando". E, aí, a realidade corre em contra-relógio. D.Oliveira fala no "início do próximo ano" como o momento-limite para que "haja uma candidatura que represente as pessoas à esquerda do PS". Para R.Tavares, o calendário é mais apertado, até porque a pressão voltou a subir nas últimas semanas, com os ataques do governo ao TC ... e com a decisão sobre CES e ADSE ... e as eleições antecipadas se tornem incontornável.


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