De Fazer Coligação Esquerda BE Livre 3D ... a 17 de Junho de 2014 às 17:35

Os obstáculos não são poucos, mas avolumam-se as vozes em defesa de um entendimento alargado entre partidos e movimentos de esquerda. O ponto em comum é apenas um: impedir que a direita continue no poder

Divide et impera. A esquerda portuguesa escreveu a sua história dos últimos 40 anos fazendo uso interno da máxima de guerra romana que via a divisão das forças adversárias como o melhor caminho para a vitória. Mas algumas das figuras que bateram com a porta no PS, no PCP e até no BE são as que agora tomam a dianteira do diálogo, com as legislativas de 2015 no horizonte. A rejeição da austeridade aplicada nos últimos três anos é um eventual ponto de convergência. Será suficiente?

Antes das europeias, o movimento 3D colocou na agenda a necessidade de um entendimento à esquerda. O objectivo falhou, mas ficou clara a vontade de retomar o diálogo antes das próximas legislativas. Daniel Oliveira assume que o objectivo inicial do movimento caiu por terra, mas o promotor do 3D continua "empenhado em que exista um actor político, que inclua forças existentes, que possa ir a eleições e seja capaz de participar no poder". A um ano das legislativas, Oliveira assume que, a título pessoal, tem multiplicado contactos. Mas é cedo para que exista alguma coisa de concreto.

É de coligações que se fala e é isso que o Livre também vai explorar. No próximo sábado, o partido vota uma proposta interna para realizar, até ao Verão, uma série de encontros com forças da sua "família política". Rui Tavares afastou-se do BE depois de, nas europeias de 2009, ter sido eleito como independente nas listas dos bloquistas. Mas, agora, o objectivo que o fundador do Livre assume é o de que "até ao fim do ano seja visível que existe uma alternativa" ao programa em que tem vindo a basear- -se o ajustamento das contas públicas.

Na retórica, os pequenos partidos e movimentos estão em linha. Mas não há entendimentos de governo à esquerda sem o PS. Neste momento, a disputa interna deixa mais dúvidas que certezas sobre o futuro socialista, ainda que, este fim- -de-semana, o líder parlamentar do PS tenha virado costas à direita, defendendo acordos à esquerda. Em entrevista ao i, Alb.Martins garantiu "excluir o bloco central" das contas, acrescentando que "o PS deve estar disponível para formar governo procurando coligar-se com outros partidos de esquerda".

Saber que partidos é tarefa mais difícil, desde logo porque esta história se depara com um Tratado Orçamental algures pelo caminho, a par de uma dívida pública sobre a qual não há posições comuns. O PCP é claro: renegociação de prazos, juros e montantes é o caminho que o país deve seguir para poder sequer sonhar com o crescimento económico. Só que, ao mesmo tempo, o PS não quer ouvir falar de reestruturações da dívida.

O mais fácil é encontrar divergências que inviabilizem o entendimento, diz Rui Tavares. É tudo uma questão de hierarquias: "Se aquilo que pusermos em primeiro lugar forem as razões que sustentem o desentendimento, entregamos o poder à direita", diz o fundador do Livre.

Do Bloco, os sinais são de uma disponibilidade condicional para encontrar denominadores comuns. Na última reunião da Mesa Nacional do partido, a ex-deputada Ana Drago avançou com uma proposta para que o BE se sentasse à mesa com o Livre, o movimento 3D e o PAN. Por dez votos (33 contra, 23 a favor), a proposta caiu. Pouco depois, João Semedo veio dizer que é preciso mais. "Não imagino uma alternativa de esquerda em Portugal sem o BE, mas também não imagino uma alternativa de esquerda sem o PCP", disse o coordenador do partido em entrevista à Antena 1. Esse posicionamento do BE não é, de resto, novo. No ano passado, o partido já tinha proposto "rondas de negociação" com o PS e o PCP para chegar a um programa de governo de esquerda. Sem sucesso.

Além do "como" está ainda por esclarecer o "quando". E, aí, a realidade corre em contra-relógio. D.Oliveira fala no "início do próximo ano" como o momento-limite para que "haja uma candidatura que represente as pessoas à esquerda do PS". Para R.Tavares, o calendário é mais apertado, até porque a pressão voltou a subir nas últimas semanas, com os ataques do governo ao TC ... e com a decisão sobre CES e ADSE ... e as eleições antecipadas se tornem incontornável.


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