Esquerda: ser / não ser ou ... «ACÇÃO : coligar e chegar ao poder»

La Unidad en torno a un Programa de Mínimos  (-EcoRepublicano.es,

      La actual situación de emergencia social, económica y política hace urgente conseguir la Unidad de acción en los múltiples frentes donde las distintas fuerzas sociales y políticas de la izquierda transformadora se están enfrentando día tras día con un régimen  que está acabando con el presente y el futuro de millones de personas, entre ellas la mayoría de la juventud, condenada al paro o al exilio forzoso. Ante esto, el 30 de enero de 2014 se aprobó el documento “UNIDAD” en la Asamblea de base de Esquerra Unida de Paterna con el objetivo de impulsar un debate desde la base de abajo a arriba por la Unidad en base a un Programa de Mínimos.
   ...   La propuesta pretende ser una aportación en un debate por la Unidad que va más allá de pactos y coaliciones electorales en una “suma de siglas”, y lo que plantea es un proceso de Unidad que vaya más allá del frente electoral, y que incluya a Movimientos Sociales, partidos, sindicatos y ciudadanos a título individual, y hacerlo en base a un “Programa de Mínimos defendido por todos en todos los frentes”, sin que ello signifique concurrir juntos a los procesos electorales en la misma papeleta.      ...   ...

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          Esquerda: to be or not to be       (-por D.Oliveira, 29/1/2014, Expresso)

     Se nada for feito a direita acabará, contra todas as previsões,  por vencer as próximas eleições legislativas ou, mais provável, o PS governará  com ela. Porquê? Porque o PS não tem que se preocupar com o seu flanco esquerdo,  que se encarrega de se boicotar a si próprio. Pode continuar a desculpar-se com  a impossibilidade de fazer alianças com aquele lado.  

    Que não haja confusão:  acredito que, se depender apenas da  vontade das suas direções, o PS está disposto a fazer, talvez com menos  estardalhaço e dureza, o mesmo que este governo. E que a razão pela qual o fará  não resulta apenas ou especialmente da falta de aliados à esquerda mas por ser  para isso que o poder, o poder que conta, o empurra. Se não for por convicção,  será por inércia. E a inércia é hoje o que sobra aos partidos socialistas e  social-democratas da Europa (e a grande parte dos eleitores: abstencionistas e alienados !!).  

    É verdade que a cultura de cedência socialista (de Blair a neoliberais) não é  propriamente nova. Ela teve, aliás, fortíssimas responsabilidades na  desregulação financeira e na desastrosa arquitetura do euro e da atual União,  dois factores fundamentais para explicar esta crise. Não eram todos iguais.  Os  socialistas lá iam distribuindo a riqueza de forma um pouco menos forreta.  Só  que agora, ao contrário do que acontecia no tempo das vacas gordas, para  garantir os direitos dos de baixo será mesmo preciso aborrecer os de cima.  E o  que está a acontecer é, de forma pornográfica, o contrário. 

    Não foi a direita  que usou um décimo do que a Europa produz para salvar os bancos.   Foi a direita   E   foi a 'esquerda' (neoliberalizada, que se juntou ao 'centrão de interesses').

    Não foi a direita que trouxe a troika e assinou um  memorando que é um programa ideológico (neoliberal) escrito por fanático (e aplicado por desgovernantes fantoches «+papistas»). Foi a direita e  foi a esquerda. Não foi a direita que aprovou um Tratado Orçamental que  ilegaliza políticas keynesianas. Foi a direita e foi a esquerda.

    E este consenso  na desgraça só terá um fim quando a extrema-direita puser em perigo as  democracias europeias (risco que dispenso correr) ou quando a esquerda que não  acompanha a "hollandização" dos socialistas os assustar a sério.  Ou há uma força  à esquerda dos socialistas capaz de os assustar - e capaz de assustar aqueles  que vivem desta crise - ou estamos tramados. Seja porque seremos engolidos pela  crise, seja porque os salvadores que vão surgir nos levarão para um inferno  ainda pior.  

    A política trata do poder.  E eu quero uma esquerda mais firme  que chegue ao poder, sozinha se alguma vez isso for possível (o que não me  parece) ou aliada aos socialistas (se tiver que ser). Não porque essa esquerda  agrade às direções socialistas mas sim porque agrada ao eleitorado socialista e,  desse modo, assusta as suas direções.  Eu quero uma esquerda que a direção  do PS tema, porque entra bem fundo na sua base de apoio.

    Não quero uma esquerda  que permita ao PS esvaziar o que está à sua esquerda para poder governar com um  amigo dócil. Não quero uma esquerda que o PS apadrinhe porque lhe anda a  preparar uma bengala. Quero uma esquerda que obrigue o PS a governar à esquerda  e com a esquerda, caso contrário pagará por isso.

     E a verdade, hoje, é esta:  ao  contrário do que julgam PCP e BE, ao PS saem de borla as viragens à direita.  Porque nenhum eleitor do PS acredita que PCP e BE alguma vez queiram realmente  governar. E faz muitíssimo bem em não acreditar. Só que é exatamente isso que a  maioria dos eleitores quer saber: quem quer governar e para quê ?  Quem não quer,  ou só o quer daqui a umas décadas, não conta. Serve apenas de escape do sistema.  Tem a sua utilidade. Mas parece-me que precisamos de mais.

     Quando e se chegar ao governo, o PS só travará as  privatizações, só baterá o pé à troika, só mudará de posição em relação  ao Tratado Orçamental, só quererá renegociar a dívida, só travará a destruição  do Estado Social que ajudou a construir se tiver medo.   Na realidade, tem mesmo  de ter muito medo. E se mesmo com medo não resistir aos apetites de quem quer  ficar com os despojos desta tragédia económica e social, que ao menos haja uma  força credível, representativa, socialista, reformista e realista em relação à  reduzida capacidade de regeneração da União Europeia, para lhe ser alternativa,  caso aconteça o que está a acontecer aos socialistas gregos e franceses.  Mas não  haja confusões:  em Portugal não haverá um Syriza.  Mais depressa os portugueses  saltam para a abstenção do que radicalizam o seu voto e o levam para as margens.   O que faz falta é uma força política que ocupe o espaço ideológico que os  socialistas estão a deixar vago. E não uma força política que compita com o  espaço que o PCP já ocupa.  

     Tenho escrito muito sobre o suicídio dos partidos socialistas  e social-democratas europeus. Mas não tem sido menos perturbante ver o suicídio  dos que estão à sua esquerda, em Portugal. Não o PCP, que continuará a crescer,  com a sua estratégia inteligente e sem percalços, para depois festejar vitórias,  gritar que "assim vê a força do PC" e pendurar tudo na parede para não a  estragar com o uso. O que perturba é a outra esquerda, que supostamente tinha  outros objectivos (teria?). Teve recentemente a oportunidade de encontrar  aliados e fazer parte duma coisa maior. Não quis aproveitar. Nos meandros e  responsabilidades neste desfecho não entrarei, por lealdade com todos e por não  me querer envolver em polémicas inúteis. Mas sei que acabou por ficar na cabeça  das pessoas, ainda mais do que antes, a ideia de que "não há como esta gente se  entender".  É a repetição da cena de "A Vida de Brian", dos Monty Python,  em que os membros da Frente do Povo da Judeia explicam a um novo militante que,  pior do que os romanos, só a Frente Judaica do Povo, a Frente Popular do Povo da  Judeia e a Frente Popular da Judeia (esta apenas com um membro). Todos  divisionistas, claro. Como disse Ana Drago, numa entrevista à SIC Notícias, isto  há de parecer "uma conversa bizantina" para a maioria das pessoas.  

     Acho bem que toda a gente seja paciente. Que todos fiquem à  espera para ver se, depois das próximas eleições europeias, alguém acorda. Mas  se ninguém acordar parece-me que a postura que resta para quem quer construir  uma alternativa política credível e representativa, à esquerda, terá de ser a de  arregaçar as mangas e meter mãos à obra.    Não dá para continuar a esperar que a  esquerda vença os seus mais mesquinhos sectarismos, os seus ódios a hordas de  traidores e proscritos, enquanto este país se afunda.   Não dá para repetir  tentativas falhadas de vencer esta cultura e que acabam em frustração e  descrédito, motivo natural de chacota e piada.   De uma coisa não tenho dúvidas:  basta aparecer à esquerda uma força digna de algum respeito e credibilidade para  que aconteça um terramoto político em Portugal.  E quem não estiver disposto a  ser apenas uma parte de uma coisa maior deixará provavelmente de ter existência  política digna de nota.



Publicado por Xa2 às 07:58 de 01.02.14 | link do post | comentar |

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