José Pacheco Pereira
(na Sábado, 17/9/2015)
----- O dia seguinte
Se o PAF (PSD-CDS) ganhar, pode não conseguir cumprir o seu programa não escrito e a sua agenda escondida, mas uma onda de arrogância política
abrirá caminho para muitos ajustes de contas
Sejam quais forem os resultados, a
política portuguesa muda muito no
dia seguinte às eleições.
Se o PAF ganhar, haverá pela primeira
vez em Portugal um forte reforço
da direita política e ideológica,
cimentada por uma poderosa coligação
de interesses económicos. Na
verdade, esse reforço já existe, mas
devido à forma como correu a campanha
de 2011, a sua legitimidade e
liberdade de acção estavam coagidas.
Pode não conseguir cumprir o
seu programa não escrito e a sua
agenda escondida, mas uma onda
de arrogância política abrirá caminho
para muitos ajustes de contas.
Os alvos serão os sociais-democratas
do PSD, os democratas-cristãos
do CDS, os socialistas de esquerda,
os sindicatos, os reformados e pensionistas,
os trabalhadores da função
pública, os municípios que não
sejam do PSD, os trabalhadores com
direitos, os desempregados de longa
duração, etc.
O centro político será varrido do
mapa, e a sua principal consequência
é o toque de finados pelo PSD
como partido do centro, centro-esquerda
e centro-direita. O Tribunal
Constitucional estará também no
ápex da conflitualidade política. Isto,
no pressuposto de que a coligação
encontra forma de governar em minoria,
o que, caso ganhe e haja um
tumulto no PS, não é de todo impossível
comum PS mais “amigo”.
É por isso que esta eleição é muito
importante para Passos, Portas e
para o núcleo político e económico
que se juntou ao actual Governo,
desde think tanks conservadores
(que já existiam, mas não tinham a
agressividade, nem a capacidade de
colocar pessoas e ideias nos sítios
certos), a sectores empresariais que
beneficiaram das políticas governamentais
não só em apoios directos,
como em legislação orientada para
os seus interesses como aconteceu
com toda a legislação laboral. Como
se vê pela campanha do PAF, que transpira riqueza por todo o lado, e
por alguns investimentos estratégicos
feitos com antecedência (como
o Observador), não lhe faltam nem
vão faltar meios.
----- O dia seguinte (2)
Isto acontece mesmo que a coligação
ganhe em minoria e se abra um
período de instabilidade política.
Mais: se a coligação ganhar e ficar
em minoria, o seu derrube com novas
eleições ser-lhe-á muito favorável.
Um governo minoritário do PAF,
será sempre mais difícil de derrubar
sem custos eleitorais para quem o
faça, do que um governo do PS. O
derrube de um governo do PS pode
ter o efeito contrário, favorecer o
discurso da “estabilidade” do PAF. É
também por isso que a maioria absoluta
é mais importante para o PS
do que para o PSD e CDS. O PS tem
um tiro, o PAF tem dois.
---- O dia seguinte (3)
Se Costa perder será varrido da liderança
do PS num ápice. O ticket eleitoral
dos seus opositores será dar ao
Governo o PS como aliado, ou melhor,
“dar ao País estabilidade”, propor um bloco
central. Não é impossível
que haja uma reacção dos militantes
do PS, “àCorbyn”, ou seja uma
viragem à esquerda, mas na actualidade
são as hostes de Seguro e de
Maria de Belém que estão à espera.
---- O peditório
A palavra que sempre se usou, mas
agora parece haver pudor em usar,
para aquilo que Passos propôs aos lesados
do BES era “peditório”. Passos
propôs um peditório para arranjar dinheiro
para pagar os processos contra
o Novo Banco, o Banco de Portugal
e o Governo por parte dos lesados.
Para além da visão de que estes
problemas se resolvem com caridade,
num país em que o acesso ao direito
é constitucional, Passos deu involuntariamente
a razão aos lesados
considerando-os “lesados” ou seja,
vítimas de uma prepotência ou abuso
do Poder. Ao dizer que daria algum
do seu dinheiro para o peditório é
porque reconhece mérito nas queixas
dos lesados do BES. Contra quem?
Ele próprio, o Estado, o seu amigo no
Banco de Portugal, o Ministério das
Finanças e o Novo Banco.
Assim, não admira que ninguém
queira comprar a “coisa” sem ter garantias
quanto à litigância. Ou sobra
para o contribuinte? Vai ser preciso,
nesse caso, um gigantesco peditório,
para evitar o défice, o procedimento
por défice excessivo e as perdas do "€€ dos contribuintes" / CGD, ...
Olhares sobre as legislativas 2015:
(Paulo Guinote, 27/09/2015, Aventar)
Quero, com a mesma convicção que em 2011 queria o afastamento do engenheiro Sócrates da governação, que a coligação seja derrotada e afastada do poder.
Mas não o quero para regressar ao passado ou para dar ao PS uma maioria que lhe permita ficar com as mãos soltas.
Como em qualquer democracia estável, acho que os governos de coligação são mais fiéis à vontade plural da maioria dos eleitores e não gosto de truques para dar poder absoluto a quem tem 35-40% de votos expressos.
Com gente no governo ou apoio parlamentar, acho que deve existir pela primeira vez em Portugal, como aconteceu agora com estes neo-liberais estatistas de 3ª ordem (só é aparentemente um paradoxo, como o comunismo capitalista chinês),
um governo em que se aliem os partidos de centro-esquerda de forma que se respeite o programa do maior partido,
mas sem que os mais pequenos tenham de ceder em tudo.
Pelo que acho que é tempo das vestais do PS -os Lellos, os Sousa Pintos, aqueles que andam em torno de Maria de Belém sem ser apenas por desforra contra António Costa – manterem as roupas bem vestidinhas se existir
uma aproximação real ao Bloco e ao PCP,
em vez de apostarem no peronismo do Marinho Pinto ou na cisão bloquista europeísta que é o Livre como bengalas para chegarem ao poder.
Porque, queiramos ou não, o PCP e o Bloco que resta (o pessoal da UDP, fundamentalmente) conhece muito melhor o país do que os habituais frequentadores das tertúlias televisivas dedicadas ao comentário político.
Acho que fui claro.
Podem sempre cobrar-me na volta do correio, em 2019 ou lá quando for.
Porque se um tipo conseguiu sobreviver a um governo de 4 anos com criaturas como aquele Maçães lá dentro, não há que recear seja o que for.
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--A.M.:
Quero consigo e com a mesma convicção!
Votem no que quiserem desde que seja à esquerda (também vale o Livre), porque é preciso coragem e força para comunicar que
as receitas neoliberais não funcionam, que o desemprego e a austeridade à custa de quem já tem menos estão a arrasar o país!
Seria quase um milagre se desta vez mais pessoas, em vez de quererem mostrar que são bem comportadinhas e desesperançadas, arriscassem um voto de “assim não!”,
juntando-se aos outros países do Sul da Europa, que já estão a dizê-lo.
“Quem luta pode perder, quem não luta, já perdeu”.
-- F:
A.Costa avançou porque, acima de tudo, foi “pressionado” por muita gente que nem era/é militante ou votante no PS.
Estavam fartos do governo, zangados. E Seguro oferecia-lhes nada- uma oposição violenta (?!!) e um “qual é a pressa? qual é a pressa?” Oferecia-lhes, ainda, um consenso/compromisso(?) com PSD/CDS, tão ao gosto de Cavaco. Para a estabilidade e confiança dos credores….
A. Costa avançou quando poderia estar muito confortável na Câmara de LX, a continuar um bom trabalho. Por isso, merece a admiração de muita gente, eu incluída.
Se vai conseguir? Não sei.
A manipulação e a agit prop de muita comunicação social e comentadores “independentes” têm força.
O silêncio ensurdecedor de parte do PS é ainda pior. A sua “vingança” move-se nos bastidores e no exterior, com o Eurico Brilhante a afirmar que preferia Seguro como 1º ministro; o Carlos da UGT a lançar uma frase “batida” e de mau gosto; a Mª de Belém a mover-se como putativa candidata às presidenciais ; Sócrates a criar ruído….e tantos outros calados, à espera da desforra.
A. Costa está, praticamente, sózinho no PS. É 1 homem culto e inteligente, com pouca prática em “arruadas” e discursos bacocos de campanha eleitoral.
Estarão os portugueses com ele, apesar de tudo?
A 4 de Outubro saberemos.
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... O governo não tem um único indicador que tenha melhorado, um único!
e (nas PaFiosas "sondagens/trackpoll") tem tanto voto do tuga? Incrível.
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