7 comentários:
De Social Democracia+Verdes para EUA. a 21 de Março de 2016 às 11:51
Sanders. O socialismo emigrou para os EUA


«Sanders está cada vez mais perto de perder a nomeação do Partido Democrata.
Mas a sua maior conquista pode ter sido mostrar que milhões de americanos estão dispostos a colocar um socialista na Casa Branca. (…)

"Nunca o negaria. Nem por um segundo. Sou um social-democrata", assume Bernie Sanders. O senador de 74 anos, eleito pelo pequeno Estado do Vermont, não foge a esse epíteto. Pelo contrário. Abraça-o e repete-o. Até agora, não se está a sair mal.

Quando anunciou, há quase um ano, que ia correr à Casa Branca, as sondagens davam-lhe pouco mais de 5% dos votos.
No entanto, o Verão de 2015 trouxe um aumento do entusiasmo.
As bases da campanha foram crescendo em número e em volume, com os jovens a servirem de trave mestra da estrutura.
Hoje, as sondagens dão-lhe cerca de 40% do voto nacional face aos 50% de Hillary Clinton.
E conquistou 818 delegados contra 1.139 da sua adversária (além destes, há também 712 superdelegados, cuja esmagadora maioria apoia Clinton).

Um auto-proclamado socialista está numa eleição renhida para ser o nomeado de um dos dois maiores partidos dos Estados Unidos.
Pode parecer ficção científica, mas as pistas existiam há muito. (…)

Na verdade, Sanders é apenas o ponta-de-lança de uma transformação que começou lá atrás.
As sementes de uma juventude mais encostada à esquerda foram semeadas há muito e, ironicamente, acabaram por florir durante a Presidência Obama, a candidatura que mais mobilizou jovens activistas.

A popularidade de Sanders não pode ser explicada sem falar do "Occupy Wall Street", um movimento efémero - os manifestantes estiveram só dois meses no Zuccotti Park - mas que moldou definitivamente o discurso mediático com o slogan "Nós somos os 99%".

A desigualdade não voltou a sair dos jornais e das televisões.
Quatro em cada dez participantes no Occupy tinham trabalhado apenas três anos antes na campanha de Obama de 2008. (…)

Bernie Sanders não descobriu a pólvora.
Soube ler os sinais e surgiu no momento certo, integrando parte destas reivindicações
num programa político menos radical, mas que pretende mudar o sistema. (…)

Para muitos dos jovens que votam Sanders, há poucos motivos para ver "socialismo" como uma palavra proibida.
Muitos deles nasceram depois da queda do Muro de Berlim ou ainda nem sequer tinham fumado um cigarro antes do colapso da União Soviética.
Não têm memória de uma guerra de civilizações entre EUA e URSS e a Rússia que conheceram já não é socialista.»

Nuno Aguiar
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---Niet disse...
A luta é muito renhida e, vamos lá ver, se Sanders acaba por apoiar criticamente Hillary Clinton...
As más linguas de Washington andavam a propagar o veneno de que a sorte de Hillary acabaria por ser igual à do Busch filho.
A cota da antiga Secretaria de Estado de Obama não é nada lisonjeira, muito pelo contrário, por causa da catastrofe no Médio Oriente, na UJcrânia, etc.

A anunciada liderança de Sanders com o apoio do lider dos Verdes tinha oportunidade(s) de mostrar uma alternativa.
Entretanto, o W.Post,o NY.Times, a CNN e a NSNBC apoiam Hillary:
o fogo de "barragem " a Trump é colossal e, tudo o leva a crer, incontornável.
Salut!


De Por "New Deal" nos EUA, U.E. e mundo. a 22 de Março de 2016 às 10:37
Dica (250) (--por J.Lopes, Entre as brumas,)


Bernie Slanders: How The Democratic Party Establishment Suffocates Progressive Change. (Thomas Palley)


«The Democratic Party establishment has recently found itself discomforted by Senator Bernie Sanders’ campaign to return the party to its modern roots of New Deal social democracy.

The establishment’s response has included a complex coupling of elite media and elite economics opinion
aimed at promoting an image of Sanders as an unelectable extremist with unrealistic economic policies.»


De Porquê Trump agora? a 7 de Março de 2016 às 10:13

Fernando Cerdo:

Embora considero as críticas às palhaçadas do Trump bastante válidas temos que encaixar tudo isto na realidade política da direita Republicana dos EUA das últimas décadas e evitar fazer o papel de virgens ofendidas.
O Trump não é radicalmente diferente de muitos outros candidatos republicanos que em boa verdade ganham eleições com recurso ao fanatismo e imbecilidade evangélico-protestante e às insinuações subtis e nada subtis contra as minorias, Afro-Americanos, Mexicanos, imigrantes, etc., tudo misturado com o imperialismo excepcionalista e infantil do “WE´RE #1! U.S.A.! U.S.A.! U.S.A.!”.

A única diferença em relação ao Trump é que ele, sendo um bilionário não comprometido com a CIA etc., não está financeiramente dependente das eventuais recompensas de determinados lóbis, nomeadamente os concentrados em torno do neo-conservadorismo
como o lóbi dos fornecedores de serviços e material militar ou o famoso lóbi do Estado de Israel em Washington – os interesses verdadeiramente responsáveis por estas guerras sem fim no Médio Oriente – e por isso está a ser denunciado até pela FOX News.
A FOX News, por exemplo, fomentou nos últimos 20 anos uma normalização do discurso de extrema-direita, islamófobo, xenófobo, e ignorante muito parecido com aquele actualmente vomitado pelo Donald Trump, o chamado discuro “Archie Bunker”, direcionando esta propaganda a favor de candidatos de orientação neo-conservadora.
Agora quando aparece um tipo de direita radical mais ou menos isolacionista ele é denunciado e ridicularizado por estes mesmos meios de comunicação que fomentaram discursos deste tipo ao longo destes anos todos e que até venderam o George W. Bush a esta franja do eleitorado norte-americano como um genial estadista de prestígio.
Não tenho dúvidas de que se o Donald Trump disesse que queria bombardear a Rússia e a Síria ele seria apresentado de uma forma muito diferente nos média.
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The economic forces driving this year’s nomination contests have been at work for decades. Why did the dam break now?

The share of the gross national product going to labor as opposed to the share going to capital fell from 68.8 percent in 1970 to 60.7 percent by 2013, according to Loukas Karabarbounis, an economics professor at the University of Chicago’s Booth School of Business.

Even more devastating, the number of manufacturing jobs dropped by 36 percent, from 19.3 million in 1979 to 12.3 million in 2015, while the population increased by 43 percent, from 225 million to 321 million.

The postwar boom, when measured by the purchasing power of the average paycheck, continued into the early 1970s and then abruptly stopped (see the accompanying chart).

In other words, the economic basis for voter anger has been building over forty years. Starting in 2000, two related developments added to worsening conditions for the middle and working classes.

First, that year marked the end of net upward mobility. Before 2000, the size of both the lower and middle classes had shrunk, while the percentage of households with inflation-adjusted incomes of $100,000 or more grew. Americans were moving up the ladder.

After 2000, the middle class continued to shrink, but so did the percentage of households making $100,000 or more. The only group to grow larger after 2000 was households with incomes of $35,000 or less. Americans were moving down the ladder. (This downward shift can be seen in the other chart that accompanies this article.)

The second adverse trend is that trade with China, which shot up after China’s entry into the World Trade Organization in December 2001, imposed far larger costs on American workers than most economists anticipated, according to recent studies. And the costs of trade with China have fallen most harshly on workers on the lower rungs of the income ladder.

In their January 2016 paper, “The China Shock,” David Autor, David Dorn and Gordon Hanson, economists at M.I.T., the University of Zurich and the University of California-San Diego respectively, found that

If one had to project the impact of China’s momentous economic reform for the U.S. labor market with nothing to go on other than a standard undergraduate economics textbook, one would predict large movements of workers between U.S. tradab ...


De Eleições primárias n-americanas. a 2 de Março de 2016 às 09:51
América (em eleições)

Tudo começa a ficar mais claro, depois da "super Tuesday" que quase sempre pré-define o resultado final das eleições primárias norte-americanas.

Clinton parece imbatível no campo democrata, com Sanders a ter o destino tradicional dos liberais (no sentido americano, claro), isto é, a perder.
A quase certa candidata democrática vai ter contudo de superar uma elevada rejeição que a sua excessiva exposição na política americana lhe trouxe.
Mas com o voto negro e de algumas minorias assegurado, tudo parece facilitado.

Trump, embora não esmagador, provou que só por milagre alguém o travará no terreno republicano.
Cruz é mais do mesmo, Rubio não conseguiu descolar, e agora já será tarde.
Resta saber como vai a máquina republicana reagir a esta tomada por uma candidatura que está muito longe da imagem de um partido com sentido de responsabilidade e sentido de Estado.

Em termos teóricos, o perfil caricatural de Trump deverá tornar mais fácil a vida a Hillary Clinton no sufrágio de Novembro.
Mas a América é sempre um poço de surpresas. E nem sempre das melhores.

(-por Francisco Seixas da Costa, 2/3/2016, http://duas-ou-tres.blogspot.pt/ )

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JF:
Hillary pode vir a ser tão perigosa para o mundo como Trump. A ('ingerência' americana e) sua gestão do imbróglio sírio e a sua proximidade com Israel prova-o.
E é no MO que as coisas se podem deteriorar ao ponto de provocar a confrontação com os Russos. Não é na fronteira do México.

Os abandonados na berma da estrada, que são um terço dos Americanos, sobretudo jovens, estão muito tentados pela mudança radical de tipo de governo.
Veremos em quem eles confiarão para a fazer. O mesmo problema que em França:
vai ser preciso responder ao terço de Franceses que vota Le Pen. Pelas mesmas razoes.


De EUA e Europa- quo vadis ? a 2 de Março de 2016 às 14:42
Ponte Europa (por C.Esperança):

-- ... Nos EUA, caminha para o fim a presidência de Obama, um homem culto, inteligente e humanista, a fazer o melhor que pode a um país capaz do melhor e do pior.
( Aquecimento global – O plano de Obama para reduzir as emissões poluentes sofreu um grave revés no Supremo Tribunal dos EUA, que prorrogou a sua legalidade e protela a substituição de combustíveis fósseis por energias alternativas. Uma decisão deplorável. ; idem para o Serv.Nac. Saúde EUA, idem para controlo/diminuição das armas nos EUA, idem ... , ...)

Teme-se que o primata incubado num monte de dólares, sem cultura nem educação, um inquisidor enxertado em talibã, possa ser o novo avatar de Hitler, no País mais poderoso do Planeta, onde o cargo não é simbólico e o botão nuclear fica à sua guarda.

Donald Trump é o Le Pen ('nacionalista', pró-fascista e xenófobo, ...) dos EUA, sem precisar de moderar a linguagem ou de conter a má-criação.
Misógino e racista, defensor da tortura como método de investigação e do assassinato das famílias dos terroristas como profilaxia e terapêutica do terrorismo,
este homúnculo atrai eleitores, infantilizados e medrosos, como o íman à limalha de ferro.

Não basta que seja derrotado para que se respire de alívio, a (in)cultura que lhe serve de húmus é o fermento de um tenebroso futuro que apenas fica adiado.

A Humanidade está refém do medo e ressentimento, a caminho de totalitarismos, novos ou velhos, a debater-se num labirinto cuja saída é o abismo.

-- Hillary Clinton – A fulgurante vitória na Carolina do Sul é um bom prognóstico para o triunfo no campo democrático e uma excelente oportunidade para derrotar o republicano Donald Trump, excêntrico milionário, demagogo, provocador e perigoso.

--- Donald Trump – O insuportável candidato republicano dos EUA é cada vez mais a voz do que de pior tem a nação mais poderosa. Deixou de ser um exclusivo risco americano, passou a ser um perigo para a Humanidade.

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----- Europa – A obrigação humanitária de acolher multidões de refugiados, confirmou a sua incapacidade financeira, económica e social para os integrar.
A hipótese de destruírem a UE, já ameaçada com outros problemas, não para de aumentar.

---- Deutsch Bank – A exposição no mercado de derivados equivale ao quíntuplo do PIB da zona euro.
Wolfgang Schäuble, ministro alemão das Finanças, avisa Portugal do perigo que corre
e desvia as atenções da catástrofe europeia que nos espera, vinda de Berlim.

---- Reino Unido – As cedências uniram a UE que o RU desunirá e o recuo europeu tornará céticos os europeístas.
A UE, receosa da desintegração, cedeu à chantagem de Cameron, depois de arrogantemente hostilizar os pequenos países.

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----- Desemprego – A quarta revolução industrial, com nanotecnologias, drones, inteligência artificial e impressoras 3D, tem efeito demolidor.
Esta revolução, a primeira que destrói mais postos de trabalho do que os que cria, é o veículo de uma Revolução devastadora.


De 'Nacionalidade dos capitais' !?!!. a 1 de Março de 2016 às 10:30
Uma forte náusea.
(-Francisco Louçã, via Entre as brumas..., 29/2/2016, dica 235)

«Talvez o problema não seja então da nacionalidade dos capitais, que aliás são bastante indiferentes a essa mesquinhez.
É da natureza da banca e da finança em tempos de crise:
joga-se, perde-se, endivida-se, paga-se, pagamos.

O controlo público procura simplesmente restabelecer as condições para decisões coerentes sobre o bem comum, como o sistema bancário.

E a capacidade de controlo soberano exerce-se de modo diferente quando enfrentamos Ricardo Salgado e Carlos Costa ou Ana Botin e Mario Dragui, como é bom de ver.»


De ... Tristeza nisto ... a 29 de Fevereiro de 2016 às 14:37
Há uma certa tristeza nisto tudo, mas as coisas são como são. O país conhece um ritmo depressivo quotidiano. De vez em quando, há um ...
... Quase sempre, a todas as horas, há futebol.
...
...
...Há uma certa tristeza nisto tudo, mas as coisas são como são.
Na política, o país está num impasse, mas parece que não.
Como acontece por toda a Europa, a impotência do poder político democrático face ao poder económico castrou governos eleitos e submeteu-os a entidades obscuras como os “mercados”,
onde o grosso do dinheiro que circula não tem pai nem mãe, a não ser numa caixa de correios das ilhas Caimão.
O sistema político democrático, a representação partidária tradicional, está numa crise que parece não ter saída.
Os partidos do “arco da governação”, ou seja, os que têm o alvará de Bruxelas, do senhor Schauble, da Moody’s e da Fitch, ainda ganham as eleições num ou noutro país, mas ninguém os quer ver a governar outra vez,
pelos estragos que fizeram à vida dos homens comuns para salvar a banca, não tendo no fim salvado coisa nenhuma.

Por isso, coligações negativas, com mais ou menos sucesso, surgem em Portugal, na Espanha, na Irlanda,
ou fortes partidos radicais, nacionais e populistas, na França, na Grécia, na Polónia, na Hungria.
Ou partidos como o Labour reencontram um mundo do “trabalhismo” que se decretara ser arcaico.
São tudo partidos muito diferentes, uns à esquerda, outros à direita, mas têm uma coisa em comum:
contestam o poder transnacional da União Europeia, e o pensamento único em economia que daí emana por diktat.

Uns mais o primeiro, outros mais o segundo.
Contestam a promiscuidade que juntou socialistas com partidos do PPE, numa aliança que tornou o “não há alternativa” na ideologia autoritária dos nossos dias.

Há uma certa tristeza nisto tudo, mas as coisas são como são.
Temos um Governo único na Europa, sem precedente por cá, sem paralelo por lá.
Mas mesmo isso normalizamos, até porque como eles não estão muito entusiasmados com o feito, também não entusiasmam ninguém.
O PS, apesar da vaga de insultos, de que se “descaracterizou”, traiu as suas origens, abandonou o papel de resistente ao PREC, “radicalizou-se”, é “terceiro-mundista”, etc., etc., é, imagine-se!, o mesmo de sempre.
O BE está demasiado contente consigo próprio para olhar bem para o que se está a passar.
Dedica-se todos os dias a uma causa nova, uma nova reivindicação, uma nova reclamação, sem sequer dedicar qualquer esforço a consolidar as que fez.
Acha que está num momento alto de “luta” quando a luta, séria, dura, árdua, lhe passa ao lado.
O PCP sabe que precisa de mudar, mas não sabe como.

Há uma certa tristeza nisto tudo, mas as coisas são como são.
O PSD referve de raiva, como se vê quando Passos Coelho abre a boca.
Tornou-se mais revanchista do que o CDS, e não tem outra estratégia que não seja garantir que haja eleições a curto prazo.
Já teve melhores condições para as ganhar, hoje cada dia tem menos.
A metamorfose “social-democrata” parece a toda a gente como oportunista, a começar pelos neoliberais que Passos reuniu à sua volta, para quem o PSD é um instrumento de acesso ao poder, mas que gostam mais do CDS.»

[- J. Pacheco Pereira, Público, 27/2/2016, http://www.publico.pt/opiniao/noticia/ha-uma-certa-tristeza-nisto-tudo-1724573?frm=opi ]


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