De Confederação ou ... guerra? a 18 de Março de 2014 às 17:22
---Crimeia junta-se à Rússia… e agora?

(-por Francisco , 18/3/2014, blog5dias.net)
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...Confederação… a única forma de evitar a guerra civil?


A actual Ucrânia confronta-se com profundas contradições:

■políticas – fascistas a ocidente vs comunistas saudosistas da URSS a leste.
■sociais – camponeses a ocidente vs operariado a leste.
■económicas – reformulação/saque e integração do sector produtivo da Ucrânia na UE vs defesa da Indústria a leste que faz parte de cadeias logísticas com importantes componentes na Rússia.
■culturais – fala-se Ucraniano a oeste e Russo a leste.
■históricas – ligação com a Polónia e o Império Austro-Hungaro a Ocidente, com a Rússia a leste (mapas interessantes aqui e aqui).
■geo-políticas – fronteira leste da NATO e da UE, se estes blocos se querem expandir a Ucrânia é o próximo passo (e uma regra básica de qualquer “sistema” é que se não está em expansão, então está em contracção…).
Último buffer de protecção do “core” da Rússia, localização de importante base naval e relevante fornecedor e mercado para a economia Russa.

A longo prazo estas contradições devem ser superadas por uma luta contra a oligarquia cleptocráctica que domina tanto o ocidente, como o oriente da Ucrânia.
Os fantásticos recursos naturais e a indústria e infra-estrutura da Ucrânia devem ser colocados ao serviço do povo e sob o controlo dos trabalhadores.

Um novo regime verdadeiramente democrático deve seguir uma política de paz, independente de qualquer bloco militar imperialista.
Mas, sem abandonar este “programa”, o curto prazo exige respostas mais urgentes, consentâneas com a relação de forças no terreno e capazes de dar uma resposta rápida às contradições que ameaçam fazer explodir o país.

A divisão/guerra civil só poderá ser evitada, parece-me, se a Ucrânia se transformar numa confederação.
Se tiver um governo central fraco e pouco mais do que simbólico, com o poder de decisão concentrado nas regiões.
Claro que num modelo desses não é possível a integração tout court da Ucrânia na NATO, UE ou na União Aduaneira da Rússia.
É esta a opinião também de alguns “experts” (aqui), da Rússia (aqui) e do PCU.

A maioria da população do sudeste, a curto prazo, ficaria satisfeita com uma solução destas.
A população a ocidente também acho que aceitaria bem uma Ucrânia confederal, sobretudo quando a alternativa é a divisão do país e a guerra civil.
Mas aceitará a UE um plano destes?
E a NATO e os EUA?
Ainda para mais depois do chapadão que levaram agora na Crimeia?
A Crimeia na Rússia e uma Ucrânia garantidamente fora da UE e da NATO seria, objectivamente, uma grandiosa vitória do renascido “Império Russo” face às potências ocidentais…
Dificilmente o imperialismo Yankee-Europeu irá aceitar isso, mesmo que o preço a pagar seja a guerra e mesmo que seja essa a vontade do povo Ucraniano.
Como se a UE ou a NATO façam o que quer que seja pela “democracia” e liberdade” LOL LOL LOL

Ainda para mais, parece-me que os líderes (ou os “decision makers”) das potências ocidentais não têm noção nenhuma das consequências das suas acções…
nunca nos esqueçamos da catástrofe que foi a invasão do Iraque, do Afeganistão e recentemente da Líbia (inclusive para o próprio Império!)…
apesar de ser bastante óbvio que qualquer destas intervenções seriam um salto para o abismo,
as elites ocidentais atiraram-se de cabeça para todas estas aventuras (um pouco maior resistência do eixo franco-alemão no caso do Iraque, mas nada de muito significativo)…

Além disso, isto é mesmo gente com muito pouca profundidade.
Quando a Merkel diz “O Putin não está neste mundo”, está a demonstrar toda a sua impotência e ignorância.
Claro que Putin não está no mundo da Merkel, não está subjugado à burocracia de Bruxelas ou aos ditames da Alemanha, qual Grécia ou Portugal…

Claro que Putin se for preciso manda avançar os tanques e ponto final,
qual regulamentação da Comissão Europeia, qual ameaça do Banco Central Europeu…
Este é outro jogo e outro mundo, muito diferente das disputas domésticas da UE a que a Merkel está habituada…
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De Guerra civil, de classes e imperialis !! a 5 de Maio de 2014 às 09:46
A Ucrânia morreu em Odessa
-- Maio 4, 2014 por Francisco, 5Dias

“The aim is to completely clear Odessa [of pro-Russians],” said Dmitry Rogovsky, another activist from Right Sector whose hand had been injured during the fighting. “They are all paid Russian separatists.” (Guardian aqui)

IMF: Ukraine losing east would mean new bailout. “Should the central government lose effective control over the East, the programme will need to be redesigned.” (Telegraph aqui)

O Massacre de Odessa foi ainda pior do que primeiro estimado (aqui), pelo menos cerca de 40 pessoas foram vítimas da violência Nazi (aqui, aqui e aqui). O massacre ocorreu exactamente um dia depois do FMI ter avisado a junta de kiev que o acordo aprovado só seria implementado se o leste e o sul do país estiverem sob controlo da junta, ou seja, disponíveis para pilhar. É preciso sublinhar que os Nazis não foram mais do que cães de fila ao serviço dos Oligarcas, FMI, NATO e UE. Aliás, o grosso das tropas de choque nem eram membros dos gangs nazis (sector de direita), mas sim membros de claques de futebol… Na Ucrânia a maioria dos clubes é propriedade oligarcas e as claques actuam como jagunços ao serviço dos oligarcas.

Enquanto em Odessa se dava o pogrom, no leste, sobretudo na região de Donetsk, as tropas e milícias leais à junta desencadearam uma operação de “limpeza”. Desta vez não houve as mesmas hesitações em confrontar manifestantes desarmados e vários cidadãos do leste que tentavam bloquear o avanço das forças da junta foram pura e simplesmente executados (aqui).

Como se o Massacre realizado em Odessa não fosse suficientemente grave por si só, a resposta e reacções vindas do Ocidente são sintomáticas do total desprezo pelas opiniões e vida das populações do sudeste. Longe de sentirem qualquer empatia com as vítimas ou tomarem uma acção que desanuvia-se a tensão, como declarar um cessar fogo, ou libertar presos políticos, não… A reacção dos responsáveis máximos pelo massacre é atirar a culpa para as vítimas, dizer que mereceram morrer e prosseguir a campanha de terror no leste. Esta peça da BBC é bastante reveladora, consiste numa colecção de vários comentários feitos por personalidades pró-junta (não só políticos), deixo aqui um exemplo: Forgive me, but I cannot feel sorry at all for the separatists in Odessa. There is and there cannot be any joy, but I am struggling to find any sympathy… e isto são declarações de responsáveis, a base do movimento reaccionário maindan celebrou o massacre sem qualquer problema de consciência!

Os apoiantes da junta fascista têm divulgado várias imagens nas redes sociais a gozar com as vítimas e celebrar o massacre

A mensagem da Junta e dos seus apoiantes é clara. A população que se opõe à Junta, à violência de rua nazi, ao acordo com o FMI e a UE só tem duas opções: morrer (queimada viva , executados a tiro ou com uma “bala perdia”) ou aceitarem tudo o que a Junta impuser e serem uma espécie de cidadãos de segunda, relegados à categoria de Untermensch.

Vadim Negaturov, poeta morto no massacre

Vjaceslav Markin, membro do conselho regional de Odessa morto no Massacre

No leste o impacto do massacre está a ser profundíssimo. Em Odessa propriamente dita ontem realizou-se uma espécie de missa/memorial às vítimas, os sentimentos de perda, dor, angústia e raiva estão à flor da pele (aqui e aqui). Ao contrário do que diz a propaganda de Kiev os activistas massacrados eram todos “filhos da terra” (pelo menos até ao momento não há confirmação de nenhum “agente russo” entre as vítimas), a morte de tanta gente, naquelas condições macabras está a gerar um profundo sentimento de revolta. De Kharkov a Lugansk, para toda a população do sudeste, este massacre vem apenas reiterar de forma brutal tudo o que antes já havia sido dito acerca do modus operandi da junta e seus aliados fascistas. Na própria Russa, o massacre também está a gerar uma enorme onda emocional (aqui).

Odessa não se rende e todo o sudeste está a entrar em “modo Estalinegrado 43“.

Se o plano dos nazi-fascistas e do FMI+NATO+UE era submeter pelo terror a população do sudeste, enganaram-se redondamente. Este massacre veio reforçar a determinação dos insurgentes do sudeste. Mesmo após o massacre populares saíram à rua para travarem desarmados ...


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