De Dívidas e U.E.: reestruturar ou morrer.! a 3 de Março de 2016 às 09:32
Reestrutura-te ou morre: o colapso anunciado do projecto europeu

(03/03/2016 por João Mendes, Aventar)

UE

O projecto europeu está moribundo e recomenda-se cada vez menos.
Refém de burocratas pagos a peso de ouro, alguns deles não sufragados e controlados pelos interesses das principais praças financeiras e grandes corporações,
esse sonho que dá pelo nome de União Europeia já viveu melhores dias.
A crise das dívidas soberanas de países que há muito perderam boa parte da sua soberania e consequente imposição de planos inúteis de austeridade cega,
verdadeiros atentados ao crescimento da periferia e à sustentabilidade das próprias dívidas, veio aprofundar ainda mais o fosso entre as duas Europas que, desde o início, era sabido, sempre andariam a velocidades diferentes.
O ressuscitar dos velhos fascismos, da Hungria à França,
a ameaça do Brexit, com a qual Bruxelas lida com uma condescendência sempre negada aos desgraçados do sul,
a crise na fronteira a leste e a incapacidade de lidar construtivamente com a vaga de refugiados sírios são sinais de que algo não está bem com a construção de uma união cada vez mais desunida.
O risco de fragmentação é iminente e já poucos o conseguem negar.

E eis que entra em cena Mervyn Allister King. Após 10 anos à frente do Banco de Inglaterra, que culminaram com a atribuição do título nobiliárquico de Barão King ode Lothbury e consequente nomeação para a Câmara do Lordes, King apresentou, na passada Terça-feira, um livro onde
defende que o peso das dívidas soberanas dos estados-membros atingirá em breve um ponto em que se tornará incompatível
com estabilidade política necessária para manter ligadas as máquinas através das quais a União Europeia respira com cada vez mais dificuldade.
No entender do economista, a solução passa pela redução significativa dos valores em dívida e,
em última análise, pela saída da zona euro dos periféricos, uma saída cujos benefícios a longo-prazo poderão serão mais apelativos do que os pesados custos com que esses estados terão que lidar no imediato.
Alguém disse reestruturação?

Sem dar grandes certezas, até porque o exercício da futurologia vale o que vale, Mervyn King antevê que
as dúvidas sobre os efeitos de uma próxima crise, sejam eles meramente económicos ou, no limite, geradores de conflitos políticos ou militares, tem uma solução: uma nova ordem mundial.
Esta é uma expressão que me assusta.
Uma expressão que cheira a totalitarismo e o 1% dos Forúns de Davos e dos Bilderbergs gostam de a disparar sempre que têm oportunidade.
Há algo de orwelliano nela.
Haverá um meio termo? Ou estaremos condenados a sofrer ainda mais?


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