De Cidadania, igualdade, ... Merkel, nórdic a 6 de Outubro de 2015 às 09:01

O PORQUÊ DE ANGELA MERKEL SER A INDICADA PARA GOVERNAR A EXIGENTE ALEMANHA


Outro dia li uma excelente reportagem da revista New Yorker sobre a chanceler alemã Angela Merkel, onde o jornalista procurava perceber as razões para o seu sucesso - chega a ser chamada de "mutti" (mãe) pelos alemães - num país que ganhou aversão a cultos à personalidade.

E desde a sua juventude até o atual período como presidente da nação, uma característica é sempre presente: a monotonia.
Sim, Angela Merkel é uma mulher comum, uma pessoa "sem graça", no entanto é justamente isso que faz o seu sucesso, porque as pessoas podem saber o que esperar dela e a sentem como uma delas.

Em 1991, o fotógrafo Herlinde Koelbl começou uma série de fotografias chamada "Traços do Poder" onde retratava políticos alemães e observava como mudavam ao longo de uma década.
O fotógrafo conta que homens como o ex-chanceler Gerhard Schröder ou o ex-ministro das relações exteriores Joschka Fischer pareciam cada vez mais possuídos pela vaidade,
enquanto Merkel, com os seus modos desajeitados, não transmitia nenhuma idéia de vaidade, mas de um poder crescente que vinha de dentro.

A vaidade é subjetiva enquanto a ausência desta é objetiva, daí que Merkel é tão eficiente enquanto outros políticos parecem perder-se nas liturgias e rapapés do poder.

Essa normalidade é observada em vários outros países - ainda que exista a vaidade, que é de cada pessoa - como no caso de DEPUTADOS SUECOS que moram (os de fora da capital dispõem de um T0 ou mini-apartamento arrendado na capital) numa espécie de república tal qual a de estudantes e lavam e passam a própria roupa, deslocam-se em transportes públicos ou de bicicleta, pagam do seu bolso as despesas domésticas...

Certa vez, vi numa reportagem de um jornal britânico, uma foto do primeiro-ministro David Cameron a lavar a louça na cozinha. A reportagem não se espantava com o facto do primeiro-ministro lavar a própria louça, já que Tony Blair fazia o mesmo e Margaret Thatcher cozinhava para o marido, mas mostrava uma tábua de cortar carne com a expressão "calma, querida" num canto.

A própria Angela Merkel mora no mesmo apartamento de sempre com o marido e a única mudança que houve em relação ao seu tempo fora do poder é a presença de um guarda na porta do prédio.
Eles compram os bilhetes para assistir à ópera com o próprio cartão de crédito e entram no teatro juntamente com toda a gente, sem nenhum esquema especial.

Daí partimos para o Brasil (podia ser para Portugal…), onde um simples governador de estado possui jatinhos, helicópteros, ajudantes de ordem e comitivas com batedores de mota que param o trânsito para que ele passe.
Pessoas que vivem em palácios, como se ainda fosse alguma corte real.
Empregadas, mordomos, equipas de cozinheiros, serviço de quarto, motoristas, inúmeros seguranças, esquemas especiais para entrar ou sair de um lugar qualquer.

Essa é a diferença:
a normalidade do poder, a noção de que um servidor público é apenas um SERVIDOR PÚBLICO, seja um escriturário ou o presidente/primeiro-ministro da nação.
Eles continuam a ser homens e mulheres, maridos e esposas, pagadores de impostos, trabalhadores e cidadãos.
Boa CIDADANIA e IGUALDADE de acesso e tratamento é isso.


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