De Imperfeições do paraíso europeu a 5 de Fevereiro de 2016 às 17:33
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Um regime económico que sistematicamente e deliberadamente exclui (e que vai continuar a excluir) milhões de seres humanos de poderem participar na economia de forma honesta e sem recorrer a esquemas e trapaças para caçar €$€$ não é apenas um sistema com imperfeições, é um sistema (cada vez mais) injusto, repressivo, anti-humano e insustentável. Podem sempre dizer que a vida no Gulag era muito pior mas isso não faz da violência do actual regime económico menos intragável. Inocentes andam a ser punidos para que os banqueiros, agiotas, tecnocratas e outros parasitas mantenham o status quo que eles acham que os favorece, independentemente do sofrimento que causa aos que não fazem parte da sua classe.
Há na actual conduta dos banqueiros e tecnocratas laivos discerníveis de crueldade, não acho que seja apenas a vontade de manter um regime que lhes é favorável, e podem até não serem todos mas quando alguns que estão lá no topo da cadeia alimentar falam noto-lhes uma vontade sádica de punição das castas que lhes estão abaixo.
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Daí a pressão contínua, nunca sufragada pelos povos, para tornar a “Europa” e “Bruxelas” numa sede de poder que obedece à sua burocracia e aos partidos do PPE (Partido Popular Europeu), para retirar aos parlamentos nacionais e aos governos qualquer poder de decidir sobre o destino dos povos e das nações. O meu voto vale quase nada e, quando o uso para valer alguma coisa, há que pedir novas eleições. Tantas quantas forem precisas para haver um resultado “europeu”, amigo dos negócios, amigo do “não há alternativa”, amigo de colocar na ordem sindicatos e partidos desalinhados.

Com mais ou menos sofisticação, significa que votem os povos como quiserem, quem manda são os mercados. Na verdade, a frase mais correcta é “mandam os partidos dos mercados”. E os “partidos dos mercados” são a expressão orgânica dos grandes interesses financeiros – o eufemismo é “os nossos credores” – e representam a desaparição do primado do poder político sobre o poder económico, ou seja, da autonomia do poder político assente no voto numa democracia.
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A U. Europeia é uma Uniao democrática?
Embora democracia seja um conceito polissêmico e de difícil definição, tal sua amplitude e variáveis envolvidas, pode-se dizer que, neste momento, estamos mais próximos de uma “ditadura plutocrática” que rivaliza e enfraquece os governos institucionais eleitos pelo voto popular.
O objetivo dessa “ditatura” é fazer recuar os direitos sociais e do trabalho, de um lado, e políticos (notadamente a participação), de outro.
Hoje mesmo, sectores importantes da classe dominante preparam a via da repressão, do autoritarismo e da guerra. Por isso os democratas, os trabalhadores e povos não terão outra opção, senão preparar-se para o embate.
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... o que está em causa é o sustento da banca e dos grandes interesses económicos. A famosa "bancarrota" propalada ad nauseam pelo poder de direita e da extrema-direta não teve qualquer comprovação com a realidade. Quem estava em bancarrota era a banca e os seus interesses e fomos chamados a pagar a factura. O chavão do "andámos a gastar demais" é uma forma cabotina, servil e medícocre para esconder quem andou a gastar demais, quem andou a ganhar demais e quem andou a sacar demais.
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... sabem que a Grécia é um pais relativamente insignificante, vulnerável e que está embutida num sistema que não admite insubordinação, e se se rebelar o mais certo é tornar-se num estado ainda mais falhado e com um regime não só económica-financeiramente repressivo, como um regime repressivo à moda antiga e tudo isto com a bênção do grande império da atualidade, império esse que se está nas tintas para a democracia, bem-estar e liberdade dos povos que invade.
Como a situação do mundo é aquela que é, péssima, alguma coisa, no meu entender, vai ter que mudar os gregos tal como outros talvez prefiram esperar até que algum evento ocorra, rebelarem-se sozinhos talvez seja pedir-lhes demasiado...
Parece-me a mim que o triunfo do regime económico vigente sobre o outro regime que colapsou há uns anos atrás nunca garantiu a sua eternidade, não houve o fim da história como alguns think-tanks quiseram-nos fazer crer.
As pessoas vão ser obrigadas a encontrar alternativas à situação atual se quiserem ter um futuro q valh


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