De desgoverno, neoliberalismo e caos U.E. a 5 de Dezembro de 2014 às 16:39
--- (des)Governo toxicodependente, Comunismo/socialismo f., neoliberalismo selvagem, e U.E. à beira do caos...

(por Carlos Barbosa de Oliveira , Crónicas do Rochedo, 5/12/2014)

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--------- A Europa à beira do caos ?

Cameron (PM do R.U.) ameaça sair da UE em 2017.

Marine Le Pen garante que, se for eleita para o Eliseu em 2017, irá fazer um referendo para que os franceses se pronunciem sobre a continuidade na UE.

A pergunta óbvia é: para que nos serve continuar na UE, se Inglaterra e França a abandonarem? Aspirar a ser apenas uma colónia de férias para alemães gordos e bêbados é ambição curta para um país com 900 anos de História.


-------- O comunismo é f.....!

O comunismo é uma coisa muito má.
Nos países comunistas comem-se criancinhas ao pequeno almoço
e os velhos, assim que atingem a idade da reforma, são colocados em fila de espera, para lhes ser ministrada uma injeção atrás da orelha que os leva desta para melhor.
É assim que os comunistas asseguram a sustentabilidade da segurança social.

O (neo)liberalismo selvagem, por outro lado, é uma coisa maravilhosa.
Incentiva a liberdade individual, considera o Estado um empecilho que impede os empreendedores de prosperarem
e concede aos que estão próximos da esfera governativa a fuga aos impostos, a colocação do dinheiro a salvo em off shores,
o roubo certificado da classe média
e a escravidão dos pobres.

Eu sei que o liberalismo é uma coisa muito boa e o comunismo é fodido mas, como tenho um QI muito baixo, não gosto do liberalismo.
Sou tão estúpido que até estou convencido que, quando o liberalismo selvagem que venera o mercado como um deus triunfar, as pessoas vão reclamar a protecção do Estado.


-------- O governo é...(2)

Como um toxicodependente.
Quando precisa de uma dose para alimentar o vício,
rouba as jóias da família
e vende-as ao desbarato.


De Capital, Estado social, neoLiberal, ... a 5 de Dezembro de 2014 às 18:32

O mundo mudou

(-Mariana Mortágua ,5/12/2014,Expresso)


E não é de hoje. O mundo (ocidental) mudou quando, no pós-guerra, o capitalismo foi forçado a aceitar as exigências de um população que, pela primeira vez, tinha escolha quanto ao sistema em que queria viver.
O Estado Social é, ironicamente, em parte, fruto da concorrência. Não de mercado mas de sistemas económicos. E funcionou.
As cedências permitiram ao debilitado capitalismo da crise de 1930 sobreviver, fortalecer-se, e ganhar apoio popular, durante os 30 anos gloriosos que se seguiram à II Guerra Mundial.
As limitações impostas aos mercados, à circulação de capitais e ao funcionamento dos bancos produziram a estabilidade financeira necessária para que o resto pudesse acontecer.
E o que aconteceu foi crescimento económico, baseado um modelo de acumulação que, sem nunca acabar com a exploração, fazia do salário um dos pilares da procura (consumo) que o sustentava.

O mundo mudou quando este modelo deixou de ser capaz de cumprir as expectativas de bem estar e prosperidade eternas.
Quando, perante as crises dos anos 70, o recomposto capital já não esteve disposto a abdicar da sua taxa de lucro para combater o desemprego, estabilizar os preços e redistribuir riqueza.
A fuga foi, como não podia deixar de ser, para a frente.
O contrato social do pós-guerra começou a ser desfiado, ponta por ponta, das leis laborais à proteção social.
As restrições à finança e ao funcionamento dos mercados cairam, uma por uma, da separação da banca ao controlo de movimentos de capitais.
As grandes empresas industriais foram substituídas por fundos financeiros, o pleno emprego pela normalização do desemprego estrutural, a proteção pública dos centros estratégicos pelas privatizações, a segurança social pela flexissegurança, a solidariedade pelo empreendedorismo.
Quase tudo, quase sem exceção, foi renomeado, resignificado. O mundo mudou.
O contrato social não importa porque a acumulação não depende do salário. Há a dívida.

A dívida pública que cresceu a partir dos anos 80, fruto das privatizações e da benevolência fiscal para com o capital e os mercados financeiros.
A dívida pública que se tornou no único escape para um Estado Social, cada vez mais débil.
A dívida pública que comprou a paz social perante a falta de pudor do neoliberalismo.
A mesma dívida pública que, a partir dos anos 90, se tornou uma arma de chantagem para sempre menos Estado,sempre mais liberalizado.
E a dívida privada, que, perante a compressão dos orçamentos públicos, alimentou os mercados, mascarou as desigualdades e sustentou o sistema, sob uma falsa teoria de racionalidade e auto-regulação dos mercados financeiros.

Mas o mundo voltou a mudar.
O modelo de acumulação baseado na especulação com dívida privada mostrou-se demasiado volátil, demasiado perigoso, ruiu.
Foi preciso chamar os Estados, pôr o mecanismo do endividamento público a funcionar para salvar um regime naufragado. E o capitalismo fez das fraquezas força.
Se, em 1945, foi obrigado a ceder para sobreviver, no mundo liberalizado e financeirizado de 2007 fez da sua capacidade para gerar crises - crise das contas públicas, crise financeira, crise económica - um instrumento de recuperação.
E o mundo, a Europa, o país, obedeceram.
Privatizou-se mais, liberalizou-se mais, precarizou-se mais.
Criaram-se até novas leis, novos tratados, novas constituições para garantir que nunca mais o poder político se poderia sobrepor à vontade dos mercados.
Limites para os défices, limites para a dívida, limites para a despesa pública, limites para a democracia. Austeridade.
Tudo o que for preciso para evitar mais uma crise, mais custos, mais desemprego.

O mundo mudou. Já não estamos em 1950, sequer em 1980.
Os mercados não fazem compromissos, simplesmente porque não precisam de os fazer. É preciso 'recuperar a confiança' , reganhar os lucros estoirados em 2007.
Há que aumentar a 'competitividade', tornar o Estado mais 'leve', 'moderar' o acesso à saúde, aumentar a 'felxibilidade' laboral.
Renomear, resignificar. Novos conceitos para descrever estratégias antigas.
Expandir mercados para áreas que dele estavam protegidas - saúde, segurança social, educação - e aumentar a exploração sobre a grande maioria dos trabalhadores ...


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