De sobre a greve a 24 de Outubro de 2014 às 16:19
alguns comentários a : http://aventar.eu/2014/10/21/sobre-greve-apenas-isto/#more-1221613

----mfc says:21/10/2014

A sua má fé é evidente.
Os transportes públicos apenas são deficitários numa visão de merceeiro e de técnicos da folha de Excel tão em voga.
Atente nas externalidades dos transportes públicos:
menor importação de combustíveis, menor desgaste de estradas, maior segurança rodoviária, os benefícios sociais que promovem.

“No meio do caminho havia uma pedra…” e o Sr. está sempre a topar nela.
Viva o Estado Social.

----joao lopes says:21/10/2014

a greve “acabou” no sector privado pelo medo, apenas pelo medo de perder o 485 euros de salario por mês.e 12 horas diarias.e horarios descontrolados(ora entra à meia-noite,ora entra ao meio-dia)…e isto é nojento.

----António Duarte says:21/10/2014

Defender o carácter excepcional da greve passa por dar, por outras formas, voz e poder negocial aos trabalhadores na tomada das decisões que lhes dizem respeito.

Quando se ignoram as manifestações, quando se despreza o contributo que os trabalhadores podem dar à gestão das empresas em que trabalham e que nalguns aspectos conhecem melhor que ninguém, quando se repisa o discurso antidemocrático da falta-de-alternativa como verdade do regime, está-se a fechar as portas ao diálogo e ao consenso e a tornar inevitáveis as greves e outras formas de luta mais radicais.

Acrescente-se que não é por causa das greves que as empresas públicas de transporte estão na situação que todos sabemos, mas sim por um conjunto de razões onde avultam, para além das referidas no comentário anterior, o subfinanciamento e o endividamento crónicos do sector.

----Nightwish says:21/10/2014

A não ser em último recurso? O António já analisou bem as gigantescas perdas obtidas pelos trabalhadores em face ao ganho obtido pelo 1% que pouco ou nada acrescenta à economia, muito pelo contrário?
E já olhou também para a destruição dos serviços públicos em todo o mundo?
Para a privatização dos comboios no reino unido, para a privatização das escolas na suécia, para o grupo GPS, para o fecho dos balcões dos CTT, para o aumento dos lucros da EDP (este ano lá ganharam mais um aumento no orçamento), para a destruição de todo o sector ferroviário em Portugal, etc, etc, etc, etc e ainda acha que não estamos em altura de greves?
Que mais é preciso? Que o desemprego, ou a falta de transportes, ou de tribunais, ou de hospitais atinja também o António e a sua família?

Estamos todos a ser roubados, à grande, para que muito poucas pessoas que não precisam tenham cada vez mais.
Se o António não faz parte da solução tenho muita pena.

---- ferpin:
... acho um piadão que haja quem consiga criticar os trabalhadores por irem para a greve, em situações em que lhe querem tirar qualquer coisa ( já não há greves para conquistar algo, as últimas são sempre para defender algo que a entidade patronal quer tirar), com administrações avessas ao diálogo, que desprezam os trabalhadores e querem impor a sua vontade, normalmente alegando as dificuldades das empresas como pretexto, mas trocando as viaturas topo de gama e não abdicando de nenhuma mordomia.

Veja-se as viaturas que usa o “conselho de administração” da “empresa” PORTUGAL, que são quase todas posteriores a 2011, data desde a qual se diz aos empregados que é preciso troikar, pois a empresa está quase na falência.

Se eu fosse governo e quisesse cortar na despesa e nos benefícios do povão, começava por não trocar os pópós do governo, nem que tivesse que aparecer em mercedes de 2002 ou 2003 que deve haver por lá muitos encostados. Assim se calhar o povão acreditava que a coisa está mal.

E evitava, como por exemplo o crato, andar a dar voltas ao mundo em passeio, enquanto no MEC tudo falha.
-------



De Desgoverno de Má fé, pensões cortadas, a 27 de Outubro de 2014 às 16:20
Boa-fé e gente de má-fé


(José Pacheco Pereira, no Público de 25/10/2014, via Entre as brumas...):

«Se há causa a que eu adiro sem reservas é a dos trabalhadores com reformas antecipadas do Metro de Lisboa, que viram as suas reformas cortadas unilateralmente do complemento de reforma que a empresa lhes atribuiu para os incentivar a reformar-se. Não se espantem, parece uma causa laboral como as outras, mas é mais do que as outras. É diferente. (...) É uma causa cívica em que está em jogo um princípio moral que deveria ser a base da nossa sociedade democrática: a boa-fé.




Um dos piores dos meus anátemas contra este Governo é exactamente a destruição dessa boa-fé, como se fosse o acto mais normal do mundo, como quem respira, sem pensar duas vezes, até sem atenção, nem sequer preocupação pelos efeitos não apenas nas vítimas dos seus actos, mas no tecido social e nos laços que unem as pessoas numa sociedade civilizada e numa democracia em que todos somos proprietários e penhores do mesmo poder. Este à-vontade e esta indiferença pelo que é e significa a boa-fé vai ficar como uma mancha para o presente e para o futuro no tónus moral destes tempos. (...)




No dia 1 de Janeiro deste ano, o Governo violou o contrato que tinha feito. O corte unilateral dos complementos de reforma pelo Governo significou reduções de 40 a 60% nas reformas dos trabalhadores. Imaginem acordar no dia seguinte a ganhar menos de metade do que ganhavam no dia anterior e serem já velhos para arranjarem um novo emprego, terem encargos comportáveis quando se tinha uma outra reforma, ou seja, não era “viver acima das suas posses”, e ficarem agora sujeitos a dívidas e penhoras e acima de tudo, mesmo com a reforma por completo, vivia-se no remedeio. Não estamos a falar de gente rica, mas de trabalhadores, daqueles que se espera num país civilizado que engrossem a classe média, educando os seus filhos para viverem melhor do que os pais, acederem a consumos com que os seus avós nunca sonharam. É assim que se cresce, melhora, se avança. É isto que é o melhorismo social, a melhor garantia de um crescimento económico. (...)




Mas o problema que está presente neste caso é um problema de boa-fé, e do papel da boa-fé numa sociedade democrática e que pretende regular-se por regras de conduta civilizadas. Nem sequer pretendo discutir o que isso significa, “civilizadas”, porque toda a gente sabe o que é. E sabe também o que significa a boa-fé: significa que, se quando o governador do Banco de Portugal, seguido pelo Governo, defendeu que devia ser possível antecipar reformas com pagamento dos salários integrais, para afastar das empresas os trabalhadores com mais anos de casa e “que passam a vida nos médicos”, devia colocar-se um cartaz pestífero a dizer: não aceitem o engodo, não acreditem neles, querem enganar-vos e, depois de se reformarem, cortam-vos o que vos prometerem no passado para vos empurrar para a reforma. Como fizeram com os trabalhadores do Metro. Eles são gente de má-fé.»
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