De Eurocracia e bangsters cortam povos a 9 de Julho de 2015 às 17:39
Grécia: Os Credores Escravos da possidónia Paixão alemã
(8/7/2015

Quando os alemães gostavam do perdão das dívidas: em Londres a 27 de fevereiro de 1953 Herman Josef Abs, conselheiro do chanceler Adenauer, assina pela Alemanha o acordo que reduziu a metade a dívida teutónica Fonte da foto: o New York Times de hoje; «o New York etc» por ser um inimigo de estimação)

O eixo Berlim-Paris reconstituiu-se para o mal: para impor a austeridade a Atenas e agitar-lhe com as pensões de reforma subsidiadas. Franceses e alemães deram-se uns aos outros a coragem (holandesa ?) que lhes faltava para finalmente imporem aos gregos um ultimato disfarçado:
expira sábado e domingo , o dia do Senhor, a União Europeia,
perante a nova Líbia, por ela construída, fornecerá fundos à nova Grécia
ou enviará ajuda humanitária à destruída Hélade,
destruída com armas financeiras e sem aviação militar,
ocupando-a com as técnicas da proteção civil, isto é, com a Cruz Vermelha e ONGs, dando biberon a gregos velhinhos.
Na frase anterior, O Economista Português não chalaceou:
descreveu por palavras suas as comunicações oficiosas do eixo Berlim-Paris, eixo em que Berlim dita para que Paris repita.

Há dias, Thomas Picketty, o ótimo estatístico da desigualdade económica e horroroso teórico da desigualdade económica, assinalou em The Guardian que
a paixão alemã pela austeridade domina a atitude dos credores em relação à Grécia.
Dessa recente paixão alemã, deriva a recusa do crescimento económico e do perdão da dívida.
Com efeito, a Alemanha impôs na Europa dos nossos dias (na União Europeia, o pseudónimo triste da Europa)
a medíocre ortodoxia intelectual dos anos 1930, a qual levou à Grande Depressão dos anos 1930 e por invejoso arrastamento à Segunda Guerra Mundial:
para sair da crise, seria preciso gastar menos, isto é, seria precisa mais austeridade.
Eram as doutrinas do Doutor Oliveira Salazar, por certo conhecidas de pelo menos uma parte dos senhores leitores;
Salazar que não ia além da ortodoxia financeira do século XIX, a qual se resumia no equilíbrio orçamental.
Por via dele, os dicionaristas deram então um novo sentido à palavra possidónio:
«político provinciano que só vê a salvação do país no corte profundo e incondicional de todas as despesas públicas».
Era Salazar (hoje são legião).
Era a política económica derivada da economia política do século XIX, para a qual a moeda era um véu passivo que cobria uma economia real ativa em ajustamento automático.

Só que esta teoria não corresponde à realidade económica de hoje (se é que correspondeu a alguma realidade económica monetarizada) e por isso a austeridade agrava o mal.
J. M. Keynes fez justiça à teoria austeritária, que nos anos 1920 e 1930 estava ligada ao padrão ouro e ignorava a noção de circuito económico.
Imagine o leitor um circuito económico com duas unidades, a A e a B. A unidade A entrou em crise e deu défice. Como vai curá-lo?
Se se lhe aplicar a austeridade, terá que comprar menos, para equilibrar as contas. Se isso acontecer, a unidade B entrará ela também em défice, pois apenas vende a A e portanto venderá menos.
Exposta assim a teoria, ela parece óbvia, mas o circuito económico é complexo, monetarizado e por isso na prática dos políticos e de muitos economistas o circuito económico é contra intuitivo.
Keynes analisou a grande fuga ao dito, o entesouramento da moeda, que destrói a igualdade entre a poupança e o investimento, desigualdade que origina o ciclo económico.

A Alemanha, e os seus colonizados nas classes políticas europeias,
já impuseram esta arcaica e egoísta receita à Grécia e a Portugal.
Como resultado, a crise agravou-se nestes dois protetorados (a nossa dívida aumentou cerca de 40% a partir do momento da nossa anunciada salvação).
Tendo conseguido reduzir substancialmente o PIB grego (em proporções incertas, pois as contas gregas anteriores à crise eram fantasiadas, como Atenas confessou),
os credores querem reduzi-lo mais – já que a paixão pela austeridade não os deixa ver que estimular o crescimento económico dos devedores é o único modo que têm de serem pagos.
Se este fim de semana a tese do Dr. Passos Coelho vencer, e a Grécia for expulsa do Euro, voltaremos a ser o elo fraco do €uro...
(Mau augúrio para os próximos ...)


De Caminho para a Servidão e Tirania... a 10 de Julho de 2015 às 18:37
O novo caminho para a servidão

Ao contrário do que os media dão a entender, o futuro da zona euro e da UE não se decide neste fim-de-semana. Já foi decidido no passado dia 5 de Julho quando,
após uma intimidação sem precedentes conduzida ao mais alto nível pela UE, apoiada pelas televisões privadas, o povo grego respondeu com um rotundo “não” a mais austeridade.

Qualquer que seja o resultado das negociações, a visão dos cidadãos sobre a natureza da UE mudou substancialmente nos últimos dias. Quem, honestamente, ainda tinha ilusões quanto a uma mudança progressista da UE, perdeu-as.
Revelou-se o que as expressões “economia social de mercado” e “Europa social” ocultavam. Caiu a máscara e ficou à vista uma UE totalitária, uma tirania.
É isso mesmo, porque se trata de uma organização política supranacional que não acomoda a diversidade das escolhas democráticas dos Estados-membros. Confirmou-se que o ordoliberalismo da UE é irreformável e não admite dissidentes. E todos sabemos como terminou a URSS.

O que se decide neste fim-de-semana é se o governo grego ajoelha e contradiz o mandato que recebeu ou, intensificando o conflito, emite um meio de pagamento paralelo que lhe permita reabrir os bancos e evitar o colapso da sua economia. No primeiro caso, as causas profundas da crise não serão resolvidas, bem pelo contrário. O regresso da recessão, provocada pela incerteza das negociações, terá como resposta um programa de cortes na despesa pública ainda mais agressivos. Qualquer renegociação da dívida pública que ainda possa ocorrer não terá efeitos no curto prazo. Portanto, o desastre grego vai piorar, correndo-se o risco de a implosão do sistema político-partidário conduzir ao fim da democracia na Grécia.

No segundo caso, contra a vontade da maioria da direcção do Syriza, a saída de facto da Grécia da zona euro, com o litígio que tal implica, vai acelerar a sua desagregação. O princípio da irreversibilidade da adesão à moeda única será quebrado e a confiança dos mercados na estabilidade do euro, já não sendo muita, fica definitivamente posta em causa. Num artigo publicado no início da crise, Dani Rodrik lembrava que, em caso de confronto entre uma sociedade e um sistema monetário, os especuladores mais inteligentes apostam na sociedade.

Ou seja, os movimentos de capitais antecipam a vitória da sociedade (espanhola, italiana, portuguesa) e, no processo de fuga ao risco, produzem o que antecipam. No caso do euro, as profecias auto-realizadoras dos mercados forçarão o BCE a uma intervenção sem precedentes para manter os juros de vários países a um nível suportável, o que agravará as desconfianças na Alemanha. No caso de a crise financeira na China se revelar incontrolável, o cenário de instabilidade agudizar-se-á. Em todo o caso, uma coisa é certa. As regras de funcionamento da UE foram determinadas pela Alemanha e não são reformáveis, pelo que o desemprego se manterá em níveis insustentáveis e levará ao poder, noutros países, partidos que defendem a saída do euro.

Ao contrário do discurso dominante nos media, o caminho da Grécia para a insolvência começou com o resgate dos bancos alemães e franceses que lhe foi imposto em 2010. No essencial, a “ajuda” da troika serviu para pagar as dívidas aos bancos estrangeiros. A Grécia tinha e tem muitos problemas estruturais por resolver, mas aquela decisão de poupar os bancos às consequências das suas políticas de crédito foi determinante. Bill Mitchell faz uma síntese do caso grego (“Greeceshould not accept any further austerity – full stop!”) e realça que a situação calamitosa a que se chegou decorre da imposição à Grécia de uma austeridade inimaginável. De facto, é preciso ter descaramento para se dizer que a Grécia não fez “o trabalho de casa”.

Como disse um europeísta decepcionado (Engelbert Stockhammer, “Debt, Discipline and Democracy”), “No dia 5 de Julho saberemos se, a partir de agora, o lugar da democracia é fora da União Europeia, ou se prescindimos dela em troca do euro.” Entretanto, o povo grego não parece ter sido ouvido. A UE é hoje um caminho para a servidão.

(O meu artigo no jornal i) por Jorge Bateira , 10/7/2015 Ladrões de B.


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