De UE antes e depois da Grécia/Syriza. a 14 de Julho de 2015 às 10:07

TENHO UMA FORTE SUSPEITA


TENHO UMA FORTE SUSPEITA. A suspeita de que vai passar a haver, histórica e politicamente duas Uniões Europeias. A UE ANTES e a UE DEPOIS do governo do Syriza.
E se assim for não deixará de ser paradigmático que o sujeito da mudança seja a GRÉCIA com tudo o que tem de simbólico para a história da Europa e a história da democracia.

O governo grego lutou denodadamente pelos interesses do seu povo (não estou a falar dos Onassis e outros oligarcas gregos) e por estranho que a alguns pareça,
pelos interesses da Europa dos Cidadãos, aquela Europa que nunca chegou a existir mas que
este governo da Grécia, com a sua denodada luta, revelou como uma Europa pronta, a cada momento, a ser uma Europa CONTRA os cidadãos,
se isso puser em causa os interesses do capital financeiro ou contrariar a renovada e agoirenta vertigem imperial da Alemanha.

Perante a NOVA ORDEM europeia em construção, sob a liderança de Schauble/Merkel, ergueu-se patrioticamente um governo de esquerda que, naturalmente aos olhos neoliberais parece uma assombração esquerdista.
Perante grandes dificuldades negociais o Governo grego consultou o povo o que enraiveceu, em particular, governos como o português por tal revelar o seu comportamento de alegre capataz da Berlim e dos mercados em geral.

O Governo grego negociou, fez cedências, foi vergado quase até ao chão.
Para mim não foi completa surpresa, em 26 de Junho, no Facebook, disse que

"a relação de forças [entre a UE e a Grécia] é a que a imagem mostra. De modo que, apesar do receio de indigestão, o mais provável é o cinzento engolir o verde.”

A Grécia e o Syriza tiveram o grande mérito de expor às escâncaras o crescente deslizar antidemocrático das Instituições da UE e a paulatina tutela germânica.
E o acordo que a Grécia acabou por aceitar (não conheço ainda com rigor todo o seu conteúdo) só foi possível porque,
contra a arrogância alemã, de duvidosa estratégia e duvidoso futuro, se levantou o habitualmente agachado François Hollande, à custa de
telefonemas de Washington, a falar de geoestratégia, a lembrar que os EUA e a NATO têm uma base militar na Grécia e a humilhação da Grécia
pode, ao contrário do "humilhado" Portugal, ter consequências desagradáveis com uma eventual aproximação à Rússia e, sabe-se lá, se à China também.


Etiquetas: Grécia, Passos Coelho., Syrisa, Tsipras, UE, União Europeia
(Raimundo Pedro Narciso, PuxaPalavra, 13/7/2015)


De Triste sinal da UE não democrática a 14 de Julho de 2015 às 13:02
Um triste sinal dos nossos tempos

por Ricardo Noronha, 12/7/2015, http://viasfacto.blogspot.pt/

Aquilo que se revela tão irritante em Varoufakis não é o seu radicalismo mas a sua humildade pragmática racional – se olharmos de perto as propostas do Syriza, não podemos deixar de reparar que foram em tempos parte do modelo de uma qualquer agenda social-democrata (na Suécia nos anos 60, o programa de governo era bem mais radical). É um triste sinal dos nossos tempos que hoje em dia seja necessário pertencer à esquerda radical para defender essas mesmas medidas – um sinal dos tempos escuros, mas também uma oportunidade para a esquerda ocupar o espaço, que durante décadas, foi do centro-esquerda. [...]

Existe, então, qualquer coisa de hipócrita nas garantias de humildade dos propósitos do Syriza: este quer efectivamente algo que não é possível dentro das coordenadas do actual sistema global. Uma escolha estratégica séria terá de ser feita: e se chegou o momento de deixar cair a máscara da humildade e defender abertamente uma mudança muito mais radical, necessária nem que seja para assegurar uma conquista modesta? Muitos críticos do referendo grego invocaram que este não passava de uma estratégia demagógica, afirmando ironicamente que nem sequer era claro o seu propósito. O referendo não era sobre o euro ou o dracma, sobre a Grécia na UE ou fora dela: o governo grego repetiu enfaticamente o seu desejo de permanecer na UE e na zona Euro. De novo, os críticos transformaram a questão política chave colocada pelo referendo numa mera decisão administrativa sobre medidas económicas específicas. [...]


O Não no referendo da Grécia foi assim muito mais que uma simples escolha entre duas estratégias diferentes à crise económica. O povo grego resistiu heroicamente à vergonhosa campanha de medo que mobilizou os instintos mais baixos de auto-preservação. Foram capazes de ver através da manipulação brutal dos seus adversários que falsamente apresentaram o referendo como uma escolha entre o euro e o dracma, entre a Grécia na Europa e o “Grexit”.

--- Slavoj Žižek, Grécia:uma oportunidade para a Europa acordar


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