16 comentários:
De Imperialismo de exports financeiras. a 13 de Julho de 2015 às 18:37
----- aGreekment

(13/07/2015 por António de Almeida , Aventar)

Alex Tsipras resumiu numa frase,
“a situação é má, mas a alternativa seria pior”.
Isto é um aviso à navegação, o referendo acabou por ser uma vitória de Pirro que retirou qualquer margem negocial ao governo grego, após recusar as propostas da U.E.,
acabou por ser obrigado a apresentar propostas e ceder em toda a linha. Importa agora acompanhar os próximos dias em Atenas, havendo já quem avance com a possibilidade de antecipar eleições.
A conclusão a retirar é que a melhor alternativa à austeridade é manter as contas em dia, evitando políticas economicamente expansionistas que levem ao endividamento excessivo.

-----Leituras imprescindíveis nestes tempos tão antiquadamente modernos

"O caracterizava o velho capitalismo, no qual dominava a livre concorrência, era a exportação de mercadorias.
O que caracteriza o capitalismo moderno, no qual impera o monopólio, é a exportação de capitais. (...)

Enquanto o capitalismo for capitalismo, o excedente de capital não se consagra à elevação do nível de vida das massas do país, pois isso significa a diminuição dos lucros dos capitalistas, mas ao fomento desses lucros através da exportação de capitais para o estrangeiro para os países mais atrasados. (...)

A necessidade de exportação de capitais deve-se ao facto de que em alguns países o capitalismo 'amadureceu excessivamente' e o capital carece de campo para a sua colocação 'lucrativa'. (...)

As exportações de capitais influenciam o desenvolvimento do capitalismo nos países para que são dirigidos, acelerando-os extraordinariamente. (...)

A exportação de capitais passa a ser um meio de estimular a exportação de mercadorias. (...)

Os países exportadores de capitais dividiram, no sentido figurado da palavra, o mundo entre si. Mas o capital financeiro conduziu também à partilha directa do globo".

V.I Lenine, O imperialismo fase final do capitalismo

--por João Ramos de Almeida
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--- Com que então era uma questão de confiança

“Eurogrupo quer transferir activos gregos para banco de Schäuble e Gabriel”, lê-se no ionline.
Soma-se a ganância à sede de poder que imaginei.

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...Como se tem percebido pelas posições públicas dos países europeus, muito se tem apostado na vitória política, até mais do que na resolução dos problemas. Governos como o português teriam muito a explicar se outro país encontrasse uma solução que fugisse à austeridade e os governos do norte, com a Alemanha à cabeça, venderam aos seus eleitorados que a crise existia devido aos preguiçosos países do sul. Neste contexto, é insustentável eleitoralmente para estes governos que um país tenha conseguido uma vitória de Pirro, mesmo conscientes que iriam pagar caro ter ousado demonstrar que não se haviam rebaixado à Alemanha.

A questão da confiança traduz-se, na verdade, na titularidade da vitória política. Antes do referendo, o acordo que estava em cima da mesa representava a capitulação grega ao incluir praticamente todas as medidas que os credores exigiam e forçava o Syriza a ultrapassar as suas linhas vermelhas. Para governos como o alemão e o português era fácil ostentar a bandeira da vitória. Mas o referendo alterou o fiel da balança política. Se o presente acordo fosse aceite os gregos continuariam a poder dizer que tiveram voto na matéria e é isso que os opositores ao acordo não aceitam. Para poder ostentar claramente a bandeira da vitória, a Alemanha e os seus satélites precisam de quebrar os gregos. Por isso vão continuar a fazer de conta que negociam até que o governo grego saia de cena, mesmo que isso represente a completa destruição de um país.

Muitos acusaram a Grécia de traição ao trazer um referendo quando o acordo estava quase conseguido. Mas esta mesma traição foi o que fez agora a Alemanha ao fazer circular anonimamente uma proposta de grexit quando o acordo estava novamente prestes a ser conseguido.

Nesta luta pela hegemonia, as brechas já são públicas. A França já percebeu há muito tempo que o eixo franco-alemão deixou de existir e tomou o lado da Grécia. Os governos português e espanhol preocupam-se com as eleições à porta e colam-se a quem lhe impôs a austeridade. Os italianos deram um murro na mesa para se fazerem ouvir. Os finlandeses conf


De Europa a estilhaçar... -hoje sabemos... a 13 de Julho de 2015 às 18:48
A Europa não é uma sinfonia

(13/7/2015, OJumento)

Agora que a Europa chegou a um acordo, que aprendi cos sucessivos discursos de Tsipras que em grego se diz sinfonia, ficou evidente que apesar da unanimidade esta Europa conduzida pela senhora Merkel mais os seus paus mandados é tudo menos uma sinfonia.
Afinal não foi por causa dos gaiatos que a reunião do Eurogrupo foi interrompida ou que nem foi o programa radical do Syriza que defendia uma saída da Grécia do Euro e uma provável crise financeira internacional.

Hoje sabemos que a intenção da Alemanha desde o início de todo este processo era fazer com que a Grécia saísse do Euro, agora percebemos que a impossibilidade de um acordo durante cinco meses não resultou apenas do toca e foge permanente do Varoufakis.
A Alemanha sempre teve a intenção de dificultar qualquer acordo com o governo grego e para isso contou alguns governos mais germanófilos.
A este propósito convém lembrar que o governo português tem merecido da parte da senhora Merkel e do seu ministro das Finanças gestos muito simpáticos, ainda há poucos meses a ministra das Finanças apareceu num simulacro de seminário ocorrido nas instalações do ministério das Finanças alemão, ao lado do ministro, o mesmo que chegou a convidar Vítor Gaspar a escrever um artigo publicado no site do ministério das Finanças alemão.

Ficou óbvio que a Alemanha impediu um acordo ao nível do Eurogrupo e que partiu para a cimeira dos chefes de estado e de governo com a proposta de saída da Grécia da zona euro.
Isso era possível porque a Alemanha tinha aliados firmes que a apoiariam nessa posição e ninguém acredita que era apenas a Finlândia ou os estados bálticos.
A Grécia ficou no Euro porque vários países se opuseram frontalmente ao projecto alemão, foi o caso da Itália e da França que finalmente tomaram uma posição.

Finalmente a Europa admite que há dois problemas nos países que foram sujeitos a intervenções da troika,
a dívida aumentou e consome as poupanças que seriam necessárias para o seu crescimento económico e que
os programas ignoraram a importância da promoção do crescimento para superar a crise.

Apenas a Alemanha e Portugal estão firmes na defesa da austeridade extrema, um porque foi quem impôs a austeridade e
o outro porque tem uma fidelidade canina ao dono.

É óbvio que a Grécia precisava de reformas que até aqui recusava e que sem as quais dificilmente invertia um processo económico que conduziu a esta crise.
A origem da crise grega é anterior à austeridade e não se explica apenas pela crise financeira de 2008.
Seria impossível superar esta crise financeira e manter um sistema de pensões que se financiava com impostos num país onde a administração tributária é de uma total ineficácia.

Mas também é óbvio que os erros da troika conduziram a Grécia à beira do precipício,
tanto a Grécia como Portugal forma vítimas de experiência falhadas que foram conduzidas por economista incompetentes, como é o caso do nosso Gaspar.
Em Portugal a realidade foi disfarçada com uma suposta saída limpa, mas
o descalabro grego foi de tal forma grande que se tornou impossível recorrer a qualquer disfarce.


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