Governantes 'lampeiros' com a verdade e mole oposição do centrão

Lampeiros        (-por J.Vasco, 22/6/2015,Esquerda Republicana)

 Pacheco Pereira escreveu um texto certeiro e pertinente no Público.
 É pena que tenha iniciado o texto com um devaneio sobre o vocabulário português que ainda durou uns bons quatro parágrafos. Mas logo de seguida, surge uma crítica assertiva às mentiras de Pedro Passos Coelho e outros elementos do seu governo:
     « Lampeiros com a verdade, neste governo e no anterior, há muitos. Sócrates é sempre o primeiro exemplo, mas Maria Luís Albuquerque partilha com ele a mesma desenvoltura na inverdade, como se diz na Terra dos Eufemismos. E agora Passos deu um curso completo dentro da nova tese de que tudo que se diz que ele disse é um mito urbano. Não existiu. Antes, no tempo do outro, era a ”narrativa”, agora é o “mito urbano”.
   Aconselhar os portugueses a emigrar?  Nunca, jamais em tempo algum.  Bom, talvez tenha dito aos professores, mas os professores não são portugueses inteiros.  Bom, talvez tenha dito algo de parecido, mas uma coisa é ser parecido, outra é ser igual.  Igual era se eu dissesse “emigrai e multiplicai-vos” e eu não disse isso.  Nem ninguém no “meu governo”.  Alexandre Mestre era membro do Governo?  Parece que sim, secretário de Estado do Desporto e disse:  "Se estamos no desemprego, temos de sair da zona de conforto e ir para além das nossas fronteiras".   Como “sair da sua zona de conforto” é uma das frases preferidas do Primeiro-ministro, e a “zona de conforto” é uma coisa maléfica e preguiçosa, vão-se embora depressa.  E Relvas, o seu alter-ego e importante dirigente partidário do PSD de 2015, então ministro, não esteve com meias medidas:  “é extraordinariamente positivo” “encontrar [oportunidades] fora do seu país” e ainda por cima, “pode fortalecer a sua formação”.  Resumindo e concluindo:  “Procurar e desafiar a ambição é sempre extraordinariamente importante".  Parece um coro grego de lampeiros.
    Continuemos.  A crise não atingiu os mais pobres porque “os portugueses com rendimentos mais baixos não foram objecto de cortes”, disse, lampeiro, Passos Coelho.  Estou a ouvir bem?  Sim, estou.  Contestado pela mentirosa afirmação, ele continua a explicar que os cortes no RSI foram apenas cortes na “condição de acesso ao RSI” e um combate à fraude.  A saúde?  Está de vento em popa, e quem o contraria é o “socialista” que dirige um “observatório” qualquer.  Sobre os cortes nos subsídios de desemprego e no complemento solidário de idosos, nem uma palavra, mas são certamente justas medidas para levarem os desempregados e os velhos a saírem da sua “zona de conforto”.   Impostos?  O IVA não foi aumentado em Portugal, disse Passos Coelho com firmeza.  Bom, houve alterações no cabaz de produtos e serviços, mas o IVA, essa coisa conceptual e abstracta, permaneceu sem mudança, foi apenas uma parte.  Então a restauração anda toda ao engano, o IVA não aumentou?  E na luz, foi um erro da EDP e dos chineses?  Lampeiro.
    Depois há a Grécia.    “Não queremos a Grécia fora do euro” significa, por esta ordem, “queremos derrubar o governo do Syriza”,  “queremos o Syriza humilhado a morder o pó das suas promessas eleitorais”,  “queremos os gregos a sofrerem mais porque votaram errado e têm que ter consequências”,  “queremos a Grécia fora do euro”.   O que é que disse pela voz do Presidente?  Na Europa “não há excepções”. Há, e muitas.  A França por exemplo, que violou o Pacto de Estabilidade.  A Alemanha que fez o mesmo.  23 dos 27 países violaram as regras.  Consequências? Nenhumas:  foi-lhes dado mais tempo para controlar as suas finanças públicas.  Mas ninguém tenha dúvidas:  nunca nos passou pela cabeça empurrar a Grécia para fora do euro, até porque na Europa “não há excepções”.  Lampeiros é o que eles são. Lampeiros.»
     Logo de seguida, o melhor do texto:   a crítica à insuportável moleza do PS (o destaque é meu):
    «Este tipo de campanha eleitoral é insuportável, e suspeito que vamos ver a coligação a “bombar” este tipo de invenções sem descanso até à boca das urnas.  O  PS ainda não percebeu em que filme é que está metido.  Continuem com falinhas mansas, a fazer vénias para a Europa ver, a chamar “tontos” ao Syriza, a pedir quase por favor um atestado de respeitabilidade aos amigos do governo, a andar a ver fábricas “inovadoras”, feiras de ovelhas e de fumeiro, a pedir certificados de bom comportamento a Marcelo e Marques Mendes, a fazer cartazes sem conteúdo – não tem melhor em que gastar dinheiro? – e vão longe.
    Será que não percebem o que se está a passar?    Enquanto ninguém disser na cara do senhor Primeiro-ministro ou do homem “irrevogável” dos sete chapéus, ou das outras personagens menores, esta tão simples coisa:   “o senhor está a mentir”,  e aguentar-se à bronca, a oposição não vai a lado nenhum.   Por uma razão muito simples, é que ele está mesmo a mentir e quem não se sente não é filho de boa gente.   Mas para isso é preciso mandar pela borda fora os consultores de imagem e de marketing, os assessores, os conselheiros, a corte pomposa dos fiéis e deixar entrar uma lufada de ar fresco de indignação.
    Então como é?   O país está mal ou não está?  Está.   Então deixem-se de rituais estandardizados da política de salão e conferência de imprensa, deixem-se de salamaleques politicamente correctos, mostrem que não querem pactuar com o mal que dizem existir e experimentem esse 'franc parler' que tanta falta faz à política portuguesa.
    Mas, para isso é preciso aquilo que falta no PS (e não só), que é uma genuína indignação com o que se está a passar.   Falta a zanga, a fúria de ver Portugal como está e como pode continuar a estar.   Falta a indignação que não é de falsete nem de circunstância, mas que vem do fundo e que, essa sim, arrasta multidões e dá representação aos milhões de portugueses que não se sentem representados no sistema político.  Eles são apáticos ou estão apáticos?  Não é bem verdade, mas se o fosse, como poderia ser de outra maneira se eles olham para os salões onde se move a política da oposição, e vêm gente acomodada com o que se passa, com medo de parecer “radical”, a debitar frases de circunstância, e que não aprenderam nada e não mudaram nada, nem estão incomodados por dentro, como é que se espera que alguém se mobilize com as sombras das sombras das sombras?
    Enquanto isto não for varrido pelo bom vento fresco do mar alto, os lampeiros vão sempre ganhar.   As sondagens não me admiram, a dureza e o mal são sempre mais eficazes do que o bem e muito mais eficazes do que os moles e os bonzinhos.»


Publicado por Xa2 às 07:45 de 01.07.15 | link do post | comentar |

4 comentários:
De VENDIDOs, TRÁFICO d'influ, inJUSTIÇA,.. a 2 de Julho de 2015 às 11:01
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"Há tráfico de influências na Assembleia da República"

(Joana Bourgard/RR 01/07/2015)

A bastonária da Ordem dos Advogados, Elina Fraga, critica a ministra da Justiça por nada ter feito ao nível do reforço do regime incompatibilidades.

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"Se o segredo de justiça é para violar diariamente, acabe-se com ele"

Ana Henriques (Público) e Marina Pimentel (Rádio Renascença) 01/07/2015

Indignada com "relatos mais ou menos degradantes" como transcrições de interrogatórios nos órgãos de comunicação social,
a bastonária da Ordem dos Advogados pede julgamentos e condenações pelo crime de violação do segredo de justiça
e insiste que é o Ministério Público que muitas vezes o viola.

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Activistas colocam faixa no Parlamento: foi “VENDIDO” e ninguém os avisou

(Maria João Lopes, 22/06/2015, Público.pt)

AR abriu inquérito para esclarecer como conseguiram os activistas colocar a faixa.
O grupo “Eu não me vendo”, ligado ao Agir, promete mais acções nesta segunda-feira e na campanha,
contra privatizações e “perda de soberania” do Estado português.
“A nossa soberania foi vendida”, .
Foi VENDIDA (e ao desbarato) a nossa SOBERANIA política (com os tratados de Lisboa e ao EURO, ... ), e Económica e financeira (com as ruinosas PPPs, SWAPs, Privatizações, ... à China, Angola, Brasil, ..., aos Bancos de bangsters, a especuladores, a empresas offshore e a fundos transnacionais,... )
para uns boys/'consultores'/saqueadores embolsarem comissões e obterem reformas e tachos dOURrados ...


De Máq. d'influências relvar... a 2 de Julho de 2015 às 11:20
Os amigos de Relvas

(Aventar, 02/07/2015 por Rui Curado Silva)

Quando se traça a geografia política dos amigos de Miguel Relvas é impossível ficar indiferente à amplitude da máquina de influências que Relvas montou.
Já conhecíamos o poder que continua a deter sobre Passos Coelho e Paulo Pereira Coelho, ambos envolvidos no caso Tecnoforma que está a ser investigado pelo OLAF (Gabinete da Luta Antifraude da União Europeia).
Hoje, Durão Barroso assume a filiação ao grupo exclusivo dos amigos de Miguel Relvas apresentando o seu novo livro, no qual Aznar assina o prefácio.
Este é o mesmo Durão Barroso que em Abril do passado ano lamentou que o ensino em Portugal perdeu exigência, como é sabido Relvas é a encarnação suprema da exigência do ensino nacional.
Mas este é certamente um irrelevante detalhe comparado com o serviço que um ex-presidente da comissão irá prestar a uma pessoa que está a ser investigada por múltiplas fraudes curriculares e é suspeito de beneficiar a Tecnoforma quando foi Secretário de Estado da Administração Local.
O ex-político mais descredibilizado do país demonstra assim ter um poder notável sobre o nosso primeiro-ministro e o ex-Presidente da Comissão Europeia.
Espero que a Procuradoria Geral da República se interesse por esta questão e sobretudo que comunique muito com o OLAF.

Em Abril, Rodrigo Rato, vice-presidente do governo de Aznar, começou a ser investigado por fraude fiscal. Afinal faz todo o sentido o prefácio de Aznar ao livro de Relvas.

Adaptação de artigo publicado no diário As Beiras a 11/06/2015.


De Continua o ASSALTO ao POTE ! a 1 de Julho de 2015 às 10:40

Perfil não sei se tem, cartão do partido tem de certeza

por Sérgio de Almeida Correia, em 01.07.15

Continuo a dizer que não foi o facto de anteriores executivos - incluindo socialistas - terem procedido a NOMEAÇÕES de FAVOR do seu pessoal político, muitas vezes SEM qualificações que os recomendassem para os cargos para que foram nomeados, que me irá impedir de me manifestar contra o verdadeiro ASSALTO ao POTE que está a ocorrer neste final de legislatura por parte dos mais conhecidos caciques do PSD.
Aquilo que hoje critico no PSD foi o mesmo que antes critiquei no PS ou em qualquer outro governo, e só os mais distraídos é que não repararam nisso.
Daí que considere absolutamente INACEITÁVEL, e não me canse de dizê-lo, que se continue a utilizar a máquina do Estado
para colocar (em bons 'TACHOS'...) os AMIGAlhaços, quantas vezes sem qualquer justificação em termos de boa gestão, interesse público ou simples necessidade, ainda que transitória, dos serviços.
O que aconteceu antes com a ordem de reabertura de embaixadas e postos consulares que Paulo Portas mandara encerrar,
para que COLABORACIONISTAS, AMIGOS e PROTEGIDOS ( Familiares, amantes, sócios e afins : é NEPOTISMO directo ou cruzado !!) sejam colocados e não fiquem "pendurados" (sem lugar/tacho com uma eventual mudança de governo ou de "PROTECTOR"/ Padrinho !!),
nem à mercê dos que vierem a seguir, repete-se agora com a mais discreta, mas nem por isso menos ESCANDALOSA,
nomeação de uma senhora deputada (que antes era profesora numa escola secundária, tradutora num tribunal e formadora no IEFP), em final de mandato,
para a Embaixada de Portugal em Berna.
Se, como refere um deputado socialista, havia necessidade de se preencher o cargo, então por que motivo ficou o lugar vago durante três anos?
Seria preferível que o secretário de Estado, em vez de atirar areia para os olhos das pessoas, como é seu hábito, dissesse, por exemplo,
que há poucas possibilidades da senhora voltar a ser eleita deputada por não haver garantias de ficar nas listas em lugar elegível,
e que havia necessidade, atenta a probabilidade da coligação perder as próximas eleições, de acautelar o seu futuro,
tanto mais que é deputada pelo seu círculo de Viseu e com ele tem colaborado.
Dizer qualquer uma destas coisas seria mais honesto. E já ninguém estranharia.

(razões que recomendam a nomeação da senhora deputada para Berna e que não constam da sua página pessoal no site da Assembleia da República:
"Presidente da Assembleia Municipal de S. Pedro do Sul, é membro da Assembleia Distrital de Viseu do Partido Social Democrata,
membro da Comunidade Intermunicipal Dão-Lafões e Directora-Adjunta do jornal regional “Gazeta da Beira” e Directora da Revista “Terras de Lafões”.
Foi também Presidente da Assembleia Municipal de S. Pedro do Sul nos três mandatos anteriores, Presidente da Comissão Política da Secção de S. Pedro do Sul da JSD entre 1981 e 1983, foi membro de diversas Comissões Políticas da Secção de S. Pedro do Sul do PSD , tendo sido sua Presidente na década de 90.
Foi também membro da Comissão Política Distrital da JSD entre 1982 e 1984.
Ao nível associativo destaca-se as funções de Grã-Mestre da Confraria dos Gastrónomos de Lafões, Vice-Presidente do Conselho Europeu de Confrarias,
Presidente da Associação de Pais e Encarregados de Educação da Escola Básica 2/3 de S. Pedro do Sul, entre 1997 e 2002 e Presidente da Associação de Pais e Encarregados de Educação da Escola Secundária de S. Pedro do Sul, entre 2002 e 2008" - aqui).


Tags: assalto ao pote; jsd ; maus hábitos ; psd


De Diga NÃO à dependência ! OXI . a 1 de Julho de 2015 às 10:15
----- OXI

" KEEP
CALM
and

SAY
OXI ! "

(NO)

---- A União é um colete de forças. (Mariana Mortágua, BE)

«Se sair a Grécia ainda ficam 18. Errado.
Se a Grécia sair, o euro fracassa enquanto projeto político e económico.
Se a Grécia sair, o princípio da irrevogabilidade da conversão monetária foi quebrado e a especulação financeira será o menor dos problemas.
O principal é que a suposta União provou não ter espaço para quem exerce a sua democracia.
A União passou a colete de forças.»


----- O algodão não engana

... e o PS nunca «desilude».

«Governo grego errou ao assumir uma opção estratégica de confrontação com as instituições europeias.» (Marcos Perestrello, PS)


.--( http://entreasbrumasdamemoria.blogspot.pt/ J.Lopes, 30/6/2015 )


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