9 comentários:
De Debate p. políticas de Esquerda. a 30 de Setembro de 2014 às 15:54

Dez teses para um debate imprescindível

O contributo de José Castro Caldas enquadra bem o debate entre as esquerdas, suscitando breves apontamentos sob a forma de dez teses:

1. A história da integração europeia é sobretudo a história da transferência de poderes democráticos dos Estados para instituições supranacionais esvaziadas de democracia, ou seja, a história da integração europeia é parte da história da inscrição institucional do neoliberalismo no continente.

2. A escala europeia é a escala política ideal para muitas operações do capital dominante e as suas instituições estão calibradas para consolidar o poder disciplinar dos mercados sobre as classes populares, promovendo a consolidação de regras que transferem recursos de baixo para cima – dos mais pobres para os mais ricos – e de dentro para fora – dos países devedores mais frágeis para os países credores mais fortes.

3. As conquistas socioeconómicas dos de baixo dependeram da intensificação da democracia, associada à construção de Estados capazes e de comunidades políticas com vínculos densos, com possibilidade de institucionalizar a primeira pessoa do plural, mas estes processos estão vedados à escala europeia pela dependência em relação ao caminho percorrido, pela natureza dos arranjos institucionais europeus, pelas fracturas políticas criadas, pela inexistência de um sujeito político progressista real a operar nessa escala e pelo viés neoliberal dos processos políticos supranacionais.

4. Sem instrumentos de política económica – orçamental, monetária cambial, de controlo dos fluxos financeiros ou industrial – a soberania democrática inscrita na Constituição não tem base material sobre a qual assentar, sendo o país na prática governado a partir de fora, com a cumplicidade de elites políticas que agem como se não fossem de cá.

5. A violência socioeconómica deste arranjo é espacialmente desigual, atingindo sobretudo os países periféricos, precisamente os que mais necessitam de mobilizar instrumentos de política económica de desenvolvimento, sendo este último uma miragem no quadro de uma moeda estruturalmente forte e de arranjos feitos para consolidar a distância e a dependência em relação ao centro.

6. Uma dívida externa recorde, uma taxa de desemprego que é o dobro do máximo histórico antes do euro e uma economia cada vez mais atrofiada são outras tantas expressões de uma estrutura que não serve os interesses da maioria dos que aqui vivem.

7. Não é por acaso que um fundado eurocepticismo tem crescido muito nas áreas periféricas e, dentro destas, sobretudo entre as classes populares, estando esta tendência para ficar e para beneficiar quem lhe queira dar tradução política.

8. Se a esquerda quiser reconquistar a hegemonia terá de compreender que a questão nacional, a da reconquista de poder para a escala onde ainda está a democracia, e a questão social, a das possibilidades da maioria, estão hoje imbricadas; se a esquerda não o quiser, essa imbricação ficará entregue às manipulações de certas direitas, como tem acontecido em muitos países onde a esquerda continua enredada em fantasias federalistas sem sujeito social e sem alavancas políticas.

9. O momento da construção de uma vontade nacional e popular pela esquerda não remete para a autarcia, mas para uma renegociação da integração e para uma diminuição do seu alcance, permitindo heresias razoáveis como a política cambial que promova exportações e substitua importações, a socialização do sistema financeiro ou uma política económica de pleno emprego.

10. A reestruturação da dívida externa é o instrumento primacial para um país na nossa situação e a sua invocação será mobilizadora se inserida num projecto mais vasto, cuja estratégia tem de ser claramente enunciada, ainda que os seus tempos não sejam à partida claros, já que a rebeldia democrática requererá muita astúcia negocial guiada pelo interesse nacional, ou seja, pelo interesse de uma imensa maioria social.

Comentário para o debate de um dos temas (a dívida, a união europeia e a soberania) da conferência Governar à Esquerda que o Congresso Democrático das Alternativas vai organizar no dia 4 de Outubro, entre as 10h e as 17h30m, no Liceu Camões. --- http://www.congressoalternativas.org/

(- por João Rodrigues, 29.9.14, Ladrões B


De Media e ilusões: PS, militantes, economi a 2 de Outubro de 2014 às 16:07

A última ilusão?

António Costa será o novo líder do PS porque tem melhores resultados nas sondagens, e portanto está em melhores condições para derrotar Passos Coelho.
Com estas eleições, a sociedade portuguesa aprofundou a personalização do debate político. No entanto, há quem faça perguntas pertinentes:
"E que papel restará aos militantes, sem influência real e equiparados a simpatizantes,
senão calarem o que pensam para reforçarem o vício do carreirismo?
Que lhes sobra senão catarem o vento para ficarem do lado favorável ao sopro da última brisa eleitoralista?" (Pedro Tadeu, DN - 30 Set.).
Sabemos que há outras vias para promover a qualidade da democracia portuguesa, mas é para este lado que agora sopra o vento no PS.

A tendência para o aprofundamento da política-espectáculo é inevitável,
pelo menos enquanto permanecer a actual desregulação neoliberal dos media e o desinvestimento no serviço público de comunicação social.
Berlusconi ascendeu ao poder político através da televisão liberalizada e o actual primeiro-ministro italiano fez carreira política, ganhou as directas no Partido Democrático e derrubou o seu primeiro-ministro, em grande medida graças a excepcionais competências mediáticas.
A Itália atravessa uma gravíssima crise e boa parte do eleitorado italiano confiou em Matteo Renzi para se ver livre dela.
Infelizmente, o máximo que os italianos vão conseguir é alguma tolerância no cumprimento das metas do Tratado Orçamental, tendo em conta a deflação que se instala na zona euro.

O que a habilidade mediática não poderá comprar é uma política keynesiana de relançamento da economia
italiana porque esta foi proibida pela Alemanha como condição para abdicar da sua moeda.
Um dia destes, muitos eleitores de Renzi perceberão o logro e, face à dramática falta de comparência de uma esquerda eurocrítica,
lançar-se-ão nos braços de um qualquer salvador, mesmo que seja um palhaço.

A mediatização da política tornou-se causa e consequência da degradação da democracia:
a escolha das políticas há muito que não depende do voto dos cidadãos,
mas as televisões e os jornais escondem essa realidade
e criam a ilusão de que tudo se joga no dinamismo da liderança política.

Os sinais de que uma nova bolha financeira pode estar a atingir uma dimensão explosiva são abertamente discutidos nas colunas da opinião especializada (ver FT - 21 Set., "The glaringly obvious guide to the next crash"),
mas em Portugal isso não é relevado.
Além do futebol, a prioridade dos media foi o grande salto em frente na democracia portuguesa: as primárias do PS.

É pena que tenhamos ficado sem saber como pensavam os candidatos reindustrializar o país com o novo Quadro Comunitário de Apoio, conhecendo-se bem o que aconteceu ao peso da indústria com os anteriores.
O vencedor, como era de esperar, escondeu num discurso de piedosas generalidades a sua impotência para enfrentar a depressão em que estamos metidos.

Contando com o apoio da França, também ela necessitada da tolerância da Alemanha, António Costa e seus assessores esperam
uma coligação das periferias para torcer o braço ao eixo Bruxelas-Frankfurt-Berlim
e finalmente obter uma renegociação honrada da dívida externa,
uma leitura flexível do Tratado Orçamental e, quem sabe,
algumas derrogações que viabilizem uma política industrial.

Pela minha parte, admito que, para além dos interesses próprios,
"as diferenças na história, língua e cultura dos vários estados impediram e continuarão a
impedir os líderes de celebrarem os compromissos nas políticas orçamentais e de regulação necessários à viabilidade de uma zona monetária." (FT, 22 Set., "The fatal flaw that could doom the European project").

A rápida ascensão eleitoral do partido anti-euro, Alternativa para a Alemanha (AfD),
reduzindo a margem negocial de Merkel, empurrará Renzi e Costa para o mesmo destino de Hollande,
a queda em desgraça.
Será esta a última ilusão a perder
para, finalmente, Portugal enfrentar a realidade do fracasso do euro?


(O meu artigo no jornal i), por Jorge Bateira às 2.10.14 , Ladrões de B.) http://ladroesdebicicletas.blogspot.pt/2014/10/a-ultima-ilusao.html


De Coligar a esquerda e governar melhor. a 6 de Outubro de 2014 às 13:07
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--- (partido) Livre e Ana Drago vão juntos a eleições

O I congresso deixa claro que o partido concorrerá às próximas legislativas "em parceria" com o movimento Fórum Manifesto, de Ana Drago e Daniel Oliveira.
Mas está, também, aberto a "todas as hipóteses de convergência", pré ou pós-eleitorais com os outros partidos de esquerda.


Ler mais: http://expresso.sapo.pt/livre-e-ana-drago-vao-juntos-a-eleicoes=f892321#ixzz3FMhmB9lz
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BE: isolamento não é o caminho.

O coordenador do Bloco de Esquerda (BE) João Semedo acusou hoje Luís Fazenda e Pedro Filipe Soares, ambos da tendência criada pela UDP, de quererem quebrar a história de "direção partilhada" do BE, introduzindo uma "direção dominada".

João Semedo e Catarina Martins, que se recandidatam em conjunto à coordenação do BE, apresentaram hoje a sua moção à IX Convenção deste partido, numa sala cheia - ao seu lado no palco estiveram, entre outros, Marisa Matias, Mário Tomé, João Teixeira Lopes, José Manuel Pureza, Mariana Mortágua, Cecília Honório - em defesa da "harmonização de posições" e contra a "lógica de grupo" apontada à candidatura de Pedro Filipe Soares.

Questionado pela comunicação social se considera que essa candidatura desrespeita a história do partido que juntou UDP, PSR e Política XXI, João Semedo lembrou que, "durante quinze anos, a direção do BE foi partilhada com muita intimidade política" pelos seus fundadores.

Já Catarina Martins defendeu que que o BE deve ser um partido interveniente e ativo, sublinhando que o "isolamento não é o caminho".


Ler mais: http://expresso.sapo.pt/be-isolamento-nao-e-o-caminho=f892282#ixzz3FMjLG6AH


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