Governar à esquerda -vs- medos

--- O  verdadeiro  medo

 «Para a coligação PAF é essencial que o governo PS caia o mais depressa possível.   É fundamental, para o PSD, que o eleitorado do centro não tenha tempo para perceber que um governo (PS) apoiado pelos (bloquistas e) comunistas não comerá criancinhas, não nacionalizará, não deixará de cumprir no essencial os compromissos europeus. No limite, a possibilidade de as opções do novo governo não se distinguirem muito, em termos económicos, das do anterior governo são um cenário dantesco para a coligação.» -- Pedro Marques Lopes
       Não prestem demasiada importância à histeria, fúria e rasgar de vestes da coligação PàF, que se acentuarão ainda mais a partir de hoje.   Nem liguem muito ao mau perder e à indigência crescente do argumentário utilizado, que faz sentir vergonha alheia.    As razões profundas para tanta estridência e pavor são até bastante compreensíveis.   O verdadeiro medo da direita é que as coisas não corram mal.   Sobretudo quando alguns dos balões de oxigénio de que precisava como de pão para a boca, dos «mercados» à «Europa», em apoio da sua causa, lhes têm estado, até agora, a falhar.  (--
 Para todos os que têm criticado as políticas neoliberais da austeridade, e sofrido com as suas devastadoras consequências, a possibilidade de haver um governo em Portugal com base num acordo de incidência parlamentar determinado a repor os rendimentos da maioria dos trabalhadores e pensionistas, a recuperar o emprego, a combater a precariedade e a defender o Estado social e os serviços públicos, só pode ser motivo de esperança.   Uma esperança há demasiado tempo negada e, por isso mesmo, mais urgente e saborosa. - Sandra Monteiro, A prova do poder, Le Monde diplomatique - ed.port., Nov.2015.
       No seu artigo mensal, Sandra Monteiro não deixa de colocar um indispensável “porém” a seguir a este parágrafo:    seguindo a fórmula famosa, o pessimismo da inteligência é tão necessário para a transformação quanto o optimismo da vontade e este artigo articula-os muito bem.   Naturalmente, todo o destaque vai neste número para o dossiê sobre as potencialidades e os constrangimentos que se colocam a uma governação à esquerda:   o Ricardo Paes Mamede analisa as suas prioridades,  Maria Clara Murteira escrutina as escolhas na área das pensões mínimas da Segurança Social,   enquanto Pedro Cerejo trata dos fantasmas agitados pelo comentário mediático reaccionário.  (-


Publicado por Xa2 às 07:45 de 10.11.15 | link do post | comentar |

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