Segunda-feira, 25 de Maio de 2015

Universidade de Verão: «É tempo de governar?»  (-N. Serra, 23/5/2015)

 
    No esteio das edições de anos anteriores, a Associação Fórum Manifesto promove mais uma Universidade de Verão, que se realizará na Pousada da Juventude de Almada nos próximos dias 29 e 30 de Maio.
     Este ano, o evento é dedicado a um conjunto de debates que se perspectivam como fundamentais no ciclo de governação que se avizinha, mantendo-se os traços de abertura, encontro e pluralismo que marcam, desde o seu início, as universidades de Verão da Manifesto.
     A entrada é livre e as inscrições podem ser feitas aqui. Apareçam e divulguem. São todos muito bem-vindos.
Reduzir a TSU dos trabalhadores:  o início de uma reforma  subversiva (-J.Bateira)
Nos anos '50, a Universidade de Chicago ('escola' neoLiberal) participou num programa de ajuda do governo dos EUA visando formar um grupo de economistas de alto nível para ensinarem na Universidade Católica de Santiago (do Chile) e enfrentarem a teoria económica de esquerda, preponderante na América Latina daquele tempo. (...)
       Começaram a defender publicamente o monetarismo e, anos mais tarde, no regime ditatorial de Pinochet, com a ajuda de colegas dos departamentos de economia de grandes universidades americanas, foram elaborando propostas para uma viragem radical na política económica do Chile [incluindo uma reforma das pensões]. (...) O novo sistema eliminou a velha segurança social substituindo-a por contas privadas individuais [descontos para si mesmo]. Quem tinha contribuído para o sistema anterior recebeu ‘títulos de dívida’ do Estado que foram depositados nas contas e rendiam quatro por cento. As receitas do novo sistema foram geridas por fundos de pensões privados. A taxa do desconto para a pensão foi fixada em 10% do salário, adicionada de 3% para um seguro de vida e invalidez. Isto reduziu substancialmente os descontos e aumentou o montante do salário líquido, o que tornou o novo sistema muito popular entre as classes trabalhadoras. ... -(Mitchell Orenstein, 2005)
      Um outro importante revés na campanha de privatização das pensões veio do Chile, aquele muitíssimo simbólico lugar, onde um governo de centro-esquerda da Presidente Michelle Bachelet iniciou em 2006 uma grande reforma do pioneiro sistema privado de pensões. Na introdução ao Relatório da Comissão de Reforma das Pensões, Bachelet anunciou que o sistema privatizado tinha “baixa cobertura ... pouca concorrência e grandes encargos em comissões ... e discriminava as mulheres”, uma incrível confissão para um país cujo sistema de pensões se tinha tornado um modelo internacional. -(Mitchell Orenstein, 2011)
    De  lá para cá  e  de  cá para lá    (-J.Rodrigues,  Ladrões de B.)
"Syriza tem que fracassar, senão, como os governos dos outros países da União Europeia continuarão dizendo a seus povos que não alternativa?"
     Vale a pena seguir o Blog do Emir, ... sobre o que se passa do lado de lá e do lado de cá. ... ao contrário de cá, lá as forças progressistas tiveram, apesar de todas as dificuldades, vitórias significativas desde a viragem do milénio.   Cá, as derrotas têm-se sucedido.   Uma das razões é indirectamente apontada por Sader:   “Uma certa esquerda europeia tem dificuldade de compreender o caráter nacionalista, antimperialista, popular, dos governos pós-neoliberais.” Uma certa esquerda europeia ainda dominante não acerta na chave ganhadora da política nas semiperiferias e nas periferias do sistema mundial.   Entretanto, o Syriza, claro, não tem de fracassar: basta só levar o seu carácter objectivamente nacionalista, antimperialista e popular até às suas consequências mais óbviasPrecisamos mesmo no lado de cá de governos pós-neoliberais, ou seja, de governos que reconquistem a margem de manobra que só a reconquista de instrumentos de política (monetária, financeira e económica) pode conceder.

----      Noruegueses, esses comunas   (J.Mendes, 25/5/2015, Aventar)

- O que faz com que a Noruega surja sempre no topo dos índices de desenvolvimento?



Publicado por Xa2 às 07:46 | link do post | comentar

8 comentários:
De DesGoverno neoLib e angariador seguros. a 1 de Junho de 2015 às 17:07
Os angariadores de seguros

(-31/05/2015, JJ Cardoso, Aventar, )

Os neoliberais têm uma avença com as companhias de seguros:
eles vendem-lhes os produtos PPR e seguros de saúde, elas lá arranjam forma de retribuir,
e mesmo que não o façam directamente tratando-se de defender um negócio o verdadeiro neoliberal também trabalha à borla.

O que está a dar é demonstrar que a Segurança Social está condenada ao fracasso.
No caso português imaginemos um tipo espancado até à morte, e que antes do golpe final ainda tem de ouvir: estás a ver, a tua vida era insustentável.

Utilizaram a cobardia de quem chamou a troika porque não tinha fundos para pagar a dívida (estamos bem pior), utilizaram a troika para ir para lá dela
depois de uma campanha eleitoral onde prometeram que não o fariam, e com a destruição propositada do emprego conseguiram,
além do objectivo óbvio de baixar os salários o bónus de colocar a Segurança Social em muito maus lençóis.
Seja porque somos menos a contribuir (menos 600 000 desde 2008), seja porque alguns ainda recebem subsídio de desemprego.

A teoria geral do neoliberalismo é a de que a Segurança Social é um esquema tipo D. Branca.
É falso, as contas estão feitas, haja pleno emprego e aumento de produtividade e a viabilidade existe.
Mas é verdade que o risco de políticas que levem à destruição do emprego e por tabela da segurança social existe.
Destruir a segurança social foi um dos objectivos conseguidos de Pinochet e os seus discípulos, na versão pseudo-democrática que se disfarça de liberal, insistem.

Sucede que a História não acabou. Acontece que os reformados votam.
E a lavagem ideológica que levam perde a eficácia no momento em que vêm os seus direitos ameaçados. Isso sabia evitar Pinochet, mas já não o conseguiu Thatcher.

Não vou fazer nenhum PPR porque confio na viragem da História. Mas principalmente por outra razão:
é que as companhias de seguros também vão à falência.
Quem quiser acreditar no mercado, que reze, eu prefiro acreditar na democracia.
--------JJCardoso:
... (os fundos de pensões privados vão à vida) Como de resto foram no Chile, obrigando a que o estado tivesse de intervir novamente.
Estas continhas são muito fáceis de fazer:
o objectivo das seguradoras e afins é o lucro.
O objectivo da Segurança Social é o mesmo menos o lucro.
Qual é que tem mais viabilidade?
---------
... Diz o PSD, (e o PS não o nega), que é preciso cortar anualmente cerca de 600 milhões de euros nas pensões.
Ora se fizermos as contas ao que os contribuintes estão a pagar por causa de uns SWAPS, por causa das burlas e roubos dos bancos, por causa das pornográficas rendas das PPPs,
(ainda mais pornográficas porque as taxas de juros estão em queda livre e já atingem níveis negativos),
por causa do elevadíssimo custo da energia (as albufeiras estavam cheias e o petróleo estava a baixar em Janeiro e no entanto a energia aumentou 3%!).
Isto sem falarmos na tremenda corrupção que atinge a mais elevada hierarquia do Estado e que, segundo a amnistia internacional equivale, nestes casos, a uma percentagem considerável do PIB.
(Veja-se o caso Sócrates e suas conexões, os submarinos, os vistos e todo o tráfico de influências que, por serem muitos, depenam o país a sangue frio).

Garanto-lhe que andam por aí, nesses casos, muitos 600 milhões de euros a voar.
– Estarei a mentir se disser que, só o roubo do BPN daria para pagar esses 600 milhões de euros durante 10 anos?
– E os Swaps?… e o resto?
Se esse dinheiro estivesse do lado do Estado os impostos podiam ser reduzidos e ainda iríamos encontrar verbas para financiar a SS durante muitos anos.
--------
...Sim, multinacionais seguradoras, mas não só, empresas com alguma dimensão incluindo as nacionais, procuram muitas vezes ABUSAR de POSIÇÃO DOMINANTE.
No mercado das comunicações então é vergonhoso, mas isso seria outro post.
--------
Os acontecimentos na terra da “liberdade”USA dizem nos que o Estado nacionalizou a AIG, metendo lá OITENTA MIL MILHÕES, para que não fosse à falência; quantia que pertencia em parte aos milhões de pobres norte americanos. São os PPR minha senhora…
------ Destruir SS Pública:
[…] …com manobras contabilísticas e subfinanciamento para demonstrar a sua insustentabilidade e a inevitabilida do recurso aos fund pens priv


De Desgoverno e Elites Saqueadores. a 1 de Junho de 2015 às 18:00

Este artigo não foi escrito pelo guarda nocturno da minha área de residência, nem por um qualquer esquerdista com explosivos escondidos nos sapatos.
Foi escrito por uma pessoa com responsabilidades, Procurador Geral da República, tem 66 anos de idade e não me parece ter a doença do alemão... Merece uma leitura.

----------- “A broa dos velhos”
Por Alberto Pinto Nogueira

A República vive da mendicidade. É crónico.
Alexandre de Gusmão, filósofo, diplomata e conselheiro de D. João V, acentuava que, depois de D. Manuel, o país era sustentado por estrangeiros.
Era o Séc. XVIII. A monarquia reinava com sumptuosidades, luxos e luxúrias.
A rondar o Séc. XX, Antero de Quental, poeta e filósofo, acordava em que Portugal se desmoronava desde o Séc. XVII. Era pedinte do exterior.

A Corte, sempre a sacar os cofres públicos, ia metendo vales para nutrir nobrezas, caçadas, festanças e por aí fora….
Uma vez mais, entrou em bancarrota. Declarou falência em 1892.

A I República herdou uma terra falida. Incumbiu-se de se autodestruir. Com lutas fratricidas e partidárias.
Em muito poucos anos, desbaratou os grandes princípios democráticos e republicanos que a inspiraram.

O período posterior, de autoritarismo (corporativismo, fascismo), traduziu uma razia deletéria sobre a Nação. Geriu a coisa pública por e a favor de elites com um só pensamento: o Estado sou eu.
Retrocedia-se ao poder absoluto.
A pobreza e miséria dissimulavam-se no Fado, Futebol e Fátima.

As liberdades públicas foram extintas. O Pensamento foi abolido. Triturado.
O Povo sofria a repressão e a guerra. O governo durou 40 anos! Com votos de vivos e de mortos.

A II República recuperou os princípios fundamentais de 1910, massacrados em 1928.
Superou muitos percalços, abusos e algumas atrocidades.
Acreditou-se em 1974, com o reforço constitucional de 1976, que se faria Justiça ao Povo.

Ingenuidade, logro e engano.
Os partidos políticos logo capturaram o Estado, as autarquias, as empresas públicas.
Nada aprenderam com a História. Ignoram-na. Desprezam-na.

Penhoraram a Nação. Com desvarios e desmandos.
Obras faraónicas, estádios de futebol, auto-estradas pleonásticas, institutos públicos sobrepostos e inúteis, fundações público-privadas para gáudio de senadores, cartões de crédito de plafond ilimitado, etc.
Delírio, esquizofrenia esbanjadora.
O país faliu de novo em 1983. Reincidiu em 2011.

O governo arrasa tudo.
Governa para a troika e obscuros mercados.
Sustenta bancos. Outros negócios escuros.
São o seu catecismo ideológico e político.

Ao seu Povo reservou a austeridade. Só impostos e rombos nas reformas.
As palavras "Povo” e “Cidadão” foram exterminadas do seu léxico.

Há direitos e contratos com bancos, swaps, parcerias. Sacrossantos.

Outros, (contratos com trabalhadores e velhos) mais que estabelecidos há dezenas de anos, cobertos pela Constituição e pela Lei, se lhe não servem propósitos, o governo inconstitucionaliza aquela e ilegaliza esta.
Leis vigentes são as que, a cada momento, acaricia.
Hoje umas, amanhã outras sobre a mesma matéria.
Revoga as primeiras, cozinha as segundas a seu agrado e bel- prazer.
É um fora de lei.

Renegava a Constituição da República que jurou cumprir.
Em 201
1, encomendou a um ex-banqueiro a sua revisão.
Hoje, absolve-a mas condena os juízes que, sem senso, a não interpretam a seu jeito!!!

Os empregados da troika mandam serrar as reformas e pensões. O servo cumpre.
Mete a faca na broa dos velhos.
Hoje 10, amanhã 15, depois 20%.

Até à côdea. Velhos são velhos. Desossem-se. Já estão descarnados.
Em 2014, de corte em corte (ou de facada em facada?), organizará e subsidiará, com o Orçamento do Estado, o seu funeral colectivo.

De que serviu aos velhos o governo?
E seu memorando?

----------
Alberto Pinto Nogueira é Procurador-Geral – Adjunto
no Tribunal da Relação do Porto, nasceu em 26/04/47 e é natural de V. N. de GAIA.




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