Domingo, 21 de Junho de 2015

Solidários com a Grécia

 

«Em funções há cinco meses, o governo da Grécia tem procurado consensualizar na União Europeia uma renegociação da dívida e um caminho alternativo à austeridade.
Desde o primeiro dia, as instituições europeias e o FMI mantêm total intransigência e desafiam o mandato democrático do povo grego, procurando impor novos cortes nas pensões, entre outras medidas recessivas.   O garrote financeiro agrava a situação económica e social na Grécia e serve de chantagem política contra todos os povos da União.   Vivemos a hora decisiva em que cabe à mobilização impedir a expulsão da Grécia da moeda única.   Só a democracia dos povos da Europa pode evitar a punição de um país inteiro pela recusa de mais austeridade e miséria.»      ... já está disponível em português,... a intervenção de Yanis Varoufakis na última reunião do Eurogrupo. ...para quem queira perceber o que está em causa na Europa.

     Grécia responde nas ruas às ameaças dos credores    ( Manifestação contra a chantagem dos credores - 17 junho 2015

     Para além de membros do Syriza, os protestos contaram com a participação de vários sindicatos e movimentos sociais e também com o partido Gregos Independentes. As palavras de ordem mais ouvidas, segundo a agência ANA-MPA, foram “A dignidade não se vende” e “As nossas vidas não são dos credores”. Mas viam-se também faixas e cartazes em inglês e alemão, pedindo mais democracia para a Europa.

     “Estar aqui hoje significa duas coisas”, disse um dos manifestantes à agência de notícias grega.  “Por um lado, fazemos pressão para o governo não recuar.  O povo irá estar aqui na Praça Syntagma como esteve há cinco anos.  Mas por outro lado, mostramos aos nossos credores que o governo não está sozinho e que tem o apoio do povo”.

    Também presente na manifestação de Atenas, Francisco Louçã descreveu no Facebook o ambiente vivido na Praça Syntagma:   “Havia alegria, gente de todas as idades, deputados junto com multidão de grupos politicos diferentes, e em todos uma sensação forte:   não pode continuar a indefinição, não se deve atrasar mais uma solução. Nos altifalantes, nenhum discurso, mas canções gregas e, no meio delas, o Bella Ciao.   O  economista e fundador do Bloco de Esquerda foi convidado pela presidente do parlamento da Grécia a participar na sessão da Comissão de Auditoria e Verdade da Dívida, onde intervirá esta quinta-feira.

     Em comunicado, o Syriza afirma que as manifestações em Atenas, Salónica e outras cidades deram “uma mensagem de recusa da cultura do medo e da chantagem, mostrando que ninguém pode roubar o direito democrático a um povo de decidir sobre o seu futuro. O apoio da maioria da sociedade grega é a arma mais poderosa nas negociações que o governo leva a cabo”.

  “Eles têm MEDO que o «vírus do Syriza» se espalhe pela Europa”: ..., tac,tic,tac,tic,...

Porta-voz do grupo parlamentar do Syriza diz que as manifestações de solidariedade com a Grécia por toda a Europa assustaram os poderes que dominam a UE.

Manifestação em Lisboa(Abrupto)

Grécia: o “golpe de Estado” que não será televisionado  (-por Sarah Adamopoulos )

Porque é financeiro, conta com o apoio do presidente da Comissão Europeia, do ministro das Finanças da Alemanha, das agências de notação financeira, dos governos (entre os quais o português), da Oposição interna ao Syriza, e dos jornalistas (com destaque para a imprensa alemã e francesa) comprometidos com o sistema. Mais, aqui (e em comentário; em francês).
        Uma tragédia clássica em perspectiva   (-por Pedro Figueiredo, 365forte, 18/6/2015)
  « Se  Lutas  podes  perder (ou ganhar qq coisa)  se  Não  Lutas  estás  Perdido ! »

 O desfecho de uma possível saída da Grécia da zona euro tem tudo para se tornar uma tragédia clássica tal como Aristóteles a descreveu. E não necessariamente para os gregos, ainda que a situação financeira do país fique por resolver mesmo abandonando a moeda única. Isto porque a ideia de Europa, em consonância com os desígnios de quem a pensou na sua forma original, tinha tudo a ver com a solidariedade entre os povos.   Churchill dizia que em tempo de paz o que deve prevalecer é a boa vontade. No entanto, esta parece estar a ser sacrificada pelo simples facto de um país recusar impor aos seus cidadãos a agonia de um estrangulamento económico que apenas agrava (e compromete seriamente) o desejado (por todas as partes) pagamento das obrigações.

    Ainda ninguém conseguiu avaliar a real dimensão da saída da Grécia do Euro e há opiniões para todos os quadrantes ideológicos. Porque, que se queira quer não, é de ideologia que se trata e não de simples contabilidade orçamental. O Syriza, radical ou moderado, teve o mérito de afrontar o discurso vigente das inevitabilidades que desde 2008 tem sido vendido à opinião pública. O resultado dessas inevitabilidades vem hoje muito bem descrito na primeira página do The Guardian. Brevemente podem fazer o mesmo com Portugal.

É possível que a saída da Grécia seja um caso isolado. Que não haja perigo de contágio ou, mesmo a haver, a boa vontade que parece não haver com os gregos agora, tenha que obrigatoriamente surgir mais tarde com as economias mais débeis da zona euro, com Portugal (de cofres cheios) obviamente na linha da frente das vítimas. O certo é que para a história ficará uma ferida das que deixam marcas num projecto comum (importante), no qual se deixou cair um parceiro por razões meramente contabilísticas. Como no elo mais fraco: “adeus”. Sem que se tenham ouvido vozes suficientes para a defesa de um Estado membro da União (monetária, neste caso).

Para os mais acérrimos defensores da lógica mercantilista é sempre bom lembrar que existem na equação activos intangíveis. Que discurso terá a Eurogrupo depois de permitir a saída da Grécia do Euro? Que solidariedade pode defender sem manchas de ridículo por ter desistido do sexto mais populoso país dos 19 da moeda única? Não será difícil adivinhar quem será o maior prejudicado desta tragédia clássica que se perspectiva. Entre Euro e Grécia, o futuro o dirá.



Publicado por Xa2 às 08:54 | link do post | comentar

6 comentários:
De Grécia: golpe d'Estado não televisionado a 18 de Junho de 2015 às 11:20

Grèce : le coup d’État ne sera pas télévisé

Les rumeurs d’élections distillées depuis deux jours par les créanciers de la Grèce, l’inquiétude pour les «Grecs qui souffrent» exprimée avant-hier sur les ondes d’une radio française par le président de la Commission (qui a bien pris soin d’ajouter que c’était du «peuple» qu’il se souciait, et non de son «gouvernement» ni de son «Parlement»), la récente douche froide de Bruxelles (la délégation hellénique face à des interlocuteurs expliquant qu’ils n’avaient pas mandat pour négocier, l’interruption consécutive de cette réunion au bout de 45 minutes), le report des négociations à la fin juin, la campagne de dénigrement du gouvernement grec orchestrée par le FMI, la Commission européenne et les principaux quotidiens allemands et français («Die Welt», «Bild», «Le Figaro», «Le Monde»), campagne à laquelle le chef de file des sociaux-démocrates allemands vient d’apporter une lourde pierre et dont l’intensité a manifestement franchi un cap depuis deux ou trois jours ― tout cela, combiné à la fuite des capitaux en cours et à l’effondrement de la Bourse d’Athènes, montre que ce à quoi nous assistons aujourd’hui n’est rien d’autre qu’une tentative de coup d’État financier et politique perpétrée contre le gouvernement grec, un gouvernement élu par le peuple il y a à peine moins de cinq mois.

L’objectif semble bien être de faire tomber le gouvernement d’Alexis Tsipras en utilisant le levier de la panique bancaire et, en sapant les fondements mêmes de l’économie du pays, de réduire à néant le soutien politique que le peuple grec continue d’apporter à ses représentants.

Il s’agit d’un coup d’État invisible, sans tanks dans les rues d’Athènes, sans bain de sang, sans images, dans le droit fil de la stratégie insidieuse d’étranglement adoptée par nos «partenaires» dès le 18 février (suspension par la BCE du principal mécanisme de financement des banques grecques), dans le droit fil aussi de la stratégie qui avait conduit ces mêmes partenaires à court-circuiter en 2011 les procédures démocratiques pour placer un banquier et un technocrate (Lukas Papademos, Mario Monti) à la tête des gouvernements grec et italien.

Une tentative de coup d’État que les peuples de l’Union européenne, et le peuple grec lui-même, sont d’ores et déjà invités à cautionner.

Ces peuples doivent aujourd’hui prendre conscience que leurs représentants font aujourd’hui tout ce qui est en leur pouvoir pour renverser, au cœur de l’Europe, un gouvernement démocratiquement élu.

Dimitris Alexakis, Athènes, 16/6/2015
https://oulaviesauvage.wordpress.com/2015/06/16/grece-le-coup-detat-ne-sera-pas-televise/
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Oui la finance est un moyen d'oppression : on l'a vu quand l'UE a coupé un des moyens d'accès aux liquidités en Grèce. C'était il y a 4 mois après la victoire électorale de Syrisa.

Maintenant ces mêmes moyens sont à l'oeuvre mais avec une différence majeure : le théatre d'opération est médiatisé, les acteurs sont jugés et la Grèce a marqué des points dans l'opinion publique.
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L'objectif des dirigeants de la zone euro reste donc le même : renverser ce gouvernement, coûte que coûte

http://www.latribune.fr/economie/union-europeenne/grece-la-nouvelle-strategie-des-creanciers-484444.html

“It is increasingly clear that Tsipras is not a leader that the euro area can ‘do business with’

http://www.bloomberg.com/news/articles/2015-06-15/out-of-options-and-time-tsipras-faces-greece-s-moment-of-truth
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De Solidariedade com os Gregos a 18 de Junho de 2015 às 15:33
Esquerda alemã protesta no parlamento alemão (Bundestag) em solidariedade com a Grécia

Os deputados do Die Linke ergueram cartazes de solidariedade com a Grécia num debate parlamentar com Angela Merkel, a poucas horas do início da reunião do Eurogrupo. E Alexis Tsipras escreveu um artigo num diário alemão a explicar aos leitores que não são eles que pagam as pensões dos gregos.

18 de Junho, 2015

Protesto dos deputados do Die Linke esta quinta-feira no parlamento alemão.

A ação dos deputados do Die Linke durante o plenário do Bundestag ocorreu no fim da intervenção do deputado Diether Dehm, que acusou o FMI de levar a cabo uma “política criminosa” ao querer cortar as pensões e aumentar o IVA da eletricidade à Grécia.

O protesto coincide com a cimeira dos ministros das Finanças da zona euro, a decorrer no Luxemburgo, que não deverá trazer novidades sobre as negociações entre Atenas e os credores. Varoufakis, Schäuble e Dijessembloem já fizeram declarações no sentido de que não esperam grandes progressos nesta reunião, com o ministro grego a dizer que a questão será decidida politicamente ao mais alto nível. Depois de rejeitarem todas as propostas que os negociadores gregos fizeram para cobrir a diferença nas metas orçamentais, Christine Lagarde e o líder do Eurogrupo continuam a dizer que estão à espera de mais propostas de Atenas.

Antes do protesto no parlamento alemão durante a apresentação de uma declaração política do governo, o líder do partido Gregor Gysi já tinha alertado para as consequências para a integração europeia de uma saída da Grécia da zona euro.

Na edição de hoje do diário Der Tagesspiegel, Alexis Tsipras escreveu um artigo para tentar desmontar o mito de que os gregos se reformam muito cedo e recebem pensões altas, com a conta a recair sobre os contribuintes alemães. O primeiro-ministro alemão explica que as pensões e subsídios sofreram cortes de 50% em média e que os números da despesa com as pensões na Grécia, que aumentou em relação ao PIB quando este caiu drasticamente por causa das políticas de austeridade. Tsipras apresenta as suas propostas de reforma no sistema, enquanto argumenta que independentemente delas, o verdadeiro problema da segurança social grega está na quebra de receitas provocada pelo desemprego e os baixos salários praticados no país.

No próximo sábado, dia mundial dos refugiados, o Die Linke e outros partidos e movimentos convocam uma manifestação em Berlim contra as mortes no Mediterrâneo e as políticas de imigração europeias, que coincide também com o início da semana de solidariedade com a Grécia, país que tem sido, a par de Itália, o primeiro destino dos refugiados sírios na Europa.


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