Grécia luta, elites ibéricas defendem ditadura financeira

Portugal e Espanha, guardas pretorianos da austeridade  (-Fernando Sobral )

   Escape From Austerity (par Georgopalis pour Real.gr)

Escape From Austerity (par Georgopalis pour Real.gr)

      «[Para Passos Coelho] a austeridade é o princípio e o fim da sua política. E (...) a ideologia única da União Europeia e da Zona Euro. Nesse aspecto Lisboa e Madrid parecem irmãos. Lutam, entre ambas, para ser a Finlândia do Sul.
     Passos Coelho recusa-se a ir a uma conferência sobre a dívida da Grécia e insulta num estilo agreste o novo governo desse país. O espanhol Luis de Guindos terá sido, no Eurogrupo, um dos mais radicais contra as mudanças de posição sobre a dívida grega.
     Para eles a sangria é a melhor forma de curar um doente. Passos Coelho tem a experiência da sua farmácia fiscal em Portugal: o país só não pereceu por milagre.
     Portugal e Espanha tornaram-se as patrulhas ideológicas da Alemanha. Passos Coelho será condecorado por isso. Esta posição de guarda pretoriano da austeridade tem, no entanto, uma causa: as eleições. Passos Coelho teme que se a Europa ceder algo à Grécia fique demonstrado que toda esta austeridade brutal foi um equívoco que teve a ajuda de mordomos portugueses. E aí a oposição ficará com mais trunfos para o esmagar eleitoralmente. Por isso, Passos Coelho quer livrar-se da sua culpa. Da demente "destruição criativa" que implodiu o contrato social em Portugal
                   Grécia: o fim da austeridade?
Em 1974, a Grécia e Portugal saíram de duas ditaduras. Com as eleições de Janeiro de 2015, a Grécia venceu uma batalha decisiva, quaisquer que sejam as seguintes.
Nós (tugas) não vemos a luz ao fundo do túnel.  Foi o que pensei ao ver este magnífico documentário. A não perder.
----------- 
 * Syriza has bold solutions to the forces of austerity that are strangling Europe (Costas Lapavitsas)
 * Furacão Tsipras (Francisco Louçã)
 * It's Time To Compromise on Greece (Dirk Kurbjuweit)


Publicado por Xa2 às 07:43 de 05.02.15 | link do post | comentar |

18 comentários:
De Nós e os Gregos a 16 de Fevereiro de 2015 às 16:45

João Galamba, Transformação conjuntural:

«(…) Quando pomos os dados de 2014 em perspectiva, percebemos que, em primeiro lugar, Portugal não está a viver qualquer retoma, está apenas a constatar que a travagem na austeridade - imposta ao Governo pelo Tribunal Constitucional e pelo aproximar das eleições - produz efeitos positivos na economia. Em segundo lugar, tudo parece indicar que o esse crescimento, para além de anémico, não tem bases mais sustentáveis do que as do passado.

Chegados a 2015, constatamos que a economia portuguesa tem exactamente os mesmos problemas que tinha: cresce pouco, até menos do que no passado, e não consegue crescer sem que as importações disparem. Entretanto, o Investimento Estrangeiro, o tal que viria salvar uma economia descapitalizada, tendo em conta as últimas notícias, não parece dar sinais de vida. Este governo limitou-se a destruir e a fazer ajustamentos que, por serem social e economicamente insustentáveis, têm forçosamente de ser conjunturais.»

----
«O que aconteceu na GRÉCIA, nesta versão, é culpa do povo, não dos anteriores governos gregos. Percebe-se, porque o povo votou mal e derrotou o governo preferido por Cavaco Silva e Passos Coelho: o tandem troika-Nova Democracia.
Sim, porque se o PASOK tem culpas no passado,
a Grécia era até Janeiro governada por um governo membro do Partido Popular Europeu (de que faz parte Merkel, Rajoy, Passos Coelho e Portas)
que foi apoiado pelos partidos no poder na Alemanha, Espanha e Portugal.
E mais:
foi governado pela troika, em conjunto ou em cima, e se os resultados deixaram a Grécia com a gigantesca dívida que tem, e sem “ter feito o trabalho de casa”, a culpa é de quem?
Do Syriza? Silêncio.
E os gregos não querem austeridade, o pecado mortal da Grécia para Cavaco e Passos.
Mas o que é que eles tiveram nos últimos anos:
despedimentos, falências, encerramentos, corte de serviços fundamentais, cortes na educação, na saúde, na segurança social, uma queda brutal do produto Interno Bruto?
De onde é que isto veio, do esbanjamento e da preguiça inata aos gregos?
Como é que se chama a isto, senão uma dura, penosa, cega, punitiva austeridade?
Na verdade, como Passos Coelho diz com todas as letras: foi pouco, têm ainda que ter mais.

Mas o que nem Cavaco nem Passos dizem, é aquilo que é evidente:
não resultou, nem resulta, nem resultará.
É uma receita errada quer em Portugal, quer na Grécia.
Mas era a continuação dessa receita, aquilo a que chamam “cumprir as regras”, que Passos queria para a Grécia, com aquela cegueira que têm os acólitos e que continua mesmo quando os mestres já estão noutra (...).
Ora, a questão não é a de validar o programa do Syriza, ou assinar por baixo de Tsipras e Varufakis, mas a de saber se, no fim de tudo, os gregos têm ganhos de causa ao terem votado como votaram.

E se sim, como é que ficam os que tinham para eles
a receita de tudo continuar na mesma, votando na Nova Democracia, na obediência à troika, e na política até agora intangível da Alemanha.
Esse é que é o mal grego que Cavaco e Passos querem extirpar.»

José Pacheco Pereira, Público, via
http://portugaldospequeninos.blogs.sapo.pt/ 14/2/2015
------------
António Guerreiro, A Grécia como paradigma:
http://corporacoes.blogspot.pt/ 13/2/2015

«(…) Todos aqueles que, por cá, dizem que “nós não somos a Grécia” ou são ignorantes ou apenas querem esconder o que estamos a caminho de ser: porque a Grécia não é um “caso” excepcional, é um paradigma e um laboratório. Nela podemos ver a antecipação e a forma extrema (isto é, aquela onde uma realidade ainda imprecisa se revela) da reconfiguração em marcha das sociedades ocidentais, onde já se começou a passar ao acto e a planificar a eliminação lenta, discreta e politicamente correcta dos supranumerários, cuja existência faz ascender ao vermelho as somas necessárias para manter os dispositivos de protecção. Velhos, reformados, doentes crónicos, deficientes, desempregados dificilmente recicláveis, imigrantes, segmentos da juventude não qualificada: todos eles representam heterogeneidades parasitárias que não podem ter lugar no quadro ideal de crescimento e produção de riqueza exigidos pelo capitalismo ultraliberal. Impõe-se, por isso, a sua eliminação. É o que está a acontecer, aqui e agora, diante d


De Grécia,Troika e maus caseiros tugas. a 16 de Fevereiro de 2015 às 16:53
«A Grécia está no estado que Portugal estaria
se a desvairada paixão pela austeridade de Passos Coelho
não tivesse sido (parcialmente) travada pelo Tribunal Constitucional»

• João Galamba, 16/2/2015: O cachecol de Varoufakis:

«Vale a pena comparar as declarações de Obama e de outros responsáveis da Casa Branca sobre a Grécia com as de Passos Coelho, Cavaco, Machete, Marques Guedes e afins. Os americanos, que percebem o que está em causa, saem em defesa do projecto europeu (e dos Gregos) denunciando a irracionalidade da austeridade e a falta de bom senso dos países credores. Os representantes lusitanos, com Cavaco à cabeça, fazem o oposto e, em vez de se solidarizarem com a Grécia — percebendo que é isso que serve o interesse da Europa (e de Portugal) —, comportam-se como alemães e fingem que também são credores, se necessário inventando dados. Parece que os EUA podem voltar a estar condenados a salvar a Europa da sua própria estupidez.

O Governo e o Presidente da República, não se solidarizando com a Grécia, não defendem o interesse nacional e não defendem o interesse europeu; limitam-se a defender-se a si próprios, a defender a sua narrativa moralista (e errada) sobre a crise e a tentar, por todos os meios (mesmo os mais mesquinhos), salvar a face. É triste, mas, até às eleições, é certo que não teremos governantes que percebam que o caso grego não é mais do que a redução ao absurdo das políticas que foram implementadas em Portugal.

Nós somos a Grécia, pela simples razão que os gregos estão como estão, não porque não tenham cumprido, não porque não tenham feito o suficiente, não porque não se tenham esforçado, mas porque tentaram, mais do que todos os outros, responder à crise com austeridade e "reformas estruturais" (leia-se desregulação do mercado laborai e esmagamento de direitos sociais). A Grécia está no estado que Portugal estaria se a desvairada paixão pela austeridade de Passos Coelho não tivesse sido (parcialmente) travada pelo Tribunal Constitucional. Aliás, uma parte das medidas do governo grego não são mais do que a reposição de medidas que, em Portugal, foram consideradas inconstitucionais.

Sim, os gregos foram quem mais cortou na despesa pública, foram quem mais reduziu o défice e, segundo a OCDE, foram quem mais apostou nas salvíficas e redentoras reformas estruturais. Os resultados são aqueles que se conhece. Segundo a lógica de Passos Coelho, os gregos deviam ser uma hiper-Alemanha. Mas não, são apenas Portugal, mas em muito pior. É por esta razão que a solidariedade com os gregos, para além de inteiramente justificada, é também uma forma de defender Portugal. E tudo isso, no fundo, é única forma que hoje existe de defender a Europa. A vergonha portuguesa não é a de ser um país incumpridor, é a de ser um país cujos governantes se comportam como o caseiro que acha que é o dono da quinta. Triste destino, o dos que acham que nas costas dos outros não vêem as suas.»
----------

«Não me parece haver incoerência quando Atenas diz em voz alta aquilo que nós ciciamos, que a troika é: um desastre»
• António Correia de Campos, Os gregos:

«(…) A moral sempre foi a arma preferida da direita contra os que não dobram no essencial. Não sei se este arquétipo se vai confirmar. Ninguém o sabe. Mas não aceito que sejam apodados de impreparação, oportunismo e experimentalismo por aqueles que tudo ultrapassaram em falta de preparação e de nervo para gerir a Europa; de falta de coragem de quem arrisca tudo - família, carreiras internacionais garantidas, tranquilidade - para safar o grande navio dos baixios onde encalhou. Não me parece haver incoerência quando dizem em voz alta aquilo que nós ciciamos, que a Troika é um desastre, que a doutrina económica prevalente está furada, que afinal são os grandes que lucram com o empobrecimento dos periféricos. Se assim fosse não enchiam a praça do seu parlamento todas as semanas, não teriam o apoio de 75% dos cidadãos, veriam os vermes a sair da terra onde mergulharam, depois de anos de má governação da Nova Democracia e de um intervalo desmoralizante de governo PASOK e de uma posterior e irrelevante coligação. (…)»


De Estabilizar Capitalismo/Estado social a 10 de Fevereiro de 2015 às 14:20
YANIS VAROUFAKIS DEFENDE ESTABILIZAÇÃO DO CAPITALISMO EUROPEU


O novo ministro das Finanças da Grécia explica, em poucas palavras, a sua visão da natureza da presente Crise Europeia, e porque defende que a tarefa actual da esquerda é a de estabilizar o capitalismo europeu:

"Na verdade, partilho a opinião de que esta União Europeia é um um Cartel fundamentalmente anti-democrático, irracional que colocou os povos da Europa num caminho de misantropia, ódios, conflitos e recessão permanente.

Se o meu prognóstico está correto, e a Crise Europeia não é apenas mais uma crise cíclica, a ser em breve superada com a taxa de lucro a recuperar, na sequência da inevitável desvalorização salarial, a questão que se nos coloca é :

Será que devemos saudar esta degradação do capitalismo europeu, como uma oportunidade para o substituir por um sistema melhor?

Ou essa desintegração deve-nos preocupar tanto, que a melhor solução seja embarcar numa campanha para estabilizar o capitalismo europeu?

A Crise da Europa, como a vejo, não contém o potencial duma alternativa progressista, mas sim a ameaça de forças radicalmente reaccionárias que têm a capacidade de provocar um banho de sangue, e extinguir a esperança de todos os movimentos progressistas para as gerações vindouras."

Retirado daqui: http://bit.ly/1AayfZS


De Alternativa na Europa suicidária. a 10 de Fevereiro de 2015 às 14:32
A EUROPA NUMA ENCRUZILHADA


O desafio lançado pelo Syriza não diz apenas respeito à Grécia, põe em causa todo o fundamentalismo austeritário de Berlim e Bruxelas, e oferece uma ALTERNATIVA à deriva anti democrática, NEO LIBERAL, anti Estado Social, e SUICIDÁRIA da UE.

A capitulação ou derrota do governo de Tsipras terá consequências imprevisíveis para a Grécia e muito negativas para toda a UE, particularmente para a Espanha onde também se desenha uma alternativa de governo anti Austeridade, e até para Portugal onde muita coisa pode acontecer daqui até Outubro.

O que, até agora, não tem faltado ao ministro das Finanças Varoufakis, nos seus contactos com quem manda na UE, é a flexibilidade na procura de soluções que respeitem o caminho democraticamente escolhido pelos gregos.

A inflexibilidade da UE, a sua cegueira para o que está em causa, para além das consequências que terá para a Grécia, não poupará igualmente outros países que já estão, ou que irão a curto prazo, sofrer as consequências da Austeridade.

Se não houver agora uma viragem a contestação à Austeridade não parará, e o mais provável é que o próximo desafio à UE não venha da esquerda mas, pelo que se perfila, duma extrema direita em clara ascensão, e que pode agora ser travada: FN francesa, UKIP inglês, Aurora Dourada grega, fascistas hungaros, e toda a escória que espera o seu momento de nos saltar em cima.

Hoje 5/2 em Atenas na praça Syntagma, penso que pela primeira vez desde há muito tempo numa capital da Europa, decorreu há pouco uma manifestação de apoio ao governo em funções.

Será bom que por toda a Europa, todos os democratas, todos os antifascistas, todos os que defendem a Paz, não fiquem apenas sentados a assistir, e procurem formas de manifestar o seu apoio ao Povo grego e de rejeição às politicas desta UE que nos arrasta para o abismo.


Foto de Joshua Tartakovsky, jornalista freelance a viver em Atenas.
(- por J Eduardo Brissos , 7/2/2015, A essência da pólvora.)


De Tb ex-rei é GREGO. a 10 de Fevereiro de 2015 às 14:54
Constantino, ex-rei da Grécia e irmão da rainha Sofia de Espanha, considera que Tsipras «é um homem muito brilhante e carismático»,
afirmando que não desgosta do novo governo e que os gregos e o resto da Europa «vão dar-lhe uma oportunidade»,
demarcando-se da troika (que impôs medidas «muito duras»)
e das posições de Merkel (que deverá tratar os gregos «como iguais, não como inferiores»).

(⇒ Miguel Abrantes, 9.2.15 Corporações)


De Interesses de classe e elites servis. a 10 de Fevereiro de 2015 às 15:08
O Syriza e as razões de preocupação da direita

«(...)

A direita está preocupada, isso sim, porque o governo grego é o primeiro a confrontar directamente os mecanismos de SUBJUGAÇÃO a que tem vindo a ser sujeito o seu povo e porque o seu exemplo tem um enorme potencial de alastramento.
Não é por acaso que a maior hostilidade em relação às propostas europeias do governo grego provém precisamente das ELITES e GOVERNOS SERVIS de Portugal e Espanha, que estão precisamente na linha da frente desse potencial de alastramento.
O novo governo grego tem de fracassar, custe o que custar, não vá dar-se o caso de mostrar às pessoas que É POSSÍVEL governar com elas e para elas em vez de contra elas.

É isto que está neste momento em causa na Grécia e na Europa - e é por isto que espero que o governo grego não tenha ilusões ingénuas sobre nobres ideais europeus que transcendam os INTERESSES de CLASSE.
Pelo contrário:
espero que o optimismo da disponibilidade para soluções cooperativas que os governantes gregos têm manifestado nos últimos dias se faça acompanhar, pelo menos em privado, pelo pessimismo racional da preparação dos cenários de confronto.
Varoufakis é, entre outras coisas, especialista em teoria dos jogos :
saberá por isso com certeza que não deve esperar que as elites europeias contribuam voluntariamente para minar as bases da sua própria dominação.»

(Alexande Abreu; "O Syriza e o luto da direita". Na íntegra: aqui. Destaque meu)



Poderá também gostar de:

•Definitivamente: os portugueses não são gregos!
•Portugal não é, de facto, a Grécia
•"Portugal não é a Grécia".

- por Francisco Clamote, 4/2/2015, http://terradosespantos.blogspot.pt/


De Chulo igorante subserviente a 10 de Fevereiro de 2015 às 15:28
O chulo (PPC/desgoverno Pt).
(-por J.Simões, 9/2/2015, derTerrorist)

Nos intervalos de ser o alemão mais lacaio que os lacaios de herr Wolfgang Schäuble e o Donaltim de frau Angela Merkel, sem nunca ter ido à luta e sem nunca ter mexido sequer uma palha para aliviar quem o elegeu, em Portugal como português, antes pelo contrário, para pior nunca basta assim,
Pedro Passos Coelho diz que «as soluções que forem encontradas para a Grécia têm de valer para todos» , sem perceber, porque o fundamentalismo ideológico e o espírito de subserviência mais não consentem,
arrisca-se mesmo a receber de volta as soluções que forem encontradas para a Grécia, também sem nunca ter mexido uma palha para o evitar, sem os portugueses o terem pedido quando o elegeram e,
porque como Portugal não é a Grécia, culpa do Governo grego que devia ficar muito quietinho no seu lugar enquanto o país vai definhando e o povo desfalecendo, por respeito para com Portugal e para com os esforços dos administradores plenipotenciários da Alemanha no Governo português.

«Gostaria de avisar quem está a pensar estrategicamente amputar a Grécia da Europa, isso é muito perigoso».
«Quem será o próximo depois de nós?
Portugal? O que vai acontecer quando a Itália descobrir que é impossível manter-se dentro da camisa de força da austeridade?»



De Bangsters/G.Sachs vs Democracia a 10 de Fevereiro de 2015 às 10:24
Como é se diz mesmo democracia em grego?
-9/2/15
Sem a complacência dos europeístas rendidos ao ex-Goldman Sachs Mario Draghi, considerado o promotor da salvação dos povos europeus, ainda que por caminhos ínvios como os da sua última decisão soberana (sim, o soberano, incluindo na capacidade de definir a regra e a sua excepção, no decisivo campo monetário é uma instituição antidemocrática controlada pela finança), o povo que saiu à rua em Atenas leu bem as mensagens, brutalmente complementares, enviadas por Frankfurt e por Berlim, pelo BCE e pelo governo alemão, à Grécia, a que se junta esta semana o cerco de um eurogrupo onde a Grécia corre o risco de ficar isolada: “Não à chantagem! Não capitulamos! Não temos medo! Não voltamos atrás! Venceremos!” Chantagem, capitulação, medo, regressão e derrota são mesmo os outros nomes da economia política do euro.

Gostaria – e é mesmo o indispensável optimismo da vontade a falar – que Luís Rodrigues viesse a ter razão no seu comentário ao excelente texto do Jorge Bateira: “Creio que o Governo Grego, sabendo da impossibilidade de convencer os alemães e restante Europa a fazer o que é certo, quer primeiro demonstrar que fez tudo ao seu alcance para o conseguir. 
Quando a impossibilidade for demonstrada perante todos, o povo grego estará preparado para sair do Euro.”

Neste contexto, a observação de Frédéric Lordon, inspirada numa distinção feita recentemente por Varoufakis, aponta na direcção certa (minha tradução): “Entre a vida austera e a austeridade há um abismo que separa uma forma de vida plenamente assumida da submissão a uma tirania técnica. É certo que a saída do euro não será um chá dançante, mas a política, no sentido mais profundo do termo, consiste em dar voz ao povo e colocar nas suas mãos os termos de uma escolha: até podemos ser, por uns momentos, mais pobres, mas com outra repartição dos fardos e sobretudo num contexto onde a vida austera teria o significado profundamente político de uma restauração da soberania, talvez mesmo de uma mudança de modelo socioeconómico.”

(-por João Rodrigues, 9/2/2015, Ladrões de B.)
------
Leituras

«Olhando de forma objectiva para as pretensões Gregas, o que está a ser pedido são duas coisas: que a Europa reconheça que o ajustamento grego foi um fracasso, não porque os gregos não cumpriram, mas porque foram longe demais na austeridade; e que a Europa permita libertar recursos orçamentais para combater a gravíssima crise económica e social do país. Independentemente dos detalhes da proposta, trata-se de uma pretensão inteiramente razoável.
Num certo sentido, os Gregos limitam-se a pedir uma política orçamental mais amiga do crescimento e do emprego (e compatível com a razão). Ou seja, os Gregos não querem uma coisa assim tão diferente daquilo que a Comissão Europeia e o próprio BCE dizem querer para toda a Europa. Não sei se a proposta grega é ou não excessiva, mas tenho a certeza que o plano que foi acordado pelo anterior governo grego com os seus parceiros europeus fracassou, é inexequível e, por isso, tem de ser radicalmente revisto.»-João Galamba, Falemos de leituras inteligentes

«O que se pretende [Syriza] é um alívio substancial, mas não escandaloso, do fardo dos excedentes primários (ou seja, dos excedentes relativos ao pagamento dos juros), reduzindo as transferências para os credores de 4,5% para 1-1,5% do PIB. E também flexibilidade para alcançar esses excedentes, através de uma fórmula que inclua mais receita e menos cortes na despesa (austeridade). Ora, isto constitui uma abordagem tímida por parte destes radicais de esquerda: o que pedem são coisas absolutamente razoáveis. (...) De facto, toda a gente sabe que a dívida grega não pode ser paga na totalidade (...), restando apenas a questão de saber como se poderá gerir um valor inferior ao do pagamento total da dívida. (...) É por isso que eu não sei com que base pode a Alemanha rejeitar esta proposta da Grécia. Se a posição alemã é a de que a dívida deve ser sempre paga na totalidade, sem qualquer alívio substantivo (...), então a noção de que a Alemanha compreende a realidade está errada. (...) Neste momento, a proposta do Syriza é sensata. O próximo passo cabe aos credores.» -Paul Krugman, Quem é que não está agora a ser razoável?

«O poder na União Europ...


De Discurso da pres. Parlamento Grego a 9 de Fevereiro de 2015 às 10:59
Mesdames et Messieurs les députés,

Je vous parlerai du fond du cœur, avec la sincérité et la droiture qui conviennent à l’honneur et à la responsabilité qui accompagnent la mission dont vous m’avez chargée mais aussi à l’honneur et à la responsabilité qui accompagnent la confiance dont nos concitoyens ont fait preuve envers chacun et chacune d’entre nous.

Nous sommes ici, non pas parce que le destin l’a voulu, ni par le caprice de quelque hasard, mais parce que nous l’avons choisi et nous avons été choisis et élus par les citoyens de ce pays, le peuple de notre patrie qui est préoccupé et qui lutte pour la dignité, la justice, l’égalité, la démocratie, la liberté. Pour des valeurs et des biens qui furent conquis en versant du sang, par des sacrifices, des luttes dont la marque indélébile se trouve dans l’Histoire de ce pays. Des valeurs et des biens qui, de nos jours, sont contestés ou restreints de la manière la plus cynique qui soit.
(…)

Avec les parlementaires actifs et participants au processus parlementaire. Non pas de simples « applaudisseurs » de prises de position gouvernementales ou de l’opposition.
(…)

En cette période parlementaire, il ne faudra pas répéter des phénomènes de dégénérescence de la fonction législative, tel que l’abus de la procédure d’urgence et des amendements.

Je m’engage, en tant que Présidente du Parlement, que les amendements présentés hors-délai ou sans rapport avec l’objet des dispositions des projets de loi ne seront pas reçus. Pas même, bien entendu, des projets de lois comptant des centaines de pages, sans structure, ou des actes législatifs qui ne remplissent pas les critères constitutionnels[référence directe à tous les textes des mémorandas].
(…)

J’en arrive aux questions de transparence et d’égalité devant la loi. Le Parlement ne peut pas opérer comme un dispositif de blanchiment de scandales ni comme un cimetière de dossiers relevant du droit pénal. Récupérer et examiner des dossiers qui, tout en ayant été transmis au Parlement par la Justice, croupissent des mois, voire, des années durant dans quelques tiroirs sans même être examinés, est un devoir démocratique élémentaire et fondamental tout autant qu’un préalable à la cohésion sociale. Je m’adresse au sens du droit de TOUS les députés, en tant que représentants des citoyens. Et je vous invite à ce que, tous ensemble, nous mettions fin à cette honteuse situation du traitement privilégié qui a LOURDEMENT touché le prestige du Parlement. Par le biais des commissions existantes mais aussi par celui de la constitution des nouveaux organes nécessaires, il est impérieux que le Parlement garantisse la légalité, la transparence et l’examen de tous les dossiers en suspens, quelles que soient les personnes impliquées. Qu’il s’agisse de personnes politiques, parlementaires et gouvernementales, qu’il s’agisse de représentants d’intérêts économiques et de sociétés qui corrompent, comme dans les affaires Siemens et celles concernant les armements. N’oublions pas que pareilles affaires mobilisent également des obligations internationales à l’égard d’autres pays, conformément au cadre juridique international contre la corruption et que notre pays n’a pas épuisé son arsenal juridique afin de rendre justice et de faire ressortir la vérité et révéler le produit du crime. Les représentants d’autres gouvernements connaissent également ces obligations. Ainsi, la déclaration faite hier par le Ministre des finances Allemand, selon lequel « chaque pays veille simplement et uniquement à ses propres affaires », est non pertinente et non fondée.

Notre pays et notre peuple furent les victimes de corruption à grande échelle qui ne se limite pas aux frontières nationales et ne concernent pas uniquement notre « chez nous ». Il est de l’obligation des États européens également de collaborer et de nettoyer notre « chez nous » collectif européen.
(…)

J’en viens à l’initiative la plus importante de la période parlementaire précédente, dont tous ceux qui ont participé sont fiers. La constitution de la commission interpartis du Parlement pour la revendication des réparations de guerre allemandes. À l’initiative de Manolis Glezos et du groupe parlementaire de Syriza et avec la collaboration unanime de tous les groupes parlementaires, cette commission fut
...


De Vivam os Gregos ! a 9 de Fevereiro de 2015 às 11:05
http://www.okeanews.fr/20150208-extraits-du-discours-offensif-de-la-nouvelle-presidente-du-parlement-grec
...
...
cette commission fut constituée et opéra de manière exemplaire, présidée par M. Tzavaras, mais n’a pas pu achever sa mission à cause des élections qui sont intervenues. Durant cette nouvelle période parlementaire, la commission sera très rapidement constituée pour remplir le devoir national qu’est la revendication effective de cette dette morale, historique et financière à l’égard de notre patrie, à l’égard des victimes de la sauvagerie nazie, pour la réparation des catastrophes, le remboursement et l’acquittement du prêt de l’Occupation, pour le dédommagement des victimes et pour la restitution des trésors archéologiques volés.

En tant que Présidente du Parlement, j’entreprendrai aussi, personnellement, toutes les initiatives de sorte que cette dette, qui survit depuis 70 ans, soit remboursée. Des initiatives analogues seront entreprises afin que le Parlement contribue de manière essentielle à promouvoir les revendications d’annulation de la majeure partie de la dette et de l’intégration de clauses de croissance et de garanties d’endiguement de la crise humanitaire et de secours à notre peuple. La diplomatie parlementaire n’est pas un cérémonial ni l’équivalent de relations publiques. Elle est un précieux outil qu’il est nécessaire de mettre en branle, pour ce qui est tant du Président que des commissions de relations internationales ou de commissions d’amitié, de sorte que l’affaire grecque, la demande d’une solution équitable et bénéfique pour notre peuple, par annulation de la dette et moratoire des remboursements soit l’objet d’une campagne interparlementaire de revendication vive, qui s’appuie sur l’information de vive voix des autres parlements et assemblées parlementaires mais aussi des peuples européens qui se mobilisent déjà en solidarité de notre peuple.
(…)

L’Histoire est écrite par les peuples qui espèrent, sont optimistes, contestent, luttent et revendiquent. L’Histoire est également écrite par les dirigeants politiques et les représentants du peuple, les Parlements, quand ils se dressent à la hauteur de leur responsabilité et forment un mur de protection de la société. Les réflexes démocratiques de notre peuple sont actifs et s’expriment de plus en plus clairement. En se référant précisément aux luttes historiques de notre peuple, à la résistance nationale, à la gauche, au mouvement des étudiants, à la lutte contre la dictature, aux mouvements sociaux.

De plus en plus nombreux sont ceux qui prennent conscience du fait qu’ils ne veulent pas vivre à genoux. Ni laisser comme héritage à leurs enfants un nouvel esclavage économique. Les gens retrouvent le sourire, ces derniers jours. Ils retrouvent la ténacité, la confiance en eux, leur dignité. Ils revendiquent d’être partie de l’Histoire et non pas ses spectateurs. Et ils se réunissent sur les places en manifestant pour des principes et des valeurs universels, comme l’ont fait, hier soir, des milliers de citoyens à Athènes mais aussi dans d’autres capitales européennes.

Toute l’Europe, le monde entier, a le regard tourné vers la Grèce avec espoir. Par ce qu’ils savent que la reconnaissance des droits et le soulagement du peuple grec sera une victoire des hommes face aux autocrates financiers et aux nouvelles tyrannies des banques, des marchés, des nouvelles oligarchies qui ont pour objectif de se substituer à la démocratie.

(…)

Respecter la Constitution relève du patriotisme des Grecs qui ont le droit et le devoir de résister par tout moyen à tout qui tente de la violer. C’est à ce patriotisme démocratique constitutionnel par lequel la société grecque est portée, tout au long de son histoire, et dont le Parlement hellénique est imprégné en tant qu’institution, que butera tout qui s’efforcerait de faire du chantage à notre peuple et de contourner la démocratie de notre pays.

-----------
vídeo do discurso completo (em grego):

http://www.dailymotion.com/video/x2gjxev_video-%CE%B5%CE%BA%CE%BBo%CE%B3%CE%B7-%CF%80%CF%81o%CE%B5%CE%B4%CF%81o%CF%85_news


De Direita ao Syriza: negação, raiva, nego a 10 de Fevereiro de 2015 às 10:15
O syriza e o luto da direita

Negação, raiva, negociação. A direita tem reagido à vitória do Syriza com o atordoamento de quem faz um luto. É o luto pela sua própria hegemonia, enfim contestada.

O que ainda há pouco tempo parecia impossível aconteceu. O Syriza ganhou mesmo as eleições gregas, formou mesmo governo e começou mesmo a aplicar o seu programa. As medidas anunciadas nos primeiros dias quiseram-se simbólicas: congelamento das privatizações; recusa de negociação com os emissários técnicos da troika; aumento do salário mínimo; remoção das barreiras de segurança à frente do Parlamento; concessão de nacionalidade grega aos filhos de imigrantes nascidos na Grécia; reposição do 13º mês das pensões abaixo de 700€; reposição das pensões mínimas para os camponeses que não descontaram ao longo da vida; eliminação da taxa de 1€ sobre as receitas médicas; reintegração gradual dos funcionários públicos despedidos, especialmente nas escolas e universidades.

Do ponto de vista macroeconómico, o que o novo governo grego tem anunciado como posição negocial (saldos primários equilibrados ou até ligeiramente positivos, serviço da dívida em função do crescimento da economia) não tem nada de radical, como aliás muitos comentadores têm referido. É um mínimo de bom senso. Os enormes cortes na despesa pública levados a cabo nos últimos anos provocaram uma tal contracção da economia que o fardo da dívida pública não parou de aumentar: andava pelos 125% do PIB em 2010, quando tiveram início os programas de austeridade, anda actualmente pelos 175%. Não apesar da austeridade, mas por causa dela.

Neste plano, o governo grego não pretende mais do que o fim da insistência num absurdo: a imposição ao longo das próximas décadas de superávites primários constantes num país com uma economia deprimida e uma sociedade devastada. Uso o termo devastada com propriedade: trata-se de um país em que, entre 2008 e 2013, a percentagem da população em situação de privação materialgrave aumentou de 11,2% para 20,3% (em Portugal também aumentou, mas de 9,7% para 10,9%) e em que a austeridade deixou um milhão de pessoas sem acesso a cuidados de saúde, fazendo disparar a taxa de mortalidade infantil. É disto que falamos quando falamos da Grécia, mesmo que muitos não o saibam ou não o queiram saber.

Mas não é no plano macroeconómico que as propostas do Syriza constituem uma ameaça para as elites europeias. É que a dívida é um instrumento e não um fim. Aquilo que de mais central está em causa não é a dívida e o seu reembolso, mas a sua utilização como instrumento de dominação. O que não pode ser posto em causa do ponto de vista das elites não é o montante da dívida ou o seu calendário de pagamento: a esse nível, como se tem visto nos últimos dias, pode sempre haver cedências. O que não pode ser posto em causa, em contrapartida, são os eixos centrais da dominação: a compressão dos salários e pensões, as "reformas estruturais" no mercado de trabalho, o esvaziamento do Estado social, as privatizações.

Sucede, porém, que é precisamente isso que o novo governo grego ameaça pôr em causa. E é precisamente por isso que, pela Europa fora como em Portugal, a direita e os seus porta-vozes - os intelectuais públicos dos grupos dominantes - não suportam o Syriza e o que ele representa, e têm reagido à sua subida ao poder na Grécia com o choque e atordoamento com que se faz um luto ou reage a uma tragédia.

Primeiro foi a negação, a construção de uma realidade fantasiosa mas mais suportável. O Syriza está mais moderado, já não é o que era há dois anos. A sua retórica é meramente simbólica. Tsipras não passa de um novo Hollande. Em todo o caso, só ganharam devido à desorientação do eleitorado.

Em seguida, a raiva desorientada. Não tiveram mais que 36% e a abstenção foi superior. Aliaram-se à extrema-direita, vêem? Não têm mulheres no executivo, tão progressistas que eles são. Tsipras não merece respeito: chamou Ernesto ao filho.

E depois a negociação, à medida que a nova realidade começa aos poucos a ser aceite como inevitável, ainda que não na plenitude das suas implicações: Muito bem, podemos até acabar com a troika. Ceda-se nos juros, nos prazos e, quem sabe?, até mesmo no montante total da dívida. Desde que o Sr. Tsipras deixe cair o seu socialismo lunático ...
..


De Lutar para melhorar: Kurdos, Gregos, Eu. a 5 de Fevereiro de 2015 às 16:23

------Forças Curdas expulsam o Estado Islâmico de Kobani

Com tanto (e justificado, mas talvez imprudente) entusiasmo com a vitória do Syriza, existiu outra importante vitória que quase passou despercebida a muita esquerda libertária.

Os paralelos com a guerra civil espanhola são vários
(uma facção anarquista que quer ter autonomia sobre parte do território,
uma facção fascista que quer tomar o estado,
e uma facção apoiada pela Rússia que controla o estado),
mas desta vez parece que o desfecho é diferente.

Estou muito curioso quanto a futuros desenvolvimentos.

---------------
Estou contente com a vitória do Syriza, e acho que seria mau (para a Grécia e para o mundo) não terem ganho as eleições.
Mas vejo também muitas incertezas e, consciente dos riscos, o meu entusiasmo pela vitória do Syriza está temperado com uma forte dose de receio.

O risco mais imediato (para a Grécia e Europa) seria os gregos cederem à chantagem, escolhendo a opção eleitoral que mais convinha aos interesses financeiros, e esse risco foi ultrapassado.

Numa situação em que não ir a jogo resultava numa derrota garantida, os gregos decidiram ir a jogo - e a parada subiu.

Só que a mão de cada jogador ainda não foi revelada...

(João Vasco, http://esquerda-republicana.blogspot.pt/2015/01/forcas-curdas-expulsam-o-estado.html#comment-form )

-----Maquiavel, 02/2/2015

Uma semana recheada de óptimas notícias.
Oxalá continuem assim pelo menos até ao fim do ano!!!

----- Alexis P. (grego)

Well, it absolutely natural to feel like that.
Having used to governments only obeying orders, a new government that fights, reacts, proposes not only for Greece but for the whole of Europe, comes as a surprise and a hint of doubt.

As someone that belongs to the left and supports all the ideals that come with that, I feel very happy that my country changed page, finally!
We exist and we are being represented abroad.
Not with ego, revanchist words, or irony but with honesty and proposals.

The past week after the elections has filled me with joy and I see that to many of my friends and generally the Greek people.
The first steps of the new government are more than positive and fill us with hope and a perspective.

I think it is high time for Portugal to claim all that has been taken from the Portuguese people.
Not fear and not continue to support "leaders" that are smaller of the occasions,
not worthy to represent a country with culture and hard working people.

-----João Vasco

Yes :)
We have a collaborationist government that is fighting on Merkel's side against Portuguese interests, Greeks interests, and also fairness ans solidarity.

I really hope his days in office are numbered, and any alternative makes a good fight against austerity.

What I am saying it that the willingness to fight is a necessary condition for victory, but not a sufficient condition to victory.
We should not celebrate prior to real battles ahead.
Some defeats may lie ahead of us.



De "Não me deixe morrer" sr. ministro! a 5 de Fevereiro de 2015 às 12:14
Menos números
(e + atenção e apoio às Pessoas)

Paulo Macedo juntou-se ao silencioso cortejo de governantes em agonia política. Bastou uma simples quanto terrível frase
("não me deixe morrer" , diz doente com hepatite C ao ministro da Saúde )
para que isso acontecesse. Isto depois de um mandato bem gerido - interna e mediaticamente - até ao momento em que
deixou de poder antecipar as consequências de alguns actos técnicos, financeiros e administrativos que, pela natureza deles, porventura lhe escaparam.
Todavia, politicamente está ao leme desses mistérios insondáveis da burocracia. E a burocracia não pode ser nunca um fim - e, em certos casos dramáticos, "o" fim - mas, antes, um meio ao serviço de qualquer coisa concreta e, sobretudo, das pessoas.
"Quem salva uma vida salva o mundo inteiro", lê-se no Talmud.
No tempo político que lhe resta à frente do ministério da saúde, sugiro-lhe delicadamente que reflicta mais nisto do que nos números.


tags: política, saúde, sociedade
(-João Gonçalves, Portugal dos pequeninos)
-----------

http://www.jn.pt/PaginaInicial/Sociedade/Saude/Interior.aspx?content_id=4380643&page=-1
...
...José Carlos Saldanha, doente com hepatite C, interrompeu a audiência.
"Não me deixe morrer", "acabem com isto por favor", gritou durante a intervenção da deputada Carla Cruz, do PCP.
Este doente diz ter oferecido a Paulo Macedo metade do custo do tratamento, não tendo recebido qualquer resposta da parte do Ministério da Saúde.

José Carlos Saldanha pediu depois desculpa aos deputados pela sua intervenção, não sem antes avisar Paulo Macedo:
"A si, eu vou encontrá-lo".

Fora da sala, o doente explicou aos jornalistas que se encontra à espera de autorização para tratamento.
"Não me contive mais. O senhor ministro tem de fazer a sua parte.
A doença é silenciosa, mas nós não nos vamos calar".
...
...


De Valores vs canalhas a 9 de Fevereiro de 2015 às 11:47
Quanto vale a vida de um canalha?

06/02/2015 por João José Cardoso , Aventar

Por exemplo, admitamos que um ano vida de uma pessoa normal vale 1 QALY, e que uma pessoa com hepatite C vê a qualidade de vida reduzida em 50%, ou seja, 0.5 QALYs. Se o tratamento para a hepatite C permitir recuperar esses 0.5 QALYs durante 30 anos, então o valor desse tratamento será de 0.5 vezes 30, 15 QALYs.

Mais uma vez tenho de agradecer ao Mário Amorim Lopes o imenso favor de demonstrar que o neoliberalismo mata, e muito. Não tanto como os fascismos, dizem, porque não mata a eito e com milícias, assassina com folhas de cálculo e uma religião a que chamam economia. Como os mortos ficam mortos na mesma, e a lógica ditatorial (é óbvio que um regime neoliberal é insustentável em democracia) não varia tanto como isso, lá vai cumprindo o seu papel sucessório, arquitectado pelos hayekes e pelas randes deste mundo.

Quanto à pergunta: eu acho que a vida do Mário Amorim Lopes não tem preço. Mais que não seja, perder um idiota tão útil seria um desperdício.

-----------------

GREXIT

(07/02/2015 por j. manuel cordeiro )

grexit

Eis um neologismo para as conversas dos próximos dias. GReece + EXIT, que essencialmente se traduz em ou baixam a bola ou rua.

Entretanto, o colaboracionista Pires de Lima é citado pela Reuters sobre o assunto:


Economy Minister Antonio Pires de Lima told the Reuters Euro Zone Summit that Lisbon had chosen a route “which was not the easiest one” to recover credibility and return to growth, and “that is also our attitude to the situation in other countries”. [REUTERS]

Ah tal não somos a Grécia.
E com efeito, nota-se.
Eles trabalham para reconquistar a soberania e aqui baixam-se as calças.
Quanto à cassete da austeridade, é de ver a reportagem – surpresa, surpresa! – do canal 1 alemão sobre os ganhos da Alemanha com a crise do euro.


De Apontar e dizer que o ia encontrar ! a 9 de Fevereiro de 2015 às 11:56
Havia necessidade? Governo de cobardes!

(05/02/2015 por Noémia Pinto )


Bastou o homem apontar-lhe o dedo e dizer que o ia encontrar.
O medicamento já está a caminho.
Shame, shame, everybody knows your name!

---- http://aventar.eu/2015/02/05/havia-necessidade-governo-de-cobardes/


De Há Alternativa aos papões !! a 5 de Fevereiro de 2015 às 11:58

A Alegoria da Caverna

(-por CRG, 365forte, 4/2/2014)

Segundo o El País, o PSD mostrou-se como o mais beligerante contra as intenções do Syriza de renegociar ou aliviar parte da dívida grega.

Tendo em conta que Portugal será um dos principais beneficiados se existir uma alteração nas políticas europeias, obtendo finalmente uma "margem de manobra para implementar políticas de crescimento e criação de emprego", por que razão existe esta agressividade por parte do PSD? Numa palavra: eleições.

A actuação do governo de forma a suavizar os efeitos eleitorais da sua escolha política que consistia em "ir além da troika" pautou-se pelo mantra "não há alternativa",
pelo que o maior inimigo deste governo é a prova que existe uma outra via,
que não existe nenhum motivo, a não ser falta de vontade política, para continuar a estar agrilhoado pela austeridade.

Esta estratégia, aliada à incapacidade da oposição, comprovou-se acertada:
nas sondagens a maioria continua com possibilidade de alcançar uma vitória nas próximas eleições legislativas.

Deste modo, a eleição do actual governo grego tornou-se o principal obstáculo a uma reeleição de Passos Coelho e como consequência o discurso oficial inicialmente foi de desprezo (conto de crianças);
e agora que parece que o sucesso pode ser possível defendem uma imaginária mudança fundamental no governo do Tsipras.

A culpa já não é do Sócrates, agora é de Platão.


De Não pagar a bangsters e corruptos. a 5 de Fevereiro de 2015 às 12:22

Anda um espectro pela Europa — o espectro do Syriza.

Todos os poderes da velha Europa se aliaram para uma santa caçada a este espectro, a srª Merkel, o Sr Shauble, o Sr presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, polícias alemães e até o moço de recados, Passos Coelho que pôs logo a descoberto o que lhe ia na alma sem se informar previamente em Berlim que não queria abrir o jogo todo, de bandeja.

Deste facto concluem-se duas coisas. O Syriza já é reconhecido por todos os poderes europeus como um poder, menos por Belém e S. Bento.

... dá-me um certo gozo ver o susto que vai pelas Europas dos mercados,...

Sem esquecer que a Grécia como, em geral, qualquer país, encerra duas Grécias - a dos multimilionários,
a da grande corrupção, a da brutal desigualdade, a dos BNP/SLN a dos BES/GES, a dos BPP, a dos BCP -
e a outra Grécia, a da esmagadora maioria do povo grego
que, agora com o Syriza, espreita pela estreita frincha da solidariedade e da justiça social
e não quer pagar as favas que os banqueiros e seus partidos lhes prepararam.


# posted by Raimundo Pedro Narciso, Puxapalavra)


De Democracia e solidariedade ou morte. a 9 de Fevereiro de 2015 às 10:28
Grécia. Voto como exercício de legítima defesa


«O BCE fez de Átila, o reino dos hunos. Ou melhor, tornou-se o mercenário oficial da sede de vingança contra o grito de revolta do povo grego e, no fundo, de todos os povos que estão fartos da paz podre em que vive a União Europeia. (...)

Quem não seguir as regras autoritárias de Berlim e Frankfurt tem o caminho de saída do euro aberto. É triste, porque a vitória do Syriza tinha tido o mérito de colocar a Europa a discutir o futuro e as consequências desta política de austeridade. Tinha agitado as águas. Até porque nos mostrava que poderia haver uma outra forma de diálogo entre as urnas e o mercado, entre a democracia e o dinheiro. A crer na burocracia da UE, não há. (...)

Os gregos não se tornaram extremistas de esquerda de um dia para o outro. Os gregos decidiram recorrer ao voto, como exercício de legítima defesa. A UE e o BCE, pelos vistos, querem tudo menos democracia (como aliás se vê nas conversações às escondidas sobre o pacto comercial transatlântico). Os gregos votaram no Syriza para recuperarem a dignidade. O BCE impede isso.»

Fernando Sobral, via Entre as brumas
-------------

Syriza, sonhos e pesadelos
(José Pacheco Pereira, Público 07.02.2015: )

«Uma das coisas que a vitória do Syriza e o conjunto de eventos posteriores têm mostrado é a sua importância para todo o espectro político da Europa. Neste sentido, os gregos podem falhar em tudo, que nada será de novo igual nem na Grécia, nem na Europa.

Quando um acontecimento gera tão intensos sonhos e pesadelos, estamos perante a história. Pode ser uma nota de pé de página, um parágrafo de meia dúzia de linhas, mas ficará na história da Europa. Embora não esteja certo, admito que possa vir a ser o mais importante momento europeu depois da unificação alemã. (...)

Os adversários do Syriza, que são os “ajustadores inevitáveis”, sabem que se deu um ponto sem retorno. Nós sabemos disso e eles sabem que nós sabemos que eles também sabem. Mas um ponto sem retorno não significa que o caminho seja unívoco, apenas que as coisas já não voltam para trás. Mesmo que, no fim de tudo isto, o Syriza seja varrido da governação, os gregos remetidos para uma maior pobreza, e os alemães e os seus aliados e colaboracionistas tenham conseguido domar a “revolta” grega, a paz podre destes últimos anos não mais voltará. (...)

Eu também tenho um desejo simples e modesto, com muito poucas ilusões. Desejo que as coisas corram bem para os gregos, que eles comecem a sair do buraco infernal em que foram colocados, e que possam, pelo seu acto corajoso de votar contra o statu quo, mostrar que a ditadura da “inevitabilidade” é um deserto mental perigoso, útil para se subordinar Portugal aos poderes europeus e alemães, fragilizar a democracia e empobrecer os portugueses. É por isso que a milhas do Syriza se pode saudar a mudança que o Syriza trouxe a um mundo estagnado e pantanoso, maldoso e desigual. Não preciso de explicar mais nada, pois não?»
----------

Lembrem-se:
Os Gregos, nas Termópilas, preferiram morrer de pé (a lutar) do que a viver de joelhos (prestando vassalagem Xerxes, imperador da Pérsia).
E só foram vencidos pela traição.
Os mercados e a Europa dos falcões/vampiros pode derrotar os gregos, mas não sairá ilesa deste combate.


Comentar post

DESTAQUE DO MÊS
14_04_botão_CUS
MARCADORES

todas as tags

CONTACTO

Email - Blogue LUMINÁRIA

ARQUIVO

Junho 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Online
RSS
blogs SAPO