De desgoverno, "yes men" e bode expiatório a 22 de Setembro de 2014 às 17:23

Jogo do Empurra (de incompetência e culpas de governantes)

(-por CRG, 22/9/2014, 365forte)

"Everybody lies" - House, M. D.

Na vida há duas certezas: vamos todos morrer e todos mentem.
Deste modo, seria ingénuo julgar que os políticos, quer estes sejam da esquerda quer da direita, não o fizessem - não há qualquer exclusivo de virtuosismo.
Este reconhecimento é fundamental uma vez que obriga, ou pelo menos devia obrigar, sobretudo os media, a uma constante atitude crítica.

Ora, se a mentira é tolerada e aceite como fazendo parte da vida e do jogo político, existem circunstâncias em que a mesma causa indignação.
Na maior parte dos casos tal ocorre não pela mentira em si, mas por que esta é tão evidente que o seu uso acaba simplesmente por ser uma forma de tratar os destinatários como parvos.

Serve este intróito a propósito das inacreditáveis declarações de Passos Coelho em que defende que as estruturas intermédias que enganaram a ministra sejam demitidas.

Sucede que Paula Teixeira da Cruz conscientemente ignorou os diversos avisos das insuficiências do Citius -
o que levou à demissão da equipa que desenvolveu o sistema informático e do próprio Chefe de Gabinete da Ministra -
escolheu rodear-se de "yes man", optou ouvir apenas a informação que lhe interessava.

Deste modo, a responsabilidade do falhanço do Citius é da Ministra da Justiça, que, é importante realçar, baseou a própria reforma do mapa judiciário (e respectivos fechos de tribunais) na existência de meios electrónicos.

Esta tentativa de inocentar a Ministra de responsabilidades
não só é baseada numa falsidade notória como revela uma atitude mesquinha
ao pedir exigência e rigor apenas para os outros,
o que já vai sendo característica usual na actuação do Primeiro-Ministro.


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