Incompetência, erros, dolo, ... perdão ? ou (des)responsabilização ?

Sem  perdão   (-por Sérgio Lavos, 18/9/2014, 365forte)

    A moda para a nova estação parece ter chegado:   pedir desculpa.

Dois dias seguidas, dois ministros a pedir perdão pela asneira feita. Isto é novo, neste Governo. O que já conhecíamos eram outras tácticas de diversão, desde negar que se esteja a passar qualquer coisa de errado (o rigoroso Nuno Crato é useiro e vezeiro nisto e Paula Teixeira da Cruz também tentou, durante duas semanas, esta táctica da avestruz), até desvalorizar a dimensão do erro ou das consequências, passando pelo famoso "não me demito" proferido pelo líder da matilha, Passos Coelho, nos idos de Agosto de 2013.

     O que poderemos fazer com estes dois pedidos de desculpa?  Eu sei onde Crato e Teixeira da Cruz deveriam introduzir tais pedidos, mas isso não é para aqui chamado.  A minha questão é outra:   o que poderão fazer os principais prejudicados com as decisões dos ministros com o perdão pedido?    O que poderão fazer os pais, os alunos e os professores que vão sofrer com a escolha da fórmula errada (o rigoroso matemático Crato ter metido água nesta área é mais do que irónico, é ridículo) no cálculo de colocação de professores?   Pior:   o que farão os advogados, os réus e os queixosos com as desculpas pedidas por Paula Teixeira da Cruz?    O que fará o país com os atrasos nos processos, com a paralisação completa do sistema de justiça, com o regresso ao papel, à caneta, aos faxes e às gravações de julgamentos em cassete (nos tribunais onde ainda estavam guardados os gravadores)?    Três anos, diz a ministra, sem sombra de pudor, até novo programa estar pronto. Tudo parado. Desculpas?

     Aquilo de que parecem padecer tanto Crato como Teixeira da Cruz é de uma coisa muito simples:   sentimento de impunidade (e não tinha sido a ministra a dizer que ela tinha acabado?).  Sentem-se, desde o verão passado, desde que Passos Coelho meteu o presidente da República no bolso, livres para fazerem o que quiserem, como quiserem.   O pedido de desculpas não tem qualquer valor de verdade, as palavras perderam a sua qualidade performativa.   Com erros desta dimensão, o pedido apenas teria valor, seria sentido, se fosse ligado a uma acção: o pedido de demissão.   Mas, por falta de estatura e de postura ética dos ministros ou do próprio primeiro-ministro (a ordem deverá ter vindo dele), não há consequência na actuação.

     Num país que valorizasse o mérito, os crimes destes dois ministros há muito teriam tido castigo.   Crato, por repetição (desde que tomou posse, não há início de ano escolar que corra bem), Paula Teixeira da Cruz, pelo facto de ter deitado abaixo o terceiro pilar da democracia, o poder judicial.   Não há mérito neste Governo, nem competência.  Apenas um estertor prolongado impulsionado pela inoperância activa do presidente da República e pela apatia generalizada dos portugueses.   Tudo se passa, e passará, assim, até às legislativas.   E o país a andar para trás. Anos, décadas. O pó das ruínas pairará durante muito tempo.



Publicado por Xa2 às 07:46 de 20.09.14 | link do post | comentar |

9 comentários:
De + neoLiberalismo= +fraude+vampir+corrupç a 23 de Setembro de 2014 às 12:49

Mais liberalismo
( = +fraude social, + sugar recursos estatais, + injustiças, ...)

(-por josé simões, derTerrorist,22/9/2014 )

Ensino privado, cheque-ensino, liberdade de escolha, rigor, blah-blah-blah, rxigência, blah-blah-blah, rankings das escolas
«and reducing and rationalising transfers to private schools in association» (recomendação da Troika, que o desgoverno nativo nisto não quis seguir...) .
Viva!

«Há escolas que inflacionam notas para alunos entrarem na universidade»
-- http://sicnoticias.sapo.pt/pais/2014-09-20-Escolas-inflacionam-notas-internas-para-compensar-notas-de-exame

E que tal se o salsicha política que ocupa a cadeira de primeiro-ministro ao invés de recorrer a metáforas manhosas para esconder a incompetência e o fanatismo ideológico do ministro da Educação, Nuno Crato, começasse a implementar o memorando de entendimento assinado com a troika, no capítulo referente ao ensino e à educação, «and reducing and rationalising transfers to private schools in association», e não o seu contrário, cortar, cortar, cortar no orçamento da escola pública, aumentar as turmas, reduzir professores e pessoal não docente, ao mesmo tempo que aumenta as transferências para os colégios privados com contratos de associação que se dedicam ao ensino de qualidade, rigor e exigência que é o inflacionar as notas para o acesso à universidade e para os primeiros lugares do top of the pops que é o ranking das escolas, metaforizando também, o ensino farinheira?

«Sistema de ensino entre as "cobaias" e as "salsichas educativas" não deu resultados»
--- http://www.publico.pt/politica/noticia/sistema-de-ensino-entre-as-cobaias-e-as-salsichas-educativas-nao-deu-resultados-diz-passos-coelho-1670480
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Um MENTIROSO compulsivo
(-por josé simões, 23/9/2014, derTerrorist)


Ninguém se demite porque os mandatos são para levar até ao fim e ainda falta saquear a TAP, a RTP, a Águas de Portugal e a Caixa Geral de Depósitos.

Ninguém é demitido porque Cavaco Silva é um "institucionalista" e os mandatos são para levar até ao fim e ainda falta saquear a TAP, a RTP, a Águas de Portugal e a Caixa Geral de Depósitos.

«[...] se esteve em exclusividade não podia ter recebido qualquer pagamento pelo exercício de actividades profissionais exteriores ao Parlamento. E se não esteve em exclusividade, [...], isso quer dizer que recebeu indevidamente cerca de 30 mil euros, correspondentes a parte do subsídio de reintegração que requereu e foi aceite.

Mas se for verdade que recebeu cinco mil euros por mês da empresa Tecnoforma, entre 1997 e 1999, para desempenhar as funções de presidente do Centro Português para a Cooperação (CPPC) — uma organização não-governamental criada por aquela empresa para lhe angariar financiamentos internacionais —, então o problema é bastante mais complicado: terá violado as regras da exclusividade e terá incorrido num crime fiscal por não ter declarado tais rendimentos nas suas declarações de IRS.»


De + incompetência e estragos no público a 23 de Setembro de 2014 às 13:06

Imensas turmas sem professores colocados, escolas artísticas e profissionais ainda não iniciaram o ano lectivo, turmas de 30 e mais alunos, escolas com coberturas (nos pavilhões e passadiços) com amianto cancerígeno e/ou sem protecção para a chuva, ...

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Apagão das 'ofertas de escola' travou concurso de técnicos especializados

(-GB.Ribeiro 22/09/2014, Público)

O MEC confirma o desaparecimento das ofertas de escola e promete que a situação será reposta entre esta segunda-feira e a manhã de terça, mas não explica o que se passou. Directores perplexos e preocupados.

 As escolas ainda não sabem quando chegam os professores
 Colocação dos professores tem de partir do zero, defendem contratados e directores
 Professores dizem que a bolsa de contratação é "o mais obscuro dos concursos"
 Aulas nas escolas artísticas só em Outubro
 Associação denuncia "erro matemático" na colocação de professores
 Sistema de ensino entre as “cobaias” e as “salsichas educativas” não deu resultados, diz Passos Coelho
 Ministério ainda não tem “solução” para resolver problema das listas dos professores
 Fenprof diz que há meio milhão de alunos que ainda não têm todos os professores


O Ministério da Educação e Ciência confirmou mas não deu qualquer justificação para o apagão que durante o fim-de-semana ocorreu na plataforma electrónica destinada às ofertas de escola, através da qual são contratados técnicos especializados (entre os quais psicólogos, assistentes sociais e docentes das áreas técnicas, artísticas e profissionais). Informou, apenas, que entre a tarde e noite desta segunda-feira e a manhã de terça a aplicação que contém os horários será reposta, o que não descansa os directores. “Já havia atraso. Agora será ainda maior”, lamentou Filinto Lima, vice-presidente da Associação Nacional de Dirigentes de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP).

Em resposta a questões colocadas pelo PÚBLICO o MEC informa que “as escolas vão poder iniciar os procedimentos estabelecidos na lei para a selecção e recrutamento dos candidatos”, mas, “na verdade”, frisa Filinto Lima, “o início ocorreu, já com atraso, no último dia do prazo fixado para a abertura das aulas, 15 de Setembro”. “Na sexta-feira ao princípio da tarde, nalguns casos uma horas antes de terminar o prazo para as candidaturas, as ofertas de escola desapareceram”, relatou Filinto Lima.

O dirigente da ANDAEP, o da Associação Nacional de Dirigentes Escolares (ANDE), Manuel Pereira e o presidente do Conselho das Escolas (CE), José Eduardo Lemos, disseram estar a receber telefonemas de outros directores de escolas que tentam perceber o que se está a passar. “Estamos perplexos, parece que os problemas nas colocações não páram. O que é que vai acontecer agora? Alarga-se o prazo para a candidatura?", questionou Filinto Lima.

Os técnicos especializados das escolas artísticas e dos cursos profissionais e vocacionais (que também dão aulas) são escolhidos através das ofertas de escola. O mesmo acontece com os psicólogos, por exemplo. Ao PÚBLICO o MEC informou que as candidaturas não terão de ser refeitas.

Além das ofertas de escola, também a Bolsa de Recrutamento está paralisada, à espera que o MEC encontre solução para o erro matemático que deu origem à ordenação errada dos professores. O director-geral da Administração Escolar, responsável pelos concursos pediu sexta-feira a demissão, que foi aceite pelo ministro.



De Destruidores d Escola pública e Cidadani a 25 de Setembro de 2014 às 15:10
Comunicado dos Professores do Movimento Boicote&Cerco da região de Coimbra
(2014/9/24, por pestanandre , 5Dias)

No passado dia 18 de setembro de 2014 tivemos o DESprazer de assistir ao debate encomendado pelo PSD, para que o ministro Nuno Crato pudesse fazer uma mea culpa (mais do que evidente), na nossa opinião e corroborando a do Dr. Marcelo Rebelo de Sousa, um pedido de desculpas que soou a falsidade e com o mero intuito de passar uma imagem de humildade, tão adequada ao período que se aproxima de eleições!

Qualquer ser humano que tenha prestado atenção à fórmula por 3 segundos percebe que ela estava mais do que errada. Um erro pouco admissível a um aluno de 4ª classe (4ºano)! Porém, por orgulho, o ministro e toda a sua equipa de trabalho, levaram semanas a compreender (tiveram que lhes explicar devagarinho, uma vez, e outra, e outra…). Continuamos a achar que se tratou de desonestidade intelectual, e desiludiu-nos que os maiores representantes legais a nível nacional tivessem ficado em silêncio, compactuando com este “crime” e ignorando as suas funções de zelar pela justiça e interesses do povo português!

Neste sentido, hoje escrevemos pelo DESprazer de ter assistido ao debate parlamentar e termos visto 3 “prostitutos intelectuais” (perdoem-nos a rudeza da expressão mas não nos ocorre expressão mais adequada) a falar perante um país. É que acreditem: são pagos a peso de ouro, com os nossos impostos!

Falamos naturalmente de Amadeu Albergaria, licenciado em Direito, advogado com inscrição suspensa, Duarte Marques, consultor, actualmente a tirar mestrado, e Michael Seufert, estudante de mestrado, e ao que parece teve frequência em licenciatura (Estranho? Talvez a conclusão desta tenha sido por equivalência similar a outra situação bem conhecida por todos nós).

Verificamos claramente que não são homens de números. Revelam clara necessidade de realizar uma PAAC política, apesar de nem todos reunirem habilitações para tal.

Ouvi-los foi de uma repugnância intelectual tremenda! Deviam ter-nos pago para tamanho feito!

Acreditamos que ainda hoje não percebam o erro da fórmula e por isso não falaram nela durante as suas

intervenções. Estavam claramente pouco à vontade para falar e, aqui entre nós, pareceram-me muito pouco informados sobre o assunto, não fosse essa a clara obrigação das suas funções!

Mas mesmo assim aventuraram e referiram 1% ou 2% de erros na colocação de professores. Esperamos por isso clarificá-los mais uma vez!

Na realidade dos factos e números, o problema das colocações NÃO afecta os 1% ou 2% dos professores! A VERDADEIRA percentagem dos professores que, sob a tutela deles, estão a ser afectados por este concurso é muito superior! Para não voltarem a cometer erros de matemática básicos, deveriam retirar à equação os mais de 90% dos professores que são de quadro e não foram alvo de qualquer concurso, não podendo entrar nas contas do problema que a incompetência deles causou! Ou seja, a TRAPALHADA do ministério da educação na colocação de professores não deverá fugir muito do extremo oposto nos números que erradamente referem, ou seja 98% ou 99% dos professores a concurso! Uma troca de valores (in)compreensível, como se pode ironicamente perceber!

O mais grave é estes senhores não perceberem que os mais penalizados com todas estas trapalhadas e evidentes sinais de incompetência não são apenas os professores e as suas famílias mas sobretudo as crianças e os jovens deste país que continuam sem muitos professores após mais de uma semana do início oficial do ano lectivo 2014/2015 e, ano após ano, a encontrarem condições para o sucesso escolar mais deficientes!
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De . Basta !! . a 25 de Setembro de 2014 às 15:14
BASTA de PALHAÇADAS na Escola Pública!
(-Setembro 14, 2014 por pestanandre , 5Dias)


Há um Ministro que quer:

- Concursos com cunha e confusão;

- Afastamento ilegal de professores pela PACC;

- Turmas sobrelotadas;

- Rescindir apenas com os professores que ele quiser;

- Alunos com Necessidades Educativas Especiais sem apoios;

- Professores precários;

- Escolas fechadas;

- Mega-agrupamentos… não há pessoas, só números;

- Concluindo, desinvestir no Ensino Público ao mesmo tempo que cede milhões para os lucros dos privados.

Será isto o “implodir o Ministério da Educação” como o próprio Nuno Crato chegou a anunciar publicamente?
Independentemente da resposta, a Escola Pública e as condições de quem lá trabalha (alunos, funcionários, psicólogos e professores)
são demasiado importantes para serem cobaias de um Ministro que cada vez mais revela total impreparação para continuar a exercer o seu cargo.

No Encontro Nacional de Professores Boicote&Cerco realizado dia 13 de Setembro em Coimbra, as
dezenas de professores de norte a sul do País (Almada, Seixal, Barreiro, Lisboa, Cascais, Leiria, Coimbra, Figueira da Foz, Viseu, Porto, Braga e Viana do Castelo)
decidiram nomeadamente juntar forças ao Meet de protesto para a próxima segunda-feira, dia 15 de Setembro em Lisboa e dinamizar também protestos semelhantes no mesmo dia na região centro (Coimbra) e norte (Porto).

Tantas mentiras, trapalhadas, desconsiderações e ilegalidades contra a Escola Pública não podem passar com o nosso silêncio:
BASTA DESTA PALHAÇADA!

Partilha com mais colegas e JUNTA-TE A NÓS esta segunda-feira às 15h.
Se possível traz um cartaz a denunciar a tua situação. Mais informações em: https://www.facebook.com/groups/464249357012999/

Dia 15 de Setembro, apesar de todos os seus gritos de propaganda na televisão, não permitiremos que o Crato diga que tudo está a correr com total normalidade… NÃO SEJAS CÚMPLICE COM O TEU SILÊNCIO!

“O QUE ME PREOCUPA NÃO É O GRITO DOS MAUS MAS O SILÊNCIO DOS BONS” M. Luther King

André Pestana, Professor desempregado


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