De Migrações, morte ... até quando?! a 21 de Abril de 2015 às 09:52
APOCALIPSE

Não podemos continuar a fingir que não vemos.
O naufrágio da madrugada de domingo, a 70 milhas da costa líbia, foi uma tragédia de proporções dantescas.
Serem 700 os ocupantes da embarcação naufragada, como diz a generalidade da imprensa, ou 950 (número que inclui duzentas mulheres e cinquenta crianças), como garantem os 28 sobreviventes, pouco muda.
Se tivesse caído um avião com uma dúzia de estudantes Erasmus, louros e de olho azul, a Europa entrava em transe.
A Itália não pode arcar sozinha com um problema que é de todos nós.


Etiquetas: UE, Vala comum mediterrânica
(. Eduardo Pitta, DaLiteratura , 20/4/2015)


De UE / ocid. ajuda Terroristas e a Morte a 22 de Abril de 2015 às 12:19
A UE face à tragédia no Mediterrâneo
(- Publicado por AG )

A União Europeia sabe o que tem a fazer para parar a tragédia, mas continua dividida, sem solidariedade, sem liderança capaz
(...)
Vergados a teses demagógicas e populistas assentes na ilusão de uma Europa fortaleza,
os Chefes de Estado e de Governo da União Europeia acabam por fazer o jogo de redes criminosas e terroristas, alimentando-lhes o negócio da traficância humana:
podiam retirar-lhes a base, o lucro, se abrissem vias legais para a migração.
É o que há muito recomenda o Parlamento Europeu, pedindo uma Política Comum de Imigração -
que, de resto, servirá os interesses da própria Europa, bem necessitada da contribuição rejuvenecedora dos migrantes.
(...)
O PE há muito que recomenda também uma Política Comum de Asilo, como pede o ACNUR
(...)
A UE podia e devia há muito ter uma acção coordenada, articulando as Marinhas e Guardas Costeiras numa operação da Política Comum de Segurança e Defesa para salvar vidas no Mediterrâneo e apanhar e julgar os traficantes.
(...)

As vagas de imigrantes e refugiados estão relacionadas com o crescendo do terrorismo, de conflitos, guerras, opressão e miséria,
por sua vez fomentados pela má governação que políticas europeias sustentam, por acção e omissão.

Por exemplo, na Etiópia (..) em Gaza (..) na Líbia.
Por omissão, por falta de coordenação europeia, a UE ajudou a entregar a Líbia ao caos e aos terroristas.

(...). É preciso que o problema seja encarado como problema europeu,
que respeita a todos e exige resposta solidária, em vez de ser deixado a gerir exclusivamente pelos Estados Membros da UE que, por causa da geografia, estão mais expostos, como Itália, Malta, Grécia.
(...)
O que falta é mobilização e coordenação estratégica:
falta-nos Europa, num problema que nenhum Estado Membro pode resolver sozinho.
Precisamos de mais Europa.
Precisamos de liderança europeia."

(note-se que nos órgãos da UE, a Comissão e o Conselho - mais conservadores/ neoliberais - estão muitas vezes em desacordo com o Parlamento, mais democrático e humanista).

------
(Extracto das notas ...na íntegra na ABA DA CAUSA aqui http://aba-da-causa.blogspot.be/2015/04/a-ue-face-tragedia-no-mediterraneo.html)


De Armas e Muros não servem ... a 23 de Abril de 2015 às 13:00
E se o Mediterrâneo secasse?

Os EUA construíram um muro para impedirem a invasão de emigrantes vindo do México e de todas a América Latina, Israel fez o mesmo para se proteger dos Palestinianos, na Europa já começaram a surgir novos muros para proteger aqueles que dantes estavam do lado de lá de outros muros de emigrantes, só a Europa ainda não precisou de um muro porque tem o Mediterrâneo.

Mas se o Mediterrâneo secasse como um dia terá sucedido ao Mar Vermelho para que Moisés conduzisse o seu povo para Israel a Europa seria invadida por vagas sucessivas de emigrantes e cairia da mesma forma como o império romano caiu às mãos das hordas dos hoje enriquecidos alemães. Mas o Mediterrâneo protege a Europa da miséria humana que promoveu a sul e os nórdicos liderados pela Alemanha pode estar mais preocupados com as disputas imperiais a leste do que com os milhares que morrem afogados no Sul.

A Europa invadiu o Norte de África por mais de uma vez, por ali disputou algumas da maiores batalhas da II Guerra Mundial, desenhou fronteiras e inventou Estados a régua e esquadro, invadiu e depôs governos sempre que os seus interesses estiveram em causa. Ainda há bem pouco anos destruiu o Iraque, promoveu a destruição da Síria, bombardeou a Líbia e ia lançando o Egipto na confusão. A norte do Sahel só Marrocos se escapou desta combinação perigosa entre a estupidez e o oportunismo europeu e americano.

Cada vez que o Ocidente decide “libertar” os países do Norte de África semeia a destruição, a desagregação e a corrupção e ao fim de décadas desta política o resultado está à vista, a Palestina não passa de barracas entre colunatos israelitas, a Síria está sendo assassinada aos poucos, o Líbano já não conta para nada, o Iraque está nas mãos do Estado Islâmico, a Líbia quase desapareceu. Graças à pilhagem dos arsenais na Líbia, Síria e Iraque o extremismo islâmico tem hoje um exército de dimensão mundial e lança o terror desde a Nigéria à Líbia e desde o Afeganistão a Paris. Foi este o resultado das invasões libertadoras e das primaveras promovidas por jornalistas que fugiram espavoridas depois de terem levado uns apalpões no rabo em plena Praça Tahrir.

Escaparam-se o Egipto onde os militares acabaram com as brincadeiras primaveris promovidas por idiotas americanos e franceses e o Egipto onde ingleses e americanos só fizeram asneiras ao longo de anos. Agora as consequências estão à vista, quase todo o norte de África nas mãos de extremistas e vários países totalmente destruídos. Agora o Hollande já não manda bombardear sem pedir a opinião de ninguém e exige reuniões europeias, mas quando quis bombardear Tripoli ajudando os extremistas a tomarem conta da Líbia não precisou da opinião dos seus parceiros.

De asneira em asneira os países do Mediterrâneo caminham para uma crise de grandes dimensões, a norte é a crise económica e financeira, a sul assiste-se a uma crise humanitária. Mas a Alemanha e os países ricos estão mais preocupados com os territórios dos russos da Ucrânia e com a sanções a Putin.


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