14 comentários:
De Estaticídio ou assassinato de Países/Pov a 24 de Abril de 2015 às 16:49

---: Quando o Estado desaparece, resta a barbárie (!!!)

... Ou quando o Estado é substituído pela anarquia das seitas.

(-por Vital Moreira , 24/4/2015, http://causa-nossa.blogspot.pt/ )
http://economico.sapo.pt/noticias/estaticidio_216541.html

--- ESTATICÍDIO
Vital Moreira , 22 Abr 2015

1. O Mediterrâneo está a transformar-se num mar de náufragos que fogem da miséria, da violência e da barbárie que prevalecem em vários países na sua margem sul e da África sub-sariana.

Mas a Europa, que sofre o impacto dessa tragédia, tem muitas culpas no cartório.
Mais do que a ancestral pobreza, o que precipitou a fuga maciça do leste e do sul do Mediterrâneo
foi a insegurança, a violência e o caos económico e social provocados pela desestruturação dos Estados da região,
primeiro no Iraque, depois na Líbia, depois no Egito e na Síria,
sem esquecer a desesperança de um Estado palestiniano, sempre adiado e todos os dias inviabilizado pelo expansionismo israelita.

Sem aprender a trágica lição da intervenção militar dos Estados Unidos no Iraque, que destruiu o Estado laico,
substituindo-o por um conjunto de feudos religiosos, a Europa resolveu seguir o mesmo caminho, com a intervenção franco-britânica na Líbia e com o apoio à destabilização da Síria e do Egito,
na ilusória esperança de uma “primavera árabe” que criasse uma nova fronteira da democracia liberal,
como se esta fosse exportável à força para sociedades onde a identidade religiosa e tribal prevalece ainda sobre qualquer noção de cidadania, que é essencial à própria noção de democracia.

O resultado, porém, foi a destruição do Estado,
que é o único garante da segurança em sociedades divididas em termos étnicos e religiosos.
Desaparecido o Estado, o que restou foram as tribos, as fações e as seitas religiosas, numa luta sem quartel entre si, no meio da violência e da barbárie.
Do vazio criado pelo “estaticídio” emergiu o “Estado islâmico” e as suas crescentes ramificações no próximo oriente e na África.

2. A tragédia dos migrantes que naufragam no Mediterrâneo é uma consequência e um sintoma de um mal maior.
A Europa não deve poupar esforços para minorar a tragédia.
Mas tem o dever de ir à raiz do problema, do qual é em grande parte responsável.
Importa, antes de mais, mobilizar todas as forças para derrotar o Estado islâmico e cortar as suas crescentes extensões pelo mundo árabe.
Em segundo lugar, há que restabelecer o Estado e a sua autoridade
(forças de segurança, exército, administração), lá onde ele foi destruído ou foi debilitado, como no Iraque, na Síria, na Líbia, no Iémen, na Somália, etc.

É evidente que na Síria a Europa e os Estados Unidos têm de optar entre esmagar o Estado islâmico ou mudar o regime de Damasco e que,
do mesmo modo, têm de optar entre a indecente complacência com Israel ou apoiar a criação do prometido Estado palestiniano.
Depois há que cuidar da estabilização económica e social, através do apoio financeiro ao desenvolvimento e do investimento e aprofundamento das relações comerciais.
Sem economia e sem trabalho não há esperança.

A Europa tem de optar decididamente pela garantia da paz, da segurança e da estabilidade económica e social nas margens do Mediterrâneo.
E isso não se faz sem restabelecer os Estados e a segurança de vida que só eles proporcionam.

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---: Quando o ESTADO desaparece, resta a BARBÁRIE (!!!)

... Ou quando o Estado é substituído pela anarquia das seitas (religiosas, milicias e/ou ...).

ou
Quando o Estado é reduzido ao Mínimo,
quando é Capturado por transnacionais, grupos Financeiros, oligarcas e Máfias, ...

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http://economico.sapo.pt/noticias/estaticidio_216541.html


De Responsabilidades da UE, USA, UN e NATO. a 28 de Abril de 2015 às 10:01
Responsabilidades europeias na Líbia

(-por AG , 25/4/2015, Causa nossa)

Incomodando-me a responder, como pede o meu amigo Francisco Seixas da Costa, no seu blog "Duas ou três coisas", aqui http://duas-ou-tres.blogspot.com/2015/04/questoes-incomodas.html:

Os europeus TÊM, de facto, RESPONSABILIDADES pelo CAOS /santuário TERRORISTA em que se tornou a LÍBIA.
Não por terem ajudado a derrubar Kadafi - exercitado em usar desgraçados de refugiados e pressões migratórias como extorsão sobre a UE, além de manter sob terror o seu próprio povo.
Os europeus têm de se culpar não pelo que fizeram na Líbia post-Kadafi, mas pelo que NÃO fizeram:
antes de mais, por negligenciarem as necessidades de reforma do sector de segurança,
incluindo desarmamento e reinserção social das milícias líbias - o básico SSR/DDR.

Desmembrar as milícias e ajudar a criar forças de segurança sob comando central do governo líbio devia ter estado no topo da agenda da ONU e da UE na Líbia post-Kadafi.
Como escrevi e recomendei repetidamente nos relatórios que fiz das minhas visitas regulares à Líbia desde o início da revolução, enquanto relatora do PE para a Líbia (em Maio de 2011 fui a Benghazi e à linha da frente onde os líbios lutavam contra as forças de Kadafi, então em Ajdabia -
a Libia não foi "regime change" imposto de fora para dentro, como no Iraque em 2003..,
o povo líbio estava na rua a lutar contra o opressor).

Era óbvio que as MILÍCIAS seriam INFILTRADAS por organizações CRIMINOSAS e TERRORISTAS.
Era óbvio que os arsenais/ARMAS deixados por Kadafi estavam ao Deus dará, à mercê de ser encaminhados para as mãos de terroristas na Síria, Mali, etc se ninguém cuidasse de os guardar (ninguém na UE cuidou!...).
Era óbvio que não havia forças armadas, polícia ou sistema judicial na Líbia: não havia Estado com Kadafi, ele arrasava quaisquer instituições ou indivíduos que desafiassem o seu poder AUTOCRÁTICO.

A UE nunca sequer tentou organizar uma missão CSDP/Libia (como o PE recomendou) para controlar arsenais e cooperar com outros países (designadamente vizinhos) num programa de SSR/DDR, que UN também nunca lançou...
Apesar do último governo líbio de transição (Ali Zeidan) o ter repetidamente pedido, à UE e depois, já em desespero, à NATO: em vão...

A HR/VP da UE Ashton foi uma calamidade para a Líbia ( e não só...) -
estava às ordens de Cameron.... UK, França e Itália (a Alemanha também, embora menos - mais por omissão, do que por acção...)
têm principais responsabilidades por impedirem de ser lançada uma missão CSDP abrangente,
não apenas focada na segurança das fronteiras -
a EUBAM finalmente enviada não podia funcionar, como não funcionou, sem haver comando nacional das forças armadas ou policiais libias -
elas pura e simplesmente não existiam senão em nome: o que havia no terreno eram milícias...

UK, Itália e França preferiram apostar em colocar "advisers" nos ministérios líbios para assegurar o seu "business as usual"
- CONTRATOS de equipamentos, PETRÓLEO, 'CONSULTADORIA', etc, como faziam com Kadafi.
Competiram (por NEGÓCIOS CHORUDOS) entre si, em vez de COOPERAREM estrategicamente para AJUDAR a capacitar os líbios para a governação, a segurança líbia, regional e a ....segurança europeia.

Faltou-nos e falta-nos Europa, como o agravamento da TRAGÉDIA no Mediterrâneo demonstra.
E o pior é que o impacto do santuário TERRORISTA em que deixaram transformar a Líbia ainda está apenas a fazer-se sentir...


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