É você que se preocupa com a Dívida?
Teve lugar esta tarde, 22/10/2014, na Assembleia da República, o debate sobre duas Petições (a da IAC e a do Manifesto dos 74) e três Projectos de Resolução (BE, PCP e PS), há muito agendado.
Apenas foi transmitido pelo canal Parlamento – zero nas três estações de notícias da TV.
E nem sequer estavam a falar de futebol!
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PS e abstencionismo
(23/10/2014, entre as brumas...)
Quatro deputados do Partido Socialista, que há meia dúzia de meses subscreveram o chamado Manifesto dos 74
– Preparar a reestruturação da dívida para crescer sustentadamente –,
abstiveram-se hoje, na Assembleia da República, na votação deste projecto de resolução:
Pela reestruturação da dívida para crescer sustentadamente.
Se alguém me explicar porquê, com argumentos simples e racionais, contribuirá para a minha sanidade mental.
Agradecida.
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Renegociar a dívida – uma questão moral
«Foi entre a questão do monopólio dos tabacos (e da dívida externa) e a crise do Crédito Predial
que a Monarquia foi deslizando para a República
e esta para o Estado Novo / fascista.
O pântano dos interesses pessoais e de grupo alimentaram sempre as sementes das grandes mudanças.
Quando se olha hoje para a implosão do grupo Espírito Santo e para aquilo que, para já, foi arrastado no furacão (comece-se pela destruição da PT),
percebe-se que no centro de tudo está a destruição de uma estratégia para o país sustentada nos interesses particulares de alguns.
O que era bom para o BES era bom para a PT
e o que era bom para estes era bom para o Estado,
incluindo a compra de submarinos, algumas privatizações, algumas escolhas de pessoas para os lugares certos.
No meio de tudo isso, facilitadores de negócios prosperaram. (...)
Um modelo de Portugal desintegrou-se perante um Governo que apenas está preocupado com o Orçamento e com o saque de impostos
e outro está a tentar nascer (feito de empresas de pequena e média dimensão) que têm como
guilhotina em cima das suas cabeças o inexistente crédito, uma burocracia e justiça inclementes e impostos demolidores.
Será talvez um país mais flexível mas que tem de lutar contra a falta de jovens quadros que emigraram devido ao convite deste Governo.
Mas o grande problema é que nas cinzas do que implodiu com estrondo
continuam a existir grandes grupos de interesses que se alimentam deste Estado fraco,
que expurga da administração pública os melhores em nome da "reforma",
que facilitam contractos e negócios,
que aspiram a ganhar a comissão das últimas privatizações e de outras empreitadas gerais.
Aí Portugal não mudou.
Empobreceu, continuará a estar exangue enquanto não renegociar esta dívida brutal com um serviço da dívida impossível de pagar com este crescimento.
A questão é política. É social. É de visão estratégica.
Mas, sobretudo, é moral. É, tristemente, uma questão moral.»
(-por Fernando Sobral , 24/10/2014)
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