De .XXI Governo em via estreita... a 26 de Novembro de 2015 às 17:50

---Carta de António Costa a Cavaco Silva

Ricardo Araújo Pereira na Visão de hoje:

«Quero sossegar V. Exa. acerca das medidas que o meu governo vai tomar no sentido de garantir a estabilidade do sistema financeiro. São elas: impedir que qualquer amigo de V. Exa. funde ou administre bancos; propor um aditamento à Constituição, que impeça V. Exa. de fazer considerações acerca dos bancos nos quais os portugueses podem ou não confiar.»

Na íntegra AQUI

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-----Entre a guerra e a paz

«António Costa sabe, como Sun Tzu, que: "O verdadeiro objectivo da guerra é a paz."
E o da política é a conquista e a manutenção no poder.
Por isso o seu Governo é de guerra, tentando que a paz futura seja possível.

Mestre da negociação, Costa criou um Governo ninja. Político, mas também técnico e táctico. Porque tem de tentar conciliar aquilo que pode parecer inconciliável:
a dívida, a pressão de Bruxelas (e do PPE, cérebro do PSD e do CDS),
a tentação distributiva do BE e do PCP,
a defesa da economia de mercado e o reforço do poder do Estado,
a relação institucional com Cavaco e com Carlos Costa e a fractura política que estes meses alimentaram.

O excel vai continuar a existir, mas vai ser equilibrado com mais política e sensibilidade. É uma sopa de pedra com ingredientes que parecem não combinar.
Só que esta procura da paz faz-se à sombra da guerra. Porque esta vai ser de guerrilha constante.

O PS perdeu a hegemonia cultural (e mediática) da sociedade portuguesa, hoje controlada pela teia que os cérebros que estão na sombra por detrás do PSD e do CDS teceram.
Será uma batalha desgastante que terá sempre uma guilhotina presente: o controlo orçamental.

Este é um Governo contra a ideologia da austeridade como princípio, meio e fim. Por isso terá de, como dizia Einstein sobre Deus, "jogar aos dados com o Universo".
É um jogo que também é de sorte e azar, porque terá de convencer a maioria parlamentar e a outra, os portugueses, que estão a assistir.

O novo Governo terá também de dar novas energias ao Estado, alvo de uma implosão estrutural por parte da anterior maioria.
António Costa terá de apelar ao realismo e ao bom senso.
Para resolver a equação terrível de governar entre as fronteiras do que julga desejável e o que é financeiramente aceitável, entre as tradições sociais do PS e o frio clima que a crise da dívida legou a Portugal.
É um caminho estreito. E minado.»

Fernando Sobral


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