De As GREVES, os Sindicatos e ... a 30 de Janeiro de 2014 às 14:58

AS GREVES NÃO RESOLVEM NADA ?
(-por A.Brandão Guedes ,27/1/ 2014 . BaseFUT)

"Não é com greves que se resolvem os problemas"-diz Carlos Silva da UGT ! Esta afirmação, seja em que contexto for, não é de um sindicalista!
Todos sabemos que uma greve é uma arma de recurso para tentar resolver um conflito laboral, defender um direito ou um interesse!
Todos sabemos que negociar é, no fundo, o objetivo da greve. Negociar com algum equilíbrio numa relação quase sempre desigual entre a empresa e os trabalhadores!

Não se pode, portanto, contrapor a greve à negociação. Ambas fazem parte da ação sindical !
Compete aos trabalhadores e seus representantes eleitos a decisão de ir diretamente para a negociação ou fazer uma greve antes da negociação!
Sabemos que a UGT tem a matriz da negociação! (e cedência às posições patronais e governamentais, do centrão e da direita neoLiberal)
Por vezes, tem a tentação da negociação pela negociação e comete erros tremendos para as lutas dos trabalhadores como o último acordo de concertação com este governo, admitindo alterações legislativas no Código do Trabalho que viriam a ser tornadas inconstitucionais pelo próprio Tribunal constitucional!
Toda a gente viu, inclusive organizações da UGT, que esta Central fez mais um grande frete ao governo de Passos/Portas.
Por outro lado, sabemos que alguns sindicatos da CGTP exageram na greve banalizando-a e desgastando as organizações e cansando a população utente!
Carlos Silva entrou na UGT com uma outra linguagem e anunciando uma outra prática sindical. Claro que na linha reformista da UGT. Ninguém estava á espera que não atuasse numa linha mais negociadora do que de rua!
Mas, passados uns meses parece que alguém lhe deu um raspanete e mudou as agulhas! Não é com afirmações destas que ganha credibilidade sindical!
Pode abrir-lhe as portas do governo.
Um governo que nem o salário mínimo foi capaz de aumentar num contexto de crise tremenda para os trabalhadores mais pobres!
Um governo que não negoceia, apenas faz de conta que ouve e consulta!
Valerá a pena por um prato de lentilhas?


AUTONOMIA SINDICAL EM PORTUGAL!

Em Nov. deste ano, no âmbito do 40º aniversário da BASE-FUT, será apresentado um livro sobre os contributos desta organização ao movimento sindical português.
Fernando Abreu é dos principais obreiros desta obra acompanhado por uma equipa de investigadores com relevo para Avelino Pinto Prof. Universitário e formador e ainda José Vieira, sociólogo especializado nas questões ligadas á oposição católica durante a ditadura.

As edições Base publicaram em 2004 um primeiro livro sobre o trajeto cultural e social da BASE-FUT. Porém, neste livro, que agora se prepara, aprofunda a dimensão sindical que foi, e ainda é hoje, o centro de atividade desta Organização.

Fernando Abreu, que fez recentemente 80 anos, foi certamente um dos sindicalistas da chamada área católica mais influentes no movimento sindical português, em particular dos anos 60 a 80 do século XX.
Chegou a receber a condecoração de mérito industrial das mãos do Presidente da República General Eanes (segundo mandato). Foi o principal obreiro das Edições «BASE» e diretor da revista «Autonomia Sindical», publicação que foi considerada a melhor no seu género em Portugal.

Na década de sessenta e setenta o Fernando Abreu foi decisivo na organização e atividade do Centro de Cultura Operária (CCO),
organismo dos movimentos operários católicos, na formação de militantes operários e na estratégia geral desta área relativamente á formação da Intersindical.

Mais tarde a após a Revolução dos Cravos e como dirigente da BASE-FUT Fernando Abreu desenvolveu intensa atividade nos sindicatos dos escritórios e no debate intenso sobre a unicidade sindical, defendendo a unidade dos trabalhadores numa só central sindical
onde as diferentes correntes pudessem conviver sem fraturar o movimento sindical português.

Esse combate desembocou no Congresso de todos os sindicatos em 1977 que permitiu uma maior abertura da CGTP mas não evitou a criação da UGT para onde passaram alguns militantes da BASE-FUT.
No seio da Confederação Mundial do Trabalho Fernando Abreu representava frequentemente a BASE-FUT desde os tempos da clandestinidade.
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