2 comentários:
De Inovação, investig., o papel do Estado. a 27 de Abril de 2015 às 10:26
Pensar o papel do Estado e pensar a longo prazo...

Esta semana tive o prazer de estar numa conferência em que a oradora principal era a Mariana Mazzucato da Universidade de Sussex. É uma economista que se estuda questões ligadas ao crescimento e à inovação com especial enfase nas questões institucionais.
As questões que colocam desafiam muito a visão conservadora hoje dominante na Europa sobre a atuação e o papel das instituições públicas na promoção da inovação e do crescimento.
Na apresentação que fez começa por caracterizar a visão dominante nos Governos europeus de hoje como uma que se limita a perguntar:

"Why doesn´t the government just get out of the way and let the private sector - the real revolutionaries innovate"?

Mariana Mazzucato questiona esta visão, e mostra que em países como os EUA ou a Alemanha foram instituições públicas que fizeram grande parte da inovação, e é o papel activo de diferentes instituições públicas que actuam em diferentes partes do processo de inovação que determina o sucesso americano em criar valor nesta área (podem ver uma talk mais curta do que a que apresentou no ISEG aqui).

Estas ideias estão no seu livro com o título provocador O Estado empreendedor que é descrito pela editora da seguinte forma:

The Entrepreneurial State: debunking public vs. private sector myths - Anthem 2013 - is stirring up much-needed debate worldwide about the role of the state in fostering long-run innovation led economic growth.The book comprehensively debunks the myth of a lumbering, bureaucratic state versus a dynamic, innovative private sector. In a series of case studies—from IT, biotech, nanotech to today’s emerging green tech—Professor Mazzucato shows that the opposite is true: the private sector only finds the courage to invest after an entrepreneurial state has made the high-risk investments. In an intensely researched chapter, she reveals that every technology that makes the iPhone so ‘smart’ was government funded: the Internet, GPS, its touch-screen display and the voice-activated Siri. Mazzucato also controversially argues that in the history of modern capitalism the State has not only fixed market failures, but has also actively shaped and created markets. In doing so, it sometimes wins and sometimes fails. Yet by not admitting the State’s role in such active risk taking, and pretending that the state only cheers on the side-lines while the private sector roars, we have ended up creating an ‘innovation system’ whereby the public sector socializes risks, while rewards are privatized. The book considers how to change this dysfunctional dynamic so that economic growth can be not only ‘smart’ but also ‘inclusive’.

Eu confesso que concordo com muitas das ideias que apresentou. Nessa conferência tentei enquadrar o caso português, usando a experiência que tive com o estudo que fiz para a Gulbenkian. Salientei o importante avanço que houve na ciência, mas também na transferência de tecnologia e na inovação em vários sectores. Salientei que este avanço aconteceu em vários sectores, mas que foi particularmente notório em sectores em que instituições de transferência de tecnologia públicas ou semi-publicas cooperaram com associações empresariais, empresas e universidades de forma produtiva. Estes exemplos são muito variados e não surgiram apenas ou sequer especialmente em áreas de alta tecnologia.

A indústria do calçado em Portugal, por exemplo, não deu a volta por conseguir baixar salários, mas por conseguido evoluir para ter o segundo maior preço mundial. E quem conseguiu isso foram os empresários com visão, mas foram também as associações do sector, o centro tecnológico do calçado (CTCP) e a colaboração que desenvolveu com universidades, no design e engenharia, com a AICEP, o IAPMEI, etc. O mesmo pode ser dito do sector têxtil e vestuário, ou de outros tão diferentes como o sector agrícola, os produtos metálicos, automóvel, software ou do turismo.
As estratégias bem sucedidas partiram de iniciativas empresariais inovadoras, mas também da forma como estas se coordenaram com outras empresas e com instituições públicas relevantes. No sector agrícola a organização da comercialização fez uma enorme diferença. Nos produtos metálicos a melhoria da tecnologia e certificação mais avançada permi ...
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De M. Gago, Exmº servidor da causa pública. a 28 de Abril de 2015 às 13:07
Mariano Gago olhava-se sempre como um servidor da causa pública, do Estado,
e não como alguém que se quisesse aproveitar do poder em benefício próprio, como muitos que por aí há fizeram e continuam a fazer descaradamente, todos os dias.

Para ele, o Estado era para ser servido, de preferência pelos melhores.
Existe hoje uma falta assustadora de visão política, olhando-se apenas para as pessoas quando se pretendem obter votos para chegar ao poder; depois disso, esquecem-se das vãs promessas.

Esse método, já bem nosso conhecido, é apanágio da direita-extrema direita portuguesas, que quarenta anos volvidos, não assimilou ainda a cultura democrática e desconhece completamente princípios de ordem moral, ética e de respeito pelo próximo e do seu país!
Mente-se com o maior desaforo todos os dias, como todos bem sabemos e isso imperdoável!!!
Pode-se não poder cumprir o prometido por razões exteriores, como por exemplo em consequência da crise mundial de 2008, com reflexos negativos em toda a Europa como em Portugal.
A falsa propaganda extremista/direitista em 2010/2011 levaram as pessoas menos esclarecidas e informadas, com a ajuda de alguma comunicação social, diga-se, levaram à queda do governo minoritário do PS liderado por José Sócrates.

Outrossim não se admite do actual governo que, apesar de nada cumprir do que prometeu, pelo contrário, nos impôs enormes sacrifícios todos os dias e, não obstante os indicadores mostram, apesar de tudo isso, não cumpriu nem só um dos seus objectivos e deixa o país e o povo (excepto os ricos que estão agora ainda mais ricos) bem pior do que há quatro anos.
Há quatro anos faltou-nos um Presidente da República independente, sério e honesto e...
Se não fosse assim, alguns teriam de fazer sacrifícios certamente, mas a classe média, sobretudo e o povo pobre não passavam por esta desgraça e o país estaria bem melhor
nem as empresas estariam a ser vendidas ao desbarato, a retalho, para entregar nas mão de uns quantos que, no fim do ano, apresentam lucros ainda maiores, enquanto o povo está muito pior do que antes! !
Estes governantes para mim valem tanto como um zero à esquerda, nada; são uns populistas compulsivos, porcos que nos tomam como burros e estúpidos!!!
Se assim não fosse, ter-se-ia evitado toda esta tragédia.

Mariano Gago, um Homem simples, afável, de excelente qualidade, da melhor que tivemos, colocou Portugal no mapa mundo da ciência e investigação científica.
Faleceu na sexta-feira aos 66 anos de idade.
Sobre o desaparecimento de uma pessoa de alto gabarito, como ele foi, há aspectos da nossa vida política que importa agora recordar, para que a memória os não apague.

Ainda no final dos anos sessenta do século passado, enquanto jovem estudante de engenharia de partículas no Instituto Superior Técnico, inconformado com o regime fascista de Marcelo Caetano, foi notória a participação de Mariano Gago na revolta estudantil de 1969.
Os laços de cumplicidade e solidariedade que lá se forjaram, resistiram a tudo, porque o IST, além de uma escola de alta qualidade, era também um dos baluartes da luta estudantil.
Foi presidente da Associação de Estudantes do Técnico e não era um contestatário igual a muitos outros, porque lia com certeza Marx e Engels, mas também os clássicos da literatura.
Já era o que sempre foi, o mais inteligente e bem preparado e de larga visão do país e do futuro do povo português.
A comunicação social fez eco da efeméride de forma generalizada. Porém, enquanto alguns de forma honesta e justa, fizeram uma descrição exaustiva e rigorosa deste vulto da nossa cultura, outros dos seus detratores, que antes sempre estiveram na linha da frente contra a ciência e investigação científica,
vieram agora que ele morreu, com lágrimas de crocodilo, louvar tudo aquilo que antes sempre contestaram, tecendo-lhe palavras de louvor e consideração, deixaram de boca aberta. Hipócritas!

Deve-se aos governos do PS e a Marino Gago o facto de Portugal se encontrar na linha da frente dos países mais evoluídos na vertente da ciência, investigação científica e educação.

Mariano Gago lançou a semente que acabou por dar bons frutos, formando os cidadãos de alta qualidade que, graças a ele, se formaram, muitos dos quais, infelizmente para o país, estão a fugir do seu...


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