9 comentários:
De Bons Exemplos de Mulheres. a 9 de Março de 2016 às 15:03
http://www.tvi24.iol.pt/politica/mariana-mortagua/qualquer-mulher-no-parlamento-ja-sentiu-que-tem-de-trabalhar-o-dobro
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No dia em que a TVI dedicou a emissão às mulheres, Catarina Martins, porta-voz do Bloco de Esquerda (BE), e Mariana Mortágua, deputada do BE, falam sobre a presença das mulheres na política e as desigualdades de género em Portugal em entrevista no Jornal das 8.

Na política, como noutras áreas da sociedade, a mulher deve, na opinião da porta-voz do BE, ser encarada e reconhecida pelo seu mérito e não pelo género.
“As mulheres devem ser protagonistas pelo trabalho que fazem e não por serem mulheres”, disse.

Para Catarina Martins, “a presença de homens e mulheres na política é uma questão de democracia” apesar de muitas decisões da vida nacional “estarem fechadas num grupo de homens” que nem sempre abordam os temas do quotidiano que acabam por afetar mais as mulheres.

Mariana Mortágua partilha da mesma opinião.
“Sempre que são afetadas áreas estruturantes da sociedade são as mulheres que sofrem em primeiro lugar”,
como aconteceu quando o abono de família foi diminuído ou foram aumentados os encargos com lares e educação.

Numa altura em que se debate o Orçamento de Estado para 2016, Catarina Martins sublinhou que “há uma série de medidas sociais que foram debatidas não só por mulheres, como é o caso do aumento do abono de família”.

"A desigualdade de género é algo muito sério em Portugal”

Apesar dos esforços para diminuir as diferenças entre homens e mulheres, em Portugal ainda há diferenças salariais, laborais e sociais entre géneros.
“Julgo que há hoje imenso respeito e um certo carinho por haver mulheres na política com as mesmas responsabilidades que os homens”, considera Catarina Martins, mas a desigualdade de género continua a ser “algo muito sério em Portugal”.

(Veja também: Governo vai propor lei para haver mais mulheres a administrar empresas)

Questionada sobre a ausência de mulheres no poder, nomeadamente à frente do Governo e da República, a dirigente bloquista tem uma posição clara e defende que “ninguém cede o poder, tem de ser sempre conquistado”.
Para Catarina Martins, a mulher ainda tem que se esforçar muito para sobressair num mundo onde as diferenças de género lideram.
Este é um país “paternalista, que não leva a sério as opiniões das mulheres e não trata as mulheres como trataria homens nas mesmas posições”.
Apesar desta realidade, a representante do BE considera que a luta por mais direitos e reconhecimento faz parte do papel da mulher e no dia em que tudo esteja mais equilibrado será sinonimo de já não ser necessário “trabalharem mais 65 dias por ano para receberem o mesmo que os homens”.

As mulheres no Parlamento

A lei da paridade portuguesa prevê a presença de uma representação mínima de 33,3% de mulheres nas listas apresentadas para eleger deputados à Assembleia da República.
Nos corredores, esta presença feminina passa muitas vezes despercebida.
A deputada do BE garante que já sentiu a pressão e uma exigência superior por ser mulher.
Na Comissão de Inquérito ao Caso BES, a prestação de Mariana Mortágua foi elogiada diversas vezes pela postura assertiva adotada durante as suas intervenções.

Apesar desta situação, a deputada garante que “qualquer mulher no Parlamento já sentiu que tem de trabalhar o dobro” para se evidenciar e ver o seu trabalho reconhecido porque “as mulheres têm que provar duas vezes o que fazem para que o seu mérito seja reconhecido”.


De .MULHER(es) e homens ... a 17 de Março de 2016 às 12:51
---As mulheres têm fios desligados

( -crónica de ALA*)

"Há uns tempos a Joana,
- Pai, acabei um namoro à homem.
Perguntei como era acabar um namoro à homem e vai a miúda
-Disse-lhe o problema não está em ti, está em mim.
O que me fez pensar como as mulheres são corajosas e os homens cobardes.
Em primeiro lugar (eles) só terminam uma relação quando têm outra.
Em segundo lugar são incapazes de
- Já não gosto de ti
de
- Não quero mais
chegam com discursos vagos, circulares
- Preciso de tempo para pensar
- Não é que não te amo, amo-te, mas tenho de ficar sozinho umas semanas
ou declarações do género de
- Tu mereces melhor do que eu
- Estive a reflectir e acho que não te faço feliz
- Necessito de um mês de solidão para sentir a tua falta

e aos amigos
- Dá-me os parabéns que lá me consegui livrar da chata
- Custou-me mas foi
- Amandei-lhe daquelas lérias do costume e a gaja engoliu
- Chora um dia ou dois e passa-lhe

e pergunto-me se os homens gostam verdadeiramente das mulheres.

Em geral querem uma empregada que lhes resolva o quotidiano e com quem durmam, uma companhia porque têm pavor da solidão, alguém que os ampare nas diarreias, nos colarinhos das camisas e nas gripes, tome conta dos filhos e não os aborreça.

Não se apaixonam: entusiasmam-se e nem chegam a conhecer com quem estão.

Ignoram o que ela sonha, instalam-se no sofá do dia a dia, incapazes de introduzir o inesperado na rotina, só são ternos quando querem fazer amor e acabado o amor arranjam um pretexto para se levantar
(chichi, sede, fome, a janela de que se esqueceram de baixar o estore)
ou fingem que dormem porque não há paciência para abraços e festinhas,
pá, e a respiração dela faz-me comichão nas costas, a mania de ficarem agarradas à gente, no ronhónhó, a mania das ternuras, dos beijos, quem é que atura aquilo?

Lembro-me de um sujeito que explicava

- O maior prazer que me dá ter relações com a minha mulher é saber que durante uma semana estou safo

e depois pegam-nos na mão no cinema, encostam-se, colam-se, contam histórias sem interesse nenhum que nunca mais terminam, querem variar de restaurante, querem namoro, diminutivos, palermices e nós ali a aturá-las.

O Dinis Machado contava-me de um conhecedor que lhe aclarava as ideias
- As mulheres têm fios desligados

e um outro elucidou-me que eram como os telefones: avariam-se sem que se entenda a razão, emudecem, não funcionam e o remédio é bater com o aparelho na mesa para que comecem a trabalhar outra vez.

Meu Deus, que pena me dão as mulheres.
Se informam
- Já não gosto de ti
se informam
-Não quero mais
aí estão eles a alterarem a agressividade com a súplica, ora violentos ora infantis, a fazerem esperas, a chorarem nos SMS a levantarem a mãozinha e, no instante seguinte, a ameaçarem matar-se, a perseguirem, a insistirem, a fazerem figuras tristes, a escreverem cartas lamentosas e ameaçadoras, a entrarem pelo emprego dentro, a pegarem no braço, a sacudirem, a mandarem flores eles que nunca mandavam flores, a colocarem-se de plantão à porta dado que aquela puta há-de ter outro e vai pagá-las, dispostos a partes-gagas, cenas ridículas, gritos.

A miséria da maior parte dos casais, elas a sonharem com o Zorro, com o Che Guevara ou eles a sonharem com o decote da vizinha de baixo, de maneira que ao irem para a cama são quatro: os dois que lá se deitam e os outros dois com quem sonham.

Sinceramente as minhas filhas preocupam-me: receio que lhe caia na sorte um caramelo que passe à frente delas nas portas, não lhes abra o carro, desapareça logo a seguir por chichi-sede-fome-persiana-mal-descida-e-os-ladrões-percebes, não se levante quando entram, comece a comer primeiro e um belo dia

(para citar noventa por cento dos escritores portugueses)

- O problema não está em ti, está em mim

a mexerem na faca à mesa ou a atormentarem a argola do guardanapo, cobardes como sempre.

Não tenho nada contra os homens: até gosto de alguns.
Dos meus amigos.
De Shubert.
De Ovídio.
De Horácio, de Virgílio.
De Velásquez.
De Rui Costa.
De Einzenberger.

Razoável, a minha colecção.

Não tenho nada contra os homens a não ser no que se refere às mulheres.
E não me excluo: fui cobarde, idiota, desonesto.
Fui
(espero que não muitas vezes)
rasca.

Volta e meia ...


De .MULHER(es) e homens ... a 17 de Março de 2016 às 12:56
...
...
Volta e meia surge-me na cabeça uma frase de Conrad em que ele comenta que tudo o que a vida nos pode dar é um certo conhecimento dela que chega tarde demais.

Resta-me esperar que ainda não seja tarde para mim.
A partir de certa altura deixa-se de se jogar às cartas connosco mesmos e de fazer batota com os outros.

O problema não está em ti, está em mim, que extraordinária treta.

Como os elogios que vêm logo depois: és inteligente, és sensível, és boa, és generosa, oxalá encontres etc., que mulher não ouviu bugigangas destas?

Uma amiga contou-me que o marido iniciou o discurso habitual
- Mereces melhor que eu
levou como resposta
- Pois mereço. Rua.

Enfim, mais ou menos isto, e estou a ver a cara dele à banda.
Nem uma lágrima para amostra. Rua.
A mesma lágrima para amostra. Rua.

A mesma amiga para uma amiga sua
- O que faço às cartas de amor que me escreveu?
e a amiga sua
- Manda-lhas. Pode ser que lhe façam falta.

Fazem de certeza: é só copiar mudando o nome.

Perguntei à minha amiga
- E depois de ele se ir embora?
- Depois chorei um bocado e passou-me.

Ontem jantámos juntos.
Fumámos um cigarro no automóvel dela, fui para casa e comecei a escrever isto.

Palavra de honra que na janela uma árvore a sorrir-me.
Podem não acreditar mas uma árvore a sorrir-me.

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* (Crónica de António Lobo Antunes in Visão)

Postado por Carlos Barbosa de Oliveira, 12/3/2016, Crónicas do rochedo.


De Contra Femicídio, Violência e Assédio a 8 de Junho de 2015 às 12:20
--- Manifestação histórica na Argentina contra femicídio e violência de género e assédio

A campanha contra a violência machista #NiUnaMenos culminou numa manifestação nesta quarta-feira que ocupou as ruas de dezenas de cidades argentinas. O protesto acabou por se estender também a países como Chile, Uruguai e México.
... ... ...

http://www.esquerda.net/artigo/manifestacao-historica-na-argentina-contra-femicidio-e-violencia-de-genero/37255


De QUOTAS mínimas p. Mulheres e Homens. a 9 de Março de 2015 às 12:47
QUOTAS FEMININAS

Nesta excelente entrada, a Sara Pitola diz que leva a sério o seu preenchimento da quota feminina neste blogue. É um assunto sempre muito debatido, devem as quotas ser impostas ou não?

No ano passado, depois de algumas conversas com uma amiga (feminista), a verdade é que me fui tornando um activista da causa feminista e a considerar a hipótese de fazer parte de um movimento nesse sentido. Talvez por isso tenha ficado mais alerta. E houve um dia em que reparei que este blogue com sete co-autores não tinha uma mulher. E, verdadeiramente, pareceu-me absurdo.

Por essa altura, decidi convidar 4 mulheres para fazerem parte do blogue. A Sandra Maximiano, a Sara Pitola, a Vera Gouveia Barros (que por motivos profissionais teve de abandonar o blogue) e a Rita Carreira. Diga-se de passagem que eu já tinha pensado convidar cada uma delas antes. Apenas não o tinha feito porque pensava que não estariam interessadas. Mesmo assim, senti-me um pouco envergonhado ao convidá-las por atacado. Ainda por cima, a Sara Pitola reagiu logo a perguntar-me se eu a estava a convidar para preencher a quota feminina. Fiquei sem saber o que responder.

Quase em simultâneo, e apenas por coincidência, fui convidado a escrever na Maria Capaz. E fui convidado precisamente para preencher a quota masculina dessa plataforma feminina/feminista.

Tudo isto das quotas pode parecer a muitos um pouco absurdo. Mas a verdade é que alguns dos melhores artigos da Maria Capaz foram escritos por homens (incluindo o meu, diga-se). No caso deste blogue, permitam-me, mais uma vez, a falta de modéstia, a diferença foi fabulosa. Ganhou uma vivacidade, poder de choque e uma qualidade que não tinha graças às novas autoras.

Talvez um dia, quando as empresas forem pressionadas a ter mais mulheres em lugares de topo, percebam isto mesmo. Só têm a ganhar. Não porque as mulheres sejam melhores do que os homens, mas, simplesmente, porque, ao considerarem a possibilidade de recrutar mulheres para lugares de topo, verão duplicada a sua base de recrutamento. E, obviamente, o melhor de entre 100 homens não poderá ser melhor do que a melhor pessoa de entre 200.

Um bom Dia da Mulher para todas e para todos. Mas, em especial, para a minha mulher, que já percebeu que tem um tecto de vidro invisível para quebrar, e para as minhas duas filhas.

--(- por Luís Aguiar-Conraria , 8/3/2015, http://destrezadasduvidas.blogspot.pt/2015/03/quotas-femininas.html#comment-form )
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IsabelPS:

Uma vez fiz parte dum júri, melhor dizendo, fui assessora dum júri constituído só por homens:
corrigi provas escritas e fiz perguntas nas orais de acordo com as minhas capacidades linguísticas, mas só eles tinham direito de voto.
Para meu grande espanto constatei que quando eu fazia uma pergunta a um homem era frequente que ele respondesse duma forma para mim inesperada, quando os meus colegas faziam uma pergunta a uma mulher, acontecia muitas vezes o mesmo:
a resposta delas, que me parecia perfeitamente razoável, era visivelmente muito surpreendente para eles.

Tornou-se-me evidente (por isto e por outras coisas que não tinham a ver com género) que os "grupos" tendem a seleccionar quem seja semelhante a eles.
Não é por mal, nem é de propósito, mas pura e simplesmente quem seja diferente corre um altíssimo risco de não ser entendido nas suas respostas.
Logo aí decidi que, se eu mandasse, os júris da minha instituição teriam de ser obrigatoriamente constituídos por homens e mulheres.
E desde então olhei para as quotas com outros olhos.
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À parte a justeza de acesso e participação das mulheres ...- convém introduzir as Quotas ... também para salvaguardar os HOMENS, sim para proteger os FUTUROS candidatos a qualquer coisa, pois as mulheres (na sociedade portuguesa e ocidental) estão a conquistar/ obter a maioria dos lugares em várias profissões e categorias:
mais licenciadas, mais professoras, mais enfermeiras e médicas, ... mais vendedoras de loja, mais nas caixas de supermercado, ...

Actualmente, nas listas eleitorais têm de existir uma pessoa de outro sexo/género em pelo menos 1 em cada 3 lugares (33%) ... por mim está óptimo, no mínimo deveria ser sempre 1 em cada 5 (20%) - mas devendo o lugar desta quota mínima ser no meio ou intercalada ... e não no fim


De Zonas separadas p. mulheres...?... a 6 de Abril de 2016 às 10:02
a carruagem para mulheres que afinal era 12 lugares reservados perto da cabine do pessoal de bordo
http://conversa2.blogspot.pt/ 1/4/2016HelenaAraújo

A notícia em português diz que a empresa Mitteldeutsche Regiobahn vai criar duas carruagens para mulheres, para incentivar um ambiente mais seguro para todos os viajantes do sexo feminino.

Em alemão (Freie Welt, Süddeutsche, Freie Presse, MDR Sachsen, Die Freie Welt, Spiegel) leio:

- A pedido de algumas mulheres, essa empresa vai reservar em cada comboio da ligação Leipzig-Chemnitz dois compartimentos (de seis lugares cada) perto da cabine do pessoal de bordo, para mulheres que viajam sozinhas ou com crianças.
- Na ligação Leipzig-Chemintz a companhia ainda usa carruagens da antiga RDA, divididas em inúmeros compartimentos que são espaços pequenos, fechados e com pouca visibilidade. À noite os corredores são bastante escuros, e ao entrar no compartimento é preciso procurar o interruptor de luz para a acender. Cada comboio tem quatro carruagens deste tipo, e ainda uma quinta, aberta e de construção mais moderna, que é sempre a primeira a encher. É compreensível que as mulheres se sintam inseguras: ao contrário do que se passa nas carruagens abertas, as hipóteses de saídas de emergência são muito reduzidas, e ninguém vê o que se passa dentro dos compartimentos.
- A companhia oferece este serviço para reforçar o sentimento de segurança das mulheres, mas insiste que a medida não tem nada a ver com os incidentes na passagem de ano em Colónia.
- A medida não é inédita. Na Suíça houve um projecto-piloto há 15 anos que, por falta de procura, foi substituído por outro sistema de segurança. Na República Checa houve uma associação de pais (homens) que protestou contra este regulamento semelhante ao apartheid. Na Grã-Bretanha debate-se uma sugestão semelhante do trabalhista Jeremy Corbyn, e há quem a critique por "poder ser sentida como ofensiva, humilhante e embaraçosa tanto por homens como por mulheres". Esta possibilidade já é posta em prática em diversos países (Japão, México, Indonésia, Egipto, Brasil, etc.). Nos comboios nocturnos, há muito que a Deutsche Bahn oferece compartimentos de cama só para mulheres.
- Há um estudo da Middlesex Univ. sobre a segurança das mulheres nos transportes públicos que condena este tipo de solução, considerando-o um retrocesso. (O estudo parece-me muito bom: podem ler aqui. A parte relativa aos compartimentos só para mulheres começa na página 43.)

A medida deu azo a um enorme debate:
-- O Freie Welt pergunta: se se criam lugares especiais para mulheres, apesar da importância que damos à igualdade de género, o que se pode dizer da necessidade de segurança de outros grupos? Lugares especiais para pessoas com ar de estrangeiro (talvez separados por etnias inimigas), para homossexuais, para pessoas da extrema-direita e para pessoas da extrema-esquerda, por religiões? A lista de conflitos possíveis é infindável. A questão é: queremos responder a necessidades pontuais, ou discutir sobre os valores da nossa sociedade, e a melhor maneira de os proteger?
-- Os Verdes da Saxónia (o Estado onde esse comboio circula) não vêem mal nenhum nesta medida: as mulheres não são obrigadas a usar os lugares reservados; se não houver procura, pode-se desistir desta oferta. Os Linke têm oposição contrária. Um deputado deste partido afirma que já não estamos na Idade Média, nem no princípio do século passado, e pergunta se devemos esperar que se siga uma separação por género das salas de espera, das lojas e das piscinas. Enviou ao governo da Saxónia um pedido para se pronunciar sobre estas medidas, e também para dar informações sobre os ataques nos comboios e nas estações.
-- Frauke Petry, da AfD, afirma que a separação entre homens e mulheres é um retrocesso, e que o Estado tem de garantir a segurança das pessoas. "Mas a política está a falhar cada vez mais. Para melhorar esta situação, é preciso fazer mudanças urgentes na Polícia e na Justiça."
-- As redes sociais e as caixas de comentários dos sites informativos estão cheias de comentários sobre a ameaça islâmica, a invasão dos costumes islâmicos, as nossas mulheres terem de se sujeitar à sharia, os refugiados serem uns ingratos que não respeitam os nossos costumes, etc. - A medida, que não tem nada a...


De Mulheres, grupos... 'apartheid' ou cidad a 6 de Abril de 2016 às 10:13
( http://conversa2.blogspot.pt/ , 1/4/2016, Helena Araújo )
...
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- A medida, que não tem nada a ver com a chamada "ameaça islâmica", está a ser usada para alimentar a xenofobia e a islamofobia. Curiosamente, no Estado de Sachsen só 2,2% da população são emigrantes, e desses, os grupos maiores são vietnamitas e russos (ao contrário dos turcos, no total da Alemanha).

No twitter há um novo hashtag, #ImZugPassiert (acontece no comboio), no qual as mulheres contam incidentes em viagens ferroviárias. Certas reacções de alguns homens mostram a tendência para ignorar que o sexismo é parte normal do quotidiano das mulheres na Alemanha. Em reacção à incredulidade e ao gozo, há quem comente que as mulheres só são levadas a sério quando o atacante é um refugiado.
Alguns relatos (imaginem-se as cenas num cubículo de seis lugares, com uma porta pesada que fecha automaticamente, e sem ninguém a passar no corredor):
...
... ...
revelou a impossibilidade de combinar a luta por uma situação ideal com a necessidade de resolver hoje um problema concreto. Concordo que é preciso educação cívica, muito trabalho nas escolas, campanhas de sensibilização, medidas de empowerment das mulheres, e coragem civil. Mas enquanto isso não é posto em prática e começa a dar abundantes frutos, há que dar algum recurso de segurança a uma mulher que viaja sozinha num comboio de compartimentos pequenos, fechados, e com péssima visibilidade.

Compreendo até certo ponto os argumentos contra esta medida. Até certo ponto:

- Uma medida que menoriza as mulheres, e reforça os preconceitos de género.
Pior menorização das mulheres é recusar-lhes o apoio que pedem para poderem andar com segurança em certos comboios. Mesmo correndo o risco de "reforçar preconceitos", não se pode ignorar a existência da violência de género.

- Uma ofensa para os homens.
É verdade. Para não melindrar os homens, devemos recusar às mulheres a possibilidade de terem acesso a lugares onde se podem proteger melhor da violência de género?

- Vamos agora criar lugares reservados para proteger os negros dos ataques de skinheads e os refugiados dos ataques de neonazis?
Melhor seria perguntar às potenciais vítimas. ... há um problema gravíssimo de xenofobia e racismo. Devemos deixar os refugiados entregues à sua sorte, em nome de um ideal de não discriminação que está muito longe de ser realidade?

- Esta medida é um atentado à igualdade de género.
Pois é. Mas favorece a equidade: permite às mulheres viajar sozinhas em transportes públicos, em vez de escolherem entre ficar em casa, andar de carro/táxi, ou correr o risco de uma experiência desagradável e traumatizante.

- Áreas reservadas a mulheres é um sinal de que o mundo é dos homens, e que as mulheres se devem confinar à área reservada para elas.
Boa questão, sem dúvida. Mas haver, num comboio para várias centenas de pessoas 12 lugares reservados a mulheres não é ainda um caso de apartheid.

- Se uma mulher não se sentar no lugar reservado para ela está a sinalizar que não se importa de ser alvo de abuso por parte dos homens.
Não vejo os homens como um bando de tarados à espera da primeira desculpa para me saltar para cima. Pode ser que me engane, mas parto do princípio que a maior parte dos homens que anda nos transportes públicos são pessoas decentes, que nunca se lembrariam de usar tal argumento para me faltar ao respeito. Os que seriam capazes de recorrer a esse argumento são os que já têm uma predisposição para o abuso - e nesse caso, ainda bem que há os tais lugares onde eles não podem incomodar as mulheres.

- E porque não chamar a polícia e prender o abusador na paragem seguinte?
Pode ser, claro, mas os argumentos dos adversários da criminalização do piropo: e a polícia está disponível para isso? e como é que provas? e vais incomodar o sistema de justiça por tão pouco?

- Lugares reservados a mulheres podem conter em parte os ataques sexistas nas viagens de comboio, mas não resolvem o problema de fundo.

A solução está muito longe de ser a ideal, mas enquanto a violência de género nos espaços públicos for uma realidade, e enquanto não se arranjar uma solução melhor, há que dar uma resposta concreta aos problemas concretos das mulheres que hoje querem andar naqueles comboios.


De NY, 8.3.1957 Luta p. Humanidade a 9 de Março de 2015 às 11:22

Viva o 8 de Março - Da Realidade à Política e à Arte!

No dia 8 de Março de 1857, as operárias de uma fábrica de têxteis em Nova York, iniciaram uma luta indefetível pelos direitos das mulheres!
Por melhores condições de trabalho e de vida, melhores salários e igualdade de tratamento!...
a luta que as ameaçou desde logo, teve continuidade por muitos, longos e penosos anos
em que as suas reivindicações levaram a que fossem ameaçadas, perseguidas e reprimidas pela polícia
- ao ponto de, já no século XX, também nos EUA, acabarem cercadas num incêndio que deflagrou nas instalações de uma fábrica onde trabalhavam e onde resistiam às pressões externas de uma sociedade masculina e patriarcal.
Houve vítimas e até, pelo menos, uma morte entre estas corajosas, solitárias e solidárias mulheres!
O facto, enquanto atentado contra os direitos das mulheres e dos trabalhadores, foi sendo conhecido e o dia 8 de Março começou a ser assinalado, progressivamente, um pouco por todo o mundo.

Desta luta temos hoje um excelente registo no filme "Anjos Rebeldes" (originalmente intitulado: Iron Jawed Angels), um trabalho cinematográfico notável da realizadora Katja von Garnier que conta com a extraordinária interpretação de Hilary Swank no papel de Alice Paul, uma das mulheres cujo nome ficará para sempre, associado à luta memorável e exemplar das Sufragistas
a que, nesta obra, dão corpo e voz, também, outras atrizes de reconhecido e justo mérito como Julia Ormond e Angelica Houston.
Da difícil, contínua e indefetível luta pelos Direitos Humanos das Mulheres, temos o exemplo simbólico no facto de só em 1975, a ONU ter proclamado o dia 8 de Março como Dia Internacional das Mulheres.
Quanto à justeza da persistência desta luta, são tantos os argumentos, em pleno século XXI, que basta referir alguns dos problemas com que, nesta matéria, nos debatemos nas sociedades ocidentais:
desigualdades salariais, desigualdades de tratamento,
violência de género, violência doméstica, violência sexual,
assédio sexual, tráfico de seres humanos para efeitos de exploração,
exposição a estereótipos consumistas de mercados masculinizados
e tantas, tantas outras, maiores e menores formas de expressão de "machismos" e "micro-machismos"!...

Isto sem falar na urgência de solidariedade que é preciso reforçar e promover, por esse mundo fora, noutras esferas civilizacionais,
em que as mulheres não têm direito de voto,
não podem conduzir, não podem circular nas ruas sem estarem sujeitas à humilhação e falta de dignidade
-que, muitas vezes, as próprias não reconhecem!- de cobrirem completa ou parcialmente o seu corpo,
onde lhes é negado o direito ao livre-arbítrio,
imposto o casamento forçado e a impossibilidade de determinar o seu futuro...
e onde são, simplesmente!, consideradas, nada mais, nada menos, do que mero património familiar e propriedade patriarcal.

(por Ana Paula Fitas )
Etiquetas: Direitos Humanos; Política; Direitos Humanos; Sociedade; Política; Justiça; Cultura;

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6/3/2015:

Desigualdade Salarial, o rosto institucional da Discriminação Sexual...


Por não existir igualdade salarial entre homens e mulheres, em Portugal,
as mulheres são obrigadas a trabalhar mais 65 dias por ano para obter a mesma remuneração anual que os homens...
Para ilustrar o que este facto significa, instituiu-se assinalar o Dia da Igualdade Salarial no dia 6 de Março, por ser exactamente neste dia que, a partir do 1º dia do ano, se completam os tais 65 dias de trabalho excedentário feminino para efeitos de igual remuneração, pelo desempenho de uma mesma tarefa realizada por homens.

Se a este facto somarmos todo o trabalho não remunerado que, apesar da progressiva partilha dos afazeres domésticos e familiares entre pessoas de sexo diferente,
continua a sobrecarregar a maioria das mulheres, a evidência de ausência de fundamento racional e o grau de injustiça desta realidade é incontornável.

Quando uma sociedade legitima desigualdades básicas, como esta!, não pode, em caso algum!, considerar-se
uma sociedade efectivamente republicana e democrática, pautada pela afirmação de valores tais como a igualdade, a liberdade, a responsabilidade social e a solidariedade.

(- por Ana Paula Fitas )


De Contrato Colectivo vs Exploração de mulh a 9 de Março de 2015 às 13:07
8 de Março de todos os anos de um ano qualquer

(-por josé simões, http://derterrorist.blogs.sapo.pt/)

[ fuck off 2.jpg ]

É por isso que é importante a CONTRATAÇÃO COLECTIVA, porque lá vem, preto no branco, as categorias profissionais e que para determinada categoria profissional corresponde determinada remuneração,
independentemente do sexo, e da única vez em que a palavra "mulher" aparece é num capítulo do acordo de trabalho que diz "alínea xis, gravidez".

Faz-me confusão, muita confusão, quando ouço ou leio que as mulheres ganham menos que os homens para trabalho igual.
(só pode ser) Nas empresas dos empresários criadores de emprego e mui liberais, a famosa rigidez patronal. Só pode.

E sem Contratação Colectiva, sem Direitos Laborais, (e com a merd.. desta selvajaria Neoliberal, desreguladora, "flexível", ...) a EXPLORAÇÃO Salarial não é limitada aos trabalhadores do género feminino (trabalhadoras) mas
estende-se em especial aos "estagiários", aos Precários (sem contrato ou com contrato de curta duração), aos "externos" das Empresas de Trabalho Temporário, ...


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