De QUOTAS mínimas p. Mulheres e Homens. a 9 de Março de 2015 às 12:47
QUOTAS FEMININAS

Nesta excelente entrada, a Sara Pitola diz que leva a sério o seu preenchimento da quota feminina neste blogue. É um assunto sempre muito debatido, devem as quotas ser impostas ou não?

No ano passado, depois de algumas conversas com uma amiga (feminista), a verdade é que me fui tornando um activista da causa feminista e a considerar a hipótese de fazer parte de um movimento nesse sentido. Talvez por isso tenha ficado mais alerta. E houve um dia em que reparei que este blogue com sete co-autores não tinha uma mulher. E, verdadeiramente, pareceu-me absurdo.

Por essa altura, decidi convidar 4 mulheres para fazerem parte do blogue. A Sandra Maximiano, a Sara Pitola, a Vera Gouveia Barros (que por motivos profissionais teve de abandonar o blogue) e a Rita Carreira. Diga-se de passagem que eu já tinha pensado convidar cada uma delas antes. Apenas não o tinha feito porque pensava que não estariam interessadas. Mesmo assim, senti-me um pouco envergonhado ao convidá-las por atacado. Ainda por cima, a Sara Pitola reagiu logo a perguntar-me se eu a estava a convidar para preencher a quota feminina. Fiquei sem saber o que responder.

Quase em simultâneo, e apenas por coincidência, fui convidado a escrever na Maria Capaz. E fui convidado precisamente para preencher a quota masculina dessa plataforma feminina/feminista.

Tudo isto das quotas pode parecer a muitos um pouco absurdo. Mas a verdade é que alguns dos melhores artigos da Maria Capaz foram escritos por homens (incluindo o meu, diga-se). No caso deste blogue, permitam-me, mais uma vez, a falta de modéstia, a diferença foi fabulosa. Ganhou uma vivacidade, poder de choque e uma qualidade que não tinha graças às novas autoras.

Talvez um dia, quando as empresas forem pressionadas a ter mais mulheres em lugares de topo, percebam isto mesmo. Só têm a ganhar. Não porque as mulheres sejam melhores do que os homens, mas, simplesmente, porque, ao considerarem a possibilidade de recrutar mulheres para lugares de topo, verão duplicada a sua base de recrutamento. E, obviamente, o melhor de entre 100 homens não poderá ser melhor do que a melhor pessoa de entre 200.

Um bom Dia da Mulher para todas e para todos. Mas, em especial, para a minha mulher, que já percebeu que tem um tecto de vidro invisível para quebrar, e para as minhas duas filhas.

--(- por Luís Aguiar-Conraria , 8/3/2015, http://destrezadasduvidas.blogspot.pt/2015/03/quotas-femininas.html#comment-form )
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IsabelPS:

Uma vez fiz parte dum júri, melhor dizendo, fui assessora dum júri constituído só por homens:
corrigi provas escritas e fiz perguntas nas orais de acordo com as minhas capacidades linguísticas, mas só eles tinham direito de voto.
Para meu grande espanto constatei que quando eu fazia uma pergunta a um homem era frequente que ele respondesse duma forma para mim inesperada, quando os meus colegas faziam uma pergunta a uma mulher, acontecia muitas vezes o mesmo:
a resposta delas, que me parecia perfeitamente razoável, era visivelmente muito surpreendente para eles.

Tornou-se-me evidente (por isto e por outras coisas que não tinham a ver com género) que os "grupos" tendem a seleccionar quem seja semelhante a eles.
Não é por mal, nem é de propósito, mas pura e simplesmente quem seja diferente corre um altíssimo risco de não ser entendido nas suas respostas.
Logo aí decidi que, se eu mandasse, os júris da minha instituição teriam de ser obrigatoriamente constituídos por homens e mulheres.
E desde então olhei para as quotas com outros olhos.
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À parte a justeza de acesso e participação das mulheres ...- convém introduzir as Quotas ... também para salvaguardar os HOMENS, sim para proteger os FUTUROS candidatos a qualquer coisa, pois as mulheres (na sociedade portuguesa e ocidental) estão a conquistar/ obter a maioria dos lugares em várias profissões e categorias:
mais licenciadas, mais professoras, mais enfermeiras e médicas, ... mais vendedoras de loja, mais nas caixas de supermercado, ...

Actualmente, nas listas eleitorais têm de existir uma pessoa de outro sexo/género em pelo menos 1 em cada 3 lugares (33%) ... por mim está óptimo, no mínimo deveria ser sempre 1 em cada 5 (20%) - mas devendo o lugar desta quota mínima ser no meio ou intercalada ... e não no fim


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